Saiba identificar a sua insegurança e aprenda a criar autoconfiança

Muitas pessoas caminham pela vida carregando o fardo pesado da dúvida acerca do seu valor pessoal, habilidades e capacidades. No fundo, essas pessoas temem que lhes falte alguma qualidade essencial para conseguirem ser verdadeiramente bem-sucedidas socialmente (dignas de amor) ou em outros aspetos da vida (por exemplo, profissionalmente). Receiam ser abandonadas pelos amigos e entes queridos, ou ficam facilmente magoadas por algo que eles fizeram ou deixaram de fazer. Sentem-se abatidas, sem a autoconfiança e assertividade para realizar, ou conquistar os seus objetivos.

Se você se identifica com o descrito anteriormente, é importante compreender que a insegurança não se deve apenas à forma como você se sente. Mas sim porque mantêm ativamente essas experiências dolorosas e autopercepção através da maneira como pensa. Acredite ou não, esta é uma boa notícia. Oferece-lhe uma maneira de se sentir melhor sobre si mesmo, mudando a forma como você pensa e se relaciona consigo mesmo.

Existem três processos que as pessoas inseguras usam e são responsáveis pela promoção da sua baixa autoconfiança, que são a atenção seletiva, memória seletiva e interpretação seletiva. Em seguida explico o que são cada uma delas, assim como o que importa saber quando estão a manifestar-se e o que fazer para deixar de ser prejudicado por esses processos.

Atenção seletiva

Pense no seguinte: Isso é algo que você faz? Considere a semana passada. Você tende a prestar atenção às coisas que mostram que não tem valor ou que fazem sentir-se inadequado?As pessoas que são inseguras, na grande maioria das vezes têm a sua atenção focada nas situações que confirmam a sua falta de valor. Elas minimizam os seus pontos fortes, dizendo algo do gênero: “Oh, qualquer um poderia ter pintado isso.” E raramente percebem quando as outras pessoas apreciam o seu trabalho ou as suas ações.

Pense no seguinte: Isso é algo que você faz? Considere a semana passada. Você tende a prestar atenção às coisas que mostram que não tem valor ou que fazem sentir-se inadequado?

Escolha construir uma resposta mais positiva sobre você. Escolha ouvir conscientemente o seu lado positivo. Ao sentir-se inseguro, você estará inclinado a minimizar a importância dos seus aspetos positivos. Por agora, tudo bem. A etapa importante aqui é reconhecer que você tem uma tendência para dar atenção seletiva a tudo aquilo que o desvaloriza, manda abaixo ou confirme as suspeitas da sua falta de habilidade e capacidade.

Leve em consideração que provavelmente sente-se pouco confiante, não por falta de capacidade ou não saber fazer algo, mas sim pela ideia construída por si mesmo de que não é competente o suficiente para ser bem-sucedido.

Memória seletiva

Outro mecanismo que mantêm a insegurança das pessoas acerca de si mesmo (não se sentir amado ou sentir-se inadequado) é a incapacidade de lembrar-se de evidências do seu valor pessoal ou de circunstâncias em que foram bem sucedidas. Usualmente não se recordam de nada particularmente bom que tenham realizado, não recordando também nenhum feedback positivo significativo, o que é fácil de acontecer se você tem atenção seletiva para a sua ausência de valor.

Pense acerca de alguns acontecimentos da última semana: De que forma é que as pessoas mostram que têm apreço e se preocupam com você? Talvez tenha recebido uma mensagem apenas dizendo, “Como tens passado?” Que coisas boas você tem feito? Profissionalmente, você pode ter realizado algo tão pequeno como listar e organizar as suas tarefas. Socialmente, pode ser tão simples como sorrir e ser simpático para os outros.

Para ajudar a recordar algumas coisas que são positivas, olhe para o seu calendário, recorde cada dia da semana e refresque a sua memória das coisas boas que aconteceram ou que você realizou. Pode ser útil registar notas diárias das coisas positivas que você fez, para no final da semana poder recordar e com isso contrariar a sua tendência para não recordar o que é positivo.

Interpretação seletiva

Quando se acredita que não temos valor ou que não conseguimos ser amados, é fácil de interpretar tudo à luz dessa ideia. Por exemplo, o seu parceiro está cansado no final do dia, então você acha que ele não quer estar com você. O seu supervisor voltou com o seu relatório sugerindo fazer alterações, então você acha que ele não deve estar apreciando o seu trabalho.

Nestes exemplos, a pessoa não consegue reconhecer que é a sua maneira de dar sentido a essas situações que está promovendo a falta de autoconfiança, e que isso está muito mais relacionado com a sua insegurança do que com o facto dessas pessoas não se importarem com ela ou não gostarem do seu trabalho.

Questione-se: Existe outra maneira de pensar que faça mais sentido acerca do que está acontecendo? Se eles se preocupassem consigo ou valorizassem os seus esforços, que importância teria para você esse tipo de comportamento? Pode até querer compartilhar as suas preocupações e perguntar diretamente se você está certo. Por exemplo, com o seu parceiro, você pode dizer: “Pareces-me sempre muito calado e desligado a cada noite depois do trabalho. Estás chateado comigo? Com o seu supervisor, você pode dizer:” Eu aprecio o seu feedback e vou fazer essas alterações ao meu relatório. Mas eu estou querendo saber se você pensa que estou no caminho certo ou se existem áreas específicas onde eu deveria estar trabalhando para melhorar.” Esta abordagem teria a vantagem de oferecer-lhe a possibilidade de elogio ou feedback direto sobre como você pode melhorar e ser ainda melhor no relatório escrito.

Uma maior consciência acerca de como você alimenta a sua insegurança não faz com que ela desapareça, mas irá reduzir os efeitos prejudiciais. Você pode construir mais segurança e autoconfiança, escolhendo ativamente aquilo a que deve dar atenção, lembrando e pensando mais positivamente acerca das circunstâncias da sua vida. No entanto, isso requer esforço e uma vontade de desafiar a si mesmo.

Acredito que se você se dedicar a este exercício a sério (por exemplo concluí-lo em uma base regular, escrever sobre ele num diário, conversar com um amigo de confiança sobre isso), irá enfrentar alguns conflitos internos. Vai ser uma luta. Mas, com o tempo, esforço e persistência, você vai deixar de ser inseguro e construir autoconfiança.

Quero dizer-lhe que tenho ajudado centenas de pessoas a ultrapassem os seus receios e fragilidades através dos meus ensinamentos contidos numa das minhas palestras em vídeo: Como melhorar a autoestima e autoconfiança.

Fonte: Miguel Lucas

Até que ponto meu problema é realmente um problema?

Quando digo “meu problema” não estou me referindo ao meu problema como pessoa. É um título para quem está lendo se perguntar. Para você, até que ponto seu problema é realmente um problema real ou é um problema criado? Um problema criado com certeza vai se tornar um problema real.

Vou tentar explicar melhor. Vi o comentário de um rapaz aqui no blog que falou sobre ele ter tido na adolescência um problema no maxilar que fez com que essa região do rosto não crescesse de forma simétrica. Uma dentista chegou a dizer para ele que deveria utilizar uma aparelho de contenção por 6 meses para que o rosto não crescesse ainda mais de forma assimétrica. Atualmente ele pergunta para as pessoas se elas acham o rosto dele torto e sempre recebe a resposta de que não é ou que não é tão notável. Esse relato me lembrou muito o caso de outra moça que conversou comigo com o mesmo problema: crescimento errado do osso do maxilar. O médico dela falou pra ela que ela tinha um lado do maxilar maior que o outro. Mas o médico era especialista nisso, por isso tem o olho clínico e treinado para ver esses pequenos detalhes em seus pacientes. A mesma preocupação acontecia com ela, de as pessoas repararem que o rosto dela era “torto”.

Estou citando esse tipo de característica (maxilar) como exemplo, mas pode ser sobre o nariz, olho, orelha, testa, todo o rosto ou qualquer outra parte do rosto. Conheci através do nosso grupo do whatsapp um rapaz que sofre por achar que o cotovelo dele é feio. Esse transtorno pode ser sobre qualquer parte do corpo, até mesmo as menos improváveis.

Agora voltando à pergunta desse post. Até que ponto meu problema é mesmo um problema? As pessoas do meu convívio podem não reparar no que eu considero um defeito mas independente disso na minha mente isso tira o meu sono e a minha paz porque acredito que todos me julgam e me destratam por causa de como é minha aparência. Quando digo pessoas do meu convívio pode ser amigos, familiares ou até mesmo pessoas desconhecidas em lugares que frequento no meu dia a dia.

O ponto que estou querendo chegar é que vejo muitos depoimentos de pessoas aqui no blog que deixaram de viver e apenas existem, pessoas que não possuem mais nenhuma perspectiva de vida, que acreditam piamente que sua vida está fadada ao fracasso por causa de sua aparência e vai ser assim até a sua morte. Quando na verdade a pessoa possui uma aparência normal como qualquer outra e poderia ter uma vida normal como qualquer pessoa. Só que a realidade que ela criou dentro da mente dela é tão verdade que é muito difícil mudar essa visão, essa autoimagem.

E por a pessoa acreditar que isso é verdade, as atitudes dela reforçam essa realidade e vira um círculo vicioso difícil de ser quebrado porque uma coisa alimenta a outra. Por exemplo: Se eu penso (e acredito) que sou feio(a) e que ninguém vai se interessar por mim e conheço alguém que considero interessante. Qualquer forma diferente que essa pessoa me tratar eu já vou assimilar que é porque sou feio. Porque eu já estou o tempo todo na defensiva, que vai dar errado, esperando que a pessoa não vai se interessar por mim porque não sou digno (não tenho atributos) para isso. Mas a pessoa pode ter me tratado diferente porque ela estava com pressa, porque ela não estava em um dia bom ou apenas porque ela tem preferência por outro tipo de aparência ou personalidade para se interessar. E isso não tem nada a ver com bonito ou feio. Então quando eu achar algo que eu identifique que a pessoa está me rejeitando eu já vou me reafirmar que deu errado mais uma vez porque sou feio e isso é o motivo que muita coisa da errado na minha vida.

Se você acredita que não tem mais jeito, que sua vida já está escrita para ser um fracasso porque você não tem a aparência que gostaria de ter e que você é feio, você vai ter essa vida que escolheu/acredita.

Agora se você acredita que essa realidade é um problema que você não queria que tivesse acontecido mas infelizmente por questões alheias a sua vontade aconteceu e hoje você tem uma vida que não queria, mas que é possível que essa realidade mude, e que você tenha uma vida normal, muita coisa pode mudar.

Fácil né? Não. Não é fácil assim. Na teoria muito simples. Na prática é bem diferente. Quando já temos algo enraigado, que já vem de muito tempo, e que já está consolidado dentro de nossa mente, nosso psicológico, é um caminho difícil para mudar. Além disso, é preciso de um profissional para conseguir essa mudança (sem psicólogo pode funcionar, mas as chances caem ainda mais). E quando se faz um tratamento com um psicólogo para mudar essa autoimagem distorcida, ainda é preciso se identificar com o tratamento desse psicólogo, se sentir a vontade com esse psicólogo e se dedicar a esse tratamento. Então não é fácil, mas é possível mudar tudo isso. Aqui no blog tem um post falando sobre pessoas que conseguiram mudar essa situação (clique para ler). E digo, não é fácil, é um caminho um pouco longo e difícil, mas vale muito a pena. E durante o caminho você já vê as mudanças acontecendo.

Podemos ter uma vida inteira de infelicidade acreditando que nosso fracasso se deve a nossa aparência, quando na verdade as pessoas ao nosso redor não estão vendo nada disso que acreditamos ser a nossa realidade. Essa realidade muitas vezes é apenas a nossa realidade, como se vivêssemos em um mundo paralelo onde ninguém mais vê o que nós vemos. Então não vamos assinar um contrato de infelicidade vitalício por uma coisa que não é real. Até que ponto meu problema é realmente um problema? Ele é um problema para mim, sim, é verdade. Mas somente eu vejo isso e vivencio isso. Então é possível buscar alternativas para que essa minha realidade mude.

Tem uma parte do livro “Imperfeitos, Livres e Felizes” (para saber sobre livros clique aqui) que diz que muitas vezes pessoas fazem plásticas e conseguem se relacionar melhor com outras pessoas, serem mais aceitos e conquistam coisas na vida (cargos, etc) e atribuem este sucesso à essa modificação na aparência através da plástica. Quando na verdade o que mudou foi a postura da pessoa, a forma dela agir e de se relacionar com as pessoas e com o mundo e essas conquistas poderiam ser alcançadas sem a cirurgia plástica (somente com a mudança de atitudes).

Por exemplo: Se uma pessoa não gosta do nariz dela e acredita que ninguém se interessa dela por causa do nariz e até mesmo não pode ter um bom emprego porque ninguém vai querer contratar uma pessoa com o nariz igual ao dela (grande ou em um formato que a pessoa considera inadequado). Então ela opera e fica com o nariz como ela gostaria que fosse. Dessa forma essa pessoa consegue ter uma melhor desenvoltura para se relacionar com outras pessoas e começa a namorar. Além disso, se sente mais confiante para procurar e se portar nas entrevistas de emprego e consegue ser contratado para um cargo que antes nem imaginava conseguir. Ela atribui esse sucesso à mudança em sua aparência, quando na verdade essas conquistas se devem a nova forma que ela está vivendo e se vendo (autoimagem).

Para terminar, gostaria de falar sobre o padrão de beleza que tanto nos assombra. Sabemos de pessoas que estão dentro do padrão de beleza imposto pela mídia. Essas pessoas são privilegiadas fisicamente? Na minha opinião, sim. Em uma porcentagem de toda população do mundo, quantas pessoas estão dentro do padrão de beleza? Uma mínima parcela. Existem muito mais pessoas fora do padrão de beleza do que dentro. E isso não quer dizer que quem está fora desse padrão não tem sua beleza e está condenada a infelicidade. Vamos usar um comparativo. Quantas pessoas no mundo são milionárias, se pegarmos o total de pessoas que vivem no mundo atualmente? Uma mínima parcela também. Isso quer dizer que quem tem menos dinheiro não pode ter uma vida feliz também, conforme o que possui? Pode sim. Então não quer dizer que só porque não estamos dentro daquela parcela de pessoas “privilegiadas” que não temos também nosso mérito de desfrutar de muita coisa, de termos nosso valor e de sermos também felizes, conforme o que temos/somos. ♥

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Imagem corporal é a representação mental que cada um faz de seu próprio corpo

Imagem corporal é a representação mental que cada indivíduo faz de seu próprio corpo; também conhecido como consciência corpórea. Segundo Karl Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão, em sua publicação de 1913, “o corpo é a única parte do mundo que se sente e se percebe por dentro e é para mim um objeto e como me percebo como objeto”. Este autor já traz as primeiras definições de consciência corpórea: “tenho consciência do corpo, mas, ao mesmo tempo, posso vê-lo com os olhos e tocá-lo com as mãos”. Nesta publicação, Jaspers descreve quadros mentais capazes de promover a desorganização da imagem corporal, como os quadros depressivos.

A imagem corporal é construída a partir de dois pilares: a neurológica e a psicológica. E esta percepção corporal é construída e organizada pela associação dos sentidos corporais externos (visão, audição, tato) e internos (receptores de tendões, músculos e articulações), somada às representações mentais referentes ao corpo fornecidas pela cultura e pela história de cada sujeito.

Há uma região cerebral reconhecida por ser a sede da consciência corporal: é o lobo parietal. Lesões neurológicas, conhecidas como síndromes de negligência corporal, nesta região promovem quadros caracterizados por desorganização das percepções corporais, onde, por exemplo, perde-se o reconhecimento de partes do próprio corpo.

O desenvolvimento da consciência corporal ocorre progressivamente com a maturidade neurológica, e estas informações vão sendo somadas ao longo do desenvolvimento infantil até o desenvolvimento corporal definitivo, que usualmente ocorre na adolescência. Espera-se que nesta fase já tenhamos uma imagem, do ponto de vista neurológico, de nosso corpo, bem desenvolvida na região do lobo parietal. Embora para toda a vida, esta imagem poderá ser modificada diante de adversidades que mudem concretamente a constituição de nosso corpo, como ganhos e perdas de peso ou mesmo amputações de membros.

Vale ressaltar que a base neurológica não é suficiente sozinha para o desenvolvimento da imagem corporal, sendo esta, também determinada pelos aspectos psicológicos ao longo da vida. E até hoje não foi reconhecida nenhuma alteração neurológica que pudesse, por exemplo, justificar a distorção de imagem corporal encontrada em alguns transtornos alimentares.

Do ponto de vista psicológico, para uma adequada construção da imagem corporal é necessária uma boa construção da estrutura emocional do “eu” (ou self, como a psicologia costuma denominar).

A percepção do corpo refere-se mais à constituição e à organização de uma imagem sobre o corpo do que uma percepção objetiva propriamente dita, e esta construção da imagem corporal está sempre ligada a experiências afetivas impostas pela relação com o outro.

Paralelamente à construção da imagem corporal, ocorre a construção psicológica da autoestima e ambas estão intimamente ligadas, já que a autoavaliação da imagem corporal pode modular a autoestima. Quanto mais positivamente se autoavalia, melhor se constrói a autoestima.

E o desenvolvimento de ambas é determinado ao longo de nossa infância pelas referências externas que recebemos: pais, irmãos, familiares, professores, colegas de escola e outros relacionamentos íntimos similares.

Quanto mais precocemente se constrói uma autoavaliação positiva e, portanto, uma autoimagem positiva, mais seguro de si o indivíduo será, não somente o seu corpo, mas também os inúmeros parâmetros de autoavaliação.

Por Dr. Alexandre Pinto de Azevedo

Pense no que você tem em vez do que gostaria de ter

Uma das tendências mentais mais destrutivas e persistentes é enfatizar o que gostaríamos de ter, em vez do que temos. Não parece fazer qualquer diferença o muito que já possuímos: nós simplesmente temos tendência a expandir nossa lista de desejos, para garantirmos que não poderemos ser satisfeitos. O padrão mental que impõe “Serei feliz quando este desejo estiver realizado” é o mesmo que se repete assim que o desejo é alcançado.

Se não alcançamos nosso desejo nos fixamos no que não temos – e permanecemos insatisfeitos. Se atingimos o que queremos, simplesmente recriamos o mesmo pensamento numa nova circunstância. Então, mesmo obtendo o que queremos, permanecemos infelizes. A felicidade não pode ser encontrada quando estamos o tempo todo desejando novas metas.

Felizmente, há uma maneira de se alcançar a paz. Implica mudar a ênfase de nosso pensamento do que queremos para o que temos. Cada vez que você se perceber caindo na armadilha do “eu gostaria que a vida fosse diferente”, volte atrás e comece tudo de novo. Respire fundo e lembre-se que você ficará grato por isso. Quando você focaliza não o que deseja, mas o que tem, termina obtendo mais do que gostaria, de um jeito ou de outro.

Lembre-se de pensar mais a respeito daquilo que você tem do que daquilo que deseja. Se assim fizer, sua vida lhe parecerá melhor do que antes. Provavelmente pela primeira vez saberá o que quer dizer satisfação.

Fonte: Livro “Não faça tempestade em copo d’água” (Richard Carlson)

Ignore seus pensamentos negativos

O ser humano tem em média 50 mil pensamentos por dia. Alguns deles são positivos e produtivos, mas muitos são negativos, aborrecidos, assustados, pessimistas, preocupados. Não há como não ter pensamentos negativos, com certeza você os terá, a questão é o que você vai optar por fazer com eles.

Na prática você só tem duas opções para lidar com seus pensamentos negativos. Pode analisá-os, poderá-los, estudá-los, pensa melhor, ou pode aprender a ignorá-los, afastá-los, não prestar atenção neles, não levá-los a sério.

Quando você tem um pensamento – qualquer pensamento – é isso que ele é, um pensamento! Pode magoá-lo sem que precise pedir seu consentimento para isto. Se você tem, por exemplo, um pensamento de algo que aconteceu no seu passado e dar atenção a isso, você criará um turbilhão interno. Se, em sua mente  der importância ao pensamento se convencerá que deveria realmente ser infeliz. Isso não quer dizer que não possa admitir que seu passado foi difícil, mas neste momento você tem uma escolha a respeito de quais pensamentos devem ser considerados relevantes.

A mesma dinâmica mental se aplica a pensamentos desta manhã, de cinco minutos atrás. Um problema que aconteceu há pouco tempo atrás agora é apenas um pensamento em sua mente. A mesma dinâmica se aplica a pensamentos futuros, como desta noite, próxima semana, ou daqui a dez anos. Você descobrirá, na maioria dos casos, que ao ignorar ou “esquecer” um pensamento negativo que ocupa sua mente, pensamentos pacíficos, subitamente, se aproximarão. E em um estado de mente mais pacífico, sua sabedoria e senso prático lhe dirão o que fazer. Esta estratégia exige prática, mas vale o esforço.

Fonte: Livro “Não faça tempestade e copo d’água (Richard  Carlson)

Exercício para se olhar menos no espelho

Já fiquei sabendo de mais de uma psicóloga que pediu para seus pacientes com o transtorno dismórfico corporal para não ficarem se olhando no espelho sem realmente uma necessidade real.

Percebemos que a necessidade constante de ter que se observar e se avaliar no espelho constantemente só reafirma a imagem distorcida de “eu sou realmente feio(a)”. Por isso a necessidade de quebrar esse ciclo vicioso.

Só que nos deparamos com um grande obstáculo para conseguir fazer isso. Nossa ansiedade de ter que conferir, de ter que olhar se não piorou, é muito grande e praticamente impossível de controlar.

Por isso, estou usando como referência um texto que eu li em um livro, que é um exercício, e o adaptando para diminuirmos a ida ao espelho. Não ir ao espelho gera ansiedade. Mas ir ao espelho também gera. Outro dia ouvi “Fico ansioso em ter que ir ao espelho me ver. E quando vou, não gosto do que vejo”. Então não há nada de proveitoso a ida ao espelho. Esse exercício vai diminuir a ida ao espelho e consequentemente vai diminuir a ansiedade. A ida ao espelho virou uma rotina, um hábito. E junto com a ansiedade fica ainda mais difícil de interromper isso. Mas não é impossível. Modificando esse costume vai ser criado um novo costume, que é o de não ir tanto ao espelho.

Um modo eficaz é criar períodos de prática – períodos de tempo em que concentrei minha mente. Você pode começar com períodos pequenos de cinco minutos e ir desenvolvendo a capacidade de aumentar ao longo do tempo. Comece dizendo para si mesmo “Ok, nos próximos cinco minutos não vou me olhar”. O que você descobrirá será surpreendente. Especialmente se souber que é apenas por pouco tempo, você conseguirá e na próxima vez conseguirá aumentar sua capacidade. Assim que você conseguir atingir seus primeiros marcos – cinco minutos – começará a perceber que tem capacidade de ficar sem ir ao espelho por períodos mais longos.

Tente adiar a sua ida ao espelho com outra atividade que você esteja fazendo ou precisa fazer. Por exemplo, se me deu vontade de ir ao espelho me olhar (ou pelo celular ou de qualquer forma) e eu estou vendo televisão, então eu penso “vou terminar de assistir isso que estou assistindo e depois eu vou ao espelho”. Não pare o que você está fazendo para se olhar. Se deu vontade de se olhar diga “vou terminar essa tarefa que estou fazendo e depois eu vou me olhar” ou “vou fazer tal coisa primeiro e depois vou me olhar”. E jogue para frente essa ação. Você não vai deixar de se olhar, apenas irá fazer daqui a pouco. E assim você vai aumentando o tempo conforme for exercitando.

Pare de se julgar

Penso estar observando a mim mesmo mas na realidade estou me julgando.

Nenhum olhar sobre si mesmo é neutro. A autoestima é, por essência, um julgamento: nos observamos e nos julgamos. Trata-se inclusive de um duplo julgamento, ou um julgamento sob pressão, como quiserem, pois esse julgamento que fazemos a nosso respeito é na realidade duplicado (ou contaminado, ou estressado) pelo julgamento dos outros: nós nos julgamos com base naquilo que pensamos do julgamento dos outros (com ou sem razão).

O primeiro problema é que nos julgamos, em vez de nos analisarmos e nos compreendermos. Segundo problema: esse julgamento é quase sempre severo demais. O que significa julgar? Significa ligar um fato a um valor. E os valores das pessoas que têm problemas de autoestima são prejudiciais, porque são excessivamente elevados e rígidos: seu desejo de perfeição serve apenas para aplacar seu desejo de proteção.

O problema: o crítico interno

O que chamamos de “crítico interno” em psicoterapia são os julgamentos constantemente negativos e limitadores, a autocrítica quase constante. A deformação permanente e parcial daquilo que nos acontece, sejam êxitos ou fracassos: “O que deu errado é minha culpa, o que deu certo é obra do acaso. O que deu errado, deu completamente errado, o que deu certo, deu certo só parcialmente. O que deu errado foi para sempre, o que deu certo é apenas temporário”.

Como conseguimos suportar isto? Apenas porque achamos que é uma forma de lucidez e de rigor. Na verdade, o crítico interno apenas aparenta ser honesto e lúcido. O crítico interno apresenta como verdade o que não passa de autointoxicação. O crítico interno está permanentemente em ação. Previsões antes da ação: “Não adianta tentar, nunca vai funcionar”. Comentários durante: “Olha só como você está indo mal”. E conclusões depois: “Você foi patético”. O crítico interno é o verdadeiro inimigo dentro de nós.

Naturalmente, nós mesmos somos esse inimigo. Somos nós que lhe damos vida, que o ouvimos, lhe damos abrigo, obedecemos, somos nós que acreditamos nele. Acabamos sem qualquer distanciamento, acreditando que esses pensamentos estereotipados têm funamento e são justos. O crítico interno também é chamado de “rádio crítico”: esse constante fluxo de frases negativas ditadas a si mesmo parece um aparelho de rádio instalado num canto, e que ninguém se lembra de desligar nem de ouvir atentamente para se dar conta de que só emite horrores e exageros.

De tanto pensar assim, acabamos acreditando

O crítico interno é ainda mais tóxico porque nos habituamos a ele, e nem prestamos atenção a sua natureza. Ele nos faz esquecer seu caráter parcial e equivocado. Sob a máscara da lucidez e da honestidade, está todo o prejuízo que ele pode causar.

A toxidade do julgamento de si mesmo quando decorre de uma autocrítica cega

Essa auto sugestão negativa infelizmente se revela eficaz e alimenta uma boa parte dos problemas de autoestima.

É ela que faz com que não tiremos proveito de nossas experiências de vida positivas, pois todo sucesso ou reconhecimento é imediatamente submetido à crítica parcial: “ilusão”, “não vai durar”, “não é tão bom”.

Ao contrário do que tenta fazer crer, o crítico interno em nada nos ajuda a progredir no plano de nossa pessoa global. Não passa de um discurso dissuasivo e limitador, que nos leva a temer, a recear, a tremer, a nunca estar satisfeito. Ele não nos puxa para cima. Isso levará apenas a mais estresse, inibições, insatisfações e tensões. E diminuirá a autoestima.

O crítico interno segue uma lógica de perfeccionismo patológico e ineficaz. Essa crítica interna fragiliza a autoestima, nos afastando dos benefícios de nossos êxitos, lembrando-nos sem descanso de nossos fracassos (sempre consideramos merecidas nossas auto recriminações).

Como praticar uma autocrítica útil?

O que ajuda a mudar é uma informação neutra e benevolente, mais que um julgamento parcial e agressivo. Para progredir, muitas vezes será necessário aprender a se criticar de outra forma, com moderação. Só é possível mudar corretamente sobre alicerces de aceitação de si mesmo, dos próprios erros e limites. Então virá o momento do julgamento, crítico ou favorável.

É preciso efetuar o mais rapidamente possível um trabalho de descontaminação e checagem. Com efeito, o “crítico interno” se nutre da confusão de nossas emoções e sempre se prevalece da pequena desordem criada por nossas inquietações. Para melhor enfrentá-lo:

• Lembrar-se de que nós mesmos geramos grande parte de nossos sofrimentos – Falar a si mesmo sobre isto: “Não permita mais que um pensamento ou uma ideia o tire do sério ou o destrua. Se seu medo detectou um problema, cuide desse problema, mas com calma. Estar atento ao próprio medo não significa submeter-se a ele, ao contrário. De onde vem o problema? Da minha imaginação? Da minha tendência ao exagero?

• Estabelecer claramente a diferença entre o que acontece (os fatos) e o que eu penso  a respeito (minha interpretação) – O crítico interno tende a me fazer confundir as duas coisas e a me levar a tomar o que ele pensa sobre o que o mundo realmente é. Os problemas de autoestima tornam as pessoas hipersensíveis. Se tenho a impressão de não ser apreciado por alguém, isto pode decorrer, é verdade, da frieza daquele com quem estou tendo contato, mas também do meu medo de não ser apreciado pelo outro  em geral, ou por essa pessoa particular.Essas conscientizações em caráter regular, separando a informação e a observação (neutras) do julgamento de valor (subjetivo), são indispensáveis para o desenvolvimento da autoestima.

• Mostrar-se prudente com as conclusões precipitadas – Por exemplo: o fato de alguém não se mostrar caloroso em relação a nós não significa que nós sejamos a causa (a pessoa pode ter seus próprios problemas que a torna fria e distante). Ou talvez essa pessoa seja desagradável com muitas outras e que não  é algo que tenha a ver conosco exatamente. Podemos também ter uma atitude de amabilidade (“Vamos ver se consigo alterar seu comportamento em relação a mim”) ou me voltar para pessoas mais receptivas, em vez de pensar que todo mundo terá uma atitude de rejeição em relação a mim.

• Reformular as autoverbalizações –  Deixar de lado as crenças radicais e definitivas: “eu não presto para nada”, “inaceitável”, “fracasso total”. Por trás da aparente ingenuidade desse comportamento, é bem real o peso das palavras. E a eficácia da técnica de reformulação está amplamente em psicoterapia. Ela é por sinal um dos vetores das psicoterapias da autoestima. Em vez de pensar “Essa pessoa me detesta e me despreza, está na cara” podemos reformular pensando “Esse sujeito não é dos mais calorosos. Será que tem a ver comigo ou com ele?”. As formulações negativas e me categóricas facilitam a violenta inflamação dos pensamentos mais catastróficos de rejeição social. Basta que se manifeste uma dúvida “E se eu não for amado?” para que se transforme em certeza. Uma autoverbalização útil é aquela que não nega os fatos, mas cuida de se limitar ao que é real e não imaginário, separando claramente a observação da especulação.

• Entender que as mudanças ocorrem lentamente, como qualquer mudança na relação comigo mesmo – Treinar-se inicialmente em situações pouco “quentes” no plano emocional, ou seja, que envolvam pouco a autoestima.  E só então atacar o que é mais delicado. Aceitar as voltas periódicas do crítico interno em nossa cena mental. Não perder a calma. Mostrar-lhe calmamente a porta de saída.

O que nos impede de efetuar esse trabalho de parar a autocrítica e utilizar um discurso realista é acharmos que somos bons conhecedores de nós mesmos. E esse pensamento nos leva a aceitar incessantes recriminações do crítico interno. O “eu me conheço bem” das pessoas de baixa autoestima frequentemente é um erro. Na realidade, elas só conhecem bem uma parte de si mesmas: a parte de suas fraquezas. Suas qualidades são percebidas com mais clareza pelos que as cercam do que por elas mesmas.

A autocrítica deve ser também construtiva e não apenas crítica. É a diferença entre “Eu fui mal” (global e negativo) e “Da próxima vez vou tentar diferente” (específico e construtivo).

Para cegar a esse discurso interno, é necessário distanciamento e treinamento. Uma regra pode ser não depositar uma confiança cega em nossas intuições quando estamos em uma situação em que nossa autoestima se sinta ameaçada. Não existe pior juiz do que nós mesmos: os estudos confirmam que quando acabamos de cometer um erro (ou algo que nos pareça um erro), superestimamos sistematicamente a severidade do olhar dos outros. Lembrar-se suavemente dessa realidade, antes de enfrentar as situações que nos inquietam, parece uma boa regra. Saber também dizer a si mesmo “Cuide de si mesmo: não se deixe impressionar pelos seus medos, que são desencadeados sem razão, diante de ameaças mínimas ou inexistentes. Concentre-se nas situações, não julgue depressa demais o que acontece. Não faça mal a si mesmo”.

Fonte: Livro “Imperfeitos, Livres & Felizes” Christophe André

Minha vida até hoje

Nesse post eu vou contar como foi minha vida relacionada com esse transtorno psicológico, que se iniciou na minha infância e como eu vivi com isso, depois meu tratamento, minha cura (ainda fico um pouco confusa se esse é o termo correto) e como é minha vida hoje sem o transtorno.

Nasci em 28/12/1982 em uma família amorosa, sem problemas de convivência.

1987 (5 anos de idade) – Comecei a sofrer bullying de um amigo do meu irmão que me chamava de feia e achava engraçado eu chorar e pedir para o meu irmão bater nele. Como era amigo do meu irmão e eu considerava meu irmão uma pessoa de confiança, eu achava que o amigo dele também era e acreditava que o que ele estava falando era verdade.

1990 – Com +ou- 8 anos de idade comecei a chorar em casa dizendo que era feia. Minha mãe me colocou em uma psicóloga. Lembro que na minha primeira sessão ela pediu para eu desenhar como era minha família. Fiz um tempo de terapia e pedi para minha mãe me tirar porque parecia que ela era apenas uma pessoa que eu falava sobre os meus dias e não alguém que falava algo que me ajudava.

2001 (19 anos de idade) – Os anos foram se passando e eu continuava me vendo da mesma forma. Horrível. Sempre me falavam “Por que você não entra para uma agência de modelo? Você é alta e magra”. Eu nunca gostei da minha altura, tenho 1.79 m. Então com 19 anos recebi um panfleto na rua que era de uma agência de modelo. Pensei “Quem sabe não está aí uma oportunidade de eu gostar de mim?”. Entrei para a Agência. Pediram para eu emagrecer (eu já era magra mas tinha um pouco de barriga – tenho até hoje). Fiz um book, odiei e rasguei quase todas as fotos. Claro, eu não gostava de mim, como ia gostar das fotos que outra pessoa batesse? Eu fiquei travada nas fotos. Saí da agência e não quis mais.

2003 (21 anos de idade) – Eu continuava me sentindo muito mal com a minha aparência e não achava aquilo normal. Voltei por conta própria a fazer terapia (com outra psicóloga). Foram 37 consultas e eu não conseguia ver nada mudando dentro de mim. Na mesma época arranjei um emprego e não consegui continuar com essa terapia, na verdade nem queria mais porque não via resultado. Até aqui eu não tinha recebido um diagnóstico e não sabia o que eu tinha.

2009 (26 anos de idade) – Nessa época eu estava fazendo faculdade, já havia reprovado em algumas matérias e no intervalo raramente saia da sala porque tinha vergonha que as pessoas me olhassem. Decidi que eu ia gostar de mim por conta própria, já que com ajuda de terceiros não estava dando certo. Comecei a me vestir da melhor forma, a andar sempre maquiada. Eu tinha colocado toda a minha energia e tinha acreditado com todas as minhas forças de que aquilo ali daria certo. Só que o tempo foi passando e eu não via mudança em como eu me via e comecei a ficar frustrada. Com isso, comecei a entrar em depressão e não sabia que era depressão porque acreditava que todo mundo tinha problemas na vida e que a vida não era fácil mesmo. Eu tinha dificuldade para dormir e para tomar banho. Com muito esforço eu tomava banho mas não tinha forças para me vestir, então dormia enrolada no roupão e no outro dia, já atrasada para o serviço porque eu tinha dificuldade de fazer qualquer coisa, eu me vestia e ia para o serviço que sempre chegava atrasada.

Comecei a achar que eu não tinha só uma insatisfação, mas um problema psicológico. Mas qual? Então resolvi criar uma espécie de apostila sobre mim, que eu levaria até um psicólogo depois para tentar descobrir o que eu tinha. E comecei minha apostila assim:

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Anotei alguns transtornos mentais que eu achava que poderiam ter a ver comigo, entre elas anotei o Transtorno Dismórfico Corporal que quando li me identifiquei muito. Anotei algumas coisas sobre a minha vida mas vou por em outro post pra não ficar muito gigante este (Aqui tem um trechinho). E no dia 27 de maio de 2009 eu concluí minha apostila escrevendo “Hoje eu não quero saber quais as formas certas que eu deveria me ver e ver minha vida. Se eu souber que eu tenho alguma coisa, nem que seja para dizer que as coisas que eu penso tem algum sentido (mesmo que não tenham fundamento) já vai ser um alívio. Porque vai ser um caminho andado em saber que pode ser solucionado”.

Dois dias depois eu não consegui trabalhar. Cheguei ao trabalho e só conseguia chorar. Então lembrei de uma psicóloga que eu tinha ido há um tempo atrás (que não era nenhuma das duas que eu contei aqui). Eu só tinha ido 3x nela e não tinha ido mais, porque pensei “Eu já fui em outras duas e não adiantou, não vai ser dessa vez que vai funcionar”. Só que eu tinha entrado em um buraco que eu não conseguia mais sair sozinha. Então entrei em contato com ela e consegui marcar uma consulta para o mesmo dia. Ela pediu para eu ir também ao psiquiatra porque eu estava provavelmente com depressão (que foi confirmado pelo psiquiatra). Eu falei pra ela “Eu acho que eu tenho Transtorno Dismórfico Corporal” e ela falou “Eu também acho que você tem, mas na época eu não podia te dar um diagnóstico tão rapidamente antes de te conhecer melhor”. Ali começamos a terapia cognitivo comportamental.

2012 (29 anos de idade) – Fiz terapia por um tempo e depois acabei me mudando e não prossegui. Mas segui refletindo  sobre meus pensamentos e continuei lendo muito sobre os assuntos relacionados a auto imagem, auto estima e ditadura da beleza. Percebi que eu não tinha mais os sintomas desse transtorno. Eu não sofria mais por causa da minha aparência, não deixava de fazer nada que eu queria por ter vergonha da minha aparência. Eu tinha descoberto a minha beleza. Eu não me considerava perfeita, mas me considerava uma pessoa normal e com a minha beleza dentro disso.

2018 (35 anos de idade) – Hoje a relação com a minha aparência é muito boa. Ainda tenho algumas insatisfações mas nada que me faça sofrer ou me privar de fazer algo.  Sei que no meu conjunto está tudo normal. Desejo que cada pessoa que sofre por conta da própria imagem busque ajuda, busque tratamento, faça terapia. Não é um caminho fácil mas é um caminho que dá resultado e quando se percebe a mudança acontecendo você vê que valeu a pena todo esse esforço. Me coloco a disposição no que estiver ao meu alcance e também temos um grupo de whatsapp para quem conversar com outras pessoas que passam pelo mesmo problema e grupo de facebook.

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“Que triste, tenho Transtorno Dismórfico Corporal”

Muitas pessoas quando se identificam com a forma que uma pessoa com dismorfia vive acabam ficando tristes por descobrirem que tem o trastorno (Lembrando que somente um psiquiatra ou psicólogo podem dar o diagnóstico concreto).

Não fique triste se você descobriu que é isso que você tem (seja por dedução ou por diagnóstico). Há quantos anos você vem sofrendo por causa da sua aparência? As pessoas que você desabafava diziam que era bobagem. Achavam que você queria elogio ou chamar a atenção. Você não entendia o que acontecia com você que não se reconhecia mais, que se achava como um monstro fisicamente. Achava que as pessoas te excluíam por ser feia(o), que falavam entre elas o quanto sua aparência é horrível, que você ia ser o assunto do jantar na casa delas.

Não é ruim ser diagnosticado com Transtorno Dismórfico Corporal. Não estou dizendo que é bom ter esse transtorno psicológico. Claro que é ruim ter. Mas é bom saber que tem. Porque passamos anos, muitos anos, sofrendo disso sem saber que tinha nome. Sem saber o que era. E agora, depois de tanto tempo, é possível ter um norte, ter uma luz, saber para onde caminhar. Saber o que se tem da a possibilidade de se entender melhor, entender como tudo acontece e porque tudo isso aconteceu. Saber o que se tem faz você focar no que dá resultado e ter mais consciência do que precisa ser realmente tratado, que é a mente e não a mudança física com a cirurgia e procedimentos estéticos. Não sou contra cirurgias e procedimentos estéticos, mas isto tem que ser decidido com clareza do que se está fazendo e quando estamos com o transtorno dismórfico corporal não temos a real visão do que somos fisicamente. Como vamos modificar algo que não estamos vendo como realmente é? A chance de fazer cagada é grande.

Se sinta aliviado e grato de agora ter chegado em um momento da sua vida que é um novo ponto de partida. Que é um recomeço. É o momento de tratar isto e ter uma vida que você nem lembra mais como era. De poder sair para fora de casa sem carregar o peso de as pessoas olharem para você. De você gostar de ser quem você é. De viver plenamente e não viver mais pela metade. Mas busque por essa mudança. Não adianta dizer “eu sofro disso há 15 anos” mas continuar sem fazer terapia, esperando que do dia para a noite a mudança aconteça somente pelo fato de agora você saber o que tem. Saber o que se tem não faz o problema ir embora. Mas deixa a solução mais fácil de se alcançar. Seja a mudança que você quer ver. A mudança que você quer está na decisão que você toma.