Não aceitar a si próprio

Esse post eu considero como o mais importante até hoje. Recebo em média um email a cada 15 dias de alguém que tem transtorno dismórfico corporal. Alguns curtos, alguns loooooooongossssss. Alguns me adicionam no msn e vou mantendo contato. Tem um, em especial, que fica remoendo o TDC (transtorno dismórfico corporal) todo dia. Ele tem dismorfia há 6 anos e fica se lamentando que ninguém merece ter isso, que é muito ruim, e todas as variações possíveis. Ele trata a dismorfia como um inimigo mortal, que acompanha ele 24 horas. Ta certo que dismorfia é muito chato, mas quanto mais a gente bate de frente mais a gente se decepciona.

Com isso, quero postar o capítulo de um livro. O livro é sobre depressão e nosso eu interior em ligação com Deus (lado espiritual). Apesar do livro falar em “tratamento espiritual” nada tem a ver com espiritismo. Vou trocar a palavra depressão por tristeza ou dismorfia porque o recado que o autor quer passar serve para as duas coisas e nem todos os dismórficos são depressivos, mas com certeza todos os dismórficos possuem algum grau de tristeza. Espero mesmo que esse texto ajude você (dismórfico) a enxergar um pouco mais longe, a refletir e a tomar novas decisões e rumos na sua vida.


Livro: O tratamento espiritual da depressão
de Anselm Grün

Em um mundo em que praticamente tudo parece realizável, a alma reage com tristeza. Porque ela percebe que nem tudo depende da nossa vontade. Um outro motivo certamente são os exageros – não apenas de consumo, mas com relação à nossa autoimagem. Não podemos ser sempre o melhor, o mais belo, o mais inteligente. Precisamos nos conformar com a nossa medianidade.

 Cap 1
Não aceitar a si próprio

Pessoas dismórficas têm medo de serem rejeitadas pelos outros e, com isso, perderem-se completamente. Pessoas dismórficas têm dificuldades de aceitarem a si próprias. Consequentemente, sentem-se rejeitadas por todas as outras pessoas. Sua autoestima é baixa, e muitas vezes elas pensam que os outros não as valorizam ou não as levam a sério. Com frequência, isto gera um círculo vicioso. Quem não consegue se aceitar, desenvolve expectativas exageradas quanto ao apreço alheio. Com sua insaciável sede por reconhecimento, entretanto, estas pessoas acabam afastando aqueles que se esforçam por aceitá-los.

Elas atêm-se às  suas lamúrias sobre si mesmo e renegam cada passo próprio que poderiam dar. O primeiro passo seria aceitar a dismorfia e o fato de sofrer desta doença. Quem admite isso também cria coragem. Quem a abomina será sempre perseguido por ela. O poeta Christian Morgenstern descreveu de forma exemplar. Ele escreve: “Toda doença tem o seu sentido particular, porque toda doença é uma purificação. Existem explicações seguras para isto, mas as pessoas preferem ler a respeito de centenas e milhares de casos alheios, ao invés do seu próprio. Elas não querem aprender a ler os hieróglifos profundos de sua doença” (apud HELL, 1992: 224).
Daniel Hell acredita que a aceitação da própria dismorfia muitas vezes leve a uma clareza interior.

O poeta Theodore Roethke escreve “Em tempos escuros, o olho começa a ver (apud FAIRCHILD, 1991: 73). Quando o mundo externo se escurece para nós, voltamos os nossos olhares para dentro. E ali, por vezes, avistamos o segredo da existência. (…) É preciso que a pessoa aprenda a realizar por si só o que for capaz: a dar o passo para a vida e a aprovação de si própria com a sua doença. Ao invés de renegar a dismorfia, é preciso perguntar-lhe o que ela pretende nos dizer, o que ela está nos apontando. Quando a renegamos ela se fortalece cada vez mais. Ela se transforma num inimigo que nos domina.

O segundo passo consiste em estabelecer uma relação com a nossa dismorfia. Devemos como que colocá-la diante de nós, olhar para ela, questioná-la: O que quer me dizer? Que mensagens tem para mim? Quer chamar a minha atenção para quê? De que imagens própria eu deveria me despedir? De que posturas internas (perfeccionismo, querer ser bem visto em toda parte, sentir-se obrigado a atender a todas as expectativas) eu deveria abdicar?

O terceiro passo é o contato. Um bom caminho é escutar o corpo. No contexto do Focusing, portanto, eu posso sentir o interior do meu corpo e me perguntar. O que se revela por detrás deste sentimento?

É então preciso dar o quarto passo: Eu aceito a mim mesmo e minha dismorfia. Eu paro de me julgar por isso ou de me sentir inferior e desvalorizado. Eu me aceito do jeito que sou. Eu não desisto de mim mesmo. Eu percebo meu desânimo. Eu não o julgo. Eu me permito esta falta de vontade. Mas, ao mesmo tempo, eu lhe respondo e digo a mim mesmo: “Apesar do meu desânimo, sou capaz de dar o primeiro passo, e apenas hoje optar pela vida.

3 ideias sobre “Não aceitar a si próprio

  1. Para aprender a se aceitar precisamos de um profissional para nos ensinar a ver realmente quem somos, pois o mundo exige muito mais do que podemos ser. ENTÃO PROCURE UM BOM MEDICO COM CERTEZA EH MAIS FACIL SE AMAR QUANDO SABEMOS QUEM SOMOS.
    EU AGRADEÇO MUITO , E PARABENIZO DO DR SOLON CHWARTZMANN, PORTO ALEGRE RS , QUE ME ENSINOU .
    ACHO QUE VOCÊS TAMBÉM PODEM E MERECEM SER FELIZ.

  2. oi…achei bacana saber que não sou a unica embora tenha ficado triste….em saber que tem tanta gente sofrendo por ai…..tomara que todos nós consigamos se não a cura, amenizar nossos sintomas. acredito que em compensação podemos nos tornar pessoas mais sensíveis e compassivas do que seriamos se não tivéssemos esses probleminhas….. valeu pelo site!!!

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