É possível superar a dismorfia corporal?

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Eis uma pergunta que assombra quem convive com esse transtorno. Os estudos dizem que não há cura, e isso gera aflição e desesperança, dando a impressão de que iremos sofrer o resto de nossos dias nos achando feios e deformados. Não é bem assim.

Os especialistas que estudam esse transtorno dizem que não há cura, mas que há um controle do transtorno. Se esse controle der paz pro nosso espírito e a gente não sofrer mais com a nossa aparência, que mal tem? Digo por mim, há cerca de um ano eu não sofro mais com o que eu vejo no espelho. Não me acho feia, não me acho linda, me acho normal (apesar de a depressão ainda me rondar as vezes ela não se deve à minha aparência).

Aprendi que tenho minhas particularidades, que nossa beleza está muito nos olhos de quem vê e que beleza não é somente o conjunto de características físicas e sim a combinação de aparência física com a personalidade que você tem (seu carisma, seu jeito tímido ou engraçado, sua forma de falar e andar, suas opiniões, sua forma de ouvir, etc).

Primeiro precisamos admitir (para nós mesmos) que temos um transtorno psicológico que nos faz enxergar de forma errada como somos. Se não conseguimos mudar essa percepção sozinhos, precisamos de ajuda profissional de um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra. Existem várias formas de terapia. A que eu mais simpatizo é a “terapia cognitivo comportamental” que vai te ajudar a mudar pensamentos errados através de um diálogo com perguntas e não com conselhos. Estou explicando de forma grosseira, em outro post explico mais detalhado como funciona. Se quiser mais informações nesse momento recorra ao Google. 🙂

Em segundo lugar (se bem que pra mim tudo isso é uma coisa só) você deve ser comprometido com você mesmo a superar isso. Não adiantar ir na terapia uma vez por semana e achar que aquela uma hora dentro do consultório vai mudar sua vida. Não adianta tomar remédio controlado pra depressão, ansiedade ou TOC e achar que aquele comprimido vai fazer milagre. Não funciona assim. O remédio vai dar uma segurada nas coisas ruins que você anda sentindo, vai amenizar, diminuir. Em 100% o remédio ajuda 60% (por exemplo) e você tem que correr atrás dos outros 40% pra fechar com chave de ouro. Da mesma forma é a terapia. Aquela “uma hora” da terapia é o momento que você e sua (ou ‘seu’) terapeuta vai te ajudar a ver alguns pontos a serem trabalhos, vai te ajudar a achar o rumo da sua vida, do seu tratamento, e o resto das horas fora do consultório é você que tem que correr atrás da sua felicidade.

Voltando para a pergunta do começo do post, “é possível superar a dismorfia?”. Eu digo que sim. Não digo só pro mim, o Robert que conheci através do blog também considera a dismorfia corporal página virada na vida dele. E eu quero que vocês levem isso como incentivo para buscar a superação de vocês também. Chega de chorar porque é feio, chega de não sair de casa porque não quer que as outras pessoas te vejam feio, chega de achar que só plástica resolve a sua vida. Eu e o Robert estávamos conversando sobre isso outro dia. As pessoas com dismorfia tem vontade de mudar, mas não tem força de vontade, não tem a atitude de “vou mudar”. Querem que a mudança aconteça por si só. A mudança não vai acontecer. Porque a mudança é você. Sua vida só vai mudar quando você mudar, quando você fizer acontecer. Já falei sobre isso em outro post que você pode ler aqui.

Pra resumir tudo isso. A minha opinião é que se pode sim superar a dismorfia corporal. Mas para isso é preciso se dedicar à terapia, é preciso estar 24 horas por dia prestando atenção na forma que agimos errado e tentar mudar nosso pensamento, é preciso enfrentar nossos medos de sair de casa e ser visto pelas pessoas (porque quanto mais você sair de casa, menor esse monstro chamado medo/vergonha vai ficar). É preciso fazer (ou pelo menos tentar) as tarefas passadas pela terapeuta. É preciso ler sobre a ditadura da beleza e sobre auto imagem, etc. Em outras palavras, é preciso fazer acontecer.

Uma ideia sobre “É possível superar a dismorfia corporal?

  1. Oi flor
    seu post de hoje é muito bom, um dos melhores que eu já li aqui, porque através dele eu faço uma análise do quanto minha vida melhorou,
    eu já saía de casa com certa tranquilidade, mas tive que superar a fobia social, hoje eu não tenho medo de estar com pessoas lindas sendo um dragão ou acreditando que eu sou, aliás, eu nem to pensando nisso, fujo dos espelhos pra que eles não me deem a disfunção neurológica macabra que me enfeia e só, quando não tem reflexo eu nem lembro de mim.
    quando estou em casa não olho no espelho (tipo eu olhava umas 40 ate 60 vezes no dia, hoje são as basiconas mesmo, só quando vou ao banheiro ou me arrumo pra sair) = esse comportamento foi eficiente pra controlar as mágoas e choros sem fim.
    não estou na terapia nem tomando remédios, mas luto por mim, evito os caminhos que me conduzem à comparação, tipo ficar vendo fotos de mulheres referência de beleza
    e por fim, tirei 3 fotografias outro dia, tinha quase 20 anos que eu não tirava assim, espontaneamente, (tenho 27, não tiro desde os 9), foi de máscara, rsrsrs, mas tirei, fiquei feliz por ter tirado e estou me preparando pras que serão sem máscara, quando conseguir te mando uma carta contando.

    É isso, há muito tempo eu estava buscando formas de me trazer pra realidade, ser objetiva para conseguir resolver o problema de verdade, e eu ia devagarinho, o blog me ajudou a dar um enorme passo, me ajudou a me direcionar com a auto-ajuda. Agradeço a você e aos que contribuem com o blog e partilho com os que estão engatinhando ou estão num momento de desespero: existe uma luz, que não está no fim do túnel, está dentro de nós e que se acende e cresce quando estamos buscando (com vontade) por ela!

    Beijoss, tudo de bom

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