Converse com a voz de dentro da sua cabeça

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O título desse post parece meio esquizofrênico, eu sei. Mas a ideia desse post é relatar algo que eu passei para as pessoas que tem dismorfia corporal. Eu acho que isso deve acontecer com as outras pessoas que tem dismorfia corporal, mas não tenho certeza porque nunca perguntei se isso acontecia com elas.

Depois que eu descobri que tinha dismorfia corporal, comecei a reparar nos meus hábitos e comecei a tentar mudar tudo que eu percebia que era consequência da minha dismorfia corporal e que atrapalhava a minha vida. Para tudo há um caminho, mas quanto você está disposto a caminhar? É preciso dedicação e disciplina para superar a dismorfia corporal. Aos poucos as coisas vão mudando e você começa a perceber o progresso do que é preciso modificar na sua vida.

Uma das coisas que acontecia comigo e que eu achava que me atrapalhava muito é que eu sempre estava pensando mal de mim (da minha aparência). Se eu pensava “Eu sou feia”, eu tentava corrigir meu pensamento errado como “não, eu não sou feia, eu sou bonita”. E em sequência eu pensava “não, você é feia sim” e eu aceitava essa última ideia. Só que sabendo que eu estava sofrendo de dismorfia corporal, comecei a perceber que esse pensamento autoafirmativo de que eu era feia não era meu. De quem era então? De um espírito? De um et? Não. Era da minha cabeça, mas não era voluntário meu. Era algo que acontecia automático e o tempo todo.

Com isso, eu precisei ligar uma sineta, que tocava toda vez que eu pensava mal de mim, como por exemplo “Eu sou feia”, “Estão reparando como eu sou feia”, “Aquela pessoa está falando mal de mim para a pessoa que ela está conversando”, “ninguém quer conversar comigo no trabalho/faculdade/festa porque eu sou feia”.

Então começou a funcionar assim: “Eu sou feia”, logo em seguida eu me corrigia “Não, eu não sou feia”, e em seguida eu pensava novamente “eu sou feia sim”. Então a sineta imaginária e simbólica tocava TLIM TLIM TLIM. Opa, tem algo errado acontecendo. Então eu falava pra mim mesma “Você não manda em mim (essa outra voz), quem decide o que eu acho sou eu, não essa outra voz que acha que manda mais”. Parece idiota, mas depois de algum tempo a minha opinião começou a prevalecer.

Não precisa dizer “Eu sou bonita” se você não acha isso. Mas pode dizer “no momento eu não me acho bonita porque eu tenho dismorfia, mas estou ciente disso e estou trabalhando para melhorar essa imagem que tenho de mim, mas mesmo que eu não me ache bonita, não vou considerar que os outros me achem feia”. Eu pensava dessa forma também.

É preciso ter em mente e POR EM PRÁTICA que nós nos achamos feios/feias porque em algum momento de nossa vida condicionamos nossa mente a pensar dessa forma e hoje é difícil desacostumar algo que está acostumado de uma forma. Então diga para você mesmo que mesmo que você se ache feio, você sabe que isso é uma condição que sua mente te impôs mas que devagar você está se esforçando para mudar isso (seja lendo, fazendo terapia, etc, não importa o caminho que você está buscando, mas buscar um caminho).

Outra coisa que eu falava pra mim sempre era “Eu não me acho bonita, mas mesmo eu não me achando, vou aceitar que as outras pessoas que me olham não estão me vendo como eu me vejo. O problema está na forma como EU me vejo, e não na forma como AS OUTRAS PESSOAS me vêem.” Muita neurose e mania de perseguição que temos na verdade é tudo criação da nossa cabeça. Como por exemplo: as pessoas me acham feia/feio, as pessoas estão falando como eu sou feia/feio, quando na verdade isso não está acontecendo. Então vamos deixar claro para nós que quando julgamos que uma pessoa está nos achando feia/feio e/ou falando mal da nossa aparência para outra pessoa, há 90% de chance de isso ser só imaginação nossa e a pessoa não está pensando ou falando isso de nós.

Se conseguirmos começar a clarear essas ideias dentro da nossa cabeça, as coisas vão começar a se encaixar no lugar correto e a dismorfia vai começar a diminuir.

Obs: Não descarto a importância de fazer terapia para ajudar a superar a dismorfia corporal (gosto muito da terapia cognitivo comportamental).

3 ideias sobre “Converse com a voz de dentro da sua cabeça

  1. Tenho quase certeza que todos que tenham dismorfia tem essa “voz invasiva” na cabeça. É comum por assim dizer. Eu, com a ajuda de minha psicóloga trabalhamos encima disso, pois na época -2010- era insuportável essa voz (que por vezes eram mais).
    Uma coisa que aprendi com um professor de cursinho é, que você só aprende/ absorve algo na base da repetição. Como foi citado, corrigir esse pensamento inquisidor só dará certo se for feito incessantemente até o momento em que fica automatizado.
    Já digo, por experiência, que (infelizmente) é normal que depois que você tratar um pensamento (como o citado por ex,) aparecer outro, não necessariamente sobre se você é feio ou não, mas como já aconteceu comigo, nascer um dizendo: “Não, você não tem direito a namorar porque você não tem 230 curtidas em sua foto no facebook”, ou o que ronda em minha mente nas ultimas semanas é “Falam que você é bonito mas você não é, sabe porquê? Porque se você fosse as mulheres cairiam em cima de você como nos filmes”.
    Notem que em minhas citações, os pesamentos distorcidos por vezes se adequam, e também puxam outros assuntos relacionados a mídia, imposição de falsas realidades (como em filmes americanos, onde existem subdivisões como o grupo dos Descolados-Bonitos e sarados e, o grupo dos nerds (éca, e pensar que acreditei numa realidade assim)).
    Eu indico outro exercício que é o exercício da dúvida, indicado pelo Augusto Cury (indico muito os livros dele, valem muito a pena.) Se um pensamento diz por exemplo: “Você é feio e horroroso, não converse com ninguém pra evitar vergonha”, rebata-o com “Porque sou feio? Alguém me disse que sou feio?”, “e se esse alguém disse, por acaso ela é dona da verdade pra decidir quem e quem não é?”, “Porque mesmo sabendo que eu tenho dismorfia corporal, (que deteriora em 500% minha beleza pra mais) eu insisto em acreditar no monstro do espelho? “Porque eu acredito que devo ser igual modelos de propaganda se na internet tem inúmeros vídeos mostrando que são fortemente editados?”. E vai seguindo a linha, cada vez que um pensamento distorcido entrar na mente, se questione o porque dele existir, o porque eu devo acreditar nele, o porque ele existe. Você notará, desse desmembramento da “voz” que ele irá embora, mas não momentaneamente, mas sim por que foi tratado.
    Não sei se ficou claro o que disse aqui, mas quem quiser usar o que eu falei, eu garanto que ajuda pelo menos uns 65%.

  2. No meu entendimento ha 3 tipos de dismorfia: a imaginária, a física, por um fator genético ou hereditário, e a pior delas que é a psicossomática que causa duplo sofrimento: o de ser e o de se achar feio/feia.

    • não existe pessoa feia, o que existe são gostos particulares. O que uma pessoa acha bonito outra acha feio e assim por diante. Uma pessoa gosta de altas, outras de baixa, outras de magras, ou de gordinhas, de brancas ou de negras, de cabelos claros ou escuros, olhos verdes ou castanhos… são muitas características. Nunca haverá 100% de opinião igual entre o que é bonito ou feio. É muito subjetivo e a beleza leva em consideração outras características fora a aparência, como elegância, forma de agir e de pensar (beleza interior).

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