O que é a “body neutrality”, o meio termo entre amar e odiar o próprio corpo

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O discurso de que temos que amar o nosso corpo está mudando de abordagem para uma outra mais neutra, de aceitação sem culpa.

O objetivo da “body neutrality” é simples: não odiar o próprio corpo.

Atualmente muitos discursos tem encorajado mulheres a amarem seus corpos. Essa atitude em relação ao próprio corpo é vista como um ato revolucionário, empoderando as mulheres e questionando o padrão que define o culto a magreza como a única forma possível de beleza.

Nos Estados Unidos, um movimento quer substituir a positividade (body positivity) pela “body neutrality” (neutralidade corporal, em uma tradução literal).

A principal questão é que a “body positivity” pode criar, muitas vezes, a obrigação de que se passe a ter uma atitude positiva sobre o próprio corpo. A “body neutrality” defende um objetivo mais realista, que é simplesmente não odiar o próprio corpo. Conseguir mudar o foco de uma cultura tão obcecada pelo corpo perfeito para uma neutralidade é um grande passo.

Para a escritora Caleb Luna (conforme texto publicado em 2016 no site “Everyday Feminism”) o discurso de “ame seu corpo” coloca uma pressão desnecessária na ideia de atingir a aceitação do próprio corpo. O esforço de amar o próprio corpo todos os dias também pode apagar progressos feitos para uma autoimagem mais positiva que não esteja necessariamente vinculada à aparência física.

Essa imposição ignora os fatores externos que nos fizeram odiar nossos corpos em primeiro lugar (como por exemplo o padrão de beleza e a indústria de cosméticos). Conforme a escritora, há um ambiente cultural intolerante aos corpos fora do padrão, que está conspirando (e lucrando) para que seja impossível nutrir esse amor próprio.

“Embora eu tenha uma enorme quantidade de amor próprio, esse amor está mais ligado a quem eu sou do que ao corpo no qual eu existo” (Caleb Luna – Escritora)

Quando venerar o próprio corpo se torna obrigatório, o mal-estar criado por uma celulite é substituído pela impossibilidade de ver beleza em si mesmo a todas as horas do dia ou da noite, como define um artigo do site de moda, comportamento e cultura Man Repeller.

Pensar menos sobre o próprio corpo e apenas aceitá-lo, em vez de amá-lo, são bandeiras de quem considera a neutralidade mais saudável. A ideia é eliminar a sensação de fracasso por não ser capaz de se amar – que é comparada por quem critica a positividade ao fracasso de não ter um corpo perfeito.

Dessa forma, a neutralidade consiste em um meio caminho entre as duas exigências.

“Você ainda pode gostar de comer direito, se mexer e se cuidar, mas com a neutralidade, você estará fazendo isso com aceitação e alegria, não de maneira forçada e perfeccionista” disse a naturopata Cassie Mendoza-Jones à revista “Elle” australiana. Essa mentalidade menos estressante tem potencial para diminuir o peso da vontade de ser outra pessoa, de ter outro corpo.

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