Beleza é uma questão subjetiva

Eu comecei a responder um comentário que deixaram aqui no blog e acho que deveria virar um post. Então estou colando ele aqui e vou complementar mais algumas coisas. O assunto em questão é quem tem dismorfia corporal (homem ou mulher) e:
– sofreu bullying quando criança/adolescente (não é obrigatório);
– se considera muito feio e sem conserto;
– acha que as pessoas estão mentindo quando dizem que você é bonito.

Minha opinião é a seguinte:

Eu também sofri muito bullying na infância e adolescência e nem por isso sou anormal. E os outros leitores do blog que já entraram em contato comigo e me mostraram foto eram pessoas normais e que eu considero pessoas bonitas. O problema é que ficamos tão abitolados na nossa verdade (de que somos deformados de tão feios) que não cogitamos a possibilidade de haver outras óticas, outras percepções sobre isso. Então a gente nem aceita que as outras pessoas pensem diferente de nós, porque nós que temos a verdade absoluta e não há chance de isso mudar.

Então estamos fadados a morrer nos considerando a pessoa mais feia do mundo. Vamos nos permitir ser um pouco flexíveis e nos dar a oportunidade de poder ver as coisas também por outro ângulo, de avaliar as coisa por outro lado também, e perceber que talvez aquela pessoa que nos falou que nos acha bonita realmente ache isso. Qual a vantagem de uma pessoa elogiar a sua aparência sem achar isso de verdade? Se você não perguntou nada e a pessoa te elogiou, não faz sentido achar que ela está fazendo isso por sacanagem/mentira. Vamos pelo menos levar em consideração as pessoas do seu convívio, que não tem nada a ganhar com isso. Ninguém faz esse tipo de “caridade”.

Vamos nos permitir fazer uma terapia e refletir sobre nossos pensamentos. Vamos nos permitir ler livros sobre assuntos relacionados a tudo isso. Vamos abrir nossa mente e vamos nos permitir ter novas experiências, novas atitudes. É como uma frase que diz “Se você continuar tendo as mesmas atitudes que sempre teve, vai continuar obtendo os mesmos resultados que sempre obteve.”. O que você quer para a sua vida? Você quer sofrer para o resto da vida ou quer ter novas atitudes e ter uma vida mais feliz? A vida muda quando você muda.

A dismorfia corporal tem cura. Muitos profissionais dizem que não há cura, que só há um controle. Eu não concordo. Eu tive dismorfia desde criança mas até esse assunto ser de conhecimento dos psicólogos passei por alguns no decorrer da vida e a terapia não chegava a lugar nenhum porque o psicólogo não sabia o que eu tinha e me tratava somente como uma insatisfação da minha aparência. Só fui diagnosticada com dismorfia por psicólogo e psiquiatra aos 27 anos quando minha vida afundou numa depressão séria por conta disso tudo que eu sentia e não sabia o que era. Então com o diagnóstico consegui ter um rumo e comecei o tratamento com terapia, com remédio para sair da depressão e a leitura de muitos livros (os nomes dos livros estão no menu do blog, em “livros”). E desde 2012 eu não tenho mais nenhum sintoma de dismorfia corporal. Já são 5 anos assim e a cada ano é um ano a mais para essa conta. Só quem sai da dismorfia sabe o peso que tiramos das nossas costas, de poder sair na rua sem preocupação do que estão achando de nós. E eu não sou a única que não tem mais dismorfia.

O Robert que era leitor aqui do blog também não tem mais dismorfia há anos. Antes de ele superar isso ele deixou um depoimento pra nós aqui no blog. Clique aqui para ler. Outro dia eu tentei entrar em contato com ele, se ele queria escrever um relato sobre a superação da dismorfia dele e ele me falou que como foi uma fase difícil da vida dele, ele quer deixar isso pra trás e não lembrar mais disso. Mas ele também está aí, a prova viva de que da para sair disso sim.

Eu saio que nem uma mendiga na rua e não me importo. Eu não deixo de ir a nenhum lugar por causa da minha aparência e nem sofro por isso. Hoje me considero uma pessoa normal e sei que minha beleza é única, singular, e que vão existir pessoas que me acham bonita e outras que vão me achar feia porque isso é uma questão de gosto de cada pessoa, e não porque eu sou. Beleza não é uma coisa concreta, é uma coisa subjetiva! Vamos ao conceito de “subjetivo”.

Subjetivo é tudo aquilo que é próprio do sujeito ou a ele relativo. É o que pertence ao domínio de sua consciência. É algo que está baseado na sua interpretação individual, mas pode não ser válido para todos. 

Entendeu? A definição de beleza vai variar de pessoa pra pessoa mas isso não quer dizer que você não é bonito porque alguém não considera que você é. O seu valor está em você e não no que as outras pessoas acham de você.

Temos que refletir a respeito.

4 ideias sobre “Beleza é uma questão subjetiva

  1. Ja comentei aqui antes e em outros posts.
    A beleza só é subjetiva quando vc acha uma pessoa q é feia, bonita. Cauã Raymond é bonito, pode nao ser a preferencia d muitas, mas nao dá pra dizer q ele é feio.
    Quando alguem diz q sou bonito(isso nunca ocorreu d forma espontânea) é pra levantar minha moral ou por pena, pois disse antes q me achava feio.
    É horrivel nunca ser o escolhido d alguem, é pessimo estar no meio de centenas d pessoas e nunca ser o alvo d alguem. É triste ouvir outras pessoas falando d quem elas acham bonito e vc nunca estar no meio. É uma dor imensa alguem dizer q gosta ou te ama, mas quando olham seu rosto o amor vai embora. De q adianta ser uma pessoa legal se no final das contas pra relacionamento a minha beleza nao serve. Nunca serviu.
    É uma dor imensa

    • continuo não concordando com teu ponto de vista. Posso dar outros exemplos de pessoas então, como Neymar, Ronaldinho Gaucho, Ronaldo Fenômeno, etc. Tem uma carrada de gente que acha feia e tem outras que acham eles lindos. Eu acho que você se apegou nesse negócio de “eu sou feio e ninguém nunca vai me achar bonito” como se você decidisse o que as outras pessoas tem que achar de você e não deixa elas decidirem o que querem pensar ao seu respeito. Acaba se crucificando por conta própria. É só você olhar ao seu redor, no seu convívio e vai achar mulheres que você não ficaria porque você não acha elas bonitas, acha elas horríveis, mas com certeza outras pessoas vão achar essas mesmas mulheres lindas e vão querer se relacionar com ela. E não somente por uma aparência, mas porque elas também são pessoas legais que faz bem ter por perto. Você também deve ter visto caras que você acha horrível e dizer “esse cara é horrível, como pega mulher?” Porque esse cara é bonito aos olhos dessas mulheres.

  2. Conheci seu blog hoje, ainda nao consegui ler muita coisa, mas fiquei feliz em sabem que você hoje está bem.
    Tenho uma vida aparentemente normal, mas é quando estou sozinha que a tristeza por me odeiar mais aparece, e o mais engraçado é que sempre acho que a solução sempre será intervenções cirúrgicas pra que eu finalmente me aceite.
    Já fiz algumas, e sempre crio expectativas de que aquela intervenção vai fazer eu passar a gostar 1% que seja de mim, mas logo depois eu continuo me odiando e achando que preciso de outras mil.
    Assim como você já fiz algumas, (rinoplastia, otoplastia, micro nas sobrancelhas, gengivoplastia, clareamentos dentários, carbox pra tentar me livrar das estrias que não adiantou nada) já fiz também inúmeras mudanças capilares, distúrbios alimentares (anorexia), perdi 20 quilos, já fazem uns anos, hoje peso 59 quilos e tenho 1,80 de altura (também não gosto de ser alta). Ou seja, sempre estou insatisfeita e me odiando, sempre a procura de algo pra mudar e tentar gostar do que vejo no espelho, só que nunca acontece. Pra piorar ainda sempre sou trocada nos relacionamentos amorosos por alguma menina mil vezes mais bonita, o que faz eu me odiar ainda mais. Hoje tenho 22 anos, e quem convive comigo no dia a dia não faz a mínima ideia do que eu vivo desde sei lá, os 10 anos de idade.

  3. Estou no processo de autoaceitação, e sofri e sofro demais tentando ser perfeito, tive desvio no septo e me consumia o dia inteiro ao ficar pensando no defeito, ou ainda por cima no que os outros iriam pensar, vivi uma ditadura da beleza por anos, e agora tive queda cabelo e acredito que como a dismorfia é um transtorno mental eu exagero meus defeitos, ou me vejo de forma distorcida, e claro que ao focar demais na aparência esperamos que os outros nos vejo como um galã, na verdade não precisamos ser lindos, e claro que a beleza importa para as pessoas,, mas ninguém consegue manter um relacionamento ou ainda amizade somente pela aparência, aceitar como é, não é ser relaxado com a aparência, e sim perceber que não precisamos ser perfeitos, e que o interno é que deve ser mais importante, mais trabalhado, e lembrar que por se sentir mal com aparência o transtorno nos faz ver coisas que não são bem assim vamos dizer, procurar ajuda de um psicológico e medicamentos tem me ajudado bastante, não importa se em uma rodinha ou em algum lugar pessoas te ignoram, não precisamos ser o centro das atenções, faça você diferente, não veja os outros somente por serem belos, há pessoas “bonitas” e sem conteúdo e pessoas “feias” com muita bagagem, vamos juntos vencer a ditadura da beleza….

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