Até que ponto meu problema é realmente um problema?

Quando digo “meu problema” não estou me referindo ao meu problema como pessoa. É um título para quem está lendo se perguntar. Para você, até que ponto seu problema é realmente um problema real ou é um problema criado? Um problema criado com certeza vai se tornar um problema real.

Vou tentar explicar melhor. Vi o comentário de um rapaz aqui no blog que falou sobre ele ter tido na adolescência um problema no maxilar que fez com que essa região do rosto não crescesse de forma simétrica. Uma dentista chegou a dizer para ele que deveria utilizar uma aparelho de contenção por 6 meses para que o rosto não crescesse ainda mais de forma assimétrica. Atualmente ele pergunta para as pessoas se elas acham o rosto dele torto e sempre recebe a resposta de que não é ou que não é tão notável. Esse relato me lembrou muito o caso de outra moça que conversou comigo com o mesmo problema: crescimento errado do osso do maxilar. O médico dela falou pra ela que ela tinha um lado do maxilar maior que o outro. Mas o médico era especialista nisso, por isso tem o olho clínico e treinado para ver esses pequenos detalhes em seus pacientes. A mesma preocupação acontecia com ela, de as pessoas repararem que o rosto dela era “torto”.

Estou citando esse tipo de característica (maxilar) como exemplo, mas pode ser sobre o nariz, olho, orelha, testa, todo o rosto ou qualquer outra parte do rosto. Conheci através do nosso grupo do whatsapp um rapaz que sofre por achar que o cotovelo dele é feio. Esse transtorno pode ser sobre qualquer parte do corpo, até mesmo as menos improváveis.

Agora voltando à pergunta desse post. Até que ponto meu problema é mesmo um problema? As pessoas do meu convívio podem não reparar no que eu considero um defeito mas independente disso na minha mente isso tira o meu sono e a minha paz porque acredito que todos me julgam e me destratam por causa de como é minha aparência. Quando digo pessoas do meu convívio pode ser amigos, familiares ou até mesmo pessoas desconhecidas em lugares que frequento no meu dia a dia.

O ponto que estou querendo chegar é que vejo muitos depoimentos de pessoas aqui no blog que deixaram de viver e apenas existem, pessoas que não possuem mais nenhuma perspectiva de vida, que acreditam piamente que sua vida está fadada ao fracasso por causa de sua aparência e vai ser assim até a sua morte. Quando na verdade a pessoa possui uma aparência normal como qualquer outra e poderia ter uma vida normal como qualquer pessoa. Só que a realidade que ela criou dentro da mente dela é tão verdade que é muito difícil mudar essa visão, essa autoimagem.

E por a pessoa acreditar que isso é verdade, as atitudes dela reforçam essa realidade e vira um círculo vicioso difícil de ser quebrado porque uma coisa alimenta a outra. Por exemplo: Se eu penso (e acredito) que sou feio(a) e que ninguém vai se interessar por mim e conheço alguém que considero interessante. Qualquer forma diferente que essa pessoa me tratar eu já vou assimilar que é porque sou feio. Porque eu já estou o tempo todo na defensiva, que vai dar errado, esperando que a pessoa não vai se interessar por mim porque não sou digno (não tenho atributos) para isso. Mas a pessoa pode ter me tratado diferente porque ela estava com pressa, porque ela não estava em um dia bom ou apenas porque ela tem preferência por outro tipo de aparência ou personalidade para se interessar. E isso não tem nada a ver com bonito ou feio. Então quando eu achar algo que eu identifique que a pessoa está me rejeitando eu já vou me reafirmar que deu errado mais uma vez porque sou feio e isso é o motivo que muita coisa da errado na minha vida.

Se você acredita que não tem mais jeito, que sua vida já está escrita para ser um fracasso porque você não tem a aparência que gostaria de ter e que você é feio, você vai ter essa vida que escolheu/acredita.

Agora se você acredita que essa realidade é um problema que você não queria que tivesse acontecido mas infelizmente por questões alheias a sua vontade aconteceu e hoje você tem uma vida que não queria, mas que é possível que essa realidade mude, e que você tenha uma vida normal, muita coisa pode mudar.

Fácil né? Não. Não é fácil assim. Na teoria muito simples. Na prática é bem diferente. Quando já temos algo enraigado, que já vem de muito tempo, e que já está consolidado dentro de nossa mente, nosso psicológico, é um caminho difícil para mudar. Além disso, é preciso de um profissional para conseguir essa mudança (sem psicólogo pode funcionar, mas as chances caem ainda mais). E quando se faz um tratamento com um psicólogo para mudar essa autoimagem distorcida, ainda é preciso se identificar com o tratamento desse psicólogo, se sentir a vontade com esse psicólogo e se dedicar a esse tratamento. Então não é fácil, mas é possível mudar tudo isso. Aqui no blog tem um post falando sobre pessoas que conseguiram mudar essa situação (clique para ler). E digo, não é fácil, é um caminho um pouco longo e difícil, mas vale muito a pena. E durante o caminho você já vê as mudanças acontecendo.

Podemos ter uma vida inteira de infelicidade acreditando que nosso fracasso se deve a nossa aparência, quando na verdade as pessoas ao nosso redor não estão vendo nada disso que acreditamos ser a nossa realidade. Essa realidade muitas vezes é apenas a nossa realidade, como se vivêssemos em um mundo paralelo onde ninguém mais vê o que nós vemos. Então não vamos assinar um contrato de infelicidade vitalício por uma coisa que não é real. Até que ponto meu problema é realmente um problema? Ele é um problema para mim, sim, é verdade. Mas somente eu vejo isso e vivencio isso. Então é possível buscar alternativas para que essa minha realidade mude.

Tem uma parte do livro “Imperfeitos, Livres e Felizes” (para saber sobre livros clique aqui) que diz que muitas vezes pessoas fazem plásticas e conseguem se relacionar melhor com outras pessoas, serem mais aceitos e conquistam coisas na vida (cargos, etc) e atribuem este sucesso à essa modificação na aparência através da plástica. Quando na verdade o que mudou foi a postura da pessoa, a forma dela agir e de se relacionar com as pessoas e com o mundo e essas conquistas poderiam ser alcançadas sem a cirurgia plástica (somente com a mudança de atitudes).

Por exemplo: Se uma pessoa não gosta do nariz dela e acredita que ninguém se interessa dela por causa do nariz e até mesmo não pode ter um bom emprego porque ninguém vai querer contratar uma pessoa com o nariz igual ao dela (grande ou em um formato que a pessoa considera inadequado). Então ela opera e fica com o nariz como ela gostaria que fosse. Dessa forma essa pessoa consegue ter uma melhor desenvoltura para se relacionar com outras pessoas e começa a namorar. Além disso, se sente mais confiante para procurar e se portar nas entrevistas de emprego e consegue ser contratado para um cargo que antes nem imaginava conseguir. Ela atribui esse sucesso à mudança em sua aparência, quando na verdade essas conquistas se devem a nova forma que ela está vivendo e se vendo (autoimagem).

Para terminar, gostaria de falar sobre o padrão de beleza que tanto nos assombra. Sabemos de pessoas que estão dentro do padrão de beleza imposto pela mídia. Essas pessoas são privilegiadas fisicamente? Na minha opinião, sim. Em uma porcentagem de toda população do mundo, quantas pessoas estão dentro do padrão de beleza? Uma mínima parcela. Existem muito mais pessoas fora do padrão de beleza do que dentro. E isso não quer dizer que quem está fora desse padrão não tem sua beleza e está condenada a infelicidade. Vamos usar um comparativo. Quantas pessoas no mundo são milionárias, se pegarmos o total de pessoas que vivem no mundo atualmente? Uma mínima parcela também. Isso quer dizer que quem tem menos dinheiro não pode ter uma vida feliz também, conforme o que possui? Pode sim. Então não quer dizer que só porque não estamos dentro daquela parcela de pessoas “privilegiadas” que não temos também nosso mérito de desfrutar de muita coisa, de termos nosso valor e de sermos também felizes, conforme o que temos/somos. ♥

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