Até que ponto meu problema é realmente um problema?

Quando digo “meu problema” não estou me referindo ao meu problema como pessoa. É um título para quem está lendo se perguntar. Para você, até que ponto seu problema é realmente um problema real ou é um problema criado? Um problema criado com certeza vai se tornar um problema real.

Vou tentar explicar melhor. Vi o comentário de um rapaz aqui no blog que falou sobre ele ter tido na adolescência um problema no maxilar que fez com que essa região do rosto não crescesse de forma simétrica. Uma dentista chegou a dizer para ele que deveria utilizar uma aparelho de contenção por 6 meses para que o rosto não crescesse ainda mais de forma assimétrica. Atualmente ele pergunta para as pessoas se elas acham o rosto dele torto e sempre recebe a resposta de que não é ou que não é tão notável. Esse relato me lembrou muito o caso de outra moça que conversou comigo com o mesmo problema: crescimento errado do osso do maxilar. O médico dela falou pra ela que ela tinha um lado do maxilar maior que o outro. Mas o médico era especialista nisso, por isso tem o olho clínico e treinado para ver esses pequenos detalhes em seus pacientes. A mesma preocupação acontecia com ela, de as pessoas repararem que o rosto dela era “torto”.

Estou citando esse tipo de característica (maxilar) como exemplo, mas pode ser sobre o nariz, olho, orelha, testa, todo o rosto ou qualquer outra parte do rosto. Conheci através do nosso grupo do whatsapp um rapaz que sofre por achar que o cotovelo dele é feio. Esse transtorno pode ser sobre qualquer parte do corpo, até mesmo as menos improváveis.

Agora voltando à pergunta desse post. Até que ponto meu problema é mesmo um problema? As pessoas do meu convívio podem não reparar no que eu considero um defeito mas independente disso na minha mente isso tira o meu sono e a minha paz porque acredito que todos me julgam e me destratam por causa de como é minha aparência. Quando digo pessoas do meu convívio pode ser amigos, familiares ou até mesmo pessoas desconhecidas em lugares que frequento no meu dia a dia.

O ponto que estou querendo chegar é que vejo muitos depoimentos de pessoas aqui no blog que deixaram de viver e apenas existem, pessoas que não possuem mais nenhuma perspectiva de vida, que acreditam piamente que sua vida está fadada ao fracasso por causa de sua aparência e vai ser assim até a sua morte. Quando na verdade a pessoa possui uma aparência normal como qualquer outra e poderia ter uma vida normal como qualquer pessoa. Só que a realidade que ela criou dentro da mente dela é tão verdade que é muito difícil mudar essa visão, essa autoimagem.

E por a pessoa acreditar que isso é verdade, as atitudes dela reforçam essa realidade e vira um círculo vicioso difícil de ser quebrado porque uma coisa alimenta a outra. Por exemplo: Se eu penso (e acredito) que sou feio(a) e que ninguém vai se interessar por mim e conheço alguém que considero interessante. Qualquer forma diferente que essa pessoa me tratar eu já vou assimilar que é porque sou feio. Porque eu já estou o tempo todo na defensiva, que vai dar errado, esperando que a pessoa não vai se interessar por mim porque não sou digno (não tenho atributos) para isso. Mas a pessoa pode ter me tratado diferente porque ela estava com pressa, porque ela não estava em um dia bom ou apenas porque ela tem preferência por outro tipo de aparência ou personalidade para se interessar. E isso não tem nada a ver com bonito ou feio. Então quando eu achar algo que eu identifique que a pessoa está me rejeitando eu já vou me reafirmar que deu errado mais uma vez porque sou feio e isso é o motivo que muita coisa da errado na minha vida.

Se você acredita que não tem mais jeito, que sua vida já está escrita para ser um fracasso porque você não tem a aparência que gostaria de ter e que você é feio, você vai ter essa vida que escolheu/acredita.

Agora se você acredita que essa realidade é um problema que você não queria que tivesse acontecido mas infelizmente por questões alheias a sua vontade aconteceu e hoje você tem uma vida que não queria, mas que é possível que essa realidade mude, e que você tenha uma vida normal, muita coisa pode mudar.

Fácil né? Não. Não é fácil assim. Na teoria muito simples. Na prática é bem diferente. Quando já temos algo enraigado, que já vem de muito tempo, e que já está consolidado dentro de nossa mente, nosso psicológico, é um caminho difícil para mudar. Além disso, é preciso de um profissional para conseguir essa mudança (sem psicólogo pode funcionar, mas as chances caem ainda mais). E quando se faz um tratamento com um psicólogo para mudar essa autoimagem distorcida, ainda é preciso se identificar com o tratamento desse psicólogo, se sentir a vontade com esse psicólogo e se dedicar a esse tratamento. Então não é fácil, mas é possível mudar tudo isso. Aqui no blog tem um post falando sobre pessoas que conseguiram mudar essa situação (clique para ler). E digo, não é fácil, é um caminho um pouco longo e difícil, mas vale muito a pena. E durante o caminho você já vê as mudanças acontecendo.

Podemos ter uma vida inteira de infelicidade acreditando que nosso fracasso se deve a nossa aparência, quando na verdade as pessoas ao nosso redor não estão vendo nada disso que acreditamos ser a nossa realidade. Essa realidade muitas vezes é apenas a nossa realidade, como se vivêssemos em um mundo paralelo onde ninguém mais vê o que nós vemos. Então não vamos assinar um contrato de infelicidade vitalício por uma coisa que não é real. Até que ponto meu problema é realmente um problema? Ele é um problema para mim, sim, é verdade. Mas somente eu vejo isso e vivencio isso. Então é possível buscar alternativas para que essa minha realidade mude.

Tem uma parte do livro “Imperfeitos, Livres e Felizes” (para saber sobre livros clique aqui) que diz que muitas vezes pessoas fazem plásticas e conseguem se relacionar melhor com outras pessoas, serem mais aceitos e conquistam coisas na vida (cargos, etc) e atribuem este sucesso à essa modificação na aparência através da plástica. Quando na verdade o que mudou foi a postura da pessoa, a forma dela agir e de se relacionar com as pessoas e com o mundo e essas conquistas poderiam ser alcançadas sem a cirurgia plástica (somente com a mudança de atitudes).

Por exemplo: Se uma pessoa não gosta do nariz dela e acredita que ninguém se interessa dela por causa do nariz e até mesmo não pode ter um bom emprego porque ninguém vai querer contratar uma pessoa com o nariz igual ao dela (grande ou em um formato que a pessoa considera inadequado). Então ela opera e fica com o nariz como ela gostaria que fosse. Dessa forma essa pessoa consegue ter uma melhor desenvoltura para se relacionar com outras pessoas e começa a namorar. Além disso, se sente mais confiante para procurar e se portar nas entrevistas de emprego e consegue ser contratado para um cargo que antes nem imaginava conseguir. Ela atribui esse sucesso à mudança em sua aparência, quando na verdade essas conquistas se devem a nova forma que ela está vivendo e se vendo (autoimagem).

Para terminar, gostaria de falar sobre o padrão de beleza que tanto nos assombra. Sabemos de pessoas que estão dentro do padrão de beleza imposto pela mídia. Essas pessoas são privilegiadas fisicamente? Na minha opinião, sim. Em uma porcentagem de toda população do mundo, quantas pessoas estão dentro do padrão de beleza? Uma mínima parcela. Existem muito mais pessoas fora do padrão de beleza do que dentro. E isso não quer dizer que quem está fora desse padrão não tem sua beleza e está condenada a infelicidade. Vamos usar um comparativo. Quantas pessoas no mundo são milionárias, se pegarmos o total de pessoas que vivem no mundo atualmente? Uma mínima parcela também. Isso quer dizer que quem tem menos dinheiro não pode ter uma vida feliz também, conforme o que possui? Pode sim. Então não quer dizer que só porque não estamos dentro daquela parcela de pessoas “privilegiadas” que não temos também nosso mérito de desfrutar de muita coisa, de termos nosso valor e de sermos também felizes, conforme o que temos/somos. ♥

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Você ama sua casa?

Encontrei em uma espécie de diário que eu levava para a terapia um texto de como eu me via. Eu acho que foi uma tarefa da psicóloga. Provavelmente ela perguntou “O que você sente quando se vê no espelho?” E pediu para eu levar na próxima sessão. Eu acho que foi isso. E abaixo estou colocando o que eu fiz de resposta.

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Saber que era isso que eu pensava de mim é triste para mim. Porque hoje eu me trato tão diferente, com tanto amor, tenho tanto carinho por mim em todos os aspectos. Não me acho perfeita (nem fisicamente nem interiormente) mas aceito meus defeitos como fazendo parte de mim e me amo desta forma. Parece conformismo mas não é. Antes eu me via deformada e hoje vejo uma aparência normal. Bonita para algumas pessoas e feia para outras. Porque a realidade é que somos as duas coisas ao mesmo tempo e isso não é um problema. É apenas uma questão de opinião que varia entre as pessoas. Nunca seremos belo para 100% das pessoas nem 100% feio para todos também. O importante é a imagem que temos de nós. Então por isto que é importante buscar ajuda e tratar este transtorno.

Se você não gosta da casa em que você mora, um dia você poderá se mudar. Se você não gosta da cidade em que você mora, um dia você pode se mudar. Se você convive com alguém que não gosta você pode optar por não conviver mais com ela (se não é possível de imediato, um dia isso pode acontecer). Agora se você não gosta de si próprio não tem como se mudar. Não tem como dizer “eu não gosto deste corpo, então vou me mudar pra esse outro corpo aqui que eu comprei”.

Então você vai me dizer “Ah, mas eu posso reformar meu corpo, como se reforma a própria casa e continuar morando nela”. É verdade. Quando o problema é só estético é possível. Mas quando o problema é interno, como por exemplo uma infiltração, é preciso quebrar o interno da casa, quebrar a estrutura. E essa comparação podemos fazer com quebrar o nosso interno, no sentido de quebrar paradigmas, mexendo na nossa estrutura emocional, e consertando as rachaduras no nosso íntimo. Não é possível viver em uma casa bonita por fora mas cheia de problemas estruturais, correndo o risco até mesmo de desabar. Precisamos cuidar primeiro da parte interna da casa que é a parte mais importante e então vivermos em paz. E em nós mesmos também precisamos cuidar primeiro do nosso interior, que é a parte mais importante de nós. Com a nossa parte interna bem estruturada estaremos preparados para cuidar bem do nosso exterior.

Bruna Marquezine e seios reais

Recentemente, no Carnaval, deu o que falar as fotos que saiu da Bruna Marquezine.

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polemia_seios_caidos_bruna_marquezine4polemia_seios_caidos_bruna_marquezine6Quando vi a foto dela pensei “Que legal. Ela tem dinheiro pra por silicone e não quis. Ela está feliz com o corpo que tem e isso é o que importa. Ela não sente a necessidade de estar dentro de um padrão, ainda mais sendo uma celebridade”.

Porém, o que realmente aconteceu com outras pessoas é que se sentiram no direito de julgar o corpo dela. Falaram que ela tem peito caído. “Nossa, que feio. Parece que amamentou 500 filhos”. “Vá suspender esse peito com silicone. Tá horrível” algumas pessoas comentaram.

Mas que audácia é essa? Cadê o respeito com o corpo do outro? As pessoas perderam o limite e o bom senso.

Screenshot_20180213-232955A gente não precisa estar dentro de um padrão de beleza para ser aceito pelos outros. Estar bem consigo mesmo que é importante. A opinião dos outros não é importante.  O que os outros falam não define o seu valor. Faça um quadro com essas 4 frases e coloque em seu quarto.

A Bruna deixou de ser bonita e ter seu valor por causa que ela tem um peito menor do que o que estamos acostumados em ver nas celebridades? Não. Porque o valor dela existe independente de como é a fisionomia dela. Você não tem mais valor porque colocou silicone, operou o nariz ou qual seja o procedimento estético que você quer fazer. Você não é um produto.

Entre aspas estou colando uma parte do que foi escrito na matéria publicada no site da Elle, que achei muito interessante:

“Mesmo dentro de boa parte do que ficou conhecido como padrão estético, Bruna não ficou livre dos julgamentos — o que evidencia como é preciso desconstruir uma ideia única de beleza. Se Bruna tem ou não o que os usuários da rede social caracterizam como “peitos caídos” não está em debate, mas o julgamento que mulheres recebem, principalmente quando parecem estar livres e felizes com o que veem no espelho, sim.

As redes sociais só aglutinaram uma situação sexista e aparentemente insaciável na vida das mulheres. Provavelmente, se Bruna cedesse à pressão e resolvesse fazer uma cirurgia plástica, ela seria condenada por não valorizar a “beleza natural” e adotar um comportamento supostamente fútil. Há uma cobrança, na maioria das vezes invisível, para que mulheres estejam sempre “impecáveis”, baseadas em um padrão branco e um ideal de juventude — qualquer sinal de idade ou suposto descuido acaba virando um pesadelo. “Você deve amamentar”, diz a voz tradicional da sociedade. “Mas não pode ter nenhuma marca de que isso aconteceu”. O mais contraditório é que quando alguma delas cede à pressão, porém, um novo bombardeio é feito. As cirurgias plástica provam que o trabalho de conquistar o ideal da feminilidade é exatamente isso: trabalho. E, idealmente, a feminilidade nunca se mostra como uma construção, ela deve se apresentar como algo natural. O paradoxo da beleza.”

O Fã Clube da Bruna postou um texto bacana referente aos seios de Bruna:

“GENTE ???? Parece que Bruna Marquezine trouxe com carnaval uma descoberta que aterrorizou muita gente, preparados ? TCHARAM: SEIOS NATURAIS.
Controversas a parte sobre a fantasia da moça a enxurrada de comentários que me chocou foram coisas como “peitos murchos” ou “que peitos caídos”. Primeiro, e se fossem? Que necessidade esquisita de opinar a respeito do corpo alheio é essa?
E segundo, não são! São seios completamente normais pra alguém da idade e peso dela. E adivinhem? Seios de mulheres não são essas bolas altas e rígidas que vocês veem por aí, isso se chama SILICONE. Seios naturais são diversos. Tem tamanhos diversos. E aparência diversa.”

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Erikayumi9 (perfil do Instagram) escreveu uma coisa bem interessante a respeito. Ela disse “O corpo do outro não diz respeito à você. E se te incomoda tanto, você é quem está precisando de ajuda.”

Chidera Eggerue, uma blogueira de Londres, criou a hashtag #SaggyBoobsMatter no Instagram (algo como “seios caídos importam”). Ela não criou por causa do caso da Bruna, mas sim por causa de seus próprios seios.

E pra finalizar:

“Há que se desassociar a felicidade e o sucesso a partir de um ideal corporal. Não há como negar que ele afeta principalmente as mulheres, prejudicando a autoestima quando são ainda adolescentes e crescendo em desconexão com o próprio corpo. Se conectar com o natural é importante para a libertação como um todo. E há que se celebrar diferentes tipos de beleza.” (texto publicado no site Elle)

Fontes: R7 Elle

Jornalista lança campanha para pôr fim ao preconceito contra nariz grande

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Muitas pessoas se sentem inseguras por causa do nariz grande que exibem. Muitos se retraem e têm prejuízos à sua vida social. A jornalista Radhika Sanghani resolveu dar sua contribuição para pôr fim ao preconceito contra nariz grande.

Ela iniciou campanha no Twitter com a hashtag #sideprofileselfie (selfie de perfil) para que as pessoas com nariz grande não tenham medo de se mostrar como são.

“Odiei o meu nariz por toda a minha vida. Só nos últimos meses eu finalmente o aceitei. Fiquei cansada de me sentir mal ou feia por não atingir o padrão de beleza que vemos na mídia”, disse a jornalista ao “Sun”.

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A campanha bombou. Muitos internautas aderiram e postaram fotos dos seus narizes avantajados.

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“Quero mulheres com nariz grande em comerciais na TV, nos filmes, nas revistas”, disse Radhika.

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Fonte: Extra

Consegui me ver normalmente depois do tratamento?

Estou em dois grupos do Facebook sobre Transtorno Dismórfico Corporal. Em uma das publicações que falei que estava à disposição de quem precisasse de algo, me perguntaram “Gostaria de saber se você conseguiu se enxergar normalmente depois do tratamento.”

Vou colar aqui minha resposta:

Eu consegui sim. Hoje consigo ver minha beleza física e gosto do que eu vejo. Diferente do que acontecia uns anos atrás, que sofria com o que eu via. O tratamento psicológico foi fundamental na minha melhora (o tipo de tratamento que fiz foi a terapia cognitivo comportamental) e a leitura também me ajudou muito a abrir meus horizontes e ver que há outras formas de se pensar sobre o assunto beleza. Com isso, minha auto imagem e a minha auto estima foram mudando e comecei a me descobrir.

Acho que é isso que falta para cada pessoa que tem o transtorno dismórfico corporal: se descobrir. Nós (dismórficos) acabamos criando uma imagem na nossa cabeça (e vemos isso no espelho) de como somos e isso não é fácil de consertar. Porém, essa mudança é possível sim. E tirar esse peso das costas do sofrimento com a própria aparência não tem preço. Poder sair na rua sem medo de ser julgada (e se for, não me importo com isso) e poder ser quem eu sou.

O que é preciso esclarecer com a superação do transtorno dismórfico corporal é que a pessoa não vai achar tudo lindo maravilhoso em si. Mas vai entender que aquelas características não são um problema. Por exemplo: Eu não acho o meu nariz o mais bonito para mim. Porém, eu não o vejo mais como um problema. E o meu nariz no conjunto do meu rosto e no conjunto do meu corpo não é um problema e junto com as outras características físicas que tenho faz com que tudo esteja em harmonia e, dessa forma, belo.

A diferença entre uma pessoa com transtorno dismórfico corporal para uma que teve e não tem mais é que as características que antes incomodavam não incomodam mais. Não por uma questão de se conformar com o que não gosta, mas no sentido de então conseguir enxergar que aquela característica não tem nada de errado, que é normal e que no conjunto ela está em harmonia com o restante das outras características físicas. Hoje eu gosto do meu conjunto, me sinto bem como sou. Aceito minhas características porque sei que elas fazem o que eu sou, única. Não existe outra de mim. Não existe outra de você e isso é maravilhoso.

Vou operar meu nariz? Não. Muitas pessoas vão dizer que não há nada de errado com meu nariz. Outras podem até achar meu nariz feio. Só que isso é uma questão de gosto e opinião cada pessoa tem uma. Por mais que eu tenha o nariz “perfeito” nunca vai ser perfeito para todos. Porque “perfeito” não exite, justamente porque não existe um consenso para a beleza. Sempre vai haver opiniões diferentes e isso é ótimo porque dessa forma todos são feios e belos ao mesmo tempo. Hoje eu tenho as mesmas características de quando eu me achava deformada por conta do transtorno dismórfico corporal. Eu tenho olheiras, tenho sardas, tenho o mesmo nariz etc. A diferença é que essas características não tem a mesma intensidade de quando eu estava com o transtorno. E a palavra para tudo isso é equilíbrio.

Grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/1660848680796787

Não desista de si mesmo

Essa é a resposta que eu escrevi para um depoimento que deixaram no meu blog ano passado e eu queria escrever uma resposta. Hoje eu escrevi e estou postando aqui pois pode servir para outras pessoas:

Li seu relato e queria te dizer que tenho 1.79 e também não gosto. Eu gostaria de ser menor. Aqui na minha cidade (Florianópolis SC) apesar de ser uma cidade de pessoas mais altas que o restante do país, eu sempre sou a mulher mais alta do local. Sou a mais alta até que os homens. Se vou na lotérica e tem 20 pessoas na fila entre homens e mulheres, eu sou a mais alta entre todos. Se eu vou em uma festa, eu sou a mais alta de todos. Pouquíssimas vezes tem algum homem da minha altura ou maior. Eles existem sim, mas geralmente não estão no mesmo lugar que eu. Isso me incomoda muito e já procurei várias vezes na internet se existia uma cirurgia para cortar os ossos da perna para que eu pudesse ser menor. E existe cirurgia para isso? Não existe. Então eu vou ter essa altura para o resto da vida. Eu me considero com muita olheira, muito branca, com papada, etc. Eu vou deixar de ser feliz por causa da minha altura ou por causa de outras características que eu não gosto? Eu não sou só isso. Eu sou muito mais do que a altura que eu não gosto. Eu sou muito mais do que minha olheira, minha papada, minha brancura e tudo que me incomoda. E se essas características individuais eu não gosto, no meu conjunto eu acho que está tudo harmônico.

Eu não sou só aparência e não me interessa pessoas que me vêem somente assim. Eu sou amizade, sou carinho, sou amor, sou alegria, sou bons momentos junto e não vou me privar por conta das características que não gosto. Todo mundo na vida tem alguma coisa que não gosta, até os considerados “bonitos” tem algo que, se pudessem, gostariam que fosse diferente. Só que eles não se privam da vida por causa disso. A vida é feita de bons momentos com quem gostamos, é sair comer alguma coisa que gosta, tomar um suco na beira da praia, é ver o por do sol, é jogar conversa fora com um amigo, é rir num final de semana sem pensar no trabalho de segunda-feira. A vida não é o meu rosto, o meu nariz, o meu olho, minha altura ou o meu peso. Eu não posso me privar da vida por conta de coisas que eu não vou conseguir mudar. Isso não é se conformar com o que não se gosta. É aceitar e viver em paz sabendo que isso não é um problema na vida. É como aquele ditado “O que não tem solução, solucionado está”. Se não tem solução, então vou me preocupar com o que realmente importa e parar de gastar minha energia e meu tempo com o que eu não posso mudar e no final das contas não tem importância. Porque características da nossa aparência não tem importância absoluta na nossa vida. O que tem importância é o nosso bem estar e nos amarmos. Isso que é fundamental.

“A imagem física tem muitos aspectos. É visual – o que você vê quando olha para você mesmo. É mental – como você pensa sobre sua aparência. É emocional – como você se sente sobre seu peso ou altura. É sinestésica – como você sente e controla as partes de seu corpo. É também histórica – moldada por toda uma vida de experiências, que incluem prazer e dor, elogio e crítica. Acima de tudo, a imagem física é uma questão social. Pode residir em sua mente, mas esta fundamentada nas experiências cotidianas que a cercam. O modo como você se sente depende de como se considera avaliado pelos outros. Sua imagem física pode ser abalada pelo julgamento de uma pessoa amada ou pelo assobio de um estranho.”

Esse é um texto de um livro. Cada pessoa é um conjunto de características. Somos nossas características físicas, mas também somos nossas características de personalidade, o nosso caráter, os nossos gostos e todas as nossas particularidades que é o nosso jeito e que isso é o que realmente simboliza o que nós somos. Nós não gostamos de alguém só por causa da aparência dela. Nós gostamos desta pessoa pelo relacionamento que temos com ela (estou me referindo à amizade). Quando conhecemos alguém e gostamos dessa pessoa é porque gostamos da companhia, de como nos trata, de como se refere à nós, dos momentos que passamos junto com essa pessoa, da confiança e reciprocidade que existe e eu poderia listar tantas outras qualidades de um relacionamento de amizade.

Eu não quero chegar aos meus 80 anos, olhar para trás e ver que eu não aproveitei a minha vida porque fiquei lamentando minha altura e minha aparência. Eu quero olhar e ver que vivi da melhor forma possível. Eu tive transtorno dismórfico corporal e perdi uma parte da minha vida, fiquei sem sair, tive depressão, como qualquer pessoa com transtorno dismórfico corporal tem um prejuízo de convívio social (que é um dos critérios para o diagnóstico). Porém, é preciso tratar para sair disso e ter uma vida normal. Viver com o peso que o transtorno nos trás é horrível. Toda vez sair de casa é uma tortura, uma preocupação que as pessoas irão reparar na nossa feiura e que isso vai ser assunto na mesa de jantar de cada pessoa que nos viu. Só que não somos obrigados a viver isso o resto da vida. Podemos nos posicionar diante disso e dizer “eu não quero isso pra minha vida” e então se empenhar em sair disso, através de terapia, leitura e dedicação.

Se auto julgar dizendo “sei que todo esforço que eu puder fazer pra me tornar alguém que eu gostaria de ser é totalmente inútil” tira qualquer possibilidade de resolver o que se está passando. Se você se condena dessa forma realmente não se tem mais nada a se fazer. Agora se, ao contrário, falar “Sei que qualquer esforço que eu fizer vai ser válido e vai me ajudar a sair disso e vai fazer eu me amar como eu sou”, metade do caminho já está andado.

Agora, se auto condenando você já tomou a sua decisão e sua vida vai ser sempre assim porque você está convicto disso. Então vai viver dessa forma e só vai se auto afirmar cada vez mais. A cura começa antes mesmo do tratamento. Quando a pessoa percebe que algo precisa ser mudado, já é parte do processo. E identificar as coisas que precisam ser mudadas é o primeiro passo para tudo mudar e dar certo. Mudar dói, mas nada é mais doloroso permanecer preso a um lugar que não te faz feliz.

Tem uma pergunta simples que nos posiciona em frente às situações da nossa vida. A pergunta é: Eu quero ou não quero isso para a minha vida? Se não quero, então me posiciono diante da situação e trabalho para mudá-la.

Já pensou se toda pessoa com algo que não gostasse se auto condenasse a uma vida infeliz? Os anões, os deficientes físicos, os que mancam, os que não andam, os cegos, os que não tem um braço, as pessoas com diabetes que vão ter que tomar remédio o resto da vida, as pessoas com câncer que apesar do problema não desistem diante da vida, etc etc etc, são tantos exemplos. A auto piedade não é uma dádiva e nos coloca em situação de vítima. E em situação de vítima tiramos a nossa responsabilidade de fazer algo para mudar isso porque eu não sou mais o responsável pela situação.

Se empregos, relacionamentos e a própria vida foi comprometida por conta do transtorno dismórfico corporal, chegou a hora de mudar essa situação e batalhar para fazer uma realidade nova. Onde eu posso sair de casa sem me preocupar com quem está me vendo porque estou em sentindo bem comigo mesmo, onde eu sei que quando se interessam por mim é porque realmente se interessaram por mim e não por falta de opção, que quando me elogiam é porque realmente querem me fazer um elogio sobre o que estão falando e não por pena.

Quando leio seu relato eu sei a dor que você passa porque eu passei também por isso. Você deve ter visto no meu blog como eu me via. Eu editei uma foto minha do jeito que eu me via para a minha psicóloga ver como eu me enxergava, eu me via deformada. Eu fiz uma espécie de diário para a terapia que eu fazia na época, onde eu incluía as coisas que achava importante registrar. A primeira página do meu diário é a imagem de uma boneca e de um mundo e um texto que diz “Oi, meu nome é Solange e eu tenho 26 anos. Eu moro em dois lugares: em mim e no mundo. Porém, eu não gosto de morar em nenhum dos dois”. Toda vez que eu leio eu choro. Toda vez. Já se passaram quase 10 anos, mas eu lembro do que eu passei. Eu tomava banho no escuro, passei pomada a base de ácido no rosto na tentativa de tirar as manchas que eu via no meu rosto e ficava escutando meu chefe tirando sarro do meu rosto vermelho. Eu lixei meus dentes com lixa de unha porque nenhum dentista queria arrancar meus dentes “tortos” para por um implante pra eles ficarem retos. Não ache que eu banalizo o seu sofrimento. Eu só quero que você entenda que isso que você está vivendo não é normal. Não há porque se conformar com isso porque a verdadeira realidade é outra. Mas só com tratamento você vai conseguir ver isso.

O exercício de tentar confrontar e sair, para que se veja que está exagerando e o mundo não é como se vê e que está projetando coisas irreais devido a um problema psicológico não funciona. Não funciona e piora a situação. Vou explicar o porquê. Porque se cria uma expectativa em cima de uma situação, sendo que não há como ver a situação diferente sem tratamento. É como uma pessoa diabética querer medir a glicose do sangue para comprovar que a glicose está controlada mas sem tomar remédio. Não vai estar. Não vai estar porque a pessoa não fez nada para mudar a situação que se encontrava. O ano não vai ser novo se você for o mesmo. Não tem como continuar tendo as mesmas atitudes e esperar resultados diferentes. Não tem como esperar uma realidade diferente se você continua se odiando, se você continua se auto depreciando, continua considerando que você não é digno de ter uma namorada, de alguém tem admirar. Não tem como alguém amar você se nem você se ama. É preciso tratar para isso mudar.

Se faz 24 anos que você deixou de viver, então chegou a hora de nascer de novo. Eu tenho uma tatuagem da data que eu me mudei pro Rio de Janeiro no meio do meu tratamento de dismorfia corporal porque essa data representa para mim o meu novo nascimento em relação a minha auto imagem e a minha auto estima. Em relação à minha vida. E que bom que podemos renascer quantas vezes for preciso sem precisar morrer de verdade. Que bom que podemos recomeçar a qualquer hora. Basta a gente decidir isso.

É preciso se empenhar para as coisas certas. As coisas certas são: terapia, psiquiatra, leitura e dedicação para si mesmo. Sem uma dessas faltar não funciona, uma coisa está interligada a outra e tudo precisa acontecer junto para funcionar. O único que talvez não seja necessário é o psiquiatra mas depende de cada caso e no seu caso acho indispensável.

Como tudo na vida pra dar certo a gente precisa de dedicação. Se queremos ter graduação de algum curso precisamos enfrentar 4 anos de aula (alguns 2 anos, mas que seja). Não é possível fazer 1 mês de aula e já querer se formar. É preciso frequentar as aulas, estudar, aprender e então no final do período necessário vai estar formado e com conhecimento. Se quiser aprender a tocar piano, não da para assistir uma aula no youtube ou fazer uma aula presencial e achar que já vai sair tocando. É preciso dedicação, estudar, treinar, fazer isso por um tempo e então vai estar pronto para tocar piano até de olhos fechados. O tratamento do transtorno dismórfico corporal é a mesma coisa. Levar a terapia a sério, levar a medicação a sério, levar a leitura a sério e ter disciplina como tudo na vida para dar certo. Tem que ter o comprometimento mas o resultado vem.

1 – Ir a um Psiquiatra que saiba sobre o transtorno para tomar uma medicação que diminua seu sofrimento e que te ajude a voltar ao convívio social. Só o tratamento com remédio não adianta. É preciso as outras etapas do tratamento também, mas o remédio ajuda como uma bóia para quem está se afogando. A bóia não vai ensinar a nadar mas vai ajudar a pessoa a não morrer afogado.

2 – Terapia. Fazer terapia pra tratar o transtorno. Começar a se descobrir, descobrir sua beleza, quais as suas qualidades etc. O tipo de terapia que eu gosto muito é a Terapia Cognitivo Comportamental, que é a terapia que minha psicóloga usa e no meu ver dá grande resultado em pouco tempo porque usa perguntas que te faz refletir e também trabalha com tarefas. Se quiser, dê uma lida na internet sobre esse tipo de terapia.

3 – Ler. No meu blog, no menu, tem “Livros” com ótimas indicações de livros sobre auto imagem e ditadura da beleza. A leitura ajuda a abrir a mente, ver novos horizontes, conseguir refletir e entender muitas coisas que se pensa errado. Dá para comprar em sebo eles mais barato, mas até novos eles não são caros. No site www.estantevirtual.com.br você consegue ver sebos de todo o Brasil e as vezes encontra pra comprar na sua cidade.

Os 3 livros que eu considero os mais importante sobre auto imagem, auto estima e ditadura da beleza:

– A beleza está nos olhos de quem vê – Camila Cury
– Imperfeitos, livres & felizes – Christophe André
– Meu corpo, meu espelho – Rita Freedman

Mas você pode ler o que achar mais interessante, existe uma quantidade enorme de livros sobre esses temas.

Não se pode ter pressa para terminar o tratamento. Isso é como um curso sobre nós mesmo. É um curso onde vamos nos conhecer. Onde teremos uma aula por semana (com o psicólogo) e depois estudaremos em casa (com leitura) e exercícios (colocando em prática o que estamos aprendendo). Não da para ter pressa. Começar hoje e daqui dois meses dizer “não está adiantando de nada”. O processo é lento mesmo. Eu demorei 3 anos pra dizer que tudo estava sob controle e que eu tinha saído disso mas cada pessoa tem seu ritmo. Pode ser mais, pode ser menos, o importante é que o resultado venha, independente do tempo. Tem que ter paciência. A pressa, a expectativa, a ansiedade, nada disso ajuda. Bem pelo contrário só faz a gente desistir. E desistir não resolve nossos problemas.

Eu quero te dizer que o que eu puder te ajudar você pode contar comigo. Os outros poderão andar ao seu lado, mas ninguém poderá andar por você. Torço para o seu sucesso e precisando é só entrar em contato.

Quando eu digo que beleza é um conjunto de características

Quando alguém vem me falar sobre beleza, de se achar feio(a), eu sempre falo que a beleza é um conjunto de características (externas e internas).

A imagem física tem muitos aspectos. É visual – o que você vê quando olha para você mesmo. É mental – como você pensa sobre sua aparência. É emocional – como você se sente sobre seu peso ou altura. É cinestésica – como você sente e controla as partes de seu corpo. É também histórica – moldada por toda uma vida de experiências, que incluem prazer e dor, elogio e crítica. Acima de tudo, a imagem física é uma questão social. Pode residir em sua mente, mas está fundamentada nas experiências cotidianas que a cercam. O modo como você se sente depende de como se considera avaliado pelos outros. Sua imagem física pode ser abalada pelo julgamento de uma pessoa amada ou pelo assobio de um estranho.

Esse texto acima é de um dos livros que indico aqui no blog, mas tenho que depois confirmar de qual deles. Acho que é do Imperfeitos, Livres e Felizes (Christophe André) mas depois confirmo e arrumo aqui.

Cada pessoa é um conjunto de características. Somos nossas características físicas, mas também somos nossas características de personalidade, o nosso caráter, os nossos gostos e todas as nossas particularidades que é o nosso jeito e que isso é o que realmente simboliza o que nós somos. Nós não gostamos de alguém só por causa da aparência dela. Nós gostamos desta pessoa pelo relacionamento que temos com ela (nesse caso estou falando de gostar no sentido de amizade, não amoroso mas que também serve para relacionamentos amorosos). Digo que quando conhecemos alguém e gostamos dela, uma pessoa que vira nossa amiga, é porque gostamos da companhia dela, gostamos de como ela nos trata, de como se refere a nós, dos momentos que passamos junto com essa pessoa, da confiança e reciprocidade que existe e eu poderia listar tantas outras qualidades de um relacionamento de amizade entre duas pessoas.

E esse vídeo do André Massolini ele fala a mesma coisa, abordando isso em cima de um email sobre relacionamento:

Em vez de suas medidas, as candidatas a Miss Peru forneceram dados sobre violência contra mulheres

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“Meu nome é Camila Canicoba e sou representante de Lima. Minhas medidas são: 2.202 casos de feminicídio foram registrados nos últimos nove anos no meu país.”

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“Meu nome é Juana Acevedo e minhas medidas são: mais de 70% das mulheres do nosso país são vítimas de assédio nas ruas.”

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“Meu nome é Luciana Fernández e represento a cidade de Huánuco, e minhas medidas são: 13 mil meninas sofrem abuso sexual no nosso país.”

Outras modelos também deram dados sobre violências em seus países. Não foram só as participantes que queriam passar essa mensagem — violência contra mulheres era o tema da noite.

Os organizadores do concurso Miss Peru mostraram recortes de jornais e revistas sobre casos de mulheres assassinadas ou agredidas enquanto as candidatas desfilavam pelo palco de biquíni.

Fonte: Buzzfeed