Que coisa querida vcs

Que coisa querida vcs que me mandaram email se preocupando comigo. Obrigada. Segunda fui em uma psiquiatra e ela me deu a receita pro Citalopram (não gostei muito dela, mas depois conto sobre isso).

Mandei manipular o Citalopram (sai R$ 30,00 – 60 capsulas enquanto o de Farmácia é R$ 90,00 – 30 comprimidos). Quando cheguei na farmácia de manipulação eu estava tão abatida que a moça perguntou “Ta gripada?”. O remédio fica pronto hoje fim do dia mas só consigo pegar amanhã. Depois são cerca de 20 dias pro organismo repor e estabilizar a serotonina. Enquanto isso estou com uma bola de futebol na garganta, uma bigorna no peito e uma dor de cabeça que me acompanha há alguns dias.

Já falei em “O que eu to fazendo aqui?” e em “Viver é chato” como essas épocas de depressão me fazem odiar viver. E por eu ser kardecista (criada como católica mas há alguns anos aprendi muito sobre kardecismo) não quero me matar pq acredito que vou ficar bem mais tempo sofrendo no Umbral (o inferno do espiritismo – clique aqui para ler mais) do que eu sofreria vivendo mais 50 anos e morrendo velhinha por morte natural. Então entre sofrer 600 anos no Umbral e 60 na Terra prefiro ficar me fudendo por aqui mesmo.

A chatisse é que Deus não me perguntou se eu queria ser criada quando me criou, e agora tenho que dançar conforme a música.

Depressão veio me visitar

Eu sabia que isso ia acontecer, mas não imaginei que alguns fatores iam potencializar a chegada dela. Em maio do ano passado larguei o Citalopram e voltei a ter depressão. Depois disso voltei a tomar a medicação e tudo ficou normal. Estou há um pouco mais de um mês sem tomar Citalopram pq acabou e eu só consegui achar psiquiatra pela Unimed para dia 28/06. Passo o dia angustiada, coisas que eu deveria fazer com facilidade vão se arrastando e vou adiando tudo o máximo que eu posso. Algumas coisas que estão fora do meu alcance me deixam ansiosa e não consigo comer, parece que tenho uma bola de futebol no estomago. Quando como, por menos que seja, parece que eu engoli um boi e fico com uma sensação como se houvesse muito mais comida no meu estomago que ele pudesse comportar. Choro, coisa que há tempo não acontecia. Não tenho forças, por mais que eu me esforce pra fazer algo não tenho energia. Estou tendo insônia e acordo muito cansada. Sinto falta dos meus pais que estão longe e que nessas horas eu queria um pouco de carinho deles. Mas não converso com eles sobre o que ta acontecendo para não deixa-los preocupados (estou torcendo para meu pai não ler esse post). A última vez que tive esses problemas com depressão foi em setembro do ano passado e mais uma vez essa merda ta acontecendo. Hoje vou ligar pra secretária da Psiquiatra e tentar passar a consulta pra essa semana. Fé, por mais que a depressão me faça desacreditar em Deus.

5 HTP – remédio

 

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Meu Citalopram acabou. E quando acaba eu começo a ficar na merda. Desde que fui no meu psiquiatra e falei que andava com muito sono e queria saber se eu podia tomar algo, tipo Pharmathon, e ele quis me empurrar um remédio manipulado de R$ 500,00/mês (e fazer caixa dois) eu não quero mais ir nele.

Tentei marcar outro psiquiatra que atendesse pela Unimed mas é meio difícil de achar. Marquei uma psiquiatra pro dia 28/06 mas juro que to achando que vou chegar lá e falar “Oi, tenho dismorfia corporal” e ela vai responder “O que é dismorfia corporal?”. Da vontade de pedir reembolso da consulta. Falo isso pq com outras duas psiquiatras aconteceu isso. E aí os papéis se invertem. O médico que deveria explicar pra vc acaba ouvindo o que vc tem pra explicar pra ele sobre dismorfia corporal.

Por conta disso tudo (meu psiquiatra atual e outros psiquiatras ignorantes) eu não queria ter que depender da receita do psiquiatra, já que o Citalopram é remédio controlado. Eu me pergunto, pq serotonina tem que ser controlada? Eu não preciso de receita médica pra comprar chocolate.

Eu queria achar um remédio que ajudasse a repor serotonina no meu cérebro bichado sem ser um remédio controlado. Fui pro Google.

Resumindo a missa da minha pesquisa, achei um tal de 5HTP. Mas que merda é essa?

O 5HTP (5HTP, 5-Hidroxitriptofano, Pílula da Felicidade, 5-Hydroxytryptophan, 5-HTTP) é um suplemento dietético precursor  metabólico da serotonina (5-HTP Supplements), que por sua vez é um neurotransmissor no cérebro. É produzido a partir das sementes da planta africana Griffonia Simplicifolia. O 5-HTP é utilizado na medicina alternativa para aliviar sintomas de ansiedade, depressão, fibromialgia, insônia, dores de cabeça, TPM e redução do apetite. O extrato de 5-hidroxitriptofano é vendido como um suplemento natural.

O 5-HTP, suplemento natural ainda bastante desconhecido e muito pouco usado para tratar a ansiedade, passou a atrair maior atenção após bons resultados no tratamento natural de ansiedade, quando administrado de forma correta. 5-HTP é a abreviação de 5-hidroxitriptofano, aminoácido precursor da serotonina. Quando ingerido, faz com que alguns triptofanos se transformem em proteínas, sendo alguns em niacina (vitamina B3) e outros vão para o cérebro para se converterem em serotonina (neurotransmissor), substância fundamental para o funcionamento do cérebro, responsável também por regular o humor e os níveis de tensão.

Uma das causas comuns da ansiedade é uma desordem conhecida como SDS ou Síndrome de Deficiência de Serotonina, ocasionada por níveis de serotonina abaixo do normal no cérebro. Isto faz com que o cérebro regule mal o humor, a tensão, o apetite e os processos de sono. Isto somado pode influenciar negativamente e aumentar os níveis de ansiedade. A função do 5-HTP é de suprir a falta de serotonina, fazendo que no final das contas os níveis de ansiedade diminuam consideravelmente.

A dose a ser ministrada para o controle da ansiedade através do 5HTP deve ser sempre feita sobre prescrição médica, sendo mais comum o consumo diário de 100mg de 5HTP. No caso da ansiedade, os efeitos proporcionados pelo 5HTP não são instantâneos, havendo casos em que o cérebro pode levar cerca de um mês para se beneficiar completamente do suplemento.

Inúmeras pesquisas estudaram a eficácia do 5-HTP para o tratamento da depressão. Os efeitos da fluvoxamina foram comparados ao 5-HTP, que provou ser igualmente efetivo no tratamento da depressão. Vários grupos tratados com essas substâncias obtiveram redução gradual dos sintomas depressivos. Uma publicação na revista Neuropsychobiology, mostrou segundo um investigador, que “dos 17 estudos revisados, 13 confirmaram que o 5-HTP possui verdadeiras propriedades antidepressivas. (in Zmilacher K, et al. L-5-hydroxytryptophan alone and in combination with a peripheral decarboxylase inhibitor in the treatment of depression. Neuropsychobiology 1988;20:28-35).

A dose efetiva de 5-HTP parece estar a partir de 50mg diários. No entanto, é importantíssimo que o uso do 5HTP só seja usado mediante prescrição médica. Também não se deve de forma alguma usar o 5HTP combinado com outras substâncias antidepressivas sem recomendação e acompanhamento médico especializado. Efeitos colaterais associados com doses terapêuticas de 5-HTP são raros, mas de qualquer forma, se deve ter muito cuidado ao utilizar o 5HTP.

No entanto, o 5-HTP não pode jamais ser consumido de forma indiscriminada, vez que altos níveis de serotonina podem causar efeitos colaterais em algumas pessoas e, em função disto, é aconselhável sempre utilizar o 5-HTP com prescrição de um profissional da saúde competente.

Bom, esse 5HTP é usado mais pra regime. No google achei várias pessoas que tomam pra emagrecer e pra parar de fumar. Mas pra depressão não achei nada. Pelo que eu li, é preciso tomar 2 cápsulas por dia. O valor +ou- é de R$ 50,00 para 60 cápsulas (só vende manipulado). Eu pago R$ 40,00 para 60 capsulas de citalopram (mas citalopram é 1 por dia).

Vou esperar a consulta com a psiquiatra do dia 28/06. Se ela me atender bacana, continuo com o Citalopram e não compro esse 5HTP. Mas ele parece ser bem interessante, né? Fiquei curiosa se ele poderia substituir o Citalopram. Li sobre o uso placebo dele (pra quem não sabe placebo é quando a pessoa toma remédio com farinha e acha que ta tomando remédio de verdade e ele funciona do mesmo jeito pq a pessoa acredita que é remédio de verdade) no regime. Quem tomou placebo emagreceu 1 kg enquanto quem tomou o de verdade emagreceu 4 kg. Pra ler mais sobre o remédio clique aqui.

Quando eu decidir mais sobre o que vou tomar eu posto aqui.

Vai esperar até quando?

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A espera de um milagre é o nome de um filme, não é pra ser a sinopse da sua vida. Você quer que as coisas na sua vida mudem mas fica ai parado esperando que tudo melhore sem seu esforço. Não tenho uma boa notícia pra você. Não vai melhorar. Você vai ficar nessa pro resto dos seus dias. Faz 2 anos que você não tem mais vida social, faz 3 anos que você odeia sua aparência, faz 4 anos que você vive por viver sem aproveitar nada. É triste, mas a tendência é que esses números só aumentem, ano após ano e as coisas só piorem. Quem fica parado é vaca na Índia meu amigo, mexa-se. Não adianta reclamar pra si mesmo que sua vida ta uma merda se você ficar estagnado. A mudança não vai acontecer. Sabe porquê? Porque a mudança é você. Sua vida só vai mudar quando você mudar. Quando você fizer acontecer. Isso é pra quem tem dismorfia e pra quem não tem. Quem tem dismorfia, por favor, se sua vida está ruim, se você não sai, não tem vida social, não tem amigos, se chora, se ta insatisfeito com a vida que tem, faça alguma coisa. Já falei aqui o que fazer da sua vida se você tem dismorfia. Procure um psiquiatra, um psicólogo e mergulhe nos livros de auto ajuda. Porque ao contrário do que muita gente diz, livro de auto ajuda ajuda sim. Tem gente que não chama mais de livro de auto ajuda, chama de livro de auto conhecimento e eu acho ótima essa descrição.

Não tem jeito, a única coisa que cai do céu é chuva e avião. Vida a gente só tem uma e mesmo se você acredita em reencarnação, não vai mais ser essa vida, vai ser outra.

Enfim, você faz da sua vida o que você quiser, até porque a vida é sua e não minha. Se você quer deixar sua vida passar e ficar só existindo ao invés de viver não é problema meu. Eu já passei muitos anos dessa forma mas quando eu descobri que toda minha tristeza se chamava dismorfia corporal eu me mexi pra que tudo melhorasse. Eu tive que correr atrás, mas valeu a pena. Hoje eu tenho vida social e não acho a vida um martírio.

Pense bem nas escolhas que você tem feito pra sua vida, ou as escolhas que você não tem feito.

Estudo aponta que olhar no espelho causa ansiedade e depressão

espelho

A pesquisa revelou que se admirar por muito tempo pode ser prejudicial para a saúde

Seja por vaidade ou apenas para dar uma verificada no visual, todos nós damos algumas paradinhas em frente ao espelho diariamente. Mas esse hábito, por vezes tão natural, pode representar mais riscos do que trazer benefícios para nossa saúde mental.

O estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria de Londres revelou que os voluntários que olhavam para seus reflexos por mais de dez minutos apresentavam gradualmente sintomas de ansiedade e depressão. Mesmo as pessoas que se declaravam satisfeitas com suas aparências começavam a demonstrar os sintomas depois de alguns minutos em frente ao espelho.

Os pesquisadores, que divulgaram os resultados este mês, consideram essas conclusões surpreendentes, já que eles esperavam que tais comportamentos fossem encontrados somente entre pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal – quando a pessoa enxerga sua aparência ou forma física diferente do que ela realmente é. No entanto, o mesmo aconteceu com as pessoas diagnosticadas com saúde perfeita quando estas foram solicitados a encarar o espelho por alguns minutos.

Outras pesquisas realizadas no Reino Unido já demonstraram que as mulheres se olham no espelho cerca de 38 vezes por dia, enquanto os homens cumprem esse ritual apenas 18 vezes no mesmo período. Então não é por acaso que os mesmos estudos revelaram que as mulheres são mais críticas com suas aparências do que os homens, além de que elas são menos propensas a tecer elogios sobre suas próprias figuras quando se veem no espelho.

Para comparar os efeitos da autoimagem em pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal e pacientes saudáveis, os pesquisadores do Instituto de Psiquiatria recrutaram 50 voluntários. Foram selecionadas 25 pessoas que sofriam do transtorno e outras 25 pessoas que se mostraram positivas quanto à própria imagem para passarem por dois testes.

O primeiro deles consistia em responder a um questionário antes e depois de encarar a própria imagem por 25 segundos. No segundo teste, os voluntários passavam dez minutos em frente ao espelho e depois respondiam outro questionário.

Conforme esperado, os pacientes com transtorno demonstraram alto grau de insatisfação mesmo depois de se olharem por apenas 25 segundos. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi que os voluntários saudáveis demonstraram as mesmas inquietações e sinais de ansiedade e depressão quando foram submetidos a testes de maior duração.

Os pesquisadores acreditam que isso acontece porque, embora todos tenham o costume de dar aquela espiadinha no espelho para verificar se tudo está de acordo, a maior parte das pessoas não passa longos períodos analisando cada parte do corpo. De fato, é possível que passar muito tempo em frente ao espelho seja um costume prejudicial à saúde.

Fonte: Toda Ela

Será que tenho dismorfia corporal?

Algumas pessoas que passam pelo blog dizem que se identificaram com os sintomas mas que não sabem se possuem a doença.

Por isso criei esse ítem no menu, com a intenção de ajudar quem tem dúvida a identificar se tem dismorfia corporal ou não.

Em primeiro lugar, quem tem que dizer se vc tem ou não dismorfia corporal é um médico profissional dessa área. Resumindo, um psiquiatra. Mas tem que ser um psiquiatra que saiba que essa doença existe, pq é comum encontrar psiquiatras que não sabem o que é isso. Experiência própria.

Falando de forma bem teórica, a dismorfia corporal consta no DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). É necessário ter TODOS os três sintomas abaixo para ser considerada com a doença:
a) o indivíduo preocupa-se com um defeito imaginário na aparência e se uma mínima anomalia está presente, tem preocupação marcadamente excessiva com essa;
b) a preocupação deve causar estresse significativo ou prejuizo na vida social, ocupacional ou outras áreas do funcionamento;
c) essas queixas não podem ser caracterizadas como outro transtorno mental, tal como a anorexia nervosa.
(Se quiser ler mais sobre dismorfia corporal clique aqui).

Se mesmo assim vc ainda não tem certeza, vou explicar com o português comum. Uma pessoa com dismorfia corporal tem hábitos específicos que caracterizam bem a doença. Porém, não adianta vc se identificar com um ou outro, tem que se identificar com pelo menos mais da metade.

Os hábitos de quem tem dismorfia são:

1. Vc fica muito tempo na frente do espelho olhando o que vc odeia na sua aparência. Se vc está no quarto ou no banheiro não perde a oportunidade de ficar com a cara colada no espelho. Ou evitam espelhos.
2. Quando vc sai da porta de casa pra fora acha que todos estão reparando como vc é horrível. E além de reparar tb acha que eles comentam.
3. Se vc fala pra alguém da família ou amigo do seu defeito (a nivel de deformação) a pessoa diz que não é nada do que vc diz. Ou pelo menos não do jeito exagerado que vc diz ser.
4. Vc deixa de ir a qualquer lugar público (festa, shopping, praia) por se achar muito horrível para as pessoas te verem (isso tb pode incluir parar de trabalhar ou estudar)
5. Vc quer fazer todas as cirurgias plásticas possíveis e impossíveis pra consertar o que vc odeia na sua aparência. Vc já chegou a ir a consultas com cirurgiões plásticos e dermatologistas pra arrumar esse defeitão.
6. Com certa frequência vc chora de tanta tristeza por ser tão feio.
7. Quando falam que vc é bonito(a) vc tem certeza que tão de sacanagem.
8. Vc não consegue pensar em outra coisa a não ser como vc é feio e como as pessoas estão reparando como vc é.
9. Vc não vai a lugar algum sem maquiagem (óculos escuros, boné, etc), nem mesmo à padaria ou à portaria do prédio.
10. Vc confere sua aparência em qualquer superfície que reflita sua imagem, as mais comuns são janelas de carros e vitrines de lojas.
11. Vc fica comparando sua aparência com a de pessoas famosas que vc acha bonita.
12. Vc já quis (ou quer) morrer (isso inclui se matar) pq é insuportável aguentar esse peso que é viver com a aparência que vc tem.
13. Vc nunca namorou ou acredita que quem demonstra interesse por vc é por pena ou pq vc é tão feio(a) que é mais dificil levar um fora.
14. Vc não consegue conversar olhando nos olhos das pessoas ou quando anda na rua não olha pra ninguém.
15. Vc foge de fotografias como o diabo foge da cruz.

Ok, li e acredito que tenho dismorfia corporal. O que devo fazer?
Procure um psiquiatra. Pare com esse medo idiota de achar que psiquiatra só serve pra cuidar de gente de manicômio, que baba e  usa camisa de força. Se vc não quer se ajudar então não vem se queixar pra mim depois. Eu tenho dismorfia corporal e to dizendo aqui o que é importante fazer pra superar isso. Tudo o que eu to dizendo aqui eu fiz e hoje consigo viver bem melhor.

O que o psiquiatra vai fazer?
O objetivo principal do psiquiatra é te medicar. Ele não fez psicologia na faculdade, ele fez MEDICINA. O psiquiatra não é psicólogo, apesar de tb ter psiquiatra que faz terapia. O que é bom.

Como é a consulta com o psiquiatra?
Vc vai sentar na frente do(a) psiquiatra. Ele vai estar atrás de uma mesa de consultório, com um computador, blocos e receituários. Diferente do psicólogo que vc senta em um sofá e o psicólogo em outro e entre vcs não tem nada. O psiquiatra precisa saber como é a sua vida, sua rotina e como vc se sente (e se vê). Vc precisa falar tudo. Se ficar escondendo as coisas do médico não sei qual a razão de vc ir lá. Ele ta ali pra te ajudar, se vc ficar escondendo as coisas dele o único prejudicado é vc. Com base no que vc falar ele vai saber qual é o melhor remédio pra vc. O remédio vai regular a serotonina e da dopamina (explicando de forma grosseria são substâncias do cérebro responsáveis pelo seu bem estar) e vai ajudar a diminuir as “alucinações”. Em outras palavras, vc não vai ficar tão atormentado por causa do seu nariz horroroso, sua pele manchada ou seja lá qual for a sua reclamação. O remédio não vai fazer vc se achar se achar mais bonita(o), mas vai diminuir a sua dor emocional, vc vai sofrer menos por causa da sua aparência. O psiquiatra vai pedir pra vc voltar em um mês, pra saber como está sendo a adaptação com o remédio. O remédio demora cerca de 15 dias para começar a fazer efeito, pq nesse tempo o corpo está se acostumando com o que está recebendo. O que vc vai tomar não é como remédio para prisão de ventre. Não adianta vc tomar hoje e achar que amanhã já vai se sentir melhor. Conforme vc se sentir ao fim do primeiro mês o psiquiatra vai manter essa medicação ou fazer alguma adaptação, como aumentar a dose ou trocar de substância.

Ah, mas eu não quero tomar remédio.
Ok, então não tome. Vc pode melhorar sem tomar remédio, mas é um caminho mais longo e doloroso. Eu tomo remédio todo dia por causa da dismorfia corporal e não vejo problema nisso. Tem gente que tem problema do coração e toma remédio todo dia, tem gente que tem diabete e toma remédio todo dia, pq eu não posso tomar remédio todo dia? Meu bem estar vai melhorar, vou conseguir viver melhor, vou conseguir me relacionar com as pessoas e com o mundo melhor, e o mais importante, vou conseguir me relacionar comigo mesma melhor. Se mesmo assim vc não quer tomar remédio, tente homeopatia, floral, alguma medicina/terapia alternativa.

Preciso fazer terapia?
É bom fazer. Vai ajudar muito a vc superar tudo isso. Vai aprender a rever seus conceitos. Suas opiniões pré formatadas e a mudar as suas verdades únicas que só existem pra vc e vc nem sabe. O tipo de terapia que eu recomendo (opinião minha) é a terapia cognitivo comportamental.

A terapia cognitivo comportamental é empregada para problemas tais como: dificuldades existenciais, mudanças de estilo de vida e até questões mais específicas como pânico, depressão, ansiedade, anorexia, obesidade, bulimia, obsessões e compulsões.

A terapia desenvolvida nesta abordagem acontece em conjunto com o paciente, onde o mesmo identifica, examina (auto-avalia) e corrige as distorções do pensamento que causam seu sofrimento emocional e tem como objetivo auxiliar o paciente na correção dos pensamentos distorcidos ou disfuncionais, para que o paciente se sinta melhor emocionalmente e para que se comporte de maneira mais produtiva na busca de suas metas.

O que mais preciso fazer?
Cada um precisa achar seu próprio caminho. Os profissionais podem te ajudar, mas o principal responsável pra sair disso é vc. Duas coisas que me ajudaram com a minha dismorfia corporal é a leitura. Eu tive que reaprender muita coisa sobre a beleza, auto imagem e auto estima. A listagem de livros que eu li, estou lendo e pretendo ler vc pode ver aqui. A outra coisa que eu fiz que ajudou muito foi enfrentar os meus medos. Se eu tinha medo de ir a uma festa pq as pessoas iam ficar me reparando, eu ia. Se eu tinha medo de ir a praia pq eu ia ser a única branca (chegam a tentar falar em inglês comigo achando que sou gringa), eu fecho o olho e vou. Se eu tinha vergonha de usar saia/vestido por causa da minha perna (branca e fina) eu vestia e ia. No começo não é confortável fazer essas coisas, mas a cada vez que vc faz o monstro fica menor e é muito bom vc poder fazer coisas rotineiras e normais sem ser um tormento. Ou até mesmo poder fazer coisas que antes vc não fazia por medo ou vergonha.

No mais, espero boa sorte pra cada pessoa que tiver dismorfia corporal e passar por aqui. Se vc acha que não há mais vida, há sim. Tenha fé, acredite, se empenhe em vc mesmo, tenha disciplina (como em tudo na vida) que devagar vc vai se reerguendo, vai saindo desse poço e vai conseguir seguir em frente. Se vc não consegue sozinho, busque ajuda de outra pessoa. Não tenha vergonha disso, feio é não pedir ajuda por orgulho. Deixe o orgulho de lado, o mais importante é a sua felicidade.

Solange

Transtorno Dismórfico Corporal explicado diferente

Achei um texto muito interessante explicando a dismorfia corporal num blog de um psicólogo de Porto Alegre, ele explica de uma forma diferente das que estamos acostumados a ler a respeito desse assunto. Gostei muito da forma que ele abordou os pontos da doença. Segue:

Este transtorno é incluso entre os transtornos hipocondríacos, e este boa parte das pessoas conhece, mas pensem que a hipocondria é um enfermidade mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde: O individuo, por efeito de sensações subjetivas, julga-se preso a condições péssimas (sendo na realidade inexistentes) e passa a procurar, permanentemente, tratamentos que, além de descabidos, são muitas vezes perigosos (medicações, intervenções cirúrgicas, etc).

Pois é, muitas pessoas acreditam que isso acontece na maioria nas mulheres, mas isso não é verídico. As proporções são iguais em homens e mulheres, sendo manifestados normalmente na terceira década de vida. O começo, alguns estudos demonstram que a clinicamente se dá na adolescência, época em que o indivíduo está mais preocupado de sua autoimagem na vida social.

Existem dois picos: Um na adolescência no inicio da idade adulta e outro, somente em mulheres, durante a menopausa.
É um transtorno crônico, intensidade variável, com oscilações e altos e baixos dos sintomas

Biológicamente falando, existe certa alteração na na fisiopatología da serotonina, ou seja certos remédios denominados inibidores da recaptação da serotonina são úteis no tratamento.  A serotonina atua mantendo idéias e pensamentos sob controle.

Seguimos a “saga de não cair na chatice”, mas afinal Cleber, que fatores psicológicos desencadeiam isso? Bom, meninas e meninos… Os ansiosos, perfecionistas, tristes, são mais suscetíveis de desenvolver este transtorno. Calma lá, quase todos nós somos ansiosos, muitos se acham perfecionistas e triste podemos ficar… Não vista os sintomas, por favor… A desproporcionalidade é a causadora. Algumas experiências emocionais vividas, principalmente na infância (em algumas épocas não sabiamos o que era Bullying, lembram), são de certo modo a origem de personalidades suscetíveis, com baixa auto estima, insegurança introversão, dificuldade de relacionamento interpessoal, pessoas tendentes à solidão, insociabilidade, introspeção e má adaptação à realidade exterior etc.

Sei que este tópico vai ficar “gigante”, mas lembrem-se que é apenas um resumo e estou tentando ao máximo, reduzir os temos, mas não podemos deixar de fora os fatores sociais e culturais, como: Apelos publicitários nos meios de comunicação que propagam a compra de cremes, loções, aparelhos para tornar o corpo esbelto. Os defeitos que são objeto de preocupação são diferentes dependendo do país e cultura, e isso nunca é recordado. O corpo da Brasileiro nunca será igual ao da Americana e muito menos da Chinesa, tomando a mulher como público-alvo, deste anúncios.

Fonte: Psicanálise Clínica

Batalha contra o espelho [2]

Por Roberta de Medeiros

As cirurgias plásticas viraram uma obsessão do cantor americano Michael Jackson. As intervenções começaram em 84 e não pararam mais. Em uma entrevista concedida em 1993 à apresentadora americana Oprah Winfrey, o astro pop descreveu sua personalidade como perfeccionista e “nunca satisfeito com nada”, incluindo sua aparência.  Jackson não está sozinho. Afinal, quem nunca se sentiu insatisfeito diante do espelho ao menos por um dia? Mas há quem confira dimensões extremas à conhecida fábula do patinho feio e transforme o próprio corpo num verdadeiro campo de batalha. São pessoas que sofrem de uma desordem psicológica chamada transtorno dismórfico, que faz com que elas alimentem idéias irreais sobre a própria imagem corporal.

É o caso da engenheira química C., de 39 anos, que teve sérios problemas devido à excessiva preocupação com sua aparência física. Dizia que seu rosto se tornava flácido e que suas bochechas estavam prestes a desabar. Começou a se sentir insegura a ponto de não sair na rua sozinha. Deixou de dirigir, ficando a maior parte do tempo em casa. Passou a ter espasmos no rosto e deixou até mesmo de falar.

Exames clínicos, porém, não mostraram qualquer alteração na pele ou no tônus muscular do rosto de C., mulher jovem e de boa aparência. Ainda assim ela persistia em suas queixas quanto à face.

O distúrbio foi relatado pela primeira vez pelo psiquiatra italiano Enrico Morselli, em 1886. À época, foi descrito como um sentimento de feiúra ou defeito no qual a pessoa sente que é observada por outras, embora sua aparência esteja dentro dos limites da normalidade. Por isso, o distúrbio recebeu o nome de “hipocondria da beleza”. Somente nos Estados Unidos o distúrbio atingiria cerca de 5 milhões de pessoas ou 2% da população. “Trata-se de uma certeza, muitas vezes delirante, de que uma parte do corpo não está OK. Enquanto a pessoa que alucina, inventa  o mundo, o delirante vê o mundo com outros olhos”, compara o neurologista Edson Amâncio, autor do livro “O Homem que Fazia Chover”, da editora Barcarola. “Em geral, as queixas envolvem falhas imaginárias ou leves no rosto ou na cabeça, como acne, cicatrizes, rugas ou inchaço”, diz.

Dificuldades sociais e conjugais ocorrem com as pessoas que têm o transtorno, dependendo do grau de gravidade, a ponto de terem sua vida completamente desestruturada. “O prejuízo pode ser resultado do tempo que se gasta com a atenção ao corpo, em detrimento de outros aspectos da vida, quase sempre negligenciados”,  diz Amâncio.

“Quem sofre da doença se olha com freqüência no espelho ou em outras superfícies refletoras para checar a aparência, o que pode consumir muitas horas por dia numa atitude compulsiva bastante difícil de resistir”, diz o neurologista. Outros, ao contrário, esquivam-se de espelhos em uma tentativa não bem sucedida de diminuir o mal estar e a preocupação.

Camuflagem

As queixas de quem tem preocupação exagerada com o corpo, entretanto, são vagas. Muitas pessoas evitam descrever seus defeitos em detalhes, podendo se referir à sua “feiúra” em geral. Essas pessoas tentam camuflar seus defeitos imaginários com óculos escuros, bonés, luvas ou roupas. O psiquiatra e psicoteraupeuta Geraldo Possendoro, professor da Unifesp, lembra que a crença de que algo está errado com o corpo pode extrapolar todos os limites. “A pessoa pode se queixar que os poros do nariz estão muito abertos, por exemplo. Muitas vezes não há defeito algum ou defeito é supervalorizado pelo paciente”, diz Possendoro, para quem o problema muitas vezes está associado à baixa auto-estima.

Os indivíduos com esse transtorno freqüentemente pensam que os outros estão observando o seu “defeito”, o que pode levar a uma esquiva das situações sociais que, levada ao extremo, chega até ao isolamento social. “Esses pacientes com freqüência buscam e recebem tratamentos para a correção de seus defeitos imaginários, em uma peregrinação por diversos profissionais, principalmente cirurgiões plásticos, sem, no entanto, corrigir os supostos defeitos”, diz Possendoro.

Alguns especialistas chegam a questionar se a anorexia poderia ser um caso de dismorfia, já que os indivíduos supervalorizam o seu tamanho do seu corpo e se angustiam com seu defeito imaginado. Já Possendoro defende que o diagnóstico diferencial entre anorexia do transtorno dismórfico. “Na anorexia o paciente tem um daltonismo para o próprio corpo, ela se olha no espelho e se acha muito gorda. O aspecto mais importante do tratamento é fazer com que ela adquira a crença de que ela é daltônica de que ela não pode confiar na imagem que ela faz do próprio corpo”, explica. Ele lembra que o transtorno também não pode ser confundido com transexualismo, no qual a pessoa tem corpo de homem, mas sente-se uma mulher.

O tratamento inclui antidepressivos e psicoterapia. A literatura, no entanto, aponta a possibilidade do transtorno seja, na verdade, um delírio somático, isto uma crença irreal (e incorrigível pela argumentação) sobre o próprio corpo. “Nesse caso, o tratamento incluiria a administração de antipsicóticos associados a antidepressivos”, diz Possendoro.

“Quanto à história familiar, não existem dados que estabeleçam um padrão familiar claro do transtorno dismórfico corporal com outros transtornos psiquiátricos”, diz Amâncio.

Narcisismo

Para a psiquiatra Magda Vaissman, professora da UFRJ, transtornos de personalidade como narcisista, obsessivo-compulsivo e borderline podem predispor à dismorfia. “É muito frequente que o transtorno esteja associado ao narcisismo. São pessoas que estão mais preocupadas consigo do que com o outro, como o mito de Narciso, que se apaixonou pela própria imagem. Do ponto de vista psicanalítico, é um problema na elaboração do narcisismo primário. No complexo de Édipo, a criança sai do narcisismo parar ir ao encontro do outro. Mas isso pode não ser bem elaborado, dando origem à personalidade narcisista”, explica.

Em outros casos, a dismorfia está relacionada ao transtorno obsessivo compulsivo, no qual a pessoa se entrega a uma série de rituais de verificação do corpo marcas e cicatrizes para afastar um pensamento incômodo ou intrusivo. A diferença do paciente com TOC e relação àquele que sofre de dismorfia é que no primeiro caso ele está de convencido de que o pensamento intrusivo que leva à compulsão não é verdadeiro, embora não consiga se libertar, enquanto no segundo caso, a preocupação com o corpo é quase um delírio.  “O quadro pode se apresentar como uma compulsão, no qual a pessoa segue uma série de rituais ou pode ocorrer ao nível do pensamento, que são as obsessões”, analisa.

Ela lembra que a vigorexia, uma espécie de dependência por exercícios físicos associada ao culto à imagem, pode ser uma variante da dismorfia. “A pessoa nunca está satisfeita com o corpo, acha que pode perder massa muscular, mergulha numa rotina extenuante de exercícios e muitas vezes recorre aos anabolizantes para manter o tônus muscular”, diz Magda.

Cultura do belo

Uma entrevista feita com 162 homens e 184 mulheres feita pela divisão de psicologia do Hospital das Clínicas em São Paulo mostrou que 69% dos entrevistados passaram pelo menos uma hora por dia pensando que não têm uma boa imagem. Mas o que leva cada vez mais pessoas a um descontentamento tão grande com a própria imagem?

O transtorno pode ser reflexo de uma sociedade obsessivamente preocupada pela estética corporal, que vende corpos em outdoors. Essa mensagem é amplificada pelos meios de comunicação. “A nossa sociedade finge que transtorno não é um problema. Há um individualismo exacerbado, as pessoas vivem isoladas, as famílias são desestruturadas…A cultura do belo incentiva a competição, o indivíduo vive mergulhado numa sensação de fracasso, ele sente de que nunca vai chegar lá”,  afirma Magda.

“O problema é que a maioria das pessoas com dismorfia não procura atendimento psiquiátrico, já que a sociedade incentiva a cultura do belo”, analisa Magda. Outro motivo que afasta dismórficos dos consultórios é que muitos preferem se entregar ao bisturi. Pesquisa feita pelo Instituto InterScience, revelou que 90% das mulheres e 65% dos homens afirmam sonhar com mudanças no próprio corpo. Do total, 5% já tinham feito alguma plástica e 90% já faziam planos de realizar a segunda. Entre aqueles que nunca fizeram uma cirurgia plástica, 30% declararam que esperavam ter coragem para realizá-la.

Um estudo feito pelo Observatoire Cidil des Habitudes Alimentaires (Ocha) em um universo de mil mulheres revelou que 86% delas se dizem insatisfeitas com suas medidas. Apenas 14% alegaram estar satisfeitas com o próprio corpo. O Brasil é o segundo no ranking dos países que mais realizam cirurgias plásticas, metade delas puramente estéticas – 40% lipoaspiração, 30% mamas, 20% face. A maioria foi realizada em pessoas de 20 a 34 anos. O número de jovens que colocaram próteses para “turbinar” os seios aumentou 300% nos últimos dez anos.

E não adianta o familiar contrariar o paciente que sofre do transtorno. “Quando mais oposição se faz, mas se cria uma resistência por parte do paciente. O ideal é não incentiva-lo. O que a família pode fazer é mostrar que há outros prazeres na vida, que não o culto ao corpo, e fazê-lo entender que ele sofre de uma doença”, aconselha Magda.

Essas pessoas podem apresentar fortes ideações suicidas. 13% dos pacientes psiquiatricos britânicos apresentam o transtorno. 75% das pessoas com dismorfia não se casam ou se divorciam, 70% tem ideações suicidas e 25% realmente se suicidam. 20,7% das pessoas que fazem cirurgias de rinoplastia tem um possível diagnóstico de dismorfia corporal. Pesquisa feita pela Universidade de Utrech, na Holanda, mostra as mulheres que se submetem operações de implante mamário apresentam risco três vezes maior de cometer suicídio em relação às demais mulheres. 82,6/% das pessoas que sofrem o transtorno se sentem insatisfeitas com os resultados das cirurgias. Existe a crença de que a próxima intervenção será a última. E assim, entram num circuito no qual a insatisfação é cada vez maior. Muitos casos vão parar na Justiça.

O problema nos faz questionar sobre a ética no exercício do cirurgião plástico. “O cirurgião plástico deveria estar preparado para identificar a dismorfia. O ideal seria uma interação entre o cirurgião e o psiquiatra ou o psicoterapeuta. Muitas vezes o profissional faz a correção daquilo que é um grande incômodo para o paciente, e esse desconforto em relação à aparência se desloca para outra região do corpo”, observa Amâncio.

Transtornos obsessivos

Pacientes com transtornos obsessivos têm uma maior atividade em uma determinada região do cérebro, o córtex pré-frontal, o que os leva a ter a procedimentos de controle exagerados, como retornar a própria casa várias vezes para checar se o fogão ou o ferro de passar foram desligados. Ou seja, estão sempre em estado de alerta. Dos transtornos psiquiátricos, o que mais se assemelha em critérios diagnósticos com a fobia social é o transtorno dismórfico corporal. Em ambos, os pacientes apresentam ansiedade social elevada, esquiva de situações sociais e medo de crítica e comentários adversos sobre sua aparência. Isolamento social e falta de habilidade social geralmente estão presentes nos dois casos.

Heródutus

Transtorno dismórfico corporal é um novo nome para um velho transtorno. Ele tem sido descrito nas literaturas européia e japonesa por uma variedade de nomes. A primeira referência aparece na história de Herodutus, no mito da garota feia de Esparta, que era levada por sua enfermeira, todos os dias, ao templo para se livrar da sua falta de beleza e atrativos.

Neurose compulsiva

Emil Kraepelin (1856-1926), grande psiquiatra alemão, considerado o criados da moderna Psiquiatria devido às suas enormes contribuições científicas contidas ao longo das oito edições de seu Tratado de Psiquiatria, ocupou-se do tema dismorfia, introduzindo-o na oitava edição do “Tratado sob a Rubrica de Neurose Compulsiva”. Considerou a dismorfia como uma das formas clínicas da série de medos obsessivos que surgem do contato com outras pessoas. É desta forma que a dismorfia assemelha-se à timidez, ao medo de provas e à antropofobia, entre outros.

Homem dos Lobos

Entre os cacos clínicos publicados por Freud, o do paciente Serguéi Constantinovitch Pankejeff ficou conhecido como o “Homem dos Lobos”. Ele iniciou sua análise com Freud em 1910 e apresentava, entre outros sintomas, uma preocupação excessiva com a aparência de seu nariz. Antes de iniciar a análise com Freud, já havia feito vários tratamentos e se consultando também com os médicos Theodor Ziehen, de Berlim, e Emil Krapelein, de Munique. Esse histórico, com certeza, aumentou o interesse de Freud pelo caso, pois considerava esses dois importantes médicos como “rivais” de profissão.

Delírio somático

São formas de delírio em relação ao corpo.  Os mais comuns dizem respeito à convicção de que a pessoa tem deformações de certas partes do corpo.

Fonte: Psiqweb /G J Ballone

Critérios Diagnósticos Transtorno Dismórfico Corporal:

A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva.
B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. A preocupação não se enquadra como anorexia.

Fonte: Psiquê

Prevalência do TDC em pacientes dermatológicos (parte 3)

Para ler a primeira parte clique aqui.
Para ler a segunda parte clique aqui.

Segundo Phillips e Dufrense, nos últimos anos, o TDC deixou de ser um transtorno psiquiátrico negligenciado e está sendo mais bem reconhecido e compreendido. Trata-se de um transtorno grave, relativamente comum que, frequentemente, se apresenta aos profissionais de saúde mental e também a médicos não psiquiatras. Muitos pacientes sentem vergonha dos seus sintomas e não os relatam, mesmo que desejem que seu médico saiba de suas queixas com a aparência. Em média, o paciente procura tratamento específico após onze anos do aparecimento dos primeiros sintomas.
Provavelmente o TDC esteja sendo subestimado, pois poucos psiquiatras ou especialistas que fazem um primeiro contato com os pacientes com o TDC reconhecem essa condição. Em contraste, observa-se que os pacientes com o TDC consultam dermatologistas, cirurgiões, plásticos e outros profissionais com o objetivo de modificar sua aparência, mostrando-se insatisfeitos com os resultados e solicitando novas intervenções para a mesma queixa ou para uma área do corpo diferente, para a qual transferiram o foco das atenções. É da maior importância que esses profissionais conheçam os sintomas do TDC e investiguem especificamente esses sintomas. Os tratamentos cosméticos parecem ineficazes no TDC e podem oferecer riscos aos médicos que os executam, uma vez que os pacientes podem tornar-se agressivos e violentos com seus médicos. Além do mais, esses pacientes tem maiores taxas de ideação suicida e tentativas de suicídio, incluindo efetivas.
No Brasil, ainda não há estudos sobre a prevalência do TDC em população dermatológica. Segundo Fontenelle, apesar da importância em relação à aparência física observada na moderna sociedade brasileira, não existem investigações sistemáticas sobre o TDC no Brasil. Também parece não haver estudo publicado que tenha avaliado simultaneamente a prevalência, presença de comorbidades, gravidade dos sintomas e grau de juízo crítico do TDC em pacientes dermatológicos clínicos e cirúrgicos. Sendo assim este estudo se justifica na tentativa de preencher essas lacunas de conhecimento e investigar aspectos da fenomenologia das queixas com a imagem corporal nos pacientes com o TDC.

Quem quiser baixar a monografia completa clique aqui.

Abaixo segue o sumário da monografia.

1. Introdução
– Os tratamentos médicos cosméticos na atualidade
– Considerações sobre aspectos psicossociais
– A imagem corporal e a insatisfação
– Transtorno Dismórfico Corporal
– Clínica do Transtorno Dismórfico Corporal
– Prevalência do Transtorno Dismórfico Corporal
– Aspectos demográficos
– Etiologia
– Comorbidades
– Tratamento
– Justificativa do estudo

2. Objetivos e Hipóteses
– Objetivo geral
– Objetivos específicos e hipóteses

3. Casuística e Métodos
– Delineamento do estudo
– População
– Local de realização do estudo
– Amostra e amostragem
– Entrevistas
– Aspectos éticos
– Logística
– Treinamento dos entrevistadores
– Estimativa do Diagnóstico
– Avaliação da classe econômica
– Análise estatística dos dados

4. Resultados
– Características sócio-demográficas: perfil da amostra
– Rastreamento do Transtorno Dismórfico Corporal
– Histórico Médico
– Antecedentes psicossociais
– Diagnóstico do Transtorno Dismórfico Corporal após triagem da amostra
– Prevalência de Transtorno Dismórfico Corporal
– Características sócio-demográficas dos pacientes com o Transtorno Dismórfico Corporal
– Comorbidades
– Tratamentos psiquiátricos prévios
– Intensidade dos sintomas do Transtorno Dismórfico Corporal
– Nível de crença (Juízo crítico) sobre os sintomas do Transtorno Dismórfico Corporal
– Dimensões obsessivo-compulsivas associadas ao Transtorno Dismórfico Corporal
– Comparações entre pacientes com Transtorno Dismórcico Corporal e Transtorno Dismórfico Corporal associado ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo
– Tratamentos dermatolóticos cosméticos e cirúrgicos
– Fatores associados à gravidade do Transtorno Dismórfico Corporal ea o nível de crença (juízo crítico)
– Fatores associados à presença de Transtorno Obsessivo-Compulsivo

5. Discussão
– Características da amostra
– Rastreamento do Transtorno Dismórfico Corporal: considerações sobre as respostas às perguntas de triagem
– Histórico Médico
– Antecedentes psicossociais
– Diagnóstico do Transtorno Dismórfico Corporal após triagem da amostra
– Prevalência do Transtorno Dismórfico Corporal
– Características sócio-demográficas dos pacientes com o Transtorno Dismórfico Corporal
– Comorbidades
– Diagnósticos e tratamentos psiquiátricos prévios
– Intensidade dos sintomas do Transtorno Dismórfico Corporal
– Nível de crença (juizo crítico) sobre os sintomas do Transtorno Dismórfico Corporal
– Dimensões obsessivo-compulsivas associadas
– Comarações dos pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno Dismórfico Corporal associado ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo
– Tratamentos dermatológicos cosméticos e cirúrgicos
– Fatores associados à gravidade do Transtorno Dismórfico Corporal e ao nível de crença (juízo crítico)
– Fatores associados à presença de Transtorno Obsessivo-Compulsivo
– Limitações deste estudo
– Perspectivas futuras

6. Conclusões
7. Anexos
8. Referências