Grupo Whatsapp Dismorfia Corporal

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A pedidos, foi criado um grupo do Whatsapp sobre o Transtorno Dismórfico Corporal. Para desabafar, encontrar outras pessoas passando pela mesma situação, tirar dúvidas etc. Juntos somos mais fortes. Segue o link ou deixe seu número nos comentários (ou por email diariodeumadismorfia@gmail.com) que adiciono.
Ou clique no link pelo celular e entre direto: https://chat.whatsapp.com/C5bBwemzB6O4KJz5pruH19
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Consegui me ver normalmente depois do tratamento?

Estou em dois grupos do Facebook sobre Transtorno Dismórfico Corporal. Em uma das publicações que falei que estava à disposição de quem precisasse de algo, me perguntaram “Gostaria de saber se você conseguiu se enxergar normalmente depois do tratamento.”

Vou colar aqui minha resposta:

Eu consegui sim. Hoje consigo ver minha beleza física e gosto do que eu vejo. Diferente do que acontecia uns anos atrás, que sofria com o que eu via. O tratamento psicológico foi fundamental na minha melhora (o tipo de tratamento que fiz foi a terapia cognitivo comportamental) e a leitura também me ajudou muito a abrir meus horizontes e ver que há outras formas de se pensar sobre o assunto beleza. Com isso, minha auto imagem e a minha auto estima foram mudando e comecei a me descobrir.

Acho que é isso que falta para cada pessoa que tem o transtorno dismórfico corporal: se descobrir. Nós (dismórficos) acabamos criando uma imagem na nossa cabeça (e vemos isso no espelho) de como somos e isso não é fácil de consertar. Porém, essa mudança é possível sim. E tirar esse peso das costas do sofrimento com a própria aparência não tem preço. Poder sair na rua sem medo de ser julgada (e se for, não me importo com isso) e poder ser quem eu sou.

O que é preciso esclarecer com a superação do transtorno dismórfico corporal é que a pessoa não vai achar tudo lindo maravilhoso em si. Mas vai entender que aquelas características não são um problema. Por exemplo: Eu não acho o meu nariz o mais bonito para mim. Porém, eu não o vejo mais como um problema. E o meu nariz no conjunto do meu rosto e no conjunto do meu corpo não é um problema e junto com as outras características físicas que tenho faz com que tudo esteja em harmonia e, dessa forma, belo.

A diferença entre uma pessoa com transtorno dismórfico corporal para uma que teve e não tem mais é que as características que antes incomodavam não incomodam mais. Não por uma questão de se conformar com o que não gosta, mas no sentido de então conseguir enxergar que aquela característica não tem nada de errado, que é normal e que no conjunto ela está em harmonia com o restante das outras características físicas. Hoje eu gosto do meu conjunto, me sinto bem como sou. Aceito minhas características porque sei que elas fazem o que eu sou, única. Não existe outra de mim. Não existe outra de você e isso é maravilhoso.

Vou operar meu nariz? Não. Muitas pessoas vão dizer que não há nada de errado com meu nariz. Outras podem até achar meu nariz feio. Só que isso é uma questão de gosto e opinião cada pessoa tem uma. Por mais que eu tenha o nariz “perfeito” nunca vai ser perfeito para todos. Porque “perfeito” não exite, justamente porque não existe um consenso para a beleza. Sempre vai haver opiniões diferentes e isso é ótimo porque dessa forma todos são feios e belos ao mesmo tempo. Hoje eu tenho as mesmas características de quando eu me achava deformada por conta do transtorno dismórfico corporal. Eu tenho olheiras, tenho sardas, tenho o mesmo nariz etc. A diferença é que essas características não tem a mesma intensidade de quando eu estava com o transtorno. E a palavra para tudo isso é equilíbrio.

Grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/1660848680796787

Não é o nosso olho que vê

Para poder falar de como diminuir o sofrimento por causa do transtorno dismórfico corporal precisamos entender o que o transtorno dismórfico corporal muda na nossa vida.

Entender que estamos com transtorno dismórfico corporal e como tudo acontece ajuda muito a sair disso. Estar com dismorfia corporal altera a forma como nos vemos, e se não aceitamos que isso é uma alteração na nossa mente fica difícil alguma mudança.

O estamos passando é devido a uma alteração no nosso cérebro que faz ele funcionar como se estivesse desconfigurado, fazendo ele funcionar errado. Então precisamos fazer algumas coisas para que ele volte a funcionar corretamente, que é o tratamento.

Como o cérebro está funcionando errado? Ele está vendo uma imagem irreal da nossa imagem. As pessoas me falam “Mas eu vejo no espelho que eu sou assim horrível, não tem como ser mentira porque eu estou vendo com meus próprios olhos que sou assim”. E é justamente aí que está o problema que o transtorno dismórfico corporal causa. Esse transtorno é uma doença mental, conforme está escrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Se é mental, então é um problema do cérebro. E o que isso tem a ver com como nos vemos? Está relacionado com como funciona a nossa visão, nossos olhos.

Como funciona a nossa visão? O nosso olho é a ferramenta que faz conseguirmos enxergar. Não é o olho que vê. É o cérebro que vê através do olho. O cérebro lê o que os olhos passam de informação. Os olhos são um prolongamento do nosso cérebro. A função da sua mente é interpretar tudo aquilo que seu olho viu.

Existem várias formas de deficiência neurológica que não permite o cérebro ver corretamente. Mas vou citar dois tipos para podermos entender melhor a ligação dos olhos com o cérebro e depois sobre o transtorno dismórfico corporal.

Agnosia Visual: Normalmente associada a danos cerebrais ou doenças neurológicas, a agnosia visual é a perda da capacidade de reconhecer pessoas, objetos sons e formas. Eles podem olhar para um objeto comum, como uma caneta, e não conseguir identificar o que é.
Um teste para identificar esse transtorno neurológico é pedir para copiar um objeto. Como o paciente pode perceber perfeitamente as formas, apesar de não fazer ideia de seu significado, o desenho sai extremamente parecido com o original. E exatamente aí está o problema do agnóstico visual associativo. Ele copia os traços linha por linha, lentamente, por que seu cérebro manda copiar as formas que está vendo, em vez de dizer – “Hmm, isto é uma âncora. Então vou desenhar baseado na memória de como é uma âncora”. (copiei a explicação de uma matéria da Revista Super Interessante, não fiz da minha cabeça).

Deficiência visual cortical (DVC): É uma forma de deficiência visual causada por um problema cerebral mais que um problema no olho (deficiência ocular).

Podemos então entender que na Agnosia Visual a pessoa está com seu olho em perfeito estado. O olho vê perfeitamente mas o cérebro está com um problema que não permite ler corretamente as informações que o olho envia. Não é o olho que tem um problema. O olho capta e envia a informação corretamente. O problema está lá na leitura dessa informação feita pelo cérebro.

No outro tipo de deficiência visual que é a “Deficiência visual cortical” entendemos que a pessoa tem prejuízo da visão por conta de um problema no cérebro e não propriamente no olho.

No transtorno dismórfico corporal acontece uma alteração psicológica, fazendo com que nos vejamos de forma diferente como somos. Quando uma pessoa me fala “Eu sei que sou horrível porque me olho no espelho e vejo isso”. A pessoa está querendo dizer que não está com problema de visão. Que não tem como o que ela está vendo estar errado porque ela está vendo com os próprios olhos que são saudáveis. Mas o problema não está nos olhos, está na mente. E se a mente mostra para você algo que não é real fica difícil você confrontar o que você está vendo. Porque você não tem duas imagens, a real e a que o cérebro está mostrando, para poder comparar. Então aqui é preciso ter a capacidade de compreensão e separar o que é real e o que a mente está alterando.

Se isso não for claro e a pessoa não tiver total compreensão disso, todo o resto do tratamento vai ficar comprometido. A pessoa com transtorno dismórfico corporal tendo isso bem claro não vai fazê-la vela da forma correta. Ela vai continuar se vendo feia, mas ela vai ter a consciência que o que está vendo é irreal e que está em processo para se ver da forma correta e real.

Não desista de si mesmo

Essa é a resposta que eu escrevi para um depoimento que deixaram no meu blog ano passado e eu queria escrever uma resposta. Hoje eu escrevi e estou postando aqui pois pode servir para outras pessoas:

Li seu relato e queria te dizer que tenho 1.79 e também não gosto. Eu gostaria de ser menor. Aqui na minha cidade (Florianópolis SC) apesar de ser uma cidade de pessoas mais altas que o restante do país, eu sempre sou a mulher mais alta do local. Sou a mais alta até que os homens. Se vou na lotérica e tem 20 pessoas na fila entre homens e mulheres, eu sou a mais alta entre todos. Se eu vou em uma festa, eu sou a mais alta de todos. Pouquíssimas vezes tem algum homem da minha altura ou maior. Eles existem sim, mas geralmente não estão no mesmo lugar que eu. Isso me incomoda muito e já procurei várias vezes na internet se existia uma cirurgia para cortar os ossos da perna para que eu pudesse ser menor. E existe cirurgia para isso? Não existe. Então eu vou ter essa altura para o resto da vida. Eu me considero com muita olheira, muito branca, com papada, etc. Eu vou deixar de ser feliz por causa da minha altura ou por causa de outras características que eu não gosto? Eu não sou só isso. Eu sou muito mais do que a altura que eu não gosto. Eu sou muito mais do que minha olheira, minha papada, minha brancura e tudo que me incomoda. E se essas características individuais eu não gosto, no meu conjunto eu acho que está tudo harmônico.

Eu não sou só aparência e não me interessa pessoas que me vêem somente assim. Eu sou amizade, sou carinho, sou amor, sou alegria, sou bons momentos junto e não vou me privar por conta das características que não gosto. Todo mundo na vida tem alguma coisa que não gosta, até os considerados “bonitos” tem algo que, se pudessem, gostariam que fosse diferente. Só que eles não se privam da vida por causa disso. A vida é feita de bons momentos com quem gostamos, é sair comer alguma coisa que gosta, tomar um suco na beira da praia, é ver o por do sol, é jogar conversa fora com um amigo, é rir num final de semana sem pensar no trabalho de segunda-feira. A vida não é o meu rosto, o meu nariz, o meu olho, minha altura ou o meu peso. Eu não posso me privar da vida por conta de coisas que eu não vou conseguir mudar. Isso não é se conformar com o que não se gosta. É aceitar e viver em paz sabendo que isso não é um problema na vida. É como aquele ditado “O que não tem solução, solucionado está”. Se não tem solução, então vou me preocupar com o que realmente importa e parar de gastar minha energia e meu tempo com o que eu não posso mudar e no final das contas não tem importância. Porque características da nossa aparência não tem importância absoluta na nossa vida. O que tem importância é o nosso bem estar e nos amarmos. Isso que é fundamental.

“A imagem física tem muitos aspectos. É visual – o que você vê quando olha para você mesmo. É mental – como você pensa sobre sua aparência. É emocional – como você se sente sobre seu peso ou altura. É sinestésica – como você sente e controla as partes de seu corpo. É também histórica – moldada por toda uma vida de experiências, que incluem prazer e dor, elogio e crítica. Acima de tudo, a imagem física é uma questão social. Pode residir em sua mente, mas esta fundamentada nas experiências cotidianas que a cercam. O modo como você se sente depende de como se considera avaliado pelos outros. Sua imagem física pode ser abalada pelo julgamento de uma pessoa amada ou pelo assobio de um estranho.”

Esse é um texto de um livro. Cada pessoa é um conjunto de características. Somos nossas características físicas, mas também somos nossas características de personalidade, o nosso caráter, os nossos gostos e todas as nossas particularidades que é o nosso jeito e que isso é o que realmente simboliza o que nós somos. Nós não gostamos de alguém só por causa da aparência dela. Nós gostamos desta pessoa pelo relacionamento que temos com ela (estou me referindo à amizade). Quando conhecemos alguém e gostamos dessa pessoa é porque gostamos da companhia, de como nos trata, de como se refere à nós, dos momentos que passamos junto com essa pessoa, da confiança e reciprocidade que existe e eu poderia listar tantas outras qualidades de um relacionamento de amizade.

Eu não quero chegar aos meus 80 anos, olhar para trás e ver que eu não aproveitei a minha vida porque fiquei lamentando minha altura e minha aparência. Eu quero olhar e ver que vivi da melhor forma possível. Eu tive transtorno dismórfico corporal e perdi uma parte da minha vida, fiquei sem sair, tive depressão, como qualquer pessoa com transtorno dismórfico corporal tem um prejuízo de convívio social (que é um dos critérios para o diagnóstico). Porém, é preciso tratar para sair disso e ter uma vida normal. Viver com o peso que o transtorno nos trás é horrível. Toda vez sair de casa é uma tortura, uma preocupação que as pessoas irão reparar na nossa feiura e que isso vai ser assunto na mesa de jantar de cada pessoa que nos viu. Só que não somos obrigados a viver isso o resto da vida. Podemos nos posicionar diante disso e dizer “eu não quero isso pra minha vida” e então se empenhar em sair disso, através de terapia, leitura e dedicação.

Se auto julgar dizendo “sei que todo esforço que eu puder fazer pra me tornar alguém que eu gostaria de ser é totalmente inútil” tira qualquer possibilidade de resolver o que se está passando. Se você se condena dessa forma realmente não se tem mais nada a se fazer. Agora se, ao contrário, falar “Sei que qualquer esforço que eu fizer vai ser válido e vai me ajudar a sair disso e vai fazer eu me amar como eu sou”, metade do caminho já está andado.

Agora, se auto condenando você já tomou a sua decisão e sua vida vai ser sempre assim porque você está convicto disso. Então vai viver dessa forma e só vai se auto afirmar cada vez mais. A cura começa antes mesmo do tratamento. Quando a pessoa percebe que algo precisa ser mudado, já é parte do processo. E identificar as coisas que precisam ser mudadas é o primeiro passo para tudo mudar e dar certo. Mudar dói, mas nada é mais doloroso permanecer preso a um lugar que não te faz feliz.

Tem uma pergunta simples que nos posiciona em frente às situações da nossa vida. A pergunta é: Eu quero ou não quero isso para a minha vida? Se não quero, então me posiciono diante da situação e trabalho para mudá-la.

Já pensou se toda pessoa com algo que não gostasse se auto condenasse a uma vida infeliz? Os anões, os deficientes físicos, os que mancam, os que não andam, os cegos, os que não tem um braço, as pessoas com diabetes que vão ter que tomar remédio o resto da vida, as pessoas com câncer que apesar do problema não desistem diante da vida, etc etc etc, são tantos exemplos. A auto piedade não é uma dádiva e nos coloca em situação de vítima. E em situação de vítima tiramos a nossa responsabilidade de fazer algo para mudar isso porque eu não sou mais o responsável pela situação.

Se empregos, relacionamentos e a própria vida foi comprometida por conta do transtorno dismórfico corporal, chegou a hora de mudar essa situação e batalhar para fazer uma realidade nova. Onde eu posso sair de casa sem me preocupar com quem está me vendo porque estou em sentindo bem comigo mesmo, onde eu sei que quando se interessam por mim é porque realmente se interessaram por mim e não por falta de opção, que quando me elogiam é porque realmente querem me fazer um elogio sobre o que estão falando e não por pena.

Quando leio seu relato eu sei a dor que você passa porque eu passei também por isso. Você deve ter visto no meu blog como eu me via. Eu editei uma foto minha do jeito que eu me via para a minha psicóloga ver como eu me enxergava, eu me via deformada. Eu fiz uma espécie de diário para a terapia que eu fazia na época, onde eu incluía as coisas que achava importante registrar. A primeira página do meu diário é a imagem de uma boneca e de um mundo e um texto que diz “Oi, meu nome é Solange e eu tenho 26 anos. Eu moro em dois lugares: em mim e no mundo. Porém, eu não gosto de morar em nenhum dos dois”. Toda vez que eu leio eu choro. Toda vez. Já se passaram quase 10 anos, mas eu lembro do que eu passei. Eu tomava banho no escuro, passei pomada a base de ácido no rosto na tentativa de tirar as manchas que eu via no meu rosto e ficava escutando meu chefe tirando sarro do meu rosto vermelho. Eu lixei meus dentes com lixa de unha porque nenhum dentista queria arrancar meus dentes “tortos” para por um implante pra eles ficarem retos. Não ache que eu banalizo o seu sofrimento. Eu só quero que você entenda que isso que você está vivendo não é normal. Não há porque se conformar com isso porque a verdadeira realidade é outra. Mas só com tratamento você vai conseguir ver isso.

O exercício de tentar confrontar e sair, para que se veja que está exagerando e o mundo não é como se vê e que está projetando coisas irreais devido a um problema psicológico não funciona. Não funciona e piora a situação. Vou explicar o porquê. Porque se cria uma expectativa em cima de uma situação, sendo que não há como ver a situação diferente sem tratamento. É como uma pessoa diabética querer medir a glicose do sangue para comprovar que a glicose está controlada mas sem tomar remédio. Não vai estar. Não vai estar porque a pessoa não fez nada para mudar a situação que se encontrava. O ano não vai ser novo se você for o mesmo. Não tem como continuar tendo as mesmas atitudes e esperar resultados diferentes. Não tem como esperar uma realidade diferente se você continua se odiando, se você continua se auto depreciando, continua considerando que você não é digno de ter uma namorada, de alguém tem admirar. Não tem como alguém amar você se nem você se ama. É preciso tratar para isso mudar.

Se faz 24 anos que você deixou de viver, então chegou a hora de nascer de novo. Eu tenho uma tatuagem da data que eu me mudei pro Rio de Janeiro no meio do meu tratamento de dismorfia corporal porque essa data representa para mim o meu novo nascimento em relação a minha auto imagem e a minha auto estima. Em relação à minha vida. E que bom que podemos renascer quantas vezes for preciso sem precisar morrer de verdade. Que bom que podemos recomeçar a qualquer hora. Basta a gente decidir isso.

É preciso se empenhar para as coisas certas. As coisas certas são: terapia, psiquiatra, leitura e dedicação para si mesmo. Sem uma dessas faltar não funciona, uma coisa está interligada a outra e tudo precisa acontecer junto para funcionar. O único que talvez não seja necessário é o psiquiatra mas depende de cada caso e no seu caso acho indispensável.

Como tudo na vida pra dar certo a gente precisa de dedicação. Se queremos ter graduação de algum curso precisamos enfrentar 4 anos de aula (alguns 2 anos, mas que seja). Não é possível fazer 1 mês de aula e já querer se formar. É preciso frequentar as aulas, estudar, aprender e então no final do período necessário vai estar formado e com conhecimento. Se quiser aprender a tocar piano, não da para assistir uma aula no youtube ou fazer uma aula presencial e achar que já vai sair tocando. É preciso dedicação, estudar, treinar, fazer isso por um tempo e então vai estar pronto para tocar piano até de olhos fechados. O tratamento do transtorno dismórfico corporal é a mesma coisa. Levar a terapia a sério, levar a medicação a sério, levar a leitura a sério e ter disciplina como tudo na vida para dar certo. Tem que ter o comprometimento mas o resultado vem.

1 – Ir a um Psiquiatra que saiba sobre o transtorno para tomar uma medicação que diminua seu sofrimento e que te ajude a voltar ao convívio social. Só o tratamento com remédio não adianta. É preciso as outras etapas do tratamento também, mas o remédio ajuda como uma bóia para quem está se afogando. A bóia não vai ensinar a nadar mas vai ajudar a pessoa a não morrer afogado.

2 – Terapia. Fazer terapia pra tratar o transtorno. Começar a se descobrir, descobrir sua beleza, quais as suas qualidades etc. O tipo de terapia que eu gosto muito é a Terapia Cognitivo Comportamental, que é a terapia que minha psicóloga usa e no meu ver dá grande resultado em pouco tempo porque usa perguntas que te faz refletir e também trabalha com tarefas. Se quiser, dê uma lida na internet sobre esse tipo de terapia.

3 – Ler. No meu blog, no menu, tem “Livros” com ótimas indicações de livros sobre auto imagem e ditadura da beleza. A leitura ajuda a abrir a mente, ver novos horizontes, conseguir refletir e entender muitas coisas que se pensa errado. Dá para comprar em sebo eles mais barato, mas até novos eles não são caros. No site www.estantevirtual.com.br você consegue ver sebos de todo o Brasil e as vezes encontra pra comprar na sua cidade.

Os 3 livros que eu considero os mais importante sobre auto imagem, auto estima e ditadura da beleza:

– A beleza está nos olhos de quem vê – Camila Cury
– Imperfeitos, livres & felizes – Christophe André
– Meu corpo, meu espelho – Rita Freedman

Mas você pode ler o que achar mais interessante, existe uma quantidade enorme de livros sobre esses temas.

Não se pode ter pressa para terminar o tratamento. Isso é como um curso sobre nós mesmo. É um curso onde vamos nos conhecer. Onde teremos uma aula por semana (com o psicólogo) e depois estudaremos em casa (com leitura) e exercícios (colocando em prática o que estamos aprendendo). Não da para ter pressa. Começar hoje e daqui dois meses dizer “não está adiantando de nada”. O processo é lento mesmo. Eu demorei 3 anos pra dizer que tudo estava sob controle e que eu tinha saído disso mas cada pessoa tem seu ritmo. Pode ser mais, pode ser menos, o importante é que o resultado venha, independente do tempo. Tem que ter paciência. A pressa, a expectativa, a ansiedade, nada disso ajuda. Bem pelo contrário só faz a gente desistir. E desistir não resolve nossos problemas.

Eu quero te dizer que o que eu puder te ajudar você pode contar comigo. Os outros poderão andar ao seu lado, mas ninguém poderá andar por você. Torço para o seu sucesso e precisando é só entrar em contato.

Preocupação com peso ou gordura não é Transtorno Dismórfico Corporal

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O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM 5 – é o resultado de mais de 10 anos de trabalho de especialistas do mundo inteiro. A consequência desses estudos é o que há de mais atual em termos de classificação e diagnóstico na área da saúde mental.

O livro aborda os diagnósticos psiquiátricos e representa a base para a definição de doenças psíquicas. Contém informações úteis para todos os profissionais que atuam na área da saúde mental, incluindo psiquiatras, médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e outros profissionais da área.

Vamos ver abaixo os critérios de diagnóstico de Transtorno Dismórfico Corporal que constam nesse manual:

Transtorno dismórfico corporal: Os indivíduos com transtorno dismórfico corporal preocupam-se com a percepção de um ou mais defeitos ou falhas em sua aparência física que não são observáveis ou parecem leves para os outros; essa preocupação frequentemente causa ansiedade social e esquiva. Se seus medos e a esquiva social são causados apenas por suas crenças sobre sua aparência, um diagnóstico separado de transtorno de ansiedade social não se justifica.

Critérios Diagnósticos 

A. Preocupação com um ou mais defeitos ou falhas percebidas na aparência física que não são observáveis ou que parecem leves para os outros.
B. Em algum momento durante o curso do transtorno, o indivíduo executou comportamentos repetitivos (p. ex., verificar-se no espelho, arrumar-se excessivamente, beliscar a pele, buscar tranquilização) ou atos mentais (p. ex., comparando sua aparência com a de outros) em resposta às preocupações com a aparência.
C. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
D. A preocupação com a aparência não é mais bem explicada por preocupações com a gordura ou o peso corporal em um indivíduo cujos sintomas satisfazem os critérios diagnósticos para um transtorno alimentar.

Diagnóstico Diferencial: As preocupações como ser gordo são consideradas um sintoma do transtorno alimentar em vez de transtorno dismórfico corporal. No entanto, preocupações com o peso podem ocorrer no transtorno dismórfico corporal. Os transtornos alimentares e o transtorno dismórfico corporal podem ser comórbidos; nesse caso, ambos devem ser diagnosticados.


Com frequência, o transtorno dismórfico corporal é confundido pelas pessoas que possuem problema com a auto imagem relacionada ao peso. Porém, como vimos aqui na descrição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, para se ter um diagnóstico de transtorno dismórfico corporal a insatisfação não pode estar relacionada ao peso ou gordura. Porque assim, o diagnóstico passaria de “Transtorno Dismórfico Corporal” para “Transtorno Alimentar”. Não existe Transtorno Dismórfico Corporal relacionado à insatisfação com peso ou gordura. No transtorno dismórfico corporal, entre as queixas, a pessoa pode ter preocupação com o peso, porém a pessoa vai ser diagnosticada com transtorno dismórfico corporal e transtorno alimentar.

Metade do ano passado, a esposa do apresentador Tiago Leifert, Daiana Garbin disse que tinha dismorfia corporal. Ela se via com mais gordura do que realmente tinha, principalmente nos braços e não usava blusas sem manga. Porém, depois de alguns meses quando ela lançou o seu livro, ela explicou que não era dismorfia corporal, e sim transtorno alimentar. Justamente porque esse tipo de preocupação não se enquadra no transtorno dismórfico corporal.

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Fonte da notícia sobre a Daiana: Terra

Instagram Diário de uma Dismorfia

Olá, boa tarde para você 🙂

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Eu criei um Instagram @Diariodeumadismorfia para postar frases e informações sobre o transtorno, sobre auto imagem, sobre auto estima e qualquer assunto relacionado.
Se você não tem Instagram não tem problema, o conteúdo vai ser postado aqui no blog também e na página do Facebook também como segue abaixo os links.

Meu Contato e Redes Sociais:

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O problema é a imagem que você vê nos olhos de sua mente.

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Esse é o trecho de um dos livros que indico pra quem tem dismorfia corporal. Livro “Meu Corpo, Meu Espelho” autora Rita Freedman. Das pessoas que já entraram em contato comigo dizendo sofrer pela dismorfia corporal e que eu vi a foto, nenhuma tinha uma fisionomia que eu considerasse feia. E é isso que está no texto do livro que precisamos entender. A imagem que vemos é resultado do que o nosso cérebro enxerga. O nosso olho é a ferramenta do nosso corpo para ver mas o nosso cérebro que recebe e lê essa informação. Se seu cérebro está com um problema (transtorno) para ler essa informação, a leitura vai sair errada. Se você sofreu bullying ou qualquer tipo de diminuição ou rejeição na sua vida pode ter causado um dano lá no seu cérebro (no seu psicológico) e fez com que mudasse a forma que você se vê. Por isso é importante o tratamento, a terapia, a leitura, a informação e a correção disso dentro de você para que você volte a se ver da forma como você realmente é.

Não torne as coisas eternas

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Eu recebo vários emails e 90% deles giram em torno que preciso esclarecer aqui. A Os emails que eu recebo contam suas histórias de sofrimento por conta de como essas pessoas se enxergam e como acreditam que é sua aparência e a maioria deles possuem o início disso tudo em algum momento do passado onde alguém falou algo a respeito delas (bullying ou qualquer outro tipo de comentário).

Minha primeira observação sobre isso é o seguinte: Existem pessoas más no mundo que vão nos inferiorizar e vão gostar de fazer isso. Essas pessoas se sentem bem humilhando, ridicularizando ou seja que tipo de atitude má que vão fazer. O que não se pode fazer é aceitar o que as pessoas falam como verdade. Eu digo isso porque eu fiz isso por muito tempo da minha vida. Como já contei aqui no blog, o meu transtorno dismórfico corporal começou na infância quando eu tinha apenas 5 anos de idade quando o amigo do meu irmão me chamava de feia (ele tinha 15 anos) e ria porque eu chorava. Pra ele era uma brincadeira, pra mim era uma tortura e isso prejudicou muito minha auto estima e a minha segurança conforme eu ia crescendo. No colégio veio a fase de bullying me chamando de saracura, girafa, olho esbugalhado e tantas outras coisas que muitos adolescentes também passam. Vou por aqui algumas fotos minhas da minha adolescência.

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Acima eu com 13 anos, ainda crescendo. Eu era muito feia, magrela, sem curvas que outras meninas da minha idade já iam tendo. Eu usava aparelho, uma franja toda torta. Vocês vão olhar a foto e dizer “Está normal para uma adolescente passando por transformação” mas eu me via nessa época como um E.T.

O que não podemos é pegar uma época “ruim” da nossa vida, tomar como verdade o que falaram de nós e e eternizar ela que o resto da nossa vida vai ser assim. A vida e o mundo estão em constante transformação. Você não é mais o mesmo de hoje e não é o mesmo de amanhã. Essa imagem do começo da postagem “Não tornar as coisas eternas” foi uma tarefa que minha psicóloga deixou pra mim pois quando eu tinha um problema na minha vida eu eternizava aquele momento como se aquilo nunca mais fosse acabar. E tudo acaba uma hora. Eternizar momentos é o que acontece com os suicidas. Eles acham que o que estão passando não vai ter fim e por isso se matam.

Eu cresci e com cerca de 15 anos eu tinha crescido e não gostava da minha altura. Comecei a andar arcada (ainda ando e tento corrigir isso) e as fotos daquela época mostram como eu me curvava para tentar ser menor.

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Os anos foram se passando, descobri que meu sofrimento tinha nome (transtorno dismórfico corporal) e comecei a tratar. Consegui resolver isso na minha vida e hoje não tenho mais. Tem dias que me acho feia, tem dias que não quero que batam foto de mim, mas sei que isso é normal de qualquer ser humano porque não somos robôs. Só que apesar de me sentir as vezes assim isso não me faz sofrer e me aceito como eu sou e sei que sou um conjunto de características e que vão ter pessoas que vão gostar de mim assim e vão ter pessoas que vão me achar feia também porque isso é questão de gosto de cada um e não tem nada a ver com o meu valor.

Não me acho muito bonita em fotos sem maquiagem mas sei que a maioria das pessoas também ficam assim e que uma maquiagem, um pose bem feita e um filtro na foto ajudam muito e olhamos fotos dos outros e achamos que somos a escória da sociedade.

A gente se olha no espelho e queria ser igual a outra pessoa que é bonita e não percebe que uma iluminação boa, um ângulo bom e acima de tudo UMA BOA AUTO ESTIMA faz qualquer foto ficar boa. E para as mulheres a maquiagem ainda ajuda. Vou usar minhas fotos como exemplo:

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Não to nenhuma modelo né. Mas se arrumar o cabelo, passar uma maquiagem, colocar uma roupa legal, por um sorriso no rosto já ajuda. Como vemos nas fotos abaixo:

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Claro que arrumada ta mais bonita mas também não tem nada de errado comigo sem maquiagem. E também não tem nada de errado com você do jeito que você é. Só que quando temos o transtorno dismórfico corporal nós nos vemos diferente. Você estudou na escola que o olho é a “ferramenta” que nos faz ver mas quem lê essa informação é o cérebro. Se o cérebro está com problema, ele vai ler essa informação errada. Que é o que faz você se ver de forma diferente do que você é.

Como eu me via:

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Isso foi uma ilustração que eu fiz pra mostrar pra minha psicóloga na época que eu fazia terapia pra ela entender como eu me via. Porque eu achava que eu explicava pra ela mas ela não entendia o grau de como eu me via. Você pode ver que todas as características que eu coloquei na foto eu tinha, como olhos grandes, sardas, olheiras, dente torto (na época era bem pouquinho, depois arrumei) e papada. Mas que essas características não me fazem essa aberração que está nessa última foto. É isso que acontece com você. Se você não gosta de algo no seu corpo usando uma escala de 0 a 10 onde 0 é bonito e 10 é horrível. Você vai considerar seu “defeito” na escala 10 e as pessoas vão considerar 0 ou 2, por exemplo. Vai ser algo muito imperceptível, insignificante. É isso que vocês precisam entender que a dismorfia corporal vai colocar muita gravidade em algo normal.

Outra observação que quero fazer é que não podemos dar o poder para ninguém decidir pela nossa vida. É como Fábio Junior canta “Nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos. Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos.” Quem decide pela sua vida é você, oras! E se eu decido que sou interessante sim, que tenho qualidades sim, que pessoas se interessam por mim isso vai acontecer porque isso é uma verdade para mim e então eu fico aberto a novas oportunidades na minha vida. Enquanto eu disser que sou feio, que não sou interessante todas as portas estão fechadas. Não ache que alguém vai te amar se nem você mesmo se ama.

Tenho outras coisas pra postar sobre ditadura da beleza, que é de um perfil do Instagram chamado @mbottan. Quem quiser da uma olhada lá nas fotos e nos textos que ela posta, mas depois vou fazer um post só sobre as postagens dela (com os prints do perfil dela). Por enquanto esse post já tem muita coisa pra ler.

“Admito que é inata em nós a estima pelo próprio corpo, admito que temos o dever de cuidar dele. Não nego que devamos dar-lhe atenção, mas nego que devamos ser seus escravos. Será escravo de muitos quem for escravo do próprio corpo, quem temer por ele em demasia, quem tudo fizer em função dele. Devemos proceder não como quem vive no interesse do corpo, mas simplesmente como quem não pode viver sem ele. Um excessivo interesse pelo corpo inquieta-nos com temores, carrega-nos de apreensões, expõe-nos aos insultos; o bem moral torna-se desprezível para aqueles que amam em excesso o corpo.” Sêneca (filósofo, Séc. I)

Garota irlandesa comete suicídio por estar insatisfeita com seu corpo

As pessoas em geral acham que se achar feia é uma coisa banal, tola e não dão importância. Quando uma criança de 11 anos se mata por estar insatisfeita com a própria aparência é que vemos a proporção que isso tem.

Dois meses antes da trágica noite, a garota postou uma foto no Instagram comentando que queria morrer em um dia específico

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“Meninas bonitas não comem”. Essa foi a frase escrita por Milly Tuomey, de apenas 11 anos, que tentou suicídio e foi encontrada pela família minutos após o jantar em estado crítico no seu quarto. A menina foi socorrida para o hospital Our Lady’s Children’s Hospital, em Dublin, na Irlanda, mas não resistiu.

Quase dois anos depois do ocorrido, a polícia irlandesa deu como encerrado o caso, nesta sexta-feira (1), apontando como suicídio. De acordo com os investigadores, Milly já dava indícios de que ia tentar se matar e estava insatisfeita com seu próprio corpo.

Dois meses antes da trágica noite, a garota postou uma foto no Instagram comentando que queria morrer em um dia específico. A família e a escola tomaram conhecimento da situação e a encaminharam ao psquiatra, que prescreveu remédios e terapia. “Ficamos aterrorizados. Não tínhamos nenhuma experiência nem sabíamos o que fazer”, contou a mãe da criança à polícia, segundo o jornal The Sun.
O Inquérito também revelou que a criança mantinha um diário debaixo da cama, que contava sua vontade de morrer. A família estava ciente do comportamento de Milly.

No dia 1º de janeiro de 2016, a garota comentou estar entediada e decidiu ir para o quarto. Logo depois, foi encontrada quase morta. A investigadora aproveitou para dizer que “anos atrás isso seria inimaginável. Agora, o suicídio está aumentando em crianças”.

Fiona e Tim Tuomey, os pais da menina, não foram considerados culpados pelas autoridades porque seguiram todos os procedimentos recomendados.

O episódio de Milly serve para alertar os pais e educadores sobre a necessidade de políticas para a prevenção do suicídio entre jovens.