Pense no que você tem em vez do que gostaria de ter

Uma das tendências mentais mais destrutivas e persistentes é enfatizar o que gostaríamos de ter, em vez do que temos. Não parece fazer qualquer diferença o muito que já possuímos: nós simplesmente temos tendência a expandir nossa lista de desejos, para garantirmos que não poderemos ser satisfeitos. O padrão mental que impõe “Serei feliz quando este desejo estiver realizado” é o mesmo que se repete assim que o desejo é alcançado.

Se não alcançamos nosso desejo nos fixamos no que não temos – e permanecemos insatisfeitos. Se atingimos o que queremos, simplesmente recriamos o mesmo pensamento numa nova circunstância. Então, mesmo obtendo o que queremos, permanecemos infelizes. A felicidade não pode ser encontrada quando estamos o tempo todo desejando novas metas.

Felizmente, há uma maneira de se alcançar a paz. Implica mudar a ênfase de nosso pensamento do que queremos para o que temos. Cada vez que você se perceber caindo na armadilha do “eu gostaria que a vida fosse diferente”, volte atrás e comece tudo de novo. Respire fundo e lembre-se que você ficará grato por isso. Quando você focaliza não o que deseja, mas o que tem, termina obtendo mais do que gostaria, de um jeito ou de outro.

Lembre-se de pensar mais a respeito daquilo que você tem do que daquilo que deseja. Se assim fizer, sua vida lhe parecerá melhor do que antes. Provavelmente pela primeira vez saberá o que quer dizer satisfação.

Fonte: Livro “Não faça tempestade em copo d’água” (Richard Carlson)

Exercício para se olhar menos no espelho

Já fiquei sabendo de mais de uma psicóloga que pediu para seus pacientes com o transtorno dismórfico corporal para não ficarem se olhando no espelho sem realmente uma necessidade real.

Percebemos que a necessidade constante de ter que se observar e se avaliar no espelho constantemente só reafirma a imagem distorcida de “eu sou realmente feio(a)”. Por isso a necessidade de quebrar esse ciclo vicioso.

Só que nos deparamos com um grande obstáculo para conseguir fazer isso. Nossa ansiedade de ter que conferir, de ter que olhar se não piorou, é muito grande e praticamente impossível de controlar.

Por isso, estou usando como referência um texto que eu li em um livro, que é um exercício, e o adaptando para diminuirmos a ida ao espelho. Não ir ao espelho gera ansiedade. Mas ir ao espelho também gera. Outro dia ouvi “Fico ansioso em ter que ir ao espelho me ver. E quando vou, não gosto do que vejo”. Então não há nada de proveitoso a ida ao espelho. Esse exercício vai diminuir a ida ao espelho e consequentemente vai diminuir a ansiedade. A ida ao espelho virou uma rotina, um hábito. E junto com a ansiedade fica ainda mais difícil de interromper isso. Mas não é impossível. Modificando esse costume vai ser criado um novo costume, que é o de não ir tanto ao espelho.

Um modo eficaz é criar períodos de prática – períodos de tempo em que concentrei minha mente. Você pode começar com períodos pequenos de cinco minutos e ir desenvolvendo a capacidade de aumentar ao longo do tempo. Comece dizendo para si mesmo “Ok, nos próximos cinco minutos não vou me olhar”. O que você descobrirá será surpreendente. Especialmente se souber que é apenas por pouco tempo, você conseguirá e na próxima vez conseguirá aumentar sua capacidade. Assim que você conseguir atingir seus primeiros marcos – cinco minutos – começará a perceber que tem capacidade de ficar sem ir ao espelho por períodos mais longos.

Tente adiar a sua ida ao espelho com outra atividade que você esteja fazendo ou precisa fazer. Por exemplo, se me deu vontade de ir ao espelho me olhar (ou pelo celular ou de qualquer forma) e eu estou vendo televisão, então eu penso “vou terminar de assistir isso que estou assistindo e depois eu vou ao espelho”. Não pare o que você está fazendo para se olhar. Se deu vontade de se olhar diga “vou terminar essa tarefa que estou fazendo e depois eu vou me olhar” ou “vou fazer tal coisa primeiro e depois vou me olhar”. E jogue para frente essa ação. Você não vai deixar de se olhar, apenas irá fazer daqui a pouco. E assim você vai aumentando o tempo conforme for exercitando.

Minha vida até hoje

Nesse post eu vou contar como foi minha vida relacionada com esse transtorno psicológico, que se iniciou na minha infância e como eu vivi com isso, depois meu tratamento, minha cura (ainda fico um pouco confusa se esse é o termo correto) e como é minha vida hoje sem o transtorno.

Nasci em 28/12/1982 em uma família amorosa, sem problemas de convivência.

1987 (5 anos de idade) – Comecei a sofrer bullying de um amigo do meu irmão que me chamava de feia e achava engraçado eu chorar e pedir para o meu irmão bater nele. Como era amigo do meu irmão e eu considerava meu irmão uma pessoa de confiança, eu achava que o amigo dele também era e acreditava que o que ele estava falando era verdade.

1990 – Com +ou- 8 anos de idade comecei a chorar em casa dizendo que era feia. Minha mãe me colocou em uma psicóloga. Lembro que na minha primeira sessão ela pediu para eu desenhar como era minha família. Fiz um tempo de terapia e pedi para minha mãe me tirar porque parecia que ela era apenas uma pessoa que eu falava sobre os meus dias e não alguém que falava algo que me ajudava.

2001 (19 anos de idade) – Os anos foram se passando e eu continuava me vendo da mesma forma. Horrível. Sempre me falavam “Por que você não entra para uma agência de modelo? Você é alta e magra”. Eu nunca gostei da minha altura, tenho 1.79 m. Então com 19 anos recebi um panfleto na rua que era de uma agência de modelo. Pensei “Quem sabe não está aí uma oportunidade de eu gostar de mim?”. Entrei para a Agência. Pediram para eu emagrecer (eu já era magra mas tinha um pouco de barriga – tenho até hoje). Fiz um book, odiei e rasguei quase todas as fotos. Claro, eu não gostava de mim, como ia gostar das fotos que outra pessoa batesse? Eu fiquei travada nas fotos. Saí da agência e não quis mais.

2003 (21 anos de idade) – Eu continuava me sentindo muito mal com a minha aparência e não achava aquilo normal. Voltei por conta própria a fazer terapia (com outra psicóloga). Foram 37 consultas e eu não conseguia ver nada mudando dentro de mim. Na mesma época arranjei um emprego e não consegui continuar com essa terapia, na verdade nem queria mais porque não via resultado. Até aqui eu não tinha recebido um diagnóstico e não sabia o que eu tinha.

2009 (26 anos de idade) – Nessa época eu estava fazendo faculdade, já havia reprovado em algumas matérias e no intervalo raramente saia da sala porque tinha vergonha que as pessoas me olhassem. Decidi que eu ia gostar de mim por conta própria, já que com ajuda de terceiros não estava dando certo. Comecei a me vestir da melhor forma, a andar sempre maquiada. Eu tinha colocado toda a minha energia e tinha acreditado com todas as minhas forças de que aquilo ali daria certo. Só que o tempo foi passando e eu não via mudança em como eu me via e comecei a ficar frustrada. Com isso, comecei a entrar em depressão e não sabia que era depressão porque acreditava que todo mundo tinha problemas na vida e que a vida não era fácil mesmo. Eu tinha dificuldade para dormir e para tomar banho. Com muito esforço eu tomava banho mas não tinha forças para me vestir, então dormia enrolada no roupão e no outro dia, já atrasada para o serviço porque eu tinha dificuldade de fazer qualquer coisa, eu me vestia e ia para o serviço que sempre chegava atrasada.

Comecei a achar que eu não tinha só uma insatisfação, mas um problema psicológico. Mas qual? Então resolvi criar uma espécie de apostila sobre mim, que eu levaria até um psicólogo depois para tentar descobrir o que eu tinha. E comecei minha apostila assim:

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Anotei alguns transtornos mentais que eu achava que poderiam ter a ver comigo, entre elas anotei o Transtorno Dismórfico Corporal que quando li me identifiquei muito. Anotei algumas coisas sobre a minha vida mas vou por em outro post pra não ficar muito gigante este (Aqui tem um trechinho). E no dia 27 de maio de 2009 eu concluí minha apostila escrevendo “Hoje eu não quero saber quais as formas certas que eu deveria me ver e ver minha vida. Se eu souber que eu tenho alguma coisa, nem que seja para dizer que as coisas que eu penso tem algum sentido (mesmo que não tenham fundamento) já vai ser um alívio. Porque vai ser um caminho andado em saber que pode ser solucionado”.

Dois dias depois eu não consegui trabalhar. Cheguei ao trabalho e só conseguia chorar. Então lembrei de uma psicóloga que eu tinha ido há um tempo atrás (que não era nenhuma das duas que eu contei aqui). Eu só tinha ido 3x nela e não tinha ido mais, porque pensei “Eu já fui em outras duas e não adiantou, não vai ser dessa vez que vai funcionar”. Só que eu tinha entrado em um buraco que eu não conseguia mais sair sozinha. Então entrei em contato com ela e consegui marcar uma consulta para o mesmo dia. Ela pediu para eu ir também ao psiquiatra porque eu estava provavelmente com depressão (que foi confirmado pelo psiquiatra). Eu falei pra ela “Eu acho que eu tenho Transtorno Dismórfico Corporal” e ela falou “Eu também acho que você tem, mas na época eu não podia te dar um diagnóstico tão rapidamente antes de te conhecer melhor”. Ali começamos a terapia cognitivo comportamental.

2012 (29 anos de idade) – Fiz terapia por um tempo e depois acabei me mudando e não prossegui. Mas segui refletindo  sobre meus pensamentos e continuei lendo muito sobre os assuntos relacionados a auto imagem, auto estima e ditadura da beleza. Percebi que eu não tinha mais os sintomas desse transtorno. Eu não sofria mais por causa da minha aparência, não deixava de fazer nada que eu queria por ter vergonha da minha aparência. Eu tinha descoberto a minha beleza. Eu não me considerava perfeita, mas me considerava uma pessoa normal e com a minha beleza dentro disso.

2018 (35 anos de idade) – Hoje a relação com a minha aparência é muito boa. Ainda tenho algumas insatisfações mas nada que me faça sofrer ou me privar de fazer algo.  Sei que no meu conjunto está tudo normal. Desejo que cada pessoa que sofre por conta da própria imagem busque ajuda, busque tratamento, faça terapia. Não é um caminho fácil mas é um caminho que dá resultado e quando se percebe a mudança acontecendo você vê que valeu a pena todo esse esforço. Me coloco a disposição no que estiver ao meu alcance e também temos um grupo de whatsapp para quem conversar com outras pessoas que passam pelo mesmo problema e grupo de facebook.

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“Que triste, tenho Transtorno Dismórfico Corporal”

Muitas pessoas quando se identificam com a forma que uma pessoa com dismorfia vive acabam ficando tristes por descobrirem que tem o trastorno (Lembrando que somente um psiquiatra ou psicólogo podem dar o diagnóstico concreto).

Não fique triste se você descobriu que é isso que você tem (seja por dedução ou por diagnóstico). Há quantos anos você vem sofrendo por causa da sua aparência? As pessoas que você desabafava diziam que era bobagem. Achavam que você queria elogio ou chamar a atenção. Você não entendia o que acontecia com você que não se reconhecia mais, que se achava como um monstro fisicamente. Achava que as pessoas te excluíam por ser feia(o), que falavam entre elas o quanto sua aparência é horrível, que você ia ser o assunto do jantar na casa delas.

Não é ruim ser diagnosticado com Transtorno Dismórfico Corporal. Não estou dizendo que é bom ter esse transtorno psicológico. Claro que é ruim ter. Mas é bom saber que tem. Porque passamos anos, muitos anos, sofrendo disso sem saber que tinha nome. Sem saber o que era. E agora, depois de tanto tempo, é possível ter um norte, ter uma luz, saber para onde caminhar. Saber o que se tem da a possibilidade de se entender melhor, entender como tudo acontece e porque tudo isso aconteceu. Saber o que se tem faz você focar no que dá resultado e ter mais consciência do que precisa ser realmente tratado, que é a mente e não a mudança física com a cirurgia e procedimentos estéticos. Não sou contra cirurgias e procedimentos estéticos, mas isto tem que ser decidido com clareza do que se está fazendo e quando estamos com o transtorno dismórfico corporal não temos a real visão do que somos fisicamente. Como vamos modificar algo que não estamos vendo como realmente é? A chance de fazer cagada é grande.

Se sinta aliviado e grato de agora ter chegado em um momento da sua vida que é um novo ponto de partida. Que é um recomeço. É o momento de tratar isto e ter uma vida que você nem lembra mais como era. De poder sair para fora de casa sem carregar o peso de as pessoas olharem para você. De você gostar de ser quem você é. De viver plenamente e não viver mais pela metade. Mas busque por essa mudança. Não adianta dizer “eu sofro disso há 15 anos” mas continuar sem fazer terapia, esperando que do dia para a noite a mudança aconteça somente pelo fato de agora você saber o que tem. Saber o que se tem não faz o problema ir embora. Mas deixa a solução mais fácil de se alcançar. Seja a mudança que você quer ver. A mudança que você quer está na decisão que você toma.

Não acredite que seu sofrimento é eterno (Suicídio)

Hoje eu comecei o dia com uma notícia muito triste. A irmã de um rapaz que tem transtorno dismórfico corporal veio me informar que ele cometeu suicídio. Entre as palavras dela, ela conta “ele dizia que se via um monstro e não aguentava mais, que era algo mais forte, que sua mente o dominava.”

O meu sentimento é de impotência, de ver que perco as pessoas nessa batalha contra o transtorno. Infelizmente nem tudo está ao meu alcance, mas queria dizer algo para quem está achando que só a morte é a solução para o que está passando.

Não acredite que seu sofrimento será eterno. Que nada irá melhorar e que você vai viver o resto da vida em um corpo com aparência que você odeia. Eu vou contar um pouco da minha história para ilustrar melhor o que eu estou falando.

Minha dismorfia corporal começou aos 5 anos quando eu sofria bullying, cresci acreditando que era feia. Passei por alguns psicólogos que não me deram um diagnóstico (acho que não sabiam o que era transtorno dismórfico corporal), com 26 anos eu estava com uma grande depressão. Eu mal conseguia tomar banho e quando eu tomava com muito esforço me deitava na cama e dormia enrolada na toalha, porque não tinha forças para me vestir. Eu não sabia que estava com depressão. Eu achava que todo mundo tinha problemas e que a vida não era fácil. Passado pouco tempo, no dia 29/05/2009 aconteceu o que eu relato em um diário que escrevi na época “Foi muito difícil levantar da cama e ir trabalhar. Cheguei no serviço atrasada, enrolei até meio dia, não tenho ânimo. O telefone da psicóloga não atende, acho que tenho o telefone errado. Caminhei até o consultório dela, no elevador já comecei a chorar. Deixei um bilhete embaixo da porta porque não tinha ninguém. Cheguei no serviço e a psicóloga me ligou. Eu mal conseguia falar ao telefone, me segurando para não chorar. Não consegui trabalhar, só chorava e vim embora pra casa. Fui na psicóloga as 18:30. Comecei a falar e não conseguia segurar o choro. Ela disse para eu procurar um psiquiatra porque devo estar com depressão”.

Eu quis dar mais uma chance pra mim. Eu não queria perder a esperança de que poderia ser diferente dessa vez. Eu quase desisti, mas tentei mais uma vez. Se eu não tivesse esperança que dessa vez poderia ser diferente, eu teria me matado. Porque eu teria esgotado todas as possibilidades de que aquilo que eu vivia poderia ser diferente. E é isso que aconteceu com o rapaz que se matou ontem. Ele não tinha mais esperança que alguém poderia mudar o que ele estava vivendo, nem ele mesmo. Ele acreditava que nem os pais poderiam ajudar ele (os pais estavam dando todo apoio que ele precisava). Ele não acreditou que o cirurgião plástico que ele consultou no dia que cometeu suicídio poderia salvá-lo. Nem ninguém.

Não acredite que seu sofrimento é eterno. Eu passei por algo parecido e acreditei que poderia ser diferente um dia. Eu tinha passado 20 anos sem ver melhora no que eu sentia. Bem pelo contrário, só via piorar cada vez mais. Sempre vale a pena nos darmos mais uma chance de que pode ser diferente. E se não for, que tentemos mais uma vez até acertarmos. Tentemos a favor da vida, não contra ela. Meu tratamento não foi baseado na fé, que Deus poderia me ajudar, porque eu estava muito desacreditada que Deus pudesse fazer algo por mim. Mas eu acreditei na minha capacidade de fazer por mim, de me dar mais uma chance de talvez ser diferente dessa vez. E que se não desse certo que eu tivesse fé em mim mesma para tentar quantas vezes fosse necessário.

Foi então que daquela vez funcionou. E depois de um tempo de tratamento e melhora eu me vi vivendo pequenos momentos que considerei especiais, como  por exemplo sair para fazer um lanche com novas amizades que eu tinha feio. Eu me lembro como se fosse ontem, mas já faz mais de 7 anos, de eu fechando a porta de casa e pensando “Que legal isso que eu estou vivendo hoje. Se eu tivesse me matado há pouco tempo atrás hoje eu não estaria vivendo isso na minha vida”. E me vi pensando a mesma coisa em outras ocasiões.

O que eu quero dizer com isso é que se hoje você está em uma situação ruim, de muito sofrimento, não acredite que vai ser assim o resto da vida. A nossa vida está em constante mudança, o mundo está em constante mudança. Mas você pode dizer “Como que a nossa vida está em constante mudança se eu estou vivendo isso há mais de 10 anos”. Durou até agora mas daqui pra frente pode ser diferente. Faça tratamento psicológico e psicofarmacológico (remédios) ou busque o caminho que dá mais certo para você. Não existe um único caminho para sair disso. O tratamento correto é o que da certo, que mostra mudanças. Se de um jeito não está te trazendo resultados, busque por outro caminho. Mas busque, acredite que se não está dando resultado por um caminho então este caminho não é uma boa alternativa. O que dá resultado para uma pessoa pode não dar para outra. É preciso tentar até encontrar o seu caminho.

Não acredite que seu sofrimento vai ser para sempre. Antes não sabíamos de ninguém que tivesse saído desse transtorno. Hoje já temos relatos de 5 pessoas e devem existir outras que não chegamos a saber. Então não é algo impossível de se alcançar. Não tenha pressa, não se cobre tanto, mas se dedique para ver mudanças. O processo é lento e muito sutil, mas você vai percebendo pequenas mudanças nas formas de pensar.

Para dar apoio a esse empenho, temos esse blog com bastante material que pode te ajudar a entender melhor tudo o que sente, temos os grupos do facebook e o grupo do whatsapp.

Acredite em você, na sua capacidade porque é possível sim a situação mudar para melhor e você viver coisas que nunca viveu. Poder sair de casa sem a preocupação de outras pessoas olharem para mim não tem dinheiro que pague. Eu tive um novo nascimento no dia 29/05/2009 quando eu decidi me dar uma nova chance. De uma chance para você também.

Modelo perde movimento do rosto após mais de 350 cirurgias plásticas

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Quantas cirurgias plásticas é possível alguém fazer? Para a modelo inglesa Alicia Douvall, o número já passou de 350. A celebridade se submeteu a tantos procedimentos que contou ao jornal The Sun não conseguir mais sorrir, devido a alta quantidade de inserções feitas no rosto. A modelo apresenta uma série de cicatrizes pela face e em torno das orelhas e já foi fotografada totalmente desfigurada, caminhando pelas ruas de Londres. “O que eu fiz parte meu coração. Imagine segurar seu bebê pela primeira vez e não poder sorrir. Fui tão egoísta. Agora meu sonho é que Papaya um dia veja sua mamãe sorrindo para ela”, disse em entrevista, referindo-se a sua filha de 16 meses.

Na época do nascimento da menina, ela declarou estar surpresa por conseguir amamentá-la pois já havia feito 16 operações plásticas nos seios. Para recuperar os movimentos do rosto, a modelo precisou passar por um procedimento agressivo e doloroso. Na semana passada, Alicia teve todos os implantes faciais removidos (bochechas e queixo), o que incluiu quebrar a mandíbula em dois lugares. O nariz também precisou ser fraturado e a pele agora precisa voltar ao normal, caso contrário ela parece não conseguir mexer os músculos, como se fosse vítima de um derrame.

Alicia, que já se relacionou com o ator Mickey Rourke e com o jogador Dennis Rodman, foi tema de documentários que apontavam que ela sofria de Desordem Dismórfica Corporal. Agora, ela afirma lançar uma campanha para informar sobre os riscos nos excesso de operações plásticas.

“Perdi minha aparência e minha vida está arruinada. Fiz as coisas mais horríveis tentando ser perfeita e fiquei cega com o que os médicos diziam para mim. Gastei mais de R$ 3,6 milhões e perdi minha juventude com isso. Nunca sorri para minha menininha e preciso viver com o fato de que deixava Georgia cuidando de Papaya enquanto fazia operações”, disse. Georgia é a filha mais velha da modelo, de 17 anos. Alicia também comprometeu sua capacidade de se alimentar e apenas consegue beber com a ajuda de canudos. Entre as operações realizadas está inclusive uma para diminuir comprimento dos seus dedos dos pés. Desde 2008, a modelo luta para se tratar do problema de ser viciada em operações e esteve internada em clínica psiquiátrica em três ocasiões.

Fonte: Voz da Bahia

Fotos do Google:

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Qual o tratamento correto para o transtorno dismórfico corporal?

Quando eu ainda tinha dismorfia eu li tudo o que eu achei na internet. E na época (2009) não tinha muita coisa. Tinha bastante reportagem (texto) em sites dizendo o que era o transtorno, mas tudo muito repetitivo sem nada aprofundado e os outros sites eram cópia do que já tinha sido falado por aí. E sobre o tratamento eu sempre lia que não havia cura, somente o controle. E isso me desanimava muito, pensar que eu iria passar o resto da minha vida com dismorfia, mesmo que melhor do que eu estava mas não ia me livrar disso nunca. Como por exemplo acontece com o Alcoólatras Anônimos que nunca mais a pessoa pode beber nada, senão ela volta a ser alcoólatra. Alcoolismo não tem cura, mas tem controle. Diabetes não tem cura, mas ter controle. A pessoa pode ter uma vida boa, mas terá que conviver com essas coisas o resto da vida.

Porém, depois do tratamento, comecei a ver que eu estava totalmente livre desse problema. Não era um controle, era uma cura. Eu não me privo de nada para me sentir bem. Eu não me privo de olhar no espelho, nem de sair. Eu não preciso estar maquiada para me sentir bem. Também não tomo mais nenhuma medicação.

Mas afinal, qual o tratamento correto para a dismorfia corporal? O tratamento correto é aquele que funciona. Não existe apenas um caminho certo para sair disso. Cada pessoa encontra seu próprio caminho.

O meu caminho foi:
– terapia com psicólogo (eu não lembro com certeza a linha mas acredito que foi a terapia cognitivo comportamental ou algo parecido a isto)
– psiquiatra (porque eu estava com depressão mas o remédio também ajudou a diminuir o meu sofrimento em relação ao que eu via)
– leitura (li muitos livros sobre todos os assuntos relacionados a dismorfia corporal. Li sobre auto estima, auto imagem, ditadura da beleza, etc. Você pode ver os livros que eu li e outros livros clicando aqui).
– colocando em prática o que eu aprendia de novo tanto na terapia quanto nos livros. Saber só a teoria não vai adiantar. Você pode ler muito sobre como andar de moto, ver muitos vídeos de como se anda de moto. Mesmo que faça isso por anos, quando você pegar uma moto, mesmo que você consiga algum sucesso, muitos erros ainda vão ser cometidos. Mesma raciocínio para a dança. Você pode ler, ver vídeos etc de como dançar (tango, dança gaúcha, ou o que for). Por mais que na teoria você saiba tudo e em uma prova oral você tire 10, na aula prática capaz de você não conseguir executar nada. Quanta coisa você viu o alguém explicando e pensou “moleza” e depois na prática não conseguiu fazer nada? Só a prática dá esse conhecimento. Só a prática dá essa segurança. E o que queremos? Sermos seguros do que somos de verdade. É importante a prática para mudar pensamentos e atitudes erradas. Quem está obeso precisa fazer uma reeducação alimentar porque está comendo errado. É a mesma coisa nós. Precisamos de uma reeducação mental. Precisamos corrigir a nossa distorção de imagem para a nossa auto imagem correta. O nosso problema não é nossa aparência, o problema são nossos pensamentos. Pensamentos que alimentam a alma.

No depoimento do Robert, feito em 2012 contanto como foi a vida dele e como foi o tratamento dele. Desde aquela época ele também não tem mais o transtorno.

Outro membro do grupo do whatsapp contou que também não tem mais o transtorno dismórfico corporal. O tratamento dele foi totalmente através da fé. Ele voltou a frequentar a igreja, entregou sua vida à Deus e depois de um tempo estava curado.

Eu não busquei a fé no meu tratamento, até porque eu estava muito desacreditada de Deus naquela época mas estava muito crente do que eu era capaz de conseguir. Isso não quer dizer que o tratamento do outro rapaz estava errado. O importante é que dê certo.

Vou terminar o post colando aqui um texto que encontrei em outros dois site a dismorfia e tratamento. Segue:

Dismorfia corporal tem cura? Qual o tratamento? Sim, dismorfia corporal tem cura e o tratamento é psiquiátrico, com psicoterapia e medicamentos antidepressivos. Mesmo que a pessoa não fique curada, o tratamento da dismorfia corporal é importante para ajudar a pessoa a se aceitar melhor e ter uma vida normal.

Não existe um remédio específico para tratar a dismorfia corporal. Porém, é possível amenizar os sintomas que normalmente estão associados a esse transtorno mental, como depressão e ansiedade, com os antidepressivos.

A psicoterapia é uma parte essencial do tratamento, para que a pessoa possa compreender a verdadeira origem dos seus sentimentos de insatisfação. Contudo, é importante frisar que trabalho com a psicoterapia é longo.

Além disso, existe uma negação por parte do paciente em aceitar o fato de que tem dismorfia corporal. Por isso é comum uma pessoa com dismorfia corporal só procurar ajuda depois de 10 ou 15 anos sofrendo com o problema, que geralmente surge na adolescência. Seu tratamento é bastante difícil, pois grande parte dos pacientes acredita que é apenas “muito vaidosa” e não aceita o diagnóstico.

Também é importante saber distinguir uma simples insatisfação com o corpo de um transtorno psiquiátrico. Caso haja muito sofrimento psíquico ou prejuízo na vida diária, deixa de ser uma simples insatisfação e passa a ser dismorfia corporal, que precisa ser tratada.

Uma forma de identificar o transtorno dismórfico corporal é perguntando-se o quanto sua aparência te incomoda, quanto tempo pensa nisso por dia e se você deixa de fazer coisas por causa disso. As respostas podem indicar uma tendência ou mesmo a presença da condição.

A prevalência de sintomas do transtorno em pessoas que buscam cirurgias plásticas no Brasil pode chegar a 57%.

A melhor forma de prevenir o distúrbio é a aceitação e o respeito ao corpo e o fim da pressão para se encaixar em padrões sociais de aparência. É preciso ressaltar a beleza natural das pessoas e da diversidade, e entender que imagens de corpos perfeitos são irreais.

Fontes:
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de Santa Catarina
Médico Responde

Você ama sua casa?

Encontrei em uma espécie de diário que eu levava para a terapia um texto de como eu me via. Eu acho que foi uma tarefa da psicóloga. Provavelmente ela perguntou “O que você sente quando se vê no espelho?” E pediu para eu levar na próxima sessão. Eu acho que foi isso. E abaixo estou colocando o que eu fiz de resposta.

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Saber que era isso que eu pensava de mim é triste para mim. Porque hoje eu me trato tão diferente, com tanto amor, tenho tanto carinho por mim em todos os aspectos. Não me acho perfeita (nem fisicamente nem interiormente) mas aceito meus defeitos como fazendo parte de mim e me amo desta forma. Parece conformismo mas não é. Antes eu me via deformada e hoje vejo uma aparência normal. Bonita para algumas pessoas e feia para outras. Porque a realidade é que somos as duas coisas ao mesmo tempo e isso não é um problema. É apenas uma questão de opinião que varia entre as pessoas. Nunca seremos belo para 100% das pessoas nem 100% feio para todos também. O importante é a imagem que temos de nós. Então por isto que é importante buscar ajuda e tratar este transtorno.

Se você não gosta da casa em que você mora, um dia você poderá se mudar. Se você não gosta da cidade em que você mora, um dia você pode se mudar. Se você convive com alguém que não gosta você pode optar por não conviver mais com ela (se não é possível de imediato, um dia isso pode acontecer). Agora se você não gosta de si próprio não tem como se mudar. Não tem como dizer “eu não gosto deste corpo, então vou me mudar pra esse outro corpo aqui que eu comprei”.

Então você vai me dizer “Ah, mas eu posso reformar meu corpo, como se reforma a própria casa e continuar morando nela”. É verdade. Quando o problema é só estético é possível. Mas quando o problema é interno, como por exemplo uma infiltração, é preciso quebrar o interno da casa, quebrar a estrutura. E essa comparação podemos fazer com quebrar o nosso interno, no sentido de quebrar paradigmas, mexendo na nossa estrutura emocional, e consertando as rachaduras no nosso íntimo. Não é possível viver em uma casa bonita por fora mas cheia de problemas estruturais, correndo o risco até mesmo de desabar. Precisamos cuidar primeiro da parte interna da casa que é a parte mais importante e então vivermos em paz. E em nós mesmos também precisamos cuidar primeiro do nosso interior, que é a parte mais importante de nós. Com a nossa parte interna bem estruturada estaremos preparados para cuidar bem do nosso exterior.

Transtorno dismórfico corporal tem cura?

Quando eu descobri que tudo o que eu sofria tinha um nome e que se chamava Transtorno Dismórfico Corporal (ou dismorfia corporal) eu fui pro Google ler tudo o que eu achasse sobre isso. Li em vários sites dizendo que não há cura mas que pode ser controlada. Isso me deixava muito desanimada, pensar que eu teria que lidar com isso o resto da vida.

Que diabos de “não tem cura mas pode ser controlada”, que controle é esse? Tipo um Alcoólatras Anônimos que não tem cura e a pessoa tem que sempre frequentar um grupo de apoio para se manter forte e não ter recaídas? Dismórficos Anônimos, já estava até pensando… “Só por hoje não vou olhar no espelho”.

Fiz meu tratamento, me empenhei, li muito, coloquei em prática as informações novas que eu fui aprendendo e comecei a ver a mudança dentro de mim. Eu mudei minha forma de pensar e a minha distorção de imagem foi sendo mudada para uma auto imagem correta. Desde 2012 eu não tenho mais nenhum sintoma do transtorno e depois de alguns anos assim eu só consegui ter cada vez mais a certeza que eu estava curada desse transtorno psicológico.

Só que como eu não sabia de mais ninguém que também tinha conseguido, eu ficava me questionando se eu realmente tinha saído disso ou era uma convicção equivocada. Então depois com o tempo de blog, conheci um leitor aqui do blog que também tinha o transtorno e que estava fazendo seus próprios exercícios para superar sua dismorfia. Ele enfrentava seus medos e se colocava em situações que não se sentia confortável para aprender a lidar com suas emoções. Depois de um tempo me relatou que não tinha mais o transtorno. Tive então mais um reforço do que eu tinha pensado, de que realmente é possível sair disso. Éramos duas pessoas que contrariávamos a tal informação de quem não há cura, que há só um controle. Isso faz uns 3 anos, se não faz mais. Depois disso não soube de mais ninguém.

Foi quando esse ano foi criado o grupo do whatsapp e então entrou uma pessoa e relatou que teve o transtorno por muito tempo mas que com tratamento conseguiu sair disso e hoje não tem mais. Três pessoas. Eu mal podia acreditar que eu estava sabendo de mais uma pessoa que tinha esse transtorno e estava curada.

Depois disso uma psicóloga comentou sobre um paciente que tinha o transtorno e também conseguiu êxito no tratamento e se curou. E por último de um rapaz que buscou em Deus a cura e também conseguiu. No total, cinco pessoas.

É uma alegria muito grande poder ver de “não há cura” fomos para cinco pessoas curadas. Se eu pudesse dizer qual o segredo para conseguir sair disso eu diria que é persistência. Nada na vida se consegue sem dedicação. Estou querendo dizer que é preciso fazer terapia periodicamente? Não. Se você encontrou um caminho que está dando resultado e não é na terapia, siga o caminho que você encontrou. O meu caminho foi terapia, muita leitura e por em prática a mudança no que eu percebia que eu estava fazendo errado (pensamentos e atitudes). Outra pessoa encontrou o caminho em Deus, dentro da igreja e não fez terapia e não leu nada. Não existe um único caminho, existe o caminho que você se identifica e então caminha por ele. O importante é ver que há um progresso. Se o que você está tentando há algum tempo  e não está vendo nada de mudança em você, tente outro caminho. A mudança é lenta mas devagar se vai longe.

Clique aqui para ler o depoimento do Robert, que era leitor do blog. Ele não tem mais o transtorno faz anos e conta como foi sua vida com o transtorno e como foi o seu tratamento. Que este depoimento possa servir de esperança e inspiração para outras pessoas.