Beleza é uma questão subjetiva

Eu comecei a responder um comentário que deixaram aqui no blog e acho que deveria virar um post. Então estou colando ele aqui e vou complementar mais algumas coisas. O assunto em questão é quem tem dismorfia corporal (homem ou mulher) e:
– sofreu bullying quando criança/adolescente (não é obrigatório);
– se considera muito feio e sem conserto;
– acha que as pessoas estão mentindo quando dizem que você é bonito.

Minha opinião é a seguinte:

Eu também sofri muito bullying na infância e adolescência e nem por isso sou anormal. E os outros leitores do blog que já entraram em contato comigo e me mostraram foto eram pessoas normais e que eu considero pessoas bonitas. O problema é que ficamos tão abitolados na nossa verdade (de que somos deformados de tão feios) que não cogitamos a possibilidade de haver outras óticas, outras percepções sobre isso. Então a gente nem aceita que as outras pessoas pensem diferente de nós, porque nós que temos a verdade absoluta e não há chance de isso mudar.

Então estamos fadados a morrer nos considerando a pessoa mais feia do mundo. Vamos nos permitir ser um pouco flexíveis e nos dar a oportunidade de poder ver as coisas também por outro ângulo, de avaliar as coisa por outro lado também, e perceber que talvez aquela pessoa que nos falou que nos acha bonita realmente ache isso. Qual a vantagem de uma pessoa elogiar a sua aparência sem achar isso de verdade? Se você não perguntou nada e a pessoa te elogiou, não faz sentido achar que ela está fazendo isso por sacanagem/mentira. Vamos pelo menos levar em consideração as pessoas do seu convívio, que não tem nada a ganhar com isso. Ninguém faz esse tipo de “caridade”.

Vamos nos permitir fazer uma terapia e refletir sobre nossos pensamentos. Vamos nos permitir ler livros sobre assuntos relacionados a tudo isso. Vamos abrir nossa mente e vamos nos permitir ter novas experiências, novas atitudes. É como uma frase que diz “Se você continuar tendo as mesmas atitudes que sempre teve, vai continuar obtendo os mesmos resultados que sempre obteve.”. O que você quer para a sua vida? Você quer sofrer para o resto da vida ou quer ter novas atitudes e ter uma vida mais feliz? A vida muda quando você muda.

A dismorfia corporal tem cura. Muitos profissionais dizem que não há cura, que só há um controle. Eu não concordo. Eu tive dismorfia desde criança mas até esse assunto ser de conhecimento dos psicólogos passei por alguns no decorrer da vida e a terapia não chegava a lugar nenhum porque o psicólogo não sabia o que eu tinha e me tratava somente como uma insatisfação da minha aparência. Só fui diagnosticada com dismorfia por psicólogo e psiquiatra aos 27 anos quando minha vida afundou numa depressão séria por conta disso tudo que eu sentia e não sabia o que era. Então com o diagnóstico consegui ter um rumo e comecei o tratamento com terapia, com remédio para sair da depressão e a leitura de muitos livros (os nomes dos livros estão no menu do blog, em “livros”). E desde 2012 eu não tenho mais nenhum sintoma de dismorfia corporal. Já são 5 anos assim e a cada ano é um ano a mais para essa conta. Só quem sai da dismorfia sabe o peso que tiramos das nossas costas, de poder sair na rua sem preocupação do que estão achando de nós. E eu não sou a única que não tem mais dismorfia.

O Robert que era leitor aqui do blog também não tem mais dismorfia há anos. Antes de ele superar isso ele deixou um depoimento pra nós aqui no blog. Clique aqui para ler. Outro dia eu tentei entrar em contato com ele, se ele queria escrever um relato sobre a superação da dismorfia dele e ele me falou que como foi uma fase difícil da vida dele, ele quer deixar isso pra trás e não lembrar mais disso. Mas ele também está aí, a prova viva de que da para sair disso sim.

Eu saio que nem uma mendiga na rua e não me importo. Eu não deixo de ir a nenhum lugar por causa da minha aparência e nem sofro por isso. Hoje me considero uma pessoa normal e sei que minha beleza é única, singular, e que vão existir pessoas que me acham bonita e outras que vão me achar feia porque isso é uma questão de gosto de cada pessoa, e não porque eu sou. Beleza não é uma coisa concreta, é uma coisa subjetiva! Vamos ao conceito de “subjetivo”.

Subjetivo é tudo aquilo que é próprio do sujeito ou a ele relativo. É o que pertence ao domínio de sua consciência. É algo que está baseado na sua interpretação individual, mas pode não ser válido para todos. 

Entendeu? A definição de beleza vai variar de pessoa pra pessoa mas isso não quer dizer que você não é bonito porque alguém não considera que você é. O seu valor está em você e não no que as outras pessoas acham de você.

Temos que refletir a respeito.

Bunda de Kim Kardashian

Semana passada deu o que falar desse assunto, né?  Após aparecer de biquíni em uma praia e exibir um corpo bem diferente daquele, que aparece nas revistas. As celulites do bumbum já fizeram Kim perder mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.

WHO? Eu também não sabia quem era essa na fila do pão. Então perguntei pro Google:

Kimberly Kardashian West, nascida Kimberly Noel Kardashian, porém é mais conhecida como Kim Kardashian (Los Angeles, 21 de outubro de 1980) é uma personalidade de televisão, socialite, empresária, modelo, produtora, empresária, estilista, apresentadora e atriz americana.

Vamos ver as fotos tão comentadas então.

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Saiu uma reportagem no Domingo Espetacular sobre isso. Não sei até quando vai ficar no ar. Para assistir clique aqui.

Chegamos a conclusão que Kim é apenas gente como a gente. Que não existe corpo perfeito, que todo mundo tem o direito de ter o corpo que quiser, com celulite, com estria, com gordurinha, com sardas, etc e que isso não define o que somos.

A gente precisa começar a aprender que nossa felicidade não depende do corpo que temos. Claro que a gente sempre quer melhorar, mas a nossa vida não pode girar em torno só disso. Ao mesmo tempo, a mídia também precisa parar de impor essa beleza perfeita. Mas sabem quando a mídia vai parar? Nunca. Porque é isso que vende. Capa de revista com dieta de famosa que perdeu 5 kg vende. Maquiagem para a pele perfeita vende. Então a escolha de querer aderir a essa imposição depende de nós. Eu quero ser cobrada(o) por ter que ser perfeita(o)? Eu sou só a minha aparência ou eu sou um conjunto de características onde minha aparência é só uma parte de mim? Esse blog é sobre dismorfia corporal e enquanto você não aprender alguns pontos não vai superar a dismorfia:

1 – Não existe corpo perfeito.
2 – Não somos apenas nossa aparência. Somos um conjunto de características onde nossa aparência é uma parte do que somos. As outras características são: nosso caráter, nossos gostos, nossa essência, nossa personalidade, nosso eu único que ninguém mais é igual.
3 – Beleza é algo subjetivo. O que é subjetivo: “que pertence ao sujeito pensante e a seu íntimo. Pertinente a ou característico de um indivíduo; individual, pessoal, particular”. Ou seja, cada pessoa tem uma opinião do que é beleza. O que eu considero bonito não é a mesma coisa que você considera bonito, que não é a mesma coisa que seu amigo considera bonito, que não é a mesma coisa que seu vizinho considera bonito. Uma pessoa que eu  considero lindo(a) você pode dizer que não concorda e vice-versa. Alguém feio para uma pessoa é bonita para outra. Então, pra resumir todo esse item 3, não adianta você querer ser a pessoa perfeita porque nunca ninguém na vida é bonito aos olhos de todos. Nem Angelina Jolie, nem Gisele Bündchen, nem Brad Pitt, nem Cauã Reymond, etc etc etc, pense no ator/atriz mais lindo que você ache, não vai ser unanimidade todos acharem essa pessoa linda maravilhosa.

Pense nisso 😉

Obs: No menu do blog em “Posts mais importantes” tem outros posts que abordam o mesmo ponto de vista.

Espelho infiel: dismorfia corporal faz as pessoas rejeitarem o próprio corpo

A dismorfia corporal é uma doença, um transtorno psicológico que ultrapassa os limites da vaidade. A pessoa se olha no espelho e se enxerga de uma maneira diferente, cheia de imperfeições. A dismorfia pode ter sido a origem de muitas transformações radicais que já vimos. São pessoas que gastaram tudo o que tinham com cirurgias plásticas para mudarem totalmente a aparência.

Fonte: R7

Sentir-se feio: dismorfia corporal pode causar depressão

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A Dismorfia Corporal é um transtorno que limita a vida das pessoas e pode estar associado a depressão, isolamento, fobia social e dependendo da gravidade e sofrimento pode levar ao suicídio.
A dismorfia corporal é caracterizada pela exacerbação de um defeito mínimo ou até pela criação de um defeito imaginário no corpo do indivíduo, fazendo-o passar horas na frente do espelho focando suas “imperfeições”. Os pensamentos a respeito do seu corpo “feio” podem se tornar obsessivos e levar a rituais para alivio do mal estar causado.

Esse transtorno tem se mostrado muito comum entre a população, pode chegar a 2%, iniciando na adolescência ou no jovem adulto, acomete homens e mulheres igualmente, embora não saibamos qual a causa, a desregulação do sistema nervoso central e disfunções dos gânglios podem estar envolvidos, além disso os valores sociais também tem forte influência na doença.

A dificuldade de se fazer o diagnóstico começa pela linha tênue que divide o se preocupar com a aparência de forma saudável e a forma exagerada que leva ao sofrimento, é fato que pessoas podem começar se preocupando de forma significativa com os “defeitos” do corpo e chegar a desenvolver o transtorno.

A vigorexia ou transtorno dismorfico muscular é uma derivação deste transtorno, faz com que o indivíduo se veja como pequeno e fraco, levando o mesmo a passar 3 ou 4 horas dentro da academia tentando definir os músculos e torna-los cada vez maior.

Assim como a anorexia nervosa, no qual as pessoas se veem gordas demais mesmo estando abaixo do peso que a organização mundial de saúde prega como saudável, que fazem dietas restritivas ao extremo ou as bulímicas que acabam expelindo o que ingeriu seja por vomito provocados ou laxantes e diuréticos.

A terapia é fundamental para aquisição da consciência corporal saudável e restabelecer vínculos e atividades perdidas, assim como a medicação pode ser uma grande aliada em alguns casos.

Adriana de Castro Ruocco Sartori
Psicóloga, mestre em ciência da Psiquiatria pela USP, especialista em abuso, dependência e compulsão, terapeuta transpessoal, hipnóloga pela ACT – Institute de Milton Ericson , Consteladora familiar e empresarial pela escola de Bert Hellinger, formada em Cura Reconectiva.

Busca pela selfie perfeita pode gerar selficídio

Essa foi a manchete do jornal local que eu dei entrevista hoje “Busca pela selfie perfeita pode gerar selficídio”. Eu não assisti a matéria toda pra ver o que foi falado, mas o que gera dismorfia corporal é o bullying em primeiro lugar. Em segundo lugar a imposição do mundo por uma ditadura da beleza, em terceiro a insegurança (muitas vezes acarretada pelos dois primeiros fatores). O “selficídio” dentro da dismorfia corporal é só uma característica dentre tantas outras. Nem todo mundo que tem selficídio tem  dismorfia corporal.

O selficídio pode ser uma doença da modernidade (como li em algum site de notícias por aí) mas a dismorfia não é! A anorexia foi identificada como um problema clínico em 1868, então antes disso já devia existir mas a medicina só foi evoluindo com o tempo até que ela fosse realmente reconhecida. A mesma coisa acontece com a dismorfia corporal. Em 1903, Pierre Janet, um psicólogo e médico francês descreveu sobre a obsessão da vergonha do corpo, enfatizando o extremo desconforto dos indivíduos que sentiam-se feios e ridículos. A dismorfia corporal não surgiu por conta das capas de revistas, das SELFIES que estão falando no momento, das propagandas de beleza. Isso também faz com que a dismorfia se desenvolva mas isso não é o princípio ativo de tudo isso.

Estou um pouco frustrada com a proporção errada que estão dando em cima desse tema. Parece algo idiota “ah quem bate muita foto tem essa tolice ai chamada dismorfia corporal”. Não é isso! Não podemos banalizar a dismorfia corporal. As pessoas com dismorfia corporal sofrem muito por estarem passando por isso. A maioria delas não tem o apoio da família. Até mesmo muitos profissionais (psicólogos, psiquiatras etc) não sabem sobre o assunto. É um distúrbio que traz sofrimento psicológico e social tanto quanto a anorexia. Só que a dismorfia não traz tantos danos a saúde porque as pessoas não deixam de se alimentar igual a um anoréxico e não possuem dinheiro para fazer tantas intervenções cirúrgicas como gastariam. É muito mais fácil parar de comer para uma pessoa que sofre de anorexia do que gastar R$ 5.000,00 (ou mais) em uma cirurgia plástica (para os dismórficos).

Não quero a dismorfia banalizada. Isso é um transtorno sério, recebo muitos relatos (estão ai no menu do blog em “depoimentos”) e outros que recebo por email de pessoas que pensam em tirar a própria vida por conta do sofrimento que a dismorfia causa. É preciso saber tratar desse assunto corretamente e com respeito.

Dismorfia Corporal e o Selficídio

Selficídio, que palavra nova e esquisita né? Se me perguntassem o que é isso eu ia dizer que é sobre pessoas que se fotografam enquanto cometem suicídio.

Maaaaas, pelo que saiu na reportagem da UOL sobre o assunto é “o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem”.

A minha opinião sobre a dismorfia corporal e as selfies é que os dismórficos batem foto sim. Não todos, há os que não batem foto por nada nesse mundo. Mas o que batem e postam acabam batendo muitas fotos, mais de 100 e tentam achar sempre a melhor pose e a melhor iluminação para uma foto ideal. Se der pra usar maquiagem (homens com dismorfia também usam maquiagem, não é raro) para camuflar e melhor ainda mais o resultado da foto assim será feito.

Eu não acho que o “Selficídio” é de agora. Isso já começou na época do Fotolog (quem lembra?) em 2004 e depois passou por Orkut, Facebook e agora Instagram. Eu mesma tenho fotos quando eu ainda tinha dismorfia corporal, com muita maquiagem, muita luz e muito Photoshop na cara pra poder ser postado. E tenho conversas de MSN (saudades msn) em brincadeira proibindo minhas amigas de postar minhas fotos no orkut sem minha autorização (porque eu tinha que ver se gostava da foto e editar antes de serem publicadas).

O dismórfico busca a auto afirmação através das curtidas, dos elogios, mesmo tendo aquela dúvida se as pessoas estão sendo verdadeiras, porque ele não se vê da forma que as pessoas falam. Na entrevista da UOL me perguntaram “você é contra as selfies?” Não sou. Acho legal a pessoa bater foto e publicar se isso faz bem pra ela. O que eu sou contra é a ditadura da beleza impondo sempre a pessoa perfeita que não existe. Olhe a sua volta, quais pessoas você conhece, do seu convívio que possuem o padrão de beleza imposto pela mídia?

Vou mostrar algumas fotos que eu publicava na minha época de Fotolog e Orkut.

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Olha a quantidade de efeito do Photoshop nessa foto de cima, parece uma boneca de cera.

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Fotos sempre com muita luz e muito efeito pra que não aparecesse minha olheira e meu olho esbugalhado.

E meu papo com minha amiga em 2008 (eu na época com 25 anos) proibindo ela de por minhas fotos no Orkut.

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Perguntas e Respostas sobre mim e a Dismorfia Corporal

Vou por aqui todas as respostas que respondi para a entrevista da UOL. Segue:

1. Gostaria de saber qual sua profissão, estado civil e cidade onde mora. Hoje você tem 28 anos?
Hoje eu tenho 34 anos. Moro em Florianópolis SC, sou publicitária, solteira.

2. Você menciona que desde criança se sentia feia. Como era sua relação com as fotos? Ainda não havia a selfie, mas ver sua imagem nas fotos de papel ou digitais te causava algum desconforto? Tem alguma história para contar sobre isso?
Eu não gostava de bater fotos quando criança e até chorava porque não queria (tenho foto com a familia chorando porque não queria bater foto). Depois quando cresci e veio as máquinas digitais eu batia bastante selfie, usava bastante maquiagem, batia mais de 100 pra escolher uma e depois editava no photoshop pra tentar diminuir as imperfeições.

3. Atualmente você faz terapia?
Não. Eu fiz terapia quando pequena (quando eu tinha uns 7 anos), minha primeira sessão de terapia foi desenhando minha família, fiz por cerca de 2 anos. Depois fui crescendo sem conseguir resolver o problema de me achar feia, fiz terapia novamente com 21 anos e ficava na mesma, a gente não progredia com o tratamento porque a psicóloga não sabia que era dismorfia corporal (não conhecia esse tipo de transtorno ainda pouco conhecido). Em 2007 cheguei a ir em outra psicóloga mas achei que não ia adiantar tentar novamente, então não segui o tratamento. Então em 2009 (com 27 anos) eu estava com depressão e não sabia. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites. Então fui pro Google tentar descobrir o que eu tinha porque vi que aquilo não era normal. Fui lendo sobre distúrbios do sono porque a princípio estava pensando que eu não conseguia dormir. Depois passei pra distúrbios psicológicos, li sobre alguns tipos de esquizofrenia e fui passando de distúrbio por distúrbio até que cai na Dismorfia Corporal. Quando li, parecia um relato sobre a minha vida. Na hora já me identifiquei e tive quase certeza que era aquilo que eu tinha. Voltei na mesma terapeuta que eu tinha ido em 2007 porque era a única que eu consegui pensar no momento e comentei com ela sobre a dismorfia corporal. Ela falou que eu tinha mesmo e então começamos o tratamento e ela me encaminhou para o psiquiatra porque eu estava visivelmente com depressão (eu nem conseguia falar, só chorava). Fiz o tratamento por 6 meses, uma sessão por semana no começo e depois passamos para uma sessão a cada quinze dias. Li muito sobre dismorfia corporal, auto imagem e ditadura da beleza. No final do ano decidi me mudar de cidade e interrompi a terapia mas continuei o tratamento com o psiquiatra tomando os remédios. Em 2011 percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal e até hoje considero algo superado na minha vida. Os especialistas dizem que não existe cura para a dismorfia corporal mas que existe um controle, então posso dizer que está controlada sem sintomas. Eu não sou a única com esse relato de superação, há outro leitor (homem) do blog que relatava sua vida difícil por causa da dismorfia corporal e que com esforço conseguiu mudar e hoje não se considera mais com dismorfia. Infelizmente ele não da entrevista porque diz que se trata de uma época triste de sua vida que prefere esquecer.

4. Em que medida aquela foto alterada, mostrando como você se via para a sua terapeuta, auxiliou no tratamento? Você se incomoda se publicarmos como você se via e como é? Ou prefere mandar outra foto?
Eu fiz a foto porque eu achava que só falando como eu me via não mostrava a proporção dos defeitos que existiam para mim. Minha psicóloga imaginava como eu me via, entendia sobre o assunto e me compreendia mas eu achava que ela não entendia o grau disso. Fiz então para ilustrar como eu era para mim. Pode publicar a foto, essa foto já foi publicada em revista e passou no programa da Fátima Bernardes.

5. O transtorno afetou seus relacionamentos afetivos? Você namora ou é casada?
Até meus 27 anos afetou sim porque sempre fui insegura por conta que me achava feia e que ninguém ia se interessar por mim. E que se alguém se interessasse seria por pena. Depois que superei a dismorfia já tive outros relacionamentos e minha aparência não interfere em mais nada. Hoje sou solteira, tive recentemente um namoro de 3 anos que terminou por outros motivos que não tem a ver com a minha aparência e hoje procuro alguém que goste de mim pelo que eu sou por dentro, mas não me considero feia.

6. Quando o quadro foi controlado e o que precisou acontecer para que fosse considerado controlado?
O quadro foi considerado controlado a partir do momento que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal. Como por exemplo o isolamento social, sofrer por conta da aparência, ver defeitos que não existe, tentar esconder algum defeito, deixar de ir em algum lugar porque as pessoas vão reparar em você, ficar conferindo sua aparência o tempo todo etc. Eu nunca mais deixei de fazer nada por conta da minha aparencia.

7. Você ainda toma medicação? A medicação que tomou foi para depressão?
Não tomo mais. A medicação que tomei foi para depressão porque a depressão que eu tinha era por conta da dismorfia corporal, da frustração que eu tinha com a minha vida. Tomei Citalopram 20 mg.

8. Você sofria de ansiedade quando se via no espelho ou em fotos? O que sentia?
Sim. Todos que tem dismorfia corporal tem ansiedade. Eu ficava ansiosa e frustrada porque via muitos defeitos e achava que eu ia ser assim pro resto da vida. Eu não tinha dinheiro pra fazer as cirurgias que eu queria pra corrigir meus defeitos e torcia que um dia as coisas mudassem e eu conseguisse fazer todas as intervenções cirúrgicas e dermatológicas pra ficar bonita..

9. Pela sua relação com o público, através do blog, você considera que a tecnologia e as selfies têm piorado a relação das pessoas com o próprio corpo?
Não. Eu acho que quem bate selfie é porque gosta de si mesmo e é saudável a gente se cuidar e se amar. O que eu sou contra é a ditadura da beleza e a imposição de padrões do que é bonito e o que é feio.

10. Em sua opinião, qual a influência do padrão de beleza das modelos e atrizes -e a forma como ele é vendido como sendo o exemplo a ser seguindo- sobre a autoimagem das meninas?
Existe um padrão de beleza imposto pelas agências de modelo do que é a medida ideal. Além das revistas e propagandas de produtos de beleza que estipulam o que é um corpo bonito e isso virou um rótulo. As pessoas acabam buscando esse ideal inexistente, somente uma pequena parte da população possui as medidas de uma modelo e nem por isso as outras pessoas não são bonitas. E com isso as pessoas (homens também sofrem de dismorfia) acabam se frustrando por não estarem dentro desse padrão de beleza. Temos que entender que não somos só uma altura, ou só um nariz, só um olho, só um cabelo, só uma barriga etc. Somos um conjunto de características exteriores junto com nossas características interiores (nosso caráter, nossa personalidade, nossos gostos pessoais etc). Isso é o que compõe o que somos e é isso que tem valor.

Quero também dizer que a maioria dos emails que recebo de pedido de ajuda são de homens e não de mulheres. Será que a dismorfia atinge mais homens que mulheres? Não sei dizer porque para isso ser confirmado precisaria de uma pesquisa bem elaborada. O que eu posso dizer sobre isso é que muitas mulheres devem sofrer com a dismorfia corporal e não sabem porque hoje a imposição do corpo perfeito com a ditadura da beleza muitas mulheres devem achar que estão sofrendo por não estarem dentro dos padrões de beleza mas que isso não é um distúrbio psicológico.

Também é preciso diferenciar a dismorfia corporal de uma pessoa que faz muita plástica simplesmente por estética. Uma pessoa com dismorfia vai querer fazer muitas cirurgias plásticas mas nem todo mundo que faz muita cirurgia plástica tem dismorfia corporal. O que diferencia uma pessoa da outra é que a pessoa com dismorfia corporal faz as plásticas porque sofre com aquele problema enquanto a outra não sofre, apenas está insatisfeita e procura uma melhoria. Um exemplo de uma pessoa sem dismorfia que já fez várias plásticas é a Angela Bismarchi.

 

A luta de Daiana Garbin para aceitar o próprio corpo

Bonita, bem-sucedida, apaixonada. Motivos não faltavam para Daiana Garbin, ex-repórter da Rede Globo, se sentir realizada. Mas não era o que ela via no espelho. Depois de mais de 30 anos desejando um shape que não é o seu, ela recebeu o diagnóstico de dismorfia corporal, uma das doenças da beleza, que já atingem 30% das brasileiras

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Eu achava que tinha apenas uma preocupação excessiva com o corpo. Considerava até meu sentimento fútil, bobo. Um ano atrás, retomei a terapia e minha psicóloga me deu o diagnóstico de uma doença de que eu nunca tinha ouvido falar: dismorfia corporal, ou síndrome da distorção da imagem. Procurei ajuda especializada porque o sofrimento estava muito grande, mas não pensava que uma doença psiquiátrica estava por trás do que me incomodou a vida inteira. Em choque, decidi que era hora de parar de sofrer calada. Foi assim que surgiu, há um mês, o canal do YouTube Eu Vejo, para dar apoio a mulheres que, como eu, também querem fazer as pazes com suas formas.
A insatisfação – na verdade, a raiva – que tenho do meu corpo vem lá da infância. Me lembro do dia em que chorei pela primeira vez por ser a mais gordinha do grupo: foi na aula de balé, aos 5 anos. Vestida de collant azul, eu era barrigudinha, enquanto via as outras meninas magras, com o corpo longilíneo com o qual eu desejava ter nascido. Aos 12 anos, a professora de educação física do colégio mediu e pesou todos os alunos da turma. Eu, que já tinha 1,67 m, era a mais alta. Adivinhe quem também era a mais pesada… Os 60 quilos cravados na balança eram proporcionais à minha altura, mas na minha cabeça só registrei uma coisa: eu era a gorda da galera. Na adolescência, a angústia aumentou. Quando queria sair, eu colocava abaixo todo o guarda-roupa para acabar vestindo calça jeans e camisa preta, meu ‘uniforme’ até hoje. Muitas vezes, não gostava de nada e desistia. Ficava em casa chorando.
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Nessa época, forcei distúrbios alimentares: entrava em blogs para aprender a ser anoréxica e cheguei a tentar induzir o vômito. Graças a Deus, não fui bem-sucedida em nenhum desses planos. Mas, como queria ser mais magra de qualquer jeito, comecei a tomar escondido remédios para perder peso. Desejava conquistar o corpo de uma modelo, achava chique ter os ossos do ombro e da bacia aparentes. Só o que consegui foi uma depressão.
Dietas malucas viraram parte da minha rotina. Já passei um dia inteiro com apenas uma maçã – desmaiei. Tentei todas as fórmulas para emagrecer. Como nenhuma dessas atitudes extremas funcionava, aos 20 anos me submeti à minha primeira lipoaspiração (depois, ainda faria mais duas). Hoje sei que um dos sintomas da dismorfia corporal é que você acha que o cirurgião plástico vai resolver seu problema. Eu tinha certeza de que, depois da lipo, ia amar meu corpo. Não adiantou nada. E o pior é que o pós-operatório é muito sofrido. Nas horas de dor, eu pensava: ‘O que estou fazendo comigo?’
Ironicamente, escolhi uma profissão que me levou à frente das câmeras. Amo muito meu trabalho e, admito, me sentia protegida porque repórter costuma aparecer só da cintura para cima. Mas sempre me questionei: como posso ter vergonha do meu corpo no espelho se me exponho para milhões de pessoas? Nossa mente é muito maluca e, às vezes, os sentimentos não têm lógica. Acho importante dizer isso porque algumas pessoas podem pensar ‘Nossa, como ela é infeliz’, e não é assim. Amo minha vida e sou agradecida por tudo que tenho. O problema é quando fico cara a cara com o espelho.

Fonte: M de mulher

Daiana Garbin e a Dismorfia Corporal

Gente, to vendo agora o vídeo da Daiana Garbin (essa da foto abaixo, esposa do Tiago Leifert que apresenta o The Voice) e ela falando que ela odeia o corpo dela me deu uma angústia, porque eu já passei isso que ela ta passando, eu já falei isso que ela ta falando e eu tomo as dores de quem tem dismorfia corporal porque esse pessoal é tão incompreendido, isso é tratado pelos outros como uma besteira, e essas pessoas sofrem em silêncio e acreditam piamente que o que pensam é verdade. E eu que agora posso dizer com tranquilidade que hoje eu gosto de mim por dentro e por fora, quero que essas pessoas possam chegar nisso também.

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O blog esteve fora do ar por um ano e meio por conta de um problema na hospedagem e eu acabei demorando pra por de volta no ar. Daí quando a produção do programa Domingo Espetacular da Record me convidou pra falar a respeito por conta da matéria que ia ser feita sobre a Daiana Garbin, corri e coloquei o blog de volta no ar (gente, algumas imagens e alguns links ainda não estão funcionando, estou arrumando).

Agora o blog vai voltar a ter postagens frequentemente sobre o assunto de dismorfia corporal (um pouco menos sobre anorexia e vigorexia). O blog é rico de informações a respeito. Naveguem que vocês irão encontrar muita coisa bacana.

Meu email de contato é diariodeumadismorfia@gmail.com e fiz um face só pra dismorfia corporal (não tenho mais face pessoal, deletei). O face que eu fiz voltado pra dismorfia é: Solange Dismorfia Corporal (https://www.facebook.com/solangedismorfia)
Peço que se for me add pra mandar um inbox falando que é por causa aqui do blog, porque muita gente nada a ver com o assunto adiciona.