Dismorfia Corporal e o Selficídio

Selficídio, que palavra nova e esquisita né? Se me perguntassem o que é isso eu ia dizer que é sobre pessoas que se fotografam enquanto cometem suicídio.

Maaaaas, pelo que saiu na reportagem da UOL sobre o assunto é “o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem”.

A minha opinião sobre a dismorfia corporal e as selfies é que os dismórficos batem foto sim. Não todos, há os que não batem foto por nada nesse mundo. Mas o que batem e postam acabam batendo muitas fotos, mais de 100 e tentam achar sempre a melhor pose e a melhor iluminação para uma foto ideal. Se der pra usar maquiagem (homens com dismorfia também usam maquiagem, não é raro) para camuflar e melhor ainda mais o resultado da foto assim será feito.

Eu não acho que o “Selficídio” é de agora. Isso já começou na época do Fotolog (quem lembra?) em 2004 e depois passou por Orkut, Facebook e agora Instagram. Eu mesma tenho fotos quando eu ainda tinha dismorfia corporal, com muita maquiagem, muita luz e muito Photoshop na cara pra poder ser postado. E tenho conversas de MSN (saudades msn) em brincadeira proibindo minhas amigas de postar minhas fotos no orkut sem minha autorização (porque eu tinha que ver se gostava da foto e editar antes de serem publicadas).

O dismórfico busca a auto afirmação através das curtidas, dos elogios, mesmo tendo aquela dúvida se as pessoas estão sendo verdadeiras, porque ele não se vê da forma que as pessoas falam. Na entrevista da UOL me perguntaram “você é contra as selfies?” Não sou. Acho legal a pessoa bater foto e publicar se isso faz bem pra ela. O que eu sou contra é a ditadura da beleza impondo sempre a pessoa perfeita que não existe. Olhe a sua volta, quais pessoas você conhece, do seu convívio que possuem o padrão de beleza imposto pela mídia?

Vou mostrar algumas fotos que eu publicava na minha época de Fotolog e Orkut.

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Olha a quantidade de efeito do Photoshop nessa foto de cima, parece uma boneca de cera.

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Fotos sempre com muita luz e muito efeito pra que não aparecesse minha olheira e meu olho esbugalhado.

E meu papo com minha amiga em 2008 (eu na época com 25 anos) proibindo ela de por minhas fotos no Orkut.

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Perguntas e Respostas sobre mim e a Dismorfia Corporal

Vou por aqui todas as respostas que respondi para a entrevista da UOL. Segue:

1. Gostaria de saber qual sua profissão, estado civil e cidade onde mora. Hoje você tem 28 anos?
Hoje eu tenho 34 anos. Moro em Florianópolis SC, sou publicitária, solteira.

2. Você menciona que desde criança se sentia feia. Como era sua relação com as fotos? Ainda não havia a selfie, mas ver sua imagem nas fotos de papel ou digitais te causava algum desconforto? Tem alguma história para contar sobre isso?
Eu não gostava de bater fotos quando criança e até chorava porque não queria (tenho foto com a familia chorando porque não queria bater foto). Depois quando cresci e veio as máquinas digitais eu batia bastante selfie, usava bastante maquiagem, batia mais de 100 pra escolher uma e depois editava no photoshop pra tentar diminuir as imperfeições.

3. Atualmente você faz terapia?
Não. Eu fiz terapia quando pequena (quando eu tinha uns 7 anos), minha primeira sessão de terapia foi desenhando minha família, fiz por cerca de 2 anos. Depois fui crescendo sem conseguir resolver o problema de me achar feia, fiz terapia novamente com 21 anos e ficava na mesma, a gente não progredia com o tratamento porque a psicóloga não sabia que era dismorfia corporal (não conhecia esse tipo de transtorno ainda pouco conhecido). Em 2007 cheguei a ir em outra psicóloga mas achei que não ia adiantar tentar novamente, então não segui o tratamento. Então em 2009 (com 27 anos) eu estava com depressão e não sabia. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites. Então fui pro Google tentar descobrir o que eu tinha porque vi que aquilo não era normal. Fui lendo sobre distúrbios do sono porque a princípio estava pensando que eu não conseguia dormir. Depois passei pra distúrbios psicológicos, li sobre alguns tipos de esquizofrenia e fui passando de distúrbio por distúrbio até que cai na Dismorfia Corporal. Quando li, parecia um relato sobre a minha vida. Na hora já me identifiquei e tive quase certeza que era aquilo que eu tinha. Voltei na mesma terapeuta que eu tinha ido em 2007 porque era a única que eu consegui pensar no momento e comentei com ela sobre a dismorfia corporal. Ela falou que eu tinha mesmo e então começamos o tratamento e ela me encaminhou para o psiquiatra porque eu estava visivelmente com depressão (eu nem conseguia falar, só chorava). Fiz o tratamento por 6 meses, uma sessão por semana no começo e depois passamos para uma sessão a cada quinze dias. Li muito sobre dismorfia corporal, auto imagem e ditadura da beleza. No final do ano decidi me mudar de cidade e interrompi a terapia mas continuei o tratamento com o psiquiatra tomando os remédios. Em 2011 percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal e até hoje considero algo superado na minha vida. Os especialistas dizem que não existe cura para a dismorfia corporal mas que existe um controle, então posso dizer que está controlada sem sintomas. Eu não sou a única com esse relato de superação, há outro leitor (homem) do blog que relatava sua vida difícil por causa da dismorfia corporal e que com esforço conseguiu mudar e hoje não se considera mais com dismorfia. Infelizmente ele não da entrevista porque diz que se trata de uma época triste de sua vida que prefere esquecer.

4. Em que medida aquela foto alterada, mostrando como você se via para a sua terapeuta, auxiliou no tratamento? Você se incomoda se publicarmos como você se via e como é? Ou prefere mandar outra foto?
Eu fiz a foto porque eu achava que só falando como eu me via não mostrava a proporção dos defeitos que existiam para mim. Minha psicóloga imaginava como eu me via, entendia sobre o assunto e me compreendia mas eu achava que ela não entendia o grau disso. Fiz então para ilustrar como eu era para mim. Pode publicar a foto, essa foto já foi publicada em revista e passou no programa da Fátima Bernardes.

5. O transtorno afetou seus relacionamentos afetivos? Você namora ou é casada?
Até meus 27 anos afetou sim porque sempre fui insegura por conta que me achava feia e que ninguém ia se interessar por mim. E que se alguém se interessasse seria por pena. Depois que superei a dismorfia já tive outros relacionamentos e minha aparência não interfere em mais nada. Hoje sou solteira, tive recentemente um namoro de 3 anos que terminou por outros motivos que não tem a ver com a minha aparência e hoje procuro alguém que goste de mim pelo que eu sou por dentro, mas não me considero feia.

6. Quando o quadro foi controlado e o que precisou acontecer para que fosse considerado controlado?
O quadro foi considerado controlado a partir do momento que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal. Como por exemplo o isolamento social, sofrer por conta da aparência, ver defeitos que não existe, tentar esconder algum defeito, deixar de ir em algum lugar porque as pessoas vão reparar em você, ficar conferindo sua aparência o tempo todo etc. Eu nunca mais deixei de fazer nada por conta da minha aparencia.

7. Você ainda toma medicação? A medicação que tomou foi para depressão?
Não tomo mais. A medicação que tomei foi para depressão porque a depressão que eu tinha era por conta da dismorfia corporal, da frustração que eu tinha com a minha vida. Tomei Citalopram 20 mg.

8. Você sofria de ansiedade quando se via no espelho ou em fotos? O que sentia?
Sim. Todos que tem dismorfia corporal tem ansiedade. Eu ficava ansiosa e frustrada porque via muitos defeitos e achava que eu ia ser assim pro resto da vida. Eu não tinha dinheiro pra fazer as cirurgias que eu queria pra corrigir meus defeitos e torcia que um dia as coisas mudassem e eu conseguisse fazer todas as intervenções cirúrgicas e dermatológicas pra ficar bonita..

9. Pela sua relação com o público, através do blog, você considera que a tecnologia e as selfies têm piorado a relação das pessoas com o próprio corpo?
Não. Eu acho que quem bate selfie é porque gosta de si mesmo e é saudável a gente se cuidar e se amar. O que eu sou contra é a ditadura da beleza e a imposição de padrões do que é bonito e o que é feio.

10. Em sua opinião, qual a influência do padrão de beleza das modelos e atrizes -e a forma como ele é vendido como sendo o exemplo a ser seguindo- sobre a autoimagem das meninas?
Existe um padrão de beleza imposto pelas agências de modelo do que é a medida ideal. Além das revistas e propagandas de produtos de beleza que estipulam o que é um corpo bonito e isso virou um rótulo. As pessoas acabam buscando esse ideal inexistente, somente uma pequena parte da população possui as medidas de uma modelo e nem por isso as outras pessoas não são bonitas. E com isso as pessoas (homens também sofrem de dismorfia) acabam se frustrando por não estarem dentro desse padrão de beleza. Temos que entender que não somos só uma altura, ou só um nariz, só um olho, só um cabelo, só uma barriga etc. Somos um conjunto de características exteriores junto com nossas características interiores (nosso caráter, nossa personalidade, nossos gostos pessoais etc). Isso é o que compõe o que somos e é isso que tem valor.

Quero também dizer que a maioria dos emails que recebo de pedido de ajuda são de homens e não de mulheres. Será que a dismorfia atinge mais homens que mulheres? Não sei dizer porque para isso ser confirmado precisaria de uma pesquisa bem elaborada. O que eu posso dizer sobre isso é que muitas mulheres devem sofrer com a dismorfia corporal e não sabem porque hoje a imposição do corpo perfeito com a ditadura da beleza muitas mulheres devem achar que estão sofrendo por não estarem dentro dos padrões de beleza mas que isso não é um distúrbio psicológico.

Também é preciso diferenciar a dismorfia corporal de uma pessoa que faz muita plástica simplesmente por estética. Uma pessoa com dismorfia vai querer fazer muitas cirurgias plásticas mas nem todo mundo que faz muita cirurgia plástica tem dismorfia corporal. O que diferencia uma pessoa da outra é que a pessoa com dismorfia corporal faz as plásticas porque sofre com aquele problema enquanto a outra não sofre, apenas está insatisfeita e procura uma melhoria. Um exemplo de uma pessoa sem dismorfia que já fez várias plásticas é a Angela Bismarchi.

 

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

Dei entrevista para a UOL essa semana. Segue abaixo a matéria.

08/02/17

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

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Melissa Diniz
Do UOL

Com o avanço da tecnologia e a popularidade dos celulares com câmera, o hábito de tirar selfies (fotos de si mesmo) e postar em redes sociais virou uma febre. Mas não é todo mundo que lida bem com a própria imagem. Quem sofre de selficídio costuma perder horas tentando chegar à imagem perfeita, o que gera ansiedade e frustração.

A publicitária Solange Cassanelli, 34, de Florianópolis (SC), começou a sentir na pele este sintoma muito cedo. “Quando tinha sete anos, comecei a fazer terapia, pois sempre me achei feia. Eu não gostava de tirar fotos, tenho algumas, com a família, em que apareço chorando. Quando cresci, surgiram as máquinas digitais eu tirava mais de cem, usando bastante maquiagem, para escolher apenas uma. Depois ainda editava para tentar diminuir as imperfeições”, conta.

Solange demorou a entender a causa de seu sofrimento. “Eu tinha 27 anos quando descobri pela internet. Ao ler sobre o transtorno dismórfico corporal, senti que parecia um relato sobre a minha vida. Na hora, já me identifiquei. Levei o diagnóstico para a psicoterapeuta, que confirmou e me encaminhou a um psiquiatra”, diz.

Para que a terapeuta entendesse melhor como ela se via, Solange editou uma foto sua, inserindo as imperfeições que enxergava em si mesma. “Minha psicóloga imaginava como eu me via, mas eu achava que ela não entendia o grau disso.”

Além da psicoterapia, Solange precisou fazer uso de antidepressivos. “Eu não sabia que tinha depressão. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites.”

Durante o tratamento, ela criou o blog Diário de uma Dismorfia para auxiliar outras pessoas que sofrem do transtorno a compreender e superar a condição.

Seu quadro hoje está controlado. “Em 2011, percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma e até hoje considero algo superado na minha vida.”

Defeitos que não existem

Segundo a psiquiatra Maura Kale, que faz parte da rede Doctoralia, plataforma digital que conecta profissionais de saúde e pacientes, o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem. “Normalmente, há uma distorção na maneira como a pessoa se vê. Ela enxerga defeitos onde não existem e não consegue achar a foto boa. Então, tira muitas, apaga e depois tira outras, sem se contentar, pois tem padrões inatingíveis de exigência.”

Ter vício de fazer selfies, como a socialite Kim Kardashian, não caracteriza, necessariamente, o selficídio. “O transtorno está presente se houver prejuízo à vida da pessoa e consequente sofrimento”, diz.

Ponta do iceberg

O selficídio, explica a médica, precisa ser investigado, pois, em geral, revela outros problemas sérios. “Além do TDC, é comum que a pessoa também tenha TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), pois tem uma obsessão com sua imagem. Pode apresentar, ainda, transtorno narcisista, ansiedade, depressão, anorexia e até mesmo ideia de suicídio.”

Além da enorme perda de tempo em função das fotos, o selficida tem baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos e constante busca por aceitação. “O mecanismo de postar fotos de si mesmo é uma espécie de autopromoção. A pessoa procura conseguir as curtidas em uma tentativa de obter o respaldo dos outros. Mas, primeiro, usa aplicativos e programas de edição para deixar a foto perfeita”, explica Maura.

Selficidas também são frágeis emocionalmente, bastante vulneráveis a críticas e frequentemente insatisfeitos. Complexo, o quadro precisa ser tratado com psicoterapia e, em muitos casos, com medicação.

Manifestação precoce

Apesar de atingir muitos adultos –de ambos os sexos– o transtorno dismórfico corporal costuma se manifestar ainda na infância. “A maior incidência, segundo pesquisas, é na faixa que vai dos dez aos 15 anos. Quando investigados, os casos quase sempre revelam a existência de abuso, relacionamentos difíceis com os pais e bullying”, diz Maura.

A especialista considera que os pacientes que sofrem do transtorno costumam se espelhar em modelos de beleza sustentados pela indústria da moda, publicidade e pelas revistas de beleza. “São parâmetros irreais e que, por comparação, geram muito sofrimento.”

Fonte: UOL

Daiana Garbin e a Dismorfia Corporal

Gente, to vendo agora o vídeo da Daiana Garbin (essa da foto abaixo, esposa do Tiago Leifert que apresenta o The Voice) e ela falando que ela odeia o corpo dela me deu uma angústia, porque eu já passei isso que ela ta passando, eu já falei isso que ela ta falando e eu tomo as dores de quem tem dismorfia corporal porque esse pessoal é tão incompreendido, isso é tratado pelos outros como uma besteira, e essas pessoas sofrem em silêncio e acreditam piamente que o que pensam é verdade. E eu que agora posso dizer com tranquilidade que hoje eu gosto de mim por dentro e por fora, quero que essas pessoas possam chegar nisso também.

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O blog esteve fora do ar por um ano e meio por conta de um problema na hospedagem e eu acabei demorando pra por de volta no ar. Daí quando a produção do programa Domingo Espetacular da Record me convidou pra falar a respeito por conta da matéria que ia ser feita sobre a Daiana Garbin, corri e coloquei o blog de volta no ar (gente, algumas imagens e alguns links ainda não estão funcionando, estou arrumando).

Agora o blog vai voltar a ter postagens frequentemente sobre o assunto de dismorfia corporal (um pouco menos sobre anorexia e vigorexia). O blog é rico de informações a respeito. Naveguem que vocês irão encontrar muita coisa bacana.

Meu email de contato é diariodeumadismorfia@gmail.com e fiz um face só pra dismorfia corporal (não tenho mais face pessoal, deletei). O face que eu fiz voltado pra dismorfia é: Solange Dismorfia Corporal (https://www.facebook.com/solangedismorfia)
Peço que se for me add pra mandar um inbox falando que é por causa aqui do blog, porque muita gente nada a ver com o assunto adiciona.

O apoio dos pais para filhos com Dismorfia Corporal

Recebi um email com o relato de uma pessoa com Dismorfia Corporal, e um dos pontos relatados era o fato dos pais não entenderem o que o filho está passando. Não foi a primeira vez que alguém me relata essa dificuldade com os pais a respeito da Dismorfia.

Eu tenho pais maravilhosos e não tenho nada a reclamar deles. Nunca me faltou nada, sempre tive plano de saúde, estudei em escola particular e meu pai pagou minha faculdade. Puxaram minha orelha quando errei. Nunca houve brigas e o diálogo sempre predominou na relação familiar. Sempre fomos uma família bem estruturada e harmoniosa. Agora eu pergunto. Qual foi a opinião da minha mãe quando eu estava no auge da dismorfia corporal? Qual a opinião do meu pai quando eu estava com depressão? Minha mãe dizia que o motivo de eu me achar feia e chorar por isso era falta do que fazer. Na época eu não trabalhava ainda, tinha lá meus 19 anos e ela dizia que se eu arranjasse um emprego e ocupasse a cabeça eu ia parar de pensar essas besteiras. Meu pai dizia que eu não fazia as coisas porque eu tinha preguiça, enquanto o que eu tinha era depressão e não tinha forças se quer para conseguir tomar banho.

Eu culpo eles? Não. Porque cada um tem uma maneira de ver os fatos. Minha mãe sempre me achou bonita. Na cabeça dela ela nunca ia entender que eu me via da forma que eu me via. Porque se uma pessoa é bonita, logo ela vai se ver bonita. Só que não.

Meu pai nunca teve depressão. Então ele não conseguia entender a diferença entre preguiça e depressão. Para ele ficar na cama, não ter vontade de fazer as coisas, ficar desleixado é preguiça. E uma filha dele que sempre teve tudo que precisou, qual motivo teria para ter depressão? Então ele não entendia isso.

Para você que tem Dismorfia Corporal e tem pais relutantes em aceitar que você está passando por isso, infelizmente preciso dizer que essa batalha você vai ter que vencer sozinho. Quando eu descobri que tinha dismorfia corporal (porque por muitos anos eu não sabia que a forma que eu me sentia e me via tinha nome) eu fui no google, imprimi sobre a doença (seus sintomas, tratamento etc), deu uma folha. Cheguei na cozinha onde estava meu pai e minha mãe na mesa e falei “Olha, existe um problema psicológico que tem todos os sintomas de como eu me sinto. Eu vou deixar o texto aqui se vocês quiserem ler.”

Se isso é diagnosticado por médicos, não é uma besteira. Porém em muitas situações na nossa vida não poderemos contar com todos que queríamos. Mesmo assim é preciso seguir em frente. Deve haver terapia com preço mais barato na sua cidade. Geralmente em clínicas que tem um psicólogo a consulta sai mais barata. Aqui na minha cidade (Florianópolis) a consulta sai R$ 60,00 em uma clínica. Procure na sua cidade, deve ter algumas opções mais em conta também.

Pra finalizar. Não culpe seus pais por não aceitarem sua Dismorfia Corporal. Eles não entendem isso. Eles tiveram outra criação, possuem outras opiniões e para eles ter um filho que se acha feio sendo bonito é difícil de aceitar.

Mas não desista, tempos melhores virão. 🙂

Converse com a voz de dentro da sua cabeça

O título desse post parece meio esquizofrênico, eu sei. Mas a ideia desse post é relatar algo que eu passei para as pessoas que tem dismorfia corporal. Eu acho que isso deve acontecer com as outras pessoas que tem dismorfia corporal, mas não tenho certeza porque nunca perguntei se isso acontecia com elas.

Depois que eu descobri que tinha dismorfia corporal, comecei a reparar nos meus hábitos e comecei a tentar mudar tudo que eu percebia que era consequência da minha dismorfia corporal e que atrapalhava a minha vida. Para tudo há um caminho, mas quanto você está disposto a caminhar? É preciso dedicação e disciplina para superar a dismorfia corporal. Aos poucos as coisas vão mudando e você começa a perceber o progresso do que é preciso modificar na sua vida.

Uma das coisas que acontecia comigo e que eu achava que me atrapalhava muito é que eu sempre estava pensando mal de mim (da minha aparência). Se eu pensava “Eu sou feia”, eu tentava corrigir meu pensamento errado como “não, eu não sou feia, eu sou bonita”. E em sequência eu pensava “não, você é feia sim” e eu aceitava essa última ideia. Só que sabendo que eu estava sofrendo de dismorfia corporal, comecei a perceber que esse pensamento autoafirmativo de que eu era feia não era meu. De quem era então? De um espírito? De um et? Não. Era da minha cabeça, mas não era voluntário meu. Era algo que acontecia automático e o tempo todo.

Com isso, eu precisei ligar uma sineta, que tocava toda vez que eu pensava mal de mim, como por exemplo “Eu sou feia”, “Estão reparando como eu sou feia”, “Aquela pessoa está falando mal de mim para a pessoa que ela está conversando”, “ninguém quer conversar comigo no trabalho/faculdade/festa porque eu sou feia”.

Então começou a funcionar assim: “Eu sou feia”, logo em seguida eu me corrigia “Não, eu não sou feia”, e em seguida eu pensava novamente “eu sou feia sim”. Então a sineta imaginária e simbólica tocava TLIM TLIM TLIM. Opa, tem algo errado acontecendo. Então eu falava pra mim mesma “Você não manda em mim (essa outra voz), quem decide o que eu acho sou eu, não essa outra voz que acha que manda mais”. Parece idiota, mas depois de algum tempo a minha opinião começou a prevalecer.

Não precisa dizer “Eu sou bonita” se você não acha isso. Mas pode dizer “no momento eu não me acho bonita porque eu tenho dismorfia, mas estou ciente disso e estou trabalhando para melhorar essa imagem que tenho de mim, mas mesmo que eu não me ache bonita, não vou considerar que os outros me achem feia”. Eu pensava dessa forma também.

É preciso ter em mente e POR EM PRÁTICA que nós nos achamos feios/feias porque em algum momento de nossa vida condicionamos nossa mente a pensar dessa forma e hoje é difícil desacostumar algo que está acostumado de uma forma. Então diga para você mesmo que mesmo que você se ache feio, você sabe que isso é uma condição que sua mente te impôs mas que devagar você está se esforçando para mudar isso (seja lendo, fazendo terapia, etc, não importa o caminho que você está buscando, mas buscar um caminho).

Outra coisa que eu falava pra mim sempre era “Eu não me acho bonita, mas mesmo eu não me achando, vou aceitar que as outras pessoas que me olham não estão me vendo como eu me vejo. O problema está na forma como EU me vejo, e não na forma como AS OUTRAS PESSOAS me vêem. Muita neurose e mania de perseguição que temos na verdade é tudo criação da nossa cabeça. Como por exemplo: as pessoas me acham feia/feio, as pessoas estão falando como eu sou feia/feio, quando na verdade isso não está acontecendo. Então vamos deixar claro para nós que quando julgamos que uma pessoa está nos achando feia/feio e/ou falando mal da nossa aparência para outra pessoa, há 90% de chance de isso ser só imaginação nossa e a pessoa não está pensando ou falando isso de nós.

Se conseguirmos começar a clarear essas ideias dentro da nossa cabeça, as coisas vão começar a se encaixar no lugar correto e a dismorfia vai começar a diminuir.

Obs: Não descarto a importância de fazer terapia para ajudar a superar a dismorfia corporal (gosto muito da terapia cognitivo comportamental).

Eu no programa “Encontro com Fátima Bernardes”

Se você está lendo esse post, é porque eu estou neste momento no programa da Fátima Bernardes (Encontro com Fátima Bernardes). A produção não deixou eu postar antes isso, então programei o blog pra postar automaticamente no horário do blog. Se você entrou no blog por causa do programa, você pode começar a ler o blog pelo Menu do blog (no topo do blog) porque as informações mais importantes dele estão ali. Depois, existem outras informações importantes que você encontra navegando nele.

Para assistir a minha participação clique aqui.

Site com novo layout

Pessoal, o blog parece meio abandonado mas não está. Estou postando uma média de 1 post por mês, porém boas notícias venho trazer. 🙂

Estou desembolsando uma graninha alta para reformular o blog pois estou insatisfeita com o layout e alguns problemas de postagens que tenho com ele. Então o novo layout já está sendo produzido e em cerca de dois meses estará substituindo esse modelo atual.

Com o novo layout, o número de postagens por mês vai aumentar e vai ficar bem mais bacana de navegar por ele.

É só aguardar 🙂

Beijo. Solange.

Sem tempo

Pessoal,

Estou na correria. Enquanto isso, peço que busquem postagens antigas, tem muita coisa boa já postada. Tem no menu um link para os melhores posts, tem listagem de livros bons no menu também, vocês podem comprar boas leituras pra poder superar a dismorfia corporal. Não tenham pressa pra superar esse problema. Se você caminhar um pouquinho por dia (no sentido de se esforçar para entender tudo isso, e não no sentido de exercício físico) já te trará grandes resultados. Eu superei a dismorfia corporal mas foi um trabalho de formiguinha, um pouquinho por dia, muita reflexão, muita leitura e é preciso entender que a maior parte do nosso sofrimento é por causa de uma visão distorcida, então é preciso trabalhar pra mudar essa visão errada ok? Nada na vida a gente consegue do dia pra noite, tudo na vida é conquistado com dedicação, e não é diferente na hora de superar a dismorfia corporal. Então tenha fé, se eu superei, se o Robert superou, você também pode superar. um beijo pra vocês.

É possível superar a dismorfia corporal?

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Eis uma pergunta que assombra quem convive com esse transtorno. Os estudos dizem que não há cura, e isso gera aflição e desesperança, dando a impressão de que iremos sofrer o resto de nossos dias nos achando feios e deformados. Não é bem assim.

Os especialistas que estudam esse transtorno dizem que não há cura, mas que há um controle do transtorno. Se esse controle der paz pro nosso espírito e a gente não sofrer mais com a nossa aparência, que mal tem? Digo por mim, há cerca de um ano eu não sofro mais com o que eu vejo no espelho. Não me acho feia, não me acho linda, me acho normal (apesar de a depressão ainda me rondar as vezes ela não se deve à minha aparência).

Aprendi que tenho minhas particularidades, que nossa beleza está muito nos olhos de quem vê e que beleza não é somente o conjunto de características físicas e sim a combinação de aparência física com a personalidade que você tem (seu carisma, seu jeito tímido ou engraçado, sua forma de falar e andar, suas opiniões, sua forma de ouvir, etc).

Primeiro precisamos admitir (para nós mesmos) que temos um transtorno psicológico que nos faz enxergar de forma errada como somos. Se não conseguimos mudar essa percepção sozinhos, precisamos de ajuda profissional de um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra. Existem várias formas de terapia. A que eu mais simpatizo é a “terapia cognitivo comportamental” que vai te ajudar a mudar pensamentos errados através de um diálogo com perguntas e não com conselhos. Estou explicando de forma grosseira, em outro post explico mais detalhado como funciona. Se quiser mais informações nesse momento recorra ao Google. 🙂

Em segundo lugar (se bem que pra mim tudo isso é uma coisa só) você deve ser comprometido com você mesmo a superar isso. Não adiantar ir na terapia uma vez por semana e achar que aquela uma hora dentro do consultório vai mudar sua vida. Não adianta tomar remédio controlado pra depressão, ansiedade ou TOC e achar que aquele comprimido vai fazer milagre. Não funciona assim. O remédio vai dar uma segurada nas coisas ruins que você anda sentindo, vai amenizar, diminuir. Em 100% o remédio ajuda 60% (por exemplo) e você tem que correr atrás dos outros 40% pra fechar com chave de ouro. Da mesma forma é a terapia. Aquela “uma hora” da terapia é o momento que você e sua (ou ‘seu’) terapeuta vai te ajudar a ver alguns pontos a serem trabalhos, vai te ajudar a achar o rumo da sua vida, do seu tratamento, e o resto das horas fora do consultório é você que tem que correr atrás da sua felicidade.

Voltando para a pergunta do começo do post, “é possível superar a dismorfia?”. Eu digo que sim. Não digo só pro mim, o Robert que conheci através do blog também considera a dismorfia corporal página virada na vida dele. E eu quero que vocês levem isso como incentivo para buscar a superação de vocês também. Chega de chorar porque é feio, chega de não sair de casa porque não quer que as outras pessoas te vejam feio, chega de achar que só plástica resolve a sua vida. Eu e o Robert estávamos conversando sobre isso outro dia. As pessoas com dismorfia tem vontade de mudar, mas não tem força de vontade, não tem a atitude de “vou mudar”. Querem que a mudança aconteça por si só. A mudança não vai acontecer. Porque a mudança é você. Sua vida só vai mudar quando você mudar, quando você fizer acontecer. Já falei sobre isso em outro post que você pode ler aqui.

Pra resumir tudo isso. A minha opinião é que se pode sim superar a dismorfia corporal. Mas para isso é preciso se dedicar à terapia, é preciso estar 24 horas por dia prestando atenção na forma que agimos errado e tentar mudar nosso pensamento, é preciso enfrentar nossos medos de sair de casa e ser visto pelas pessoas (porque quanto mais você sair de casa, menor esse monstro chamado medo/vergonha vai ficar). É preciso fazer (ou pelo menos tentar) as tarefas passadas pela terapeuta. É preciso ler sobre a ditadura da beleza e sobre auto imagem, etc. Em outras palavras, é preciso fazer acontecer.