Pare de se julgar

Penso estar observando a mim mesmo mas na realidade estou me julgando.

Nenhum olhar sobre si mesmo é neutro. A autoestima é, por essência, um julgamento: nos observamos e nos julgamos. Trata-se inclusive de um duplo julgamento, ou um julgamento sob pressão, como quiserem, pois esse julgamento que fazemos a nosso respeito é na realidade duplicado (ou contaminado, ou estressado) pelo julgamento dos outros: nós nos julgamos com base naquilo que pensamos do julgamento dos outros (com ou sem razão).

O primeiro problema é que nos julgamos, em vez de nos analisarmos e nos compreendermos. Segundo problema: esse julgamento é quase sempre severo demais. O que significa julgar? Significa ligar um fato a um valor. E os valores das pessoas que têm problemas de autoestima são prejudiciais, porque são excessivamente elevados e rígidos: seu desejo de perfeição serve apenas para aplacar seu desejo de proteção.

O problema: o crítico interno

O que chamamos de “crítico interno” em psicoterapia são os julgamentos constantemente negativos e limitadores, a autocrítica quase constante. A deformação permanente e parcial daquilo que nos acontece, sejam êxitos ou fracassos: “O que deu errado é minha culpa, o que deu certo é obra do acaso. O que deu errado, deu completamente errado, o que deu certo, deu certo só parcialmente. O que deu errado foi para sempre, o que deu certo é apenas temporário”.

Como conseguimos suportar isto? Apenas porque achamos que é uma forma de lucidez e de rigor. Na verdade, o crítico interno apenas aparenta ser honesto e lúcido. O crítico interno apresenta como verdade o que não passa de autointoxicação. O crítico interno está permanentemente em ação. Previsões antes da ação: “Não adianta tentar, nunca vai funcionar”. Comentários durante: “Olha só como você está indo mal”. E conclusões depois: “Você foi patético”. O crítico interno é o verdadeiro inimigo dentro de nós.

Naturalmente, nós mesmos somos esse inimigo. Somos nós que lhe damos vida, que o ouvimos, lhe damos abrigo, obedecemos, somos nós que acreditamos nele. Acabamos sem qualquer distanciamento, acreditando que esses pensamentos estereotipados têm funamento e são justos. O crítico interno também é chamado de “rádio crítico”: esse constante fluxo de frases negativas ditadas a si mesmo parece um aparelho de rádio instalado num canto, e que ninguém se lembra de desligar nem de ouvir atentamente para se dar conta de que só emite horrores e exageros.

De tanto pensar assim, acabamos acreditando

O crítico interno é ainda mais tóxico porque nos habituamos a ele, e nem prestamos atenção a sua natureza. Ele nos faz esquecer seu caráter parcial e equivocado. Sob a máscara da lucidez e da honestidade, está todo o prejuízo que ele pode causar.

A toxidade do julgamento de si mesmo quando decorre de uma autocrítica cega

Essa auto sugestão negativa infelizmente se revela eficaz e alimenta uma boa parte dos problemas de autoestima.

É ela que faz com que não tiremos proveito de nossas experiências de vida positivas, pois todo sucesso ou reconhecimento é imediatamente submetido à crítica parcial: “ilusão”, “não vai durar”, “não é tão bom”.

Ao contrário do que tenta fazer crer, o crítico interno em nada nos ajuda a progredir no plano de nossa pessoa global. Não passa de um discurso dissuasivo e limitador, que nos leva a temer, a recear, a tremer, a nunca estar satisfeito. Ele não nos puxa para cima. Isso levará apenas a mais estresse, inibições, insatisfações e tensões. E diminuirá a autoestima.

O crítico interno segue uma lógica de perfeccionismo patológico e ineficaz. Essa crítica interna fragiliza a autoestima, nos afastando dos benefícios de nossos êxitos, lembrando-nos sem descanso de nossos fracassos (sempre consideramos merecidas nossas auto recriminações).

Como praticar uma autocrítica útil?

O que ajuda a mudar é uma informação neutra e benevolente, mais que um julgamento parcial e agressivo. Para progredir, muitas vezes será necessário aprender a se criticar de outra forma, com moderação. Só é possível mudar corretamente sobre alicerces de aceitação de si mesmo, dos próprios erros e limites. Então virá o momento do julgamento, crítico ou favorável.

É preciso efetuar o mais rapidamente possível um trabalho de descontaminação e checagem. Com efeito, o “crítico interno” se nutre da confusão de nossas emoções e sempre se prevalece da pequena desordem criada por nossas inquietações. Para melhor enfrentá-lo:

• Lembrar-se de que nós mesmos geramos grande parte de nossos sofrimentos – Falar a si mesmo sobre isto: “Não permita mais que um pensamento ou uma ideia o tire do sério ou o destrua. Se seu medo detectou um problema, cuide desse problema, mas com calma. Estar atento ao próprio medo não significa submeter-se a ele, ao contrário. De onde vem o problema? Da minha imaginação? Da minha tendência ao exagero?

• Estabelecer claramente a diferença entre o que acontece (os fatos) e o que eu penso  a respeito (minha interpretação) – O crítico interno tende a me fazer confundir as duas coisas e a me levar a tomar o que ele pensa sobre o que o mundo realmente é. Os problemas de autoestima tornam as pessoas hipersensíveis. Se tenho a impressão de não ser apreciado por alguém, isto pode decorrer, é verdade, da frieza daquele com quem estou tendo contato, mas também do meu medo de não ser apreciado pelo outro  em geral, ou por essa pessoa particular.Essas conscientizações em caráter regular, separando a informação e a observação (neutras) do julgamento de valor (subjetivo), são indispensáveis para o desenvolvimento da autoestima.

• Mostrar-se prudente com as conclusões precipitadas – Por exemplo: o fato de alguém não se mostrar caloroso em relação a nós não significa que nós sejamos a causa (a pessoa pode ter seus próprios problemas que a torna fria e distante). Ou talvez essa pessoa seja desagradável com muitas outras e que não  é algo que tenha a ver conosco exatamente. Podemos também ter uma atitude de amabilidade (“Vamos ver se consigo alterar seu comportamento em relação a mim”) ou me voltar para pessoas mais receptivas, em vez de pensar que todo mundo terá uma atitude de rejeição em relação a mim.

• Reformular as autoverbalizações –  Deixar de lado as crenças radicais e definitivas: “eu não presto para nada”, “inaceitável”, “fracasso total”. Por trás da aparente ingenuidade desse comportamento, é bem real o peso das palavras. E a eficácia da técnica de reformulação está amplamente em psicoterapia. Ela é por sinal um dos vetores das psicoterapias da autoestima. Em vez de pensar “Essa pessoa me detesta e me despreza, está na cara” podemos reformular pensando “Esse sujeito não é dos mais calorosos. Será que tem a ver comigo ou com ele?”. As formulações negativas e me categóricas facilitam a violenta inflamação dos pensamentos mais catastróficos de rejeição social. Basta que se manifeste uma dúvida “E se eu não for amado?” para que se transforme em certeza. Uma autoverbalização útil é aquela que não nega os fatos, mas cuida de se limitar ao que é real e não imaginário, separando claramente a observação da especulação.

• Entender que as mudanças ocorrem lentamente, como qualquer mudança na relação comigo mesmo – Treinar-se inicialmente em situações pouco “quentes” no plano emocional, ou seja, que envolvam pouco a autoestima.  E só então atacar o que é mais delicado. Aceitar as voltas periódicas do crítico interno em nossa cena mental. Não perder a calma. Mostrar-lhe calmamente a porta de saída.

O que nos impede de efetuar esse trabalho de parar a autocrítica e utilizar um discurso realista é acharmos que somos bons conhecedores de nós mesmos. E esse pensamento nos leva a aceitar incessantes recriminações do crítico interno. O “eu me conheço bem” das pessoas de baixa autoestima frequentemente é um erro. Na realidade, elas só conhecem bem uma parte de si mesmas: a parte de suas fraquezas. Suas qualidades são percebidas com mais clareza pelos que as cercam do que por elas mesmas.

A autocrítica deve ser também construtiva e não apenas crítica. É a diferença entre “Eu fui mal” (global e negativo) e “Da próxima vez vou tentar diferente” (específico e construtivo).

Para cegar a esse discurso interno, é necessário distanciamento e treinamento. Uma regra pode ser não depositar uma confiança cega em nossas intuições quando estamos em uma situação em que nossa autoestima se sinta ameaçada. Não existe pior juiz do que nós mesmos: os estudos confirmam que quando acabamos de cometer um erro (ou algo que nos pareça um erro), superestimamos sistematicamente a severidade do olhar dos outros. Lembrar-se suavemente dessa realidade, antes de enfrentar as situações que nos inquietam, parece uma boa regra. Saber também dizer a si mesmo “Cuide de si mesmo: não se deixe impressionar pelos seus medos, que são desencadeados sem razão, diante de ameaças mínimas ou inexistentes. Concentre-se nas situações, não julgue depressa demais o que acontece. Não faça mal a si mesmo”.

Fonte: Livro “Imperfeitos, Livres & Felizes” Christophe André

Faça as pazes com a Imperfeição

reflexo-tumblr-espelhos“Ainda estou por encontrar o perfeccionista absoluto cuja vida seja plena de paz interior. A busca da perfeição e o desejo da tranqüilidade interior são conflitantes.

Sempre que estamos ligados à realização de alguma coisa de um determinada maneira, melhor do que a que temos no presente, estamos, por definição, engajados numa batalha perdida. Em vez de estarmos felizes e gratos pelo que já alcançamos, nos fixamos no que esta coisa tem de errado e em nosso desejo de reparar este erro. Quando atingimos o ponto zero do erro, ficamos insatisfeitos e descontentes.

Quer tenha relação conosco – um armário desorganizado, um arranhão no carro, uma tarefa mal feita, uns quilos à mais que deveríamos perder – ou com as imperfeições dos outros – a aparência de alguém, o modo como se comporta, como vive sua vida – a própria ênfase na imperfeição impede que atinjamos nosso objetivo de simpatia e gentileza.

Esta estratégia não quer dizer que devamos parar de fazer o melhor que podemos, e sim que não devemos nos concentrar excessivamente no lado errado da vida. A estratégia apenas nos ensina que, embora haja sempre uma maneira melhor de se fazer alguma coisa, isso não deve nos impedir de apreciar a maneira como as coisas são, no momento.

A solução é se pôr de sobreaviso em relação ao hábito de insistir para que as coisas sejam diferentes do que são. Tente se lembrar, com tranqüilidade, que a vida está bem como está, agora.

Na ausência do seu julgamento perfeccionista, tudo parecerá bem. À medida que você eliminar sua obsessão pela perfeição em todas as áreas de sua vida, você começará a descobrir a perfeição na própria vida.”

Texto parte do livro “Não faça tempestade em copo d’água” (Richard Carlson)

O problema é a imagem que você vê nos olhos de sua mente.

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Esse é o trecho de um dos livros que indico pra quem tem dismorfia corporal. Livro “Meu Corpo, Meu Espelho” autora Rita Freedman. Das pessoas que já entraram em contato comigo dizendo sofrer pela dismorfia corporal e que eu vi a foto, nenhuma tinha uma fisionomia que eu considerasse feia. E é isso que está no texto do livro que precisamos entender. A imagem que vemos é resultado do que o nosso cérebro enxerga. O nosso olho é a ferramenta do nosso corpo para ver mas o nosso cérebro que recebe e lê essa informação. Se seu cérebro está com um problema (transtorno) para ler essa informação, a leitura vai sair errada. Se você sofreu bullying ou qualquer tipo de diminuição ou rejeição na sua vida pode ter causado um dano lá no seu cérebro (no seu psicológico) e fez com que mudasse a forma que você se vê. Por isso é importante o tratamento, a terapia, a leitura, a informação e a correção disso dentro de você para que você volte a se ver da forma como você realmente é.

Espelho, espelho eu, quem sou eu?

Há um tempo atrás eu postei um trechinho do capítulo 3 do livro “De mal com o espelho: o transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gamma Filho. Para ler o post clique aqui.

Porém, relendo esse capítulo, vi que tem muita coisa interessante. Então hoje vou postar mais trechos desse capítulo.

Vou começar reescrevendo o que eu já havia escrito sobre o Capítulo 3, e vou dar continuidade. O texto abaixo é da psicóloga Mônica Portella.

A Dismorfia pode ser compreendia pela psicanálise como uma ferida narcisística ou uma falha na constituição do “Eu”. Estariam tais pacientes tentando encontrar uma identidade perdida? Ou uma reparação narcisística?  A sociedade atual contemporânea está demarcada pelas imagens. E cada vez mais se destaca uma obsessão pelo corpo ideal, onde um corpo esbelto tem uma valorização e um lugar de destaque. […] Na minha escuta psicanalítica, tais pacientes teriam vivido perdas e lutos muito cedo no momento da construção do “Eu”, onde um dia alcançaram de forma mítica o estado de plenitude. É necessário para eles, reparar no corpo o que faltou intermante como representação de si mesmos. Restaurar um narcisismo ferido, do tempo da hereditariedade, da natureza, das circunstâncias da vida. A ferida narcisística é a dor que não tem palavras, representação ou simbolização.

Em minha experiência clínica, tenho observado uma demanda de pacientes bastante insatisfeitos com a sua aparência, que apresentam repetidas queixas em relação ao corpo. Esses pacientes buscam a perfeição de uma imagem ideal e de um padrão estético de beleza, determinados pela sociedade de consumo e pela mídia da cultura contemporânea. O padrão estabelecido pela cultura hoje, é a beleza e o corpo perfeito, e não o sujeito na sua subjetividade.

A necessidade de se enquadrar nesse padrão estético é a tentativa de uma reparação narcisista, localizada na auto-imagem, no externo e no corpo físico. No entanto, esse confronto significa a impossibilidade de atingir um ideal de si mesmo, uma singularidade própria. Através da obsessão pela aparência física, algumas pessoas possuem uma distorção da própria imagem corporal, causando uma dissociação, uma crise de identidade e até mesmo uma despersonalização, em casos mais graves. O sujeito se percebe como vítima de um infortúnio, imposto pelo exterior, por não ter o corpo perfeito, que a cultura moderna exige nos dias atuais.

Essa preocupação com a aparência se apresenta hoje como uma espécie de tirania. As imperfeições e defeitos, às vezes mínimos, são vividos como uma catástrofe e um desmoronamento de si próprio. O que está oculto nessa vivência é a ameaça de despersonalização da integridade corporal.

O grande “mal-estar” do sujeito hoje é a insatisfação, um sentimento de inutilidade e de vazio, uma baixa auto-estima, uma ansiedade e uma intolerância a qualquer frustração. Esse “mal-estar” leva a buscar no presente soluções imediatistas para aplacar suas angústias, sofrimentos e conflitos. Não consegue lidar com a espera do tempo, da natureza e da vida do dia-a-dia.O sujeito da cultura contemporânea está perdido e imerso na ilusão. Necessita descobrir um modo de existência e para isso, seria necessário viver sua experiências, construí-las e buscar uma singularidade própria.

Pessoal, esse livro só é encontrado para comprar usado pois as livrarias não vendem mais. Um site que as vezes você encontra para comprar é na Estante Virtual. Segue link para saber se há este livro disponível para a venda: http://www.estantevirtual.com.br/q/de-mal-com-o-espelho. Na data deste post, há 4 disponíveis. Mas amanhã já pode não ter mais pois alguém pode ter comprado. Se você tem interesse em comprar o livro, é interessante sempre ficar de olho para ver quando surge um para comprar.

Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno Obsessivo Compulsivo

Parte do livro “De mal com o espelho – O transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gama Filho.

Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno Obsessivo Compulsivo

A pessoa com TDC tem pensamentos obsessivos a respeito de seus falsos defeitos. São idéias de natureza obsessiva. Pode haver também um comportamento compulsivo com rituais, como olhar-se no espelho constantemente ou ficar verificando partes do corpo que são indesejáveis para a pessoa, e tais compulsões podem consumir horas do dia. O TDC tem características muito semelhantes ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e muitos autores colocam o TDC dentro do transtorno do espectro obsessivo compulsivo.

O TOC é caracterizado por obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes intrusivas e desagradáveis. As compulsões são comportamentos ou atos mentais (compulsões mentais) repetitivas que o indivíduo se sente obrigado a realizar voluntariamente para diminuir a ansiedade ou prevenir algum evento determinado como, por exemplo, uma doença, alguma desgraça ou a morte de si mesmo ou de alguém próximo. Quem tem TOC pode ter prejuízo da crítica em relação às obsessões. Por vezes, o indivíduo tem noção do quanto é ridículo aquele pensamento, mas não consegue tirá-lo da mente e sente-se obrigado a realizar a compulsão para aliviar-se.

No TDC, o prejuízo da crítica é maior. A ideia obsessiva a respeito de seu corpo é supervalorizada. Existe enorme credibilidade por parte da pessoa, mesmo frente a fatos concretos que vão contra suas falsas convicções. Quem tem TDC e TOC pode ter outras obsessões além dos pensamentos a respeito de seu corpo. Podem ocorrer obsessões a respeito de religião, sexo, agressividade, simetria, contaminação, doenças e compulsões para aliviar ou acabar com a obsessão.

As compulsões consomem muito tempo dessas pessoas e, por vezes, horas. Chegam atrasadas a compromissos, levando a um prejuízo escolar, profissional, social e nas relações afetivas. As compulsões tiram a concentração de tarefas importantes, como assistir a aula e executar uma atividade profissional. Simplesmente ler um livro ou ter algum lazer pode ser uma tarefa árdua e de grande sofrimento. Muitas vezes, as pessoas com esse transtorno não buscam ajuda durante anos, escondem de seus familiares, tem medo de enlouquecer e se sentem escravos de suas mentes, com idéias que elas mesmas acham ridículas. O TOC gera sofrimento e perdas. Por vezes, a pessoa abandona a escola, o trabalho e perde relacionamentos.

(Para ler outras partes do livro clique aquiaquiCapítulo 4Capítulo 4 ítem 3. )

Livro – O Que a Cirurgia Plástica Pode Fazer por Você

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Esta obra elaborada pelo dr. Rodrigo Mangaravite, que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, reflete sua preocupação em informar de maneira bem clara e elucidativa detalhes que devem ser bem conhecidos pelas pessoas que pretendem se submeter a uma cirurgia plástica – detalhes esses fundamentais na sua decisão.

É evidente que a procura de um profissional especialista, qualificado e referendado é o ponto de partida. Durante a consulta as pacientes devem tirar todas as dúvidas e obter todas as informações possíveis para decidirem de forma segura, qual o procedimento cirúrgico mais apropriado, com as medidas e os cuidados que devem ser adotados no pré e pós-operatório.

Verifica-se que a grande maioria das pacientes que nos procura trazem consigo inúmeras informações e dúvidas com respeito às cirurgias que pretendem realizar, o que significa do ponto de vista prático, que a consulta tem um resultado extremamente positivo.

Não há motivos para esconder ou camuflar as implicações de um ato cirúrgico, principalmente falando-se de cirurgia plástica, que envolve inúmeros detalhes e a satisfação do resultado pode estar atrelada a critérios puramente subjetivos. Portanto, torna-se fundamental informar a paciente sobre o resultado que poderá ser alcançado com a cirurgia, trazendo a expectativa da mesma ao plano real.

A forma como estão divididos os capítulos de maneira didática e a elaboração de um texto de leitura agradável e facilmente compreensível, torna esta obra uma excelente opção para aquisição de amplos conhecimentos que poderão ser extremamente úteis, no momento da consulta e na decisão de realizar um sonho com a cirurgia plástica.

Torna-se patente o dever de informar as nossas pacientes de forma objetiva e transparente, o que representa a realização de uma cirurgia plástica, dever de qualquer cirurgião plástico competente e consciente – e o dr. Rodrigo Mangaravite conseguiu, de forma concisa, porém completa, e clara, transmitir nesta obra, conhecimentos e princípios fundamentais para uma decisão consciente e segura.

Boa leitura e sucesso na sua cirurgia!

Fonte: Rodrigo Mangaravite

Livro: De bem com você

Como vocês sabem, gosto muito de livros. E dando uma olhada em uns livros, sem muita pretensão, achei o livro abaixo e comprei.

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Você já se sentiu a pior das criaturas, a mais inútil, incompetente, fraca e sem graça? Se isso acontece só de vez em quando, pode ser que você tenha se deixado levar por uma circunstância difícil, um problema ou até pela TPM. Mas se você se olha no espelho e não consegue enxergar nada de bom, há algo errado que precisa mudar urgentemente.

Acreditar que você é desprovida de virtudes é uma grande mentira que você conta para si própria. Claro que você não é perfeita, mas isso não significa que não tenha qualidades, muitas qualidades! Ninguém é feito só de defeitos e isso vale para você. É uma questão de reprogramar seu olhar sobre si mesma, assumindo uma perspectiva diferente: a perspectiva de Deus.

Sharon Jaynes vai levá-la por uma bela e prazerosa jornada de autoconhecimento, com base no amor de Deus por você. Troque suas mentiras pelas verdades divinas e redescubra-se.

O texto da orelha do livro já valeu ter comprado:

Dizem que se você repetir uma mentira um milhão de vezes ela se torna uma verdade. Pois é algo parecido que acontece com os maus pensamentos que temos a nosso respeito. Passamos tantos anos repetindo algo, que acabamos por acreditar que aquilo é verdade, quando não passa de mentira. Mas, acredite, você é digna, capaz de muitas coisas, tem valor e pode ser feliz.

Você se identificou? Eu me identifiquei. Quantas vezes repetimos que somos feias (ou feios), e de tanto repetir isso, vira a nossa verdade que ninguém mais tira de nós. Mas como a autora fala, não passa de uma mentira. É uma ideia distorcida que você (e eu) tem e não consegue consertar. Folheando o livro achei outra frase muito legal, que tem tudo a ver com a imagem distorcida que temos sobre a nossa aparência.

Talvez você esteja fugindo do inimigo há muito tempo. Ele late, mas não morde. É um leão covarde. Siga em frente.

É um livro que fala de Deus: “Acredite em deus e não nas mentiras que você conta a si mesma”. Gosto de livros que falam de Deus (Deus no geral, sem vínculo a qualquer religião). O livro se baseia em algumas passagens da Bíblia e fala sobre Satanás, e eu como Kardecista e Umbandista (e Católica) não me identifico muito com essa linha de pensamento a respeito de Deus. Enfim, vou ler pra saber como é. O que me interessa no livro é o que vai falar sobre a nossa aparência (e assuntos relacionados). Acho que vão ter partes interessantes e conforme isso for acontecendo vou compartilhando aqui com vocês.

Pensar positivamente produz melhor aparência e melhor disposição de ânimo

Como vivemos tão preocupados com os espelhos, perdemos a noção de nossas muitas outras virtudes. Cometemos o erro de comparar quem somos com quem parecemos ser. Mas, afinal, uma sensação duradoura de atração pessoal não pode ser baseada somente na aparência. Não provém diretamente da beleza ou mesmo das boas ações, mas de bons pensamentos – pensamentos racionais, realistas e gratificantes.

Neste segmento, vou mostrar-lhe como você pode se sentir melhor em relação ao próprio corpo, pensando nele de maneira positiva. Se você fica frequentemente constrangido ou deprimido por sua aparência, estes sentimentos podem provir de pensamentos equivocados sobre a imagem física. Seus sentimentos são reais, mas não são baseados na verdade absoluta sobre sua aparência. Também não são a única maneira de sentir.

Uma premissa básica da terapia cognitiva é que seus pensamentos influenciam sua maneira de sentir. Os sentimentos não flutuam no ar rarefeito. Estão ancorados nos processos cognitivos (que é apensar outro nome para os pensamentos). Lynn diz que às vezes sente-se pior ao se olhar no espelho. Entretanto, não é o ato de olhar, mas o ato de pensar, que cria seus sentimentos negativos.

Erros cognitivos

Provavelmente, você sabe que duas pessoas podem interpretar um acontecimento similar de forma absolutamente diferente. E as explicações de uma podem ser mais exatas ou mais esclarecedoras que as da outra. As interpretações equivocadas das experiências são denominadas erros cognitivos. São erros, porque são ilógicos, não-comprovados, exagerados ou apenas simplesmente errados. Se um erro cognitivo vira hábito, você pode persistir nele até quando está diante de uma evidência em contrário.

Os erros cognitivos podem ter um grande impacto sobre a imagem física. Lembre-se, por exemplo, de que, no capítulo anterior. Susan acreditava-se indigna de ser amada, a menos que tivesse uma aparência perfeita. Suas conclusões equivocadas não se baseavam em fatos, mas a aterrorizavam e deprimiam. Do mesmo modo, o constrangimento de Lynn tinha sua origem no erro cognitivo de pensar que as pessoas estão extremamente preocupadas com a aparência dela quando na realidade não estão. Cometemos erros cognitivos o tempo todo. Eis uma relação dos tipos comuns de erros que podem conduzir muitas pessoas a problemas de imagem física.

Pensar de maneira radical. Classificar as coisas em categorias radicais, julgando-as muito boas ou muito ruins. Se você não se coloca na categoria muito boa, automaticamente se rotula como um total fracasso.

Exemplo: “Jamais serei tão bonito(a) como meu amigo(a)”

Rejeitar pensamentos positivos. Ignorar ou rejeitar a evidência de que você está realmente bem. Portanto, pode continuar acreditando que não está bem e jamais estará.

Exemplo: “Me falaram que eu estou bonito(a). Mas só estavam sendo gentil”

Pensar em “possibilidades”. Fazer exigências irrazoáveis sobre si mesma e sobre os outros. Estas “possibilidades” só conduzem a sentimentos de culpa, raiva e frustração.

Exemplo: “As pessoas deveriam sempre ter a melhor aparência possível”.

Personalizar. Assumir tudo pessoalmente e se sentir responsável por coisas que na verdade estão além do seu controle. Personalizar faz com que você sempre se compare com os outros.

Exemplo: “Eles estão conversando sobre dietas porque acham que estou muito gorda” ou “Se ela pode ter esse visual maravilhoso, por que eu também não posso?”

Tirar conclusões precipitadas. Usar um pequeno fato como prova absoluta de uma questão maior. Por isso, você não tem de pensar nos outros aspectos da questão.

Exemplo: “Se eu não fosse tão feio(a), certamente teria conseguido o emprego” ou “Ele quer terminar o namoro porque sou feia”.

Pensar emocionalmente. Usar seus sentimentos para explicar o que ocorre no mundo exterior. Você supõe que suas emoções sejam um reflexo exato do que realmente está acontecedo.

Exemplo: “Hoje estou com péssima aparência, por isso todos vão me achar horrível”

Exagerar. Aumentar a importância de algo. Isso faz com que você justifique uma reação emocional desproporcional diante de um acontecimento sem importância.

Exemplo: “Estou totalmente deprimida porque meu cabelo está horrível” ou “Eu quis morrer quando ele me viu de maquiagem”.
Trecho do livro: Meu Corpo… Meu Espelho – Rita Freedman Ph.D

Para ler outras partes do livro clique aqui e aqui.

Casos Clínicos

Os dois casos clínicos abaixo foram retirados do livro “De Mal com o Espelho – O transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gama Filho. O texto é do capítulo 6 “A cirurgia plástica e o transtorno dismórfico corporal”.

Casos Clínicos

Caso 1

Srta B, 32 anos, solteira, profissional liberal, nulípara, comportamento muito amigável, extrovertida. Paciente com história de obesidade prévia e perda ponderal de 40 quilos com auxílio de endocrinologista, nutricionista e exercícios físicos. Queixava-se de flacidez de pele nas mamas e abdômen, fato que limitava suas atividades de fazer e divertimento, pois “sentia vergonha” de usar biquíni na praia. O exame físico mostrava ptose mamária grave e dermolipodistrofia abdominal importante. Referia antecedente de consultas psiquiátricas e havia feito uso de antidepressivo no passado para tratamento de “ansiedade”. Não apresentou contra-indicações clínicas e foi submetida à mastopexia e dermolipectomia abdominal. Ficou muito feliz com a cirurgia num primeiro momento, mas exigia atenção da equipe 24 horas por dia.

Na segunda semana de pós-operatório, começou a queixar-se de que os remédios a fizeram engordar e que estava inchada. Nas consultas subsequentes, após ter reafirmação da equipe (e da balança) de que não apresentou ganho ponderal, inovou com queixas de enormes acúmulos de gordura e pele flácida na região lombar e solicitou, enfaticamente, uma cirurgia de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica para torsoplastia, a paciente imediatamente reclamou que suas pálpebras e a ponta de seu nariz estavam “caídas”. Foi encaminhada para avaliação psiquiatra e reagiu com descaso. Retornou uma últma vez para solicitar cirurgias, disse que havia iniciado o uso de fluoxetina após a consulta com o psiquiatra e que recebeu o diagnóstico de “ansiedade”.

Nesse primeiro caso, apesar de não preencher completamente os critérios diagnósticos para TDC, a paciente apresenta uma preocupação não-saudável com a aparência corporal e, mesmo satisfeita com a resolução do problema que a afligia, logo modificou a localização do defeito, apresentando sofrimento semelhante ao do início do tratamento, tornando-se adicta à Cirurgia Plástica.

Caso 2

Sta. A, 28 anos, solteira, bastante tímida, com queixa de mamas muito grandes, causadoras de intenso incômodo. Ao exame físico, a paciente apresentava hipermastia importante, sem outras patologias mamárias ou clínicas. Não usava nenhuma medicação e não apresentava nenhum antecedente psiquiátrico. Foi submetida à mamoplastia redutora com retirada de cerca de 900g de cada mama, reduzindo consideravelmente o seu volume. Na primeira consulta do pós-operatório, a paciente queixou-se de que suas mamas continuavam tão grande quanto antes da cirurgia. Foram mostradas à paciente fotos realizadas no período pré-operatório, relatado o peso dos tecidos retirados e explicado que havia edema proveniente do recente procedimento cirúrgico, sendo que tal inchaço iria perdurar por algumas semanas.

Na consulta do primeiro mês de pós-operatório, a paciente apresentou crise de choro intenso dizendo que suas mamas estavam gigantes e, por tal fato, exigia que fosse submetida à nova intervenção para regirada de toda a mama. Diante do quadro, a paciente foi encaminhada para uma avaliação psiquiátrica e orientada quanto à necessidade de manter o acompanhamento pós-operatório com a cirurgia plástica. Aparentemente, a paciente pareceu aceitar. No entanto, não retornou às consultas programadas e não foi possível encontrá-la nos telefones de contato.

Esse segundo caso clínico revela um quadro muito sugestivo de TDC-não diagnosticado no período pré-operatório devido ao nexo causal da queixa com o exame físico, motivo de grande sofrimento para a paciente, certamente agravando seus sintomas  No pos-operatório, período em que o quadro tornou-se gritante, foi possível constatar que os critérios diagnósticos estavam presentes antes da cirurgia. A paciente apresentava timidez crescente, impossibilitando sua vida social e afetiva de modo progressivo, fato esse que, na época, seus familiares atribuíram ao temperamento quieto somado ao seu “complexo do tamanho das mamas”. Infelizmente, no caso em tela, a percepção dos sinais de alerta foi tardia.

Para ler outras partes do livro clique aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.