Espelho, espelho eu, quem sou eu?

Há um tempo atrás eu postei um trechinho do capítulo 3 do livro “De mal com o espelho: o transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gamma Filho. Para ler o post clique aqui.

Porém, relendo esse capítulo, vi que tem muita coisa interessante. Então hoje vou postar mais trechos desse capítulo.

Vou começar reescrevendo o que eu já havia escrito sobre o Capítulo 3, e vou dar continuidade. O texto abaixo é da psicóloga Mônica Portella.

A Dismorfia pode ser compreendia pela psicanálise como uma ferida narcisística ou uma falha na constituição do “Eu”. Estariam tais pacientes tentando encontrar uma identidade perdida? Ou uma reparação narcisística?  A sociedade atual contemporânea está demarcada pelas imagens. E cada vez mais se destaca uma obsessão pelo corpo ideal, onde um corpo esbelto tem uma valorização e um lugar de destaque. […] Na minha escuta psicanalítica, tais pacientes teriam vivido perdas e lutos muito cedo no momento da construção do “Eu”, onde um dia alcançaram de forma mítica o estado de plenitude. É necessário para eles, reparar no corpo o que faltou intermante como representação de si mesmos. Restaurar um narcisismo ferido, do tempo da hereditariedade, da natureza, das circunstâncias da vida. A ferida narcisística é a dor que não tem palavras, representação ou simbolização.

Em minha experiência clínica, tenho observado uma demanda de pacientes bastante insatisfeitos com a sua aparência, que apresentam repetidas queixas em relação ao corpo. Esses pacientes buscam a perfeição de uma imagem ideal e de um padrão estético de beleza, determinados pela sociedade de consumo e pela mídia da cultura contemporânea. O padrão estabelecido pela cultura hoje, é a beleza e o corpo perfeito, e não o sujeito na sua subjetividade.

A necessidade de se enquadrar nesse padrão estético é a tentativa de uma reparação narcisista, localizada na auto-imagem, no externo e no corpo físico. No entanto, esse confronto significa a impossibilidade de atingir um ideal de si mesmo, uma singularidade própria. Através da obsessão pela aparência física, algumas pessoas possuem uma distorção da própria imagem corporal, causando uma dissociação, uma crise de identidade e até mesmo uma despersonalização, em casos mais graves. O sujeito se percebe como vítima de um infortúnio, imposto pelo exterior, por não ter o corpo perfeito, que a cultura moderna exige nos dias atuais.

Essa preocupação com a aparência se apresenta hoje como uma espécie de tirania. As imperfeições e defeitos, às vezes mínimos, são vividos como uma catástrofe e um desmoronamento de si próprio. O que está oculto nessa vivência é a ameaça de despersonalização da integridade corporal.

O grande “mal-estar” do sujeito hoje é a insatisfação, um sentimento de inutilidade e de vazio, uma baixa auto-estima, uma ansiedade e uma intolerância a qualquer frustração. Esse “mal-estar” leva a buscar no presente soluções imediatistas para aplacar suas angústias, sofrimentos e conflitos. Não consegue lidar com a espera do tempo, da natureza e da vida do dia-a-dia.O sujeito da cultura contemporânea está perdido e imerso na ilusão. Necessita descobrir um modo de existência e para isso, seria necessário viver sua experiências, construí-las e buscar uma singularidade própria.

Pessoal, esse livro só é encontrado para comprar usado pois as livrarias não vendem mais. Um site que as vezes você encontra para comprar é na Estante Virtual. Segue link para saber se há este livro disponível para a venda: http://www.estantevirtual.com.br/q/de-mal-com-o-espelho. Na data deste post, há 4 disponíveis. Mas amanhã já pode não ter mais pois alguém pode ter comprado. Se você tem interesse em comprar o livro, é interessante sempre ficar de olho para ver quando surge um para comprar.

Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno Obsessivo Compulsivo

Parte do livro “De mal com o espelho – O transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gama Filho.

Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno Obsessivo Compulsivo

A pessoa com TDC tem pensamentos obsessivos a respeito de seus falsos defeitos. São idéias de natureza obsessiva. Pode haver também um comportamento compulsivo com rituais, como olhar-se no espelho constantemente ou ficar verificando partes do corpo que são indesejáveis para a pessoa, e tais compulsões podem consumir horas do dia. O TDC tem características muito semelhantes ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e muitos autores colocam o TDC dentro do transtorno do espectro obsessivo compulsivo.

O TOC é caracterizado por obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes intrusivas e desagradáveis. As compulsões são comportamentos ou atos mentais (compulsões mentais) repetitivas que o indivíduo se sente obrigado a realizar voluntariamente para diminuir a ansiedade ou prevenir algum evento determinado como, por exemplo, uma doença, alguma desgraça ou a morte de si mesmo ou de alguém próximo. Quem tem TOC pode ter prejuízo da crítica em relação às obsessões. Por vezes, o indivíduo tem noção do quanto é ridículo aquele pensamento, mas não consegue tirá-lo da mente e sente-se obrigado a realizar a compulsão para aliviar-se.

No TDC, o prejuízo da crítica é maior. A ideia obsessiva a respeito de seu corpo é supervalorizada. Existe enorme credibilidade por parte da pessoa, mesmo frente a fatos concretos que vão contra suas falsas convicções. Quem tem TDC e TOC pode ter outras obsessões além dos pensamentos a respeito de seu corpo. Podem ocorrer obsessões a respeito de religião, sexo, agressividade, simetria, contaminação, doenças e compulsões para aliviar ou acabar com a obsessão.

As compulsões consomem muito tempo dessas pessoas e, por vezes, horas. Chegam atrasadas a compromissos, levando a um prejuízo escolar, profissional, social e nas relações afetivas. As compulsões tiram a concentração de tarefas importantes, como assistir a aula e executar uma atividade profissional. Simplesmente ler um livro ou ter algum lazer pode ser uma tarefa árdua e de grande sofrimento. Muitas vezes, as pessoas com esse transtorno não buscam ajuda durante anos, escondem de seus familiares, tem medo de enlouquecer e se sentem escravos de suas mentes, com idéias que elas mesmas acham ridículas. O TOC gera sofrimento e perdas. Por vezes, a pessoa abandona a escola, o trabalho e perde relacionamentos.

(Para ler outras partes do livro clique aquiaquiCapítulo 4Capítulo 4 ítem 3. )

Livro – O Que a Cirurgia Plástica Pode Fazer por Você

livro o que a cirurgia plastica pode fazer por voce

Esta obra elaborada pelo dr. Rodrigo Mangaravite, que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, reflete sua preocupação em informar de maneira bem clara e elucidativa detalhes que devem ser bem conhecidos pelas pessoas que pretendem se submeter a uma cirurgia plástica – detalhes esses fundamentais na sua decisão.

É evidente que a procura de um profissional especialista, qualificado e referendado é o ponto de partida. Durante a consulta as pacientes devem tirar todas as dúvidas e obter todas as informações possíveis para decidirem de forma segura, qual o procedimento cirúrgico mais apropriado, com as medidas e os cuidados que devem ser adotados no pré e pós-operatório.

Verifica-se que a grande maioria das pacientes que nos procura trazem consigo inúmeras informações e dúvidas com respeito às cirurgias que pretendem realizar, o que significa do ponto de vista prático, que a consulta tem um resultado extremamente positivo.

Não há motivos para esconder ou camuflar as implicações de um ato cirúrgico, principalmente falando-se de cirurgia plástica, que envolve inúmeros detalhes e a satisfação do resultado pode estar atrelada a critérios puramente subjetivos. Portanto, torna-se fundamental informar a paciente sobre o resultado que poderá ser alcançado com a cirurgia, trazendo a expectativa da mesma ao plano real.

A forma como estão divididos os capítulos de maneira didática e a elaboração de um texto de leitura agradável e facilmente compreensível, torna esta obra uma excelente opção para aquisição de amplos conhecimentos que poderão ser extremamente úteis, no momento da consulta e na decisão de realizar um sonho com a cirurgia plástica.

Torna-se patente o dever de informar as nossas pacientes de forma objetiva e transparente, o que representa a realização de uma cirurgia plástica, dever de qualquer cirurgião plástico competente e consciente – e o dr. Rodrigo Mangaravite conseguiu, de forma concisa, porém completa, e clara, transmitir nesta obra, conhecimentos e princípios fundamentais para uma decisão consciente e segura.

Boa leitura e sucesso na sua cirurgia!

Fonte: Rodrigo Mangaravite

Livro: De bem com você

Como vocês sabem, gosto muito de livros. E dando uma olhada em uns livros, sem muita pretensão, achei o livro abaixo e comprei.

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Você já se sentiu a pior das criaturas, a mais inútil, incompetente, fraca e sem graça? Se isso acontece só de vez em quando, pode ser que você tenha se deixado levar por uma circunstância difícil, um problema ou até pela TPM. Mas se você se olha no espelho e não consegue enxergar nada de bom, há algo errado que precisa mudar urgentemente.

Acreditar que você é desprovida de virtudes é uma grande mentira que você conta para si própria. Claro que você não é perfeita, mas isso não significa que não tenha qualidades, muitas qualidades! Ninguém é feito só de defeitos e isso vale para você. É uma questão de reprogramar seu olhar sobre si mesma, assumindo uma perspectiva diferente: a perspectiva de Deus.

Sharon Jaynes vai levá-la por uma bela e prazerosa jornada de autoconhecimento, com base no amor de Deus por você. Troque suas mentiras pelas verdades divinas e redescubra-se.

O texto da orelha do livro já valeu ter comprado:

Dizem que se você repetir uma mentira um milhão de vezes ela se torna uma verdade. Pois é algo parecido que acontece com os maus pensamentos que temos a nosso respeito. Passamos tantos anos repetindo algo, que acabamos por acreditar que aquilo é verdade, quando não passa de mentira. Mas, acredite, você é digna, capaz de muitas coisas, tem valor e pode ser feliz.

Você se identificou? Eu me identifiquei. Quantas vezes repetimos que somos feias (ou feios), e de tanto repetir isso, vira a nossa verdade que ninguém mais tira de nós. Mas como a autora fala, não passa de uma mentira. É uma ideia distorcida que você (e eu) tem e não consegue consertar. Folheando o livro achei outra frase muito legal, que tem tudo a ver com a imagem distorcida que temos sobre a nossa aparência.

Talvez você esteja fugindo do inimigo há muito tempo. Ele late, mas não morde. É um leão covarde. Siga em frente.

É um livro que fala de Deus: “Acredite em deus e não nas mentiras que você conta a si mesma”. Gosto de livros que falam de Deus (Deus no geral, sem vínculo a qualquer religião). O livro se baseia em algumas passagens da Bíblia e fala sobre Satanás, e eu como Kardecista e Umbandista (e Católica) não me identifico muito com essa linha de pensamento a respeito de Deus. Enfim, vou ler pra saber como é. O que me interessa no livro é o que vai falar sobre a nossa aparência (e assuntos relacionados). Acho que vão ter partes interessantes e conforme isso for acontecendo vou compartilhando aqui com vocês.

Pensar positivamente produz melhor aparência e melhor disposição de ânimo

Como vivemos tão preocupados com os espelhos, perdemos a noção de nossas muitas outras virtudes. Cometemos o erro de comparar quem somos com quem parecemos ser. Mas, afinal, uma sensação duradoura de atração pessoal não pode ser baseada somente na aparência. Não provém diretamente da beleza ou mesmo das boas ações, mas de bons pensamentos – pensamentos racionais, realistas e gratificantes.

Neste segmento, vou mostrar-lhe como você pode se sentir melhor em relação ao próprio corpo, pensando nele de maneira positiva. Se você fica frequentemente constrangido ou deprimido por sua aparência, estes sentimentos podem provir de pensamentos equivocados sobre a imagem física. Seus sentimentos são reais, mas não são baseados na verdade absoluta sobre sua aparência. Também não são a única maneira de sentir.

Uma premissa básica da terapia cognitiva é que seus pensamentos influenciam sua maneira de sentir. Os sentimentos não flutuam no ar rarefeito. Estão ancorados nos processos cognitivos (que é apensar outro nome para os pensamentos). Lynn diz que às vezes sente-se pior ao se olhar no espelho. Entretanto, não é o ato de olhar, mas o ato de pensar, que cria seus sentimentos negativos.

Erros cognitivos

Provavelmente, você sabe que duas pessoas podem interpretar um acontecimento similar de forma absolutamente diferente. E as explicações de uma podem ser mais exatas ou mais esclarecedoras que as da outra. As interpretações equivocadas das experiências são denominadas erros cognitivos. São erros, porque são ilógicos, não-comprovados, exagerados ou apenas simplesmente errados. Se um erro cognitivo vira hábito, você pode persistir nele até quando está diante de uma evidência em contrário.

Os erros cognitivos podem ter um grande impacto sobre a imagem física. Lembre-se, por exemplo, de que, no capítulo anterior. Susan acreditava-se indigna de ser amada, a menos que tivesse uma aparência perfeita. Suas conclusões equivocadas não se baseavam em fatos, mas a aterrorizavam e deprimiam. Do mesmo modo, o constrangimento de Lynn tinha sua origem no erro cognitivo de pensar que as pessoas estão extremamente preocupadas com a aparência dela quando na realidade não estão. Cometemos erros cognitivos o tempo todo. Eis uma relação dos tipos comuns de erros que podem conduzir muitas pessoas a problemas de imagem física.

Pensar de maneira radical. Classificar as coisas em categorias radicais, julgando-as muito boas ou muito ruins. Se você não se coloca na categoria muito boa, automaticamente se rotula como um total fracasso.

Exemplo: “Jamais serei tão bonito(a) como meu amigo(a)”

Rejeitar pensamentos positivos. Ignorar ou rejeitar a evidência de que você está realmente bem. Portanto, pode continuar acreditando que não está bem e jamais estará.

Exemplo: “Me falaram que eu estou bonito(a). Mas só estavam sendo gentil”

Pensar em “possibilidades”. Fazer exigências irrazoáveis sobre si mesma e sobre os outros. Estas “possibilidades” só conduzem a sentimentos de culpa, raiva e frustração.

Exemplo: “As pessoas deveriam sempre ter a melhor aparência possível”.

Personalizar. Assumir tudo pessoalmente e se sentir responsável por coisas que na verdade estão além do seu controle. Personalizar faz com que você sempre se compare com os outros.

Exemplo: “Eles estão conversando sobre dietas porque acham que estou muito gorda” ou “Se ela pode ter esse visual maravilhoso, por que eu também não posso?”

Tirar conclusões precipitadas. Usar um pequeno fato como prova absoluta de uma questão maior. Por isso, você não tem de pensar nos outros aspectos da questão.

Exemplo: “Se eu não fosse tão feio(a), certamente teria conseguido o emprego” ou “Ele quer terminar o namoro porque sou feia”.

Pensar emocionalmente. Usar seus sentimentos para explicar o que ocorre no mundo exterior. Você supõe que suas emoções sejam um reflexo exato do que realmente está acontecedo.

Exemplo: “Hoje estou com péssima aparência, por isso todos vão me achar horrível”

Exagerar. Aumentar a importância de algo. Isso faz com que você justifique uma reação emocional desproporcional diante de um acontecimento sem importância.

Exemplo: “Estou totalmente deprimida porque meu cabelo está horrível” ou “Eu quis morrer quando ele me viu de maquiagem”.
Trecho do livro: Meu Corpo… Meu Espelho – Rita Freedman Ph.D

Para ler outras partes do livro clique aqui e aqui.

Casos Clínicos

Os dois casos clínicos abaixo foram retirados do livro “De Mal com o Espelho – O transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gama Filho. O texto é do capítulo 6 “A cirurgia plástica e o transtorno dismórfico corporal”.

Casos Clínicos

Caso 1

Srta B, 32 anos, solteira, profissional liberal, nulípara, comportamento muito amigável, extrovertida. Paciente com história de obesidade prévia e perda ponderal de 40 quilos com auxílio de endocrinologista, nutricionista e exercícios físicos. Queixava-se de flacidez de pele nas mamas e abdômen, fato que limitava suas atividades de fazer e divertimento, pois “sentia vergonha” de usar biquíni na praia. O exame físico mostrava ptose mamária grave e dermolipodistrofia abdominal importante. Referia antecedente de consultas psiquiátricas e havia feito uso de antidepressivo no passado para tratamento de “ansiedade”. Não apresentou contra-indicações clínicas e foi submetida à mastopexia e dermolipectomia abdominal. Ficou muito feliz com a cirurgia num primeiro momento, mas exigia atenção da equipe 24 horas por dia.

Na segunda semana de pós-operatório, começou a queixar-se de que os remédios a fizeram engordar e que estava inchada. Nas consultas subsequentes, após ter reafirmação da equipe (e da balança) de que não apresentou ganho ponderal, inovou com queixas de enormes acúmulos de gordura e pele flácida na região lombar e solicitou, enfaticamente, uma cirurgia de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica para torsoplastia, a paciente imediatamente reclamou que suas pálpebras e a ponta de seu nariz estavam “caídas”. Foi encaminhada para avaliação psiquiatra e reagiu com descaso. Retornou uma últma vez para solicitar cirurgias, disse que havia iniciado o uso de fluoxetina após a consulta com o psiquiatra e que recebeu o diagnóstico de “ansiedade”.

Nesse primeiro caso, apesar de não preencher completamente os critérios diagnósticos para TDC, a paciente apresenta uma preocupação não-saudável com a aparência corporal e, mesmo satisfeita com a resolução do problema que a afligia, logo modificou a localização do defeito, apresentando sofrimento semelhante ao do início do tratamento, tornando-se adicta à Cirurgia Plástica.

Caso 2

Sta. A, 28 anos, solteira, bastante tímida, com queixa de mamas muito grandes, causadoras de intenso incômodo. Ao exame físico, a paciente apresentava hipermastia importante, sem outras patologias mamárias ou clínicas. Não usava nenhuma medicação e não apresentava nenhum antecedente psiquiátrico. Foi submetida à mamoplastia redutora com retirada de cerca de 900g de cada mama, reduzindo consideravelmente o seu volume. Na primeira consulta do pós-operatório, a paciente queixou-se de que suas mamas continuavam tão grande quanto antes da cirurgia. Foram mostradas à paciente fotos realizadas no período pré-operatório, relatado o peso dos tecidos retirados e explicado que havia edema proveniente do recente procedimento cirúrgico, sendo que tal inchaço iria perdurar por algumas semanas.

Na consulta do primeiro mês de pós-operatório, a paciente apresentou crise de choro intenso dizendo que suas mamas estavam gigantes e, por tal fato, exigia que fosse submetida à nova intervenção para regirada de toda a mama. Diante do quadro, a paciente foi encaminhada para uma avaliação psiquiátrica e orientada quanto à necessidade de manter o acompanhamento pós-operatório com a cirurgia plástica. Aparentemente, a paciente pareceu aceitar. No entanto, não retornou às consultas programadas e não foi possível encontrá-la nos telefones de contato.

Esse segundo caso clínico revela um quadro muito sugestivo de TDC-não diagnosticado no período pré-operatório devido ao nexo causal da queixa com o exame físico, motivo de grande sofrimento para a paciente, certamente agravando seus sintomas  No pos-operatório, período em que o quadro tornou-se gritante, foi possível constatar que os critérios diagnósticos estavam presentes antes da cirurgia. A paciente apresentava timidez crescente, impossibilitando sua vida social e afetiva de modo progressivo, fato esse que, na época, seus familiares atribuíram ao temperamento quieto somado ao seu “complexo do tamanho das mamas”. Infelizmente, no caso em tela, a percepção dos sinais de alerta foi tardia.

Para ler outras partes do livro clique aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.

Quando alguém pensa demais em si mesmo, é que está pensando mal

Pessoal,

Dois livros sobre auto imagem que eu gosto muito são “Imperfeitos, Livres e Felizes” de Christophe André e “Meu Corpo… Meu Espelho” de Rita Freedman Ph.D. Clique sobre o nome do livro para saber mais sobre eles.

Vou começar a postar partes interessantes dos dois aqui. Os dois primeiros parágrafos desse post é do livro “Imperfeitos, Livres e Felizes” e os seguintes são do “Meu corpo… Meu espelho”

Quando alguém pensa demais em si mesmo, é que está pensando mal

Talvez estejamos mesmo preocupados demais com nossos pequenos seres. Mas talvez não estejamos sabendo lidar com nossa relação com nós mesmos. Isso pode acontecer porque nos deixamos levar com excessiva facilidade por valores artificiais: desempenho, abundância, aparência. Três flagelos, tanto de nossas sociedades quanto de nossa mente. Desempenho: é perfeitamente normal querer fazer tudo bem, mas é prejudicial enxergar “desafios” por todo lado, querer ser um “vencedor”,  a ponto de adoecer. Abundância: é perfeitamente normal querer uma casa, roupas, alimentos. Mas não é normal comprar freneticamente (ou sonhar em comprar) tudo que se vê. Aparência: é perfeitamente normal se sentir feliz, com o próprio corpo e cuidar dele. Mas não é normal estremecer à menor ruga ou ao primeiro cabelo branco.

Não temos a opção de não pensar em nós, diante de uma sociedade em que a imagem se tornou tão importante. E o resultado é: o ego está inflado, sempre presente. Não é por acaso que os distúrbios alimentares, como bulimia, anorexia e dismorfia corporal estão tão estreitamente ligados aos problemas da auto-estima. Acreditamos que crescemos e nos fortalecemos ignorando e maltratando a nós mesmos. Sofrimentos inúteis, que só servem para nos ensinar a sofrer ainda mais e a nos punir. A propósito dos sofrimentos da auto-estima, um ego onipresente é um ego que vai mal. A solução não é pensar menos em si, mas pensar de outra forma. Até porque não há escolha: temos uma necessidade vital de nos estimarmos. Só que não da forma que fazemos atualmente. Ora nos amamos, ora nos detestamos. E então, o que é isso? É a auto-estima.

Há uma diferença entre a busca descontraída da beleza e a perseguição desesperada onde você sempre termina do lado perdedor. Um visual atraente é parte do jogo da vida. Para algumas pessoas, o corpo tornou-se um campo de batalha. Parecem vítimas sitiadas e, realmente, são. A aversão ao corpo fere tanto a mente quanto o corpo. A mudança pode não ser fácil, mas é possível. Porém, é preciso dedicar-se à mudança. Cada um de nós carrega dentro de si uma visão interna de nosso ser exterior. Esta é a nossa imagem física: um retrato do corpo visto pelos olhos da mente. Embora esta imagem seja construída sobre características físicas, é também delas separada e distinta. Vai além do simples fato de ser loira ou magra, pois é produto de nossa imaginação. Apesar de imaginária, a imagem física pode parecer tão real quanto o próprio corpo. Pode ser uma fonte cosntante de força ou uma causa crônica de sofrimento.

A imagem física tem muitos aspectos. É visual – o que você vê quando olha para você mesmo. É mental – como você pensa sobre sua aparência. É emocional – como você se sente sobre seu peso ou altura. É cinestésica – como você sente e controla as partes de seu corpo. É também histórica – moldada por toda uma vida de experiências, que incluem prazer e dor, elogio e crítica. Acima de tudo, a imagem física é uma questão social. Pode residir em sua mente, mas esta fundamentada nas experiências cotidianas que a cercam. O modo como você se sente depende de como se considera avaliado pelos outros. Sua imagem física pode ser abalada pelo julgamento de uma pessoa amada ou pelo assobio de um estranho.

Até que ponto é exata a sua imagem física? Provavelmente, não tem muito a ver com a realidade. A maior parte de nós somos maus juízes de nossa própria aparência. Quando as auto-avaliações da beleza são comparadas a avaliações realizadas por observadores externos, encontram-se poucas correlações. Isso é simples de entender. Não nos vemos do mesmo modo que os outros nos vêem. Os olhos da mente distorcem a imagem física, às vezes em um sentido positivo, às vezes em um sentido negativo. Embora o mundo exterior possa atribuir-lhe uma nota dez, seu olhar interno só enxerga um deprimente dois. Se você distorce sua imagem física, ela acontece de duas maneiras particulares: enxergando alguma parte do corpo como anormal ou achando que possui o manequim ou tipo de corpo inadequado. Talvez esteja preocupado(a) com suas coxas imensas, com seu quadril ou com o seu nariz. A partir desta característica isolada, você generaliza em relação a toda a sua aparência , ignorando as partes que são atraentes, tanto para você quanto para os outros,

Clique aqui para ver a listagem de livros que eu recomendo.

Livro “De mal com o espelho” a venda

Pessoal,

Quem queria comprar o livro “De mal com o espelho, o transtorno dismórfico corporal” e nunca encontrava pra comprar, está disponível para a compra no site da Estante Virtual.

Você pode comprar o livro clicando aqui.

Lembrando que o site é de venda de livros usados, então só tem essas duas unidades disponíveis no momento.

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E você pode ler o que eu já falei sobre o livro aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.

Eu recomendo a leitura, o livro é muito bom com linguagem fácil.

Será que tenho dismorfia corporal?

Algumas pessoas que passam pelo blog dizem que se identificaram com os sintomas mas que não sabem se possuem a doença.

Por isso criei esse ítem no menu, com a intenção de ajudar quem tem dúvida a identificar se tem dismorfia corporal ou não.

Em primeiro lugar, quem tem que dizer se vc tem ou não dismorfia corporal é um médico profissional dessa área. Resumindo, um psiquiatra. Mas tem que ser um psiquiatra que saiba que essa doença existe, pq é comum encontrar psiquiatras que não sabem o que é isso. Experiência própria.

Falando de forma bem teórica, a dismorfia corporal consta no DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). É necessário ter TODOS os três sintomas abaixo para ser considerada com a doença:
a) o indivíduo preocupa-se com um defeito imaginário na aparência e se uma mínima anomalia está presente, tem preocupação marcadamente excessiva com essa;
b) a preocupação deve causar estresse significativo ou prejuizo na vida social, ocupacional ou outras áreas do funcionamento;
c) essas queixas não podem ser caracterizadas como outro transtorno mental, tal como a anorexia nervosa.
(Se quiser ler mais sobre dismorfia corporal clique aqui).

Se mesmo assim vc ainda não tem certeza, vou explicar com o português comum. Uma pessoa com dismorfia corporal tem hábitos específicos que caracterizam bem a doença. Porém, não adianta vc se identificar com um ou outro, tem que se identificar com pelo menos mais da metade.

Os hábitos de quem tem dismorfia são:

1. Vc fica muito tempo na frente do espelho olhando o que vc odeia na sua aparência. Se vc está no quarto ou no banheiro não perde a oportunidade de ficar com a cara colada no espelho. Ou evitam espelhos.
2. Quando vc sai da porta de casa pra fora acha que todos estão reparando como vc é horrível. E além de reparar tb acha que eles comentam.
3. Se vc fala pra alguém da família ou amigo do seu defeito (a nivel de deformação) a pessoa diz que não é nada do que vc diz. Ou pelo menos não do jeito exagerado que vc diz ser.
4. Vc deixa de ir a qualquer lugar público (festa, shopping, praia) por se achar muito horrível para as pessoas te verem (isso tb pode incluir parar de trabalhar ou estudar)
5. Vc quer fazer todas as cirurgias plásticas possíveis e impossíveis pra consertar o que vc odeia na sua aparência. Vc já chegou a ir a consultas com cirurgiões plásticos e dermatologistas pra arrumar esse defeitão.
6. Com certa frequência vc chora de tanta tristeza por ser tão feio.
7. Quando falam que vc é bonito(a) vc tem certeza que tão de sacanagem.
8. Vc não consegue pensar em outra coisa a não ser como vc é feio e como as pessoas estão reparando como vc é.
9. Vc não vai a lugar algum sem maquiagem (óculos escuros, boné, etc), nem mesmo à padaria ou à portaria do prédio.
10. Vc confere sua aparência em qualquer superfície que reflita sua imagem, as mais comuns são janelas de carros e vitrines de lojas.
11. Vc fica comparando sua aparência com a de pessoas famosas que vc acha bonita.
12. Vc já quis (ou quer) morrer (isso inclui se matar) pq é insuportável aguentar esse peso que é viver com a aparência que vc tem.
13. Vc nunca namorou ou acredita que quem demonstra interesse por vc é por pena ou pq vc é tão feio(a) que é mais dificil levar um fora.
14. Vc não consegue conversar olhando nos olhos das pessoas ou quando anda na rua não olha pra ninguém.
15. Vc foge de fotografias como o diabo foge da cruz.

Ok, li e acredito que tenho dismorfia corporal. O que devo fazer?
Procure um psiquiatra. Pare com esse medo idiota de achar que psiquiatra só serve pra cuidar de gente de manicômio, que baba e  usa camisa de força. Se vc não quer se ajudar então não vem se queixar pra mim depois. Eu tenho dismorfia corporal e to dizendo aqui o que é importante fazer pra superar isso. Tudo o que eu to dizendo aqui eu fiz e hoje consigo viver bem melhor.

O que o psiquiatra vai fazer?
O objetivo principal do psiquiatra é te medicar. Ele não fez psicologia na faculdade, ele fez MEDICINA. O psiquiatra não é psicólogo, apesar de tb ter psiquiatra que faz terapia. O que é bom.

Como é a consulta com o psiquiatra?
Vc vai sentar na frente do(a) psiquiatra. Ele vai estar atrás de uma mesa de consultório, com um computador, blocos e receituários. Diferente do psicólogo que vc senta em um sofá e o psicólogo em outro e entre vcs não tem nada. O psiquiatra precisa saber como é a sua vida, sua rotina e como vc se sente (e se vê). Vc precisa falar tudo. Se ficar escondendo as coisas do médico não sei qual a razão de vc ir lá. Ele ta ali pra te ajudar, se vc ficar escondendo as coisas dele o único prejudicado é vc. Com base no que vc falar ele vai saber qual é o melhor remédio pra vc. O remédio vai regular a serotonina e da dopamina (explicando de forma grosseria são substâncias do cérebro responsáveis pelo seu bem estar) e vai ajudar a diminuir as “alucinações”. Em outras palavras, vc não vai ficar tão atormentado por causa do seu nariz horroroso, sua pele manchada ou seja lá qual for a sua reclamação. O remédio não vai fazer vc se achar se achar mais bonita(o), mas vai diminuir a sua dor emocional, vc vai sofrer menos por causa da sua aparência. O psiquiatra vai pedir pra vc voltar em um mês, pra saber como está sendo a adaptação com o remédio. O remédio demora cerca de 15 dias para começar a fazer efeito, pq nesse tempo o corpo está se acostumando com o que está recebendo. O que vc vai tomar não é como remédio para prisão de ventre. Não adianta vc tomar hoje e achar que amanhã já vai se sentir melhor. Conforme vc se sentir ao fim do primeiro mês o psiquiatra vai manter essa medicação ou fazer alguma adaptação, como aumentar a dose ou trocar de substância.

Ah, mas eu não quero tomar remédio.
Ok, então não tome. Vc pode melhorar sem tomar remédio, mas é um caminho mais longo e doloroso. Eu tomo remédio todo dia por causa da dismorfia corporal e não vejo problema nisso. Tem gente que tem problema do coração e toma remédio todo dia, tem gente que tem diabete e toma remédio todo dia, pq eu não posso tomar remédio todo dia? Meu bem estar vai melhorar, vou conseguir viver melhor, vou conseguir me relacionar com as pessoas e com o mundo melhor, e o mais importante, vou conseguir me relacionar comigo mesma melhor. Se mesmo assim vc não quer tomar remédio, tente homeopatia, floral, alguma medicina/terapia alternativa.

Preciso fazer terapia?
É bom fazer. Vai ajudar muito a vc superar tudo isso. Vai aprender a rever seus conceitos. Suas opiniões pré formatadas e a mudar as suas verdades únicas que só existem pra vc e vc nem sabe. O tipo de terapia que eu recomendo (opinião minha) é a terapia cognitivo comportamental.

A terapia cognitivo comportamental é empregada para problemas tais como: dificuldades existenciais, mudanças de estilo de vida e até questões mais específicas como pânico, depressão, ansiedade, anorexia, obesidade, bulimia, obsessões e compulsões.

A terapia desenvolvida nesta abordagem acontece em conjunto com o paciente, onde o mesmo identifica, examina (auto-avalia) e corrige as distorções do pensamento que causam seu sofrimento emocional e tem como objetivo auxiliar o paciente na correção dos pensamentos distorcidos ou disfuncionais, para que o paciente se sinta melhor emocionalmente e para que se comporte de maneira mais produtiva na busca de suas metas.

O que mais preciso fazer?
Cada um precisa achar seu próprio caminho. Os profissionais podem te ajudar, mas o principal responsável pra sair disso é vc. Duas coisas que me ajudaram com a minha dismorfia corporal é a leitura. Eu tive que reaprender muita coisa sobre a beleza, auto imagem e auto estima. A listagem de livros que eu li, estou lendo e pretendo ler vc pode ver aqui. A outra coisa que eu fiz que ajudou muito foi enfrentar os meus medos. Se eu tinha medo de ir a uma festa pq as pessoas iam ficar me reparando, eu ia. Se eu tinha medo de ir a praia pq eu ia ser a única branca (chegam a tentar falar em inglês comigo achando que sou gringa), eu fecho o olho e vou. Se eu tinha vergonha de usar saia/vestido por causa da minha perna (branca e fina) eu vestia e ia. No começo não é confortável fazer essas coisas, mas a cada vez que vc faz o monstro fica menor e é muito bom vc poder fazer coisas rotineiras e normais sem ser um tormento. Ou até mesmo poder fazer coisas que antes vc não fazia por medo ou vergonha.

No mais, espero boa sorte pra cada pessoa que tiver dismorfia corporal e passar por aqui. Se vc acha que não há mais vida, há sim. Tenha fé, acredite, se empenhe em vc mesmo, tenha disciplina (como em tudo na vida) que devagar vc vai se reerguendo, vai saindo desse poço e vai conseguir seguir em frente. Se vc não consegue sozinho, busque ajuda de outra pessoa. Não tenha vergonha disso, feio é não pedir ajuda por orgulho. Deixe o orgulho de lado, o mais importante é a sua felicidade.

Solange