Dove arrepia ao despir os falsos resultados da busca por aceitação: você não é como imagina ser; você é linda.

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Se você trabalha com comunicação se prepare pois, na certa, esta vai ser uma daquelas campanhas na qual você gostaria de ter participado. Mas, caso seja só um agregado e/ou curioso da área, garanto que o clique e a leitura não serão em vão.

Apesar de manter o já famoso conceito de beleza verdadeira, a Dove conseguiu, mais uma vez, surpreender e comover com este novo filme que, na minha opinião, funciona como um dedo em nossa ferida cultural e em suas milhares de esferas e conexões, que vão desde os valores que pregamos até os que consumimos ao mesmo tempo em que, aparentemente, criticamos. Arrisco dizer que este vídeo vale o play e a publicação vale a leitura. Reserve alguns minutinhos e desfrute desta sequência de insights que serão provocados, de maneira instantânea, na sua mente.

A Ogilvy Brasil deixou muito clara a proposta do filme “Retratos da Real Beleza” ao convocar para a campanha, o Gil Zamora, que nada mais é do que um artista forense do FBI, que já produziu mais de 3 mil retratos falados no decorrer de seus 28 anos de carreira. A essência da ideia gira em torno do relato de 7 mulheres que, de uma forma exageradamente impiedosa, se descrevem para Gil que, sem nunca vê-las, realizou seu talentoso trabalho de ‘retrato falado‘, baseado, unicamente, na opinião das mesmas.

“Imagine um mundo onde beleza é uma fonte de autoconfiança e não de ansiedade”. Foi a partir deste principio – que, na teoria, parece ser bem simples – que a campanha se desenvolveu. Um filme que, certamente, vai provocar o público feminino e o masculino. Afinal, para que e para quem você vive? Ao assistir estas mulheres se descreverem, é quase certo que a insegurança de muitos usuários vai acabar se refletindo na telinha. Estes seres humanos que se definem e se reduzem como “apenas” um nariz fora de um padrão qualquer ou, ainda, se percebem com alguns números/quilos acima do que os outros esperam é algo que, infelizmente, nos é comum e familiar. Na minha opinião, a forma como elas falam de si chega a ser, de um jeito muito pouco sutil, bastante cruel. Se desvalorizam por aspectos que provavelmente passem despercebidos se comparados com as qualidades que as respectivas detém, mas que, infelizmente, encontram-se escondidas embaixo de seus “defeitos”.

Ao generalizar e dizer que você, sendo homem ou mulher, pode, certamente se identificar com o que está prestes a assistir, eu me apoio em uma triste estatística que mostra que apenas 4% da população feminina mundial se considera bonita: será que você faz parte dela?

Um vídeo que vale o play, a reflexão e, sem sombra de dúvida, uma mudança. Portanto, arrisque:

Para ter mais acesso à todo o material produzido por a campanha, basta visitar o site oficial  clicando aqui e daí, quem sabe, se surpreender descobrindo que você é muito mais bonita do que você pensa.

“Uma pessoa não é um nariz grande ou um cabelo ressecado. Ela é o conjunto de atributos que se somam ao brilho, muitas vezes escondido, de um olhar.”

A psicóloga Heloisa Lima, que mencionou a frase acima em um de seus artigos, diz que, muitas vezes, as perspectivas mais cruéis que um ser humano pode ter de si próprio é produzida por sua própria percepção, e não pela dos outros. A autodesvalorização, que não pode ser resumida como um pequeno ato de insegurança, deve ser atribuída à um perspectiva cultural muito mais ampla, responsável por tudo isso. Esta concepção gera e percorre desde as maiores capas de revista de moda, masculinas, de fofoca e de notícias, até preencher os mais diferentes canais de televisão, programas e propagandas que, querendo ou não, com muita força e inten$idade, se repetem em blocos comerciais e capítulos de uma trama qualquer que, infelizmente, em sua grande maioria, fortalecem, cada vez mais, um esteriótipo que a sociedade entende e cultiva – na prática – como o modelo de beleza a ser seguido.

A questão é que a absoluta maioria das mulheres não consegue, e nem sequer deveria se sujeitar, “caber” em um jeans 38 ou em um calçado 37. Ser fora do padrão que, sinceramente, nem sabemos como foi estabelecido, deveria ser visto como algo positivo – uma vez que é o verdadeiro modelo humano. Porém, para ir contra isso, antes de tudo, precisamos praticar este desligamento. Afinal, de que adianta eu fingir que não ligo para aparências se, no fundo, busco e invejo aquilo que mais critico? Habitar esta imensa hipocrisia é o que nos faz consumir 99% das marcas que continuam a exibir modelos com peso abaixo de 40 kg em capas de revista e a vender bilhões no embalo desta indústria que tem como combustível a nossa covarde cultura de não ir contra o que, evidentemente, nos desvaloriza em massa.

Um antigo filme da marca, que denuncia o quão distorcido é este parâmetro que, mesmo insatisfeitos, continuamos a alimentar com receios e medos de não sermos aceitos, é este fantástico time lapse que mostra as milhares de alterações/mutações que uma modelo sofre antes de impactar o seu público alvo: você. A criação foi da Ogilvy & Mather Toronto e, claro, vale o play:

É válido ressaltar que você não precisa ser mulher para ser impactado por estes esteriótipos. Afinal, uma propaganda qualquer de cerveja, que tem o público masculino como maior alvo, é muito mais carregada de esteriótipos e pressões culturais do que algumas direcionadas para um público feminino, como, por exemplo, as de lingerie.

Admito que sempre fui fã do posicionamento da marca pelo simples fato dela fugir do convencional. Mulheres sempre bonitas, perfeitas e que, infelizmente, se tornaram parâmetro de normalidade para a nossa sociedade, uma vez que o que é comum de se vender e instiga o consumo, acaba por ser comum no dia-a-dia, pois é ofertado em cada esquina e, ao nos impactar em capas de revistas, através de fotos photoshopadas com glamourosas bolsas, estranhos shampoos, diferentes vestimentas e peculiares cervejas, “sem ninguém perceber”, as imagens que compõe tudo isso sempre estão acompanhadas de um código de barras e/ou um logotipo qualquer. Se todos conseguissem notar uma destas duas coisinhas que sempre acompanham estes ‘parâmetros de beleza’ que nos aprisionam, certamente teríamos chance de construir uma cultura menos intensa no que diz respeito à frenética busca por uma inalcançável beleza que vivemos e, ao mesmo tempo, criticamos enquanto cultivamos, o que é um triste sinal de hipocrisia, mas que, se quisermos, de pouco em pouco, pode ser transformado.

Precisamos ser mais generosos uns com os outros, isto é fato. Mas este desafio começa diante do maior vilão deste contexto: o espelho. Este item que reflete nossa desconfigurada autoimagem, acaba por, consequentemente, projetar medos e receios em partes que vão cada vez mais nos desvalorizando, quando percebidas em um nariz que não é igual ao da personagem da novela ou daquela atriz que vive da própria imagem. Sei que é difícil digerir tudo isso, afinal, também sou humano e vivo esta batalha entre a dificuldade de ser feliz como sou e a busca proveniente da exigência sobre-humana de sempre ser aceito. Sentir-se bem como você é. Este é o verdadeiro desafio a ser vencido e tem que ser diário. Afinal, eu, você e todo o restante da população estamos vulneráveis aos impactos de novos parâmetros a qualquer minuto, seja na capa de uma revista ou com um novo implante de silicone. Precisamos deixar a superficialidade de lado e, de uma vez por todas, assumir o real sentido da verdadeira beleza humana.

É válido lembrar que:

“Quando você se olha no espelho, quem está de costas é você

Fonte: Comunicadores

O que é a “body neutrality”, o meio termo entre amar e odiar o próprio corpo

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O discurso de que temos que amar o nosso corpo está mudando de abordagem para uma outra mais neutra, de aceitação sem culpa.

O objetivo da “body neutrality” é simples: não odiar o próprio corpo.

Atualmente muitos discursos tem encorajado mulheres a amarem seus corpos. Essa atitude em relação ao próprio corpo é vista como um ato revolucionário, empoderando as mulheres e questionando o padrão que define o culto a magreza como a única forma possível de beleza.

Nos Estados Unidos, um movimento quer substituir a positividade (body positivity) pela “body neutrality” (neutralidade corporal, em uma tradução literal).

A principal questão é que a “body positivity” pode criar, muitas vezes, a obrigação de que se passe a ter uma atitude positiva sobre o próprio corpo. A “body neutrality” defende um objetivo mais realista, que é simplesmente não odiar o próprio corpo. Conseguir mudar o foco de uma cultura tão obcecada pelo corpo perfeito para uma neutralidade é um grande passo.

Para a escritora Caleb Luna (conforme texto publicado em 2016 no site “Everyday Feminism”) o discurso de “ame seu corpo” coloca uma pressão desnecessária na ideia de atingir a aceitação do próprio corpo. O esforço de amar o próprio corpo todos os dias também pode apagar progressos feitos para uma autoimagem mais positiva que não esteja necessariamente vinculada à aparência física.

Essa imposição ignora os fatores externos que nos fizeram odiar nossos corpos em primeiro lugar (como por exemplo o padrão de beleza e a indústria de cosméticos). Conforme a escritora, há um ambiente cultural intolerante aos corpos fora do padrão, que está conspirando (e lucrando) para que seja impossível nutrir esse amor próprio.

“Embora eu tenha uma enorme quantidade de amor próprio, esse amor está mais ligado a quem eu sou do que ao corpo no qual eu existo” (Caleb Luna – Escritora)

Quando venerar o próprio corpo se torna obrigatório, o mal-estar criado por uma celulite é substituído pela impossibilidade de ver beleza em si mesmo a todas as horas do dia ou da noite, como define um artigo do site de moda, comportamento e cultura Man Repeller.

Pensar menos sobre o próprio corpo e apenas aceitá-lo, em vez de amá-lo, são bandeiras de quem considera a neutralidade mais saudável. A ideia é eliminar a sensação de fracasso por não ser capaz de se amar – que é comparada por quem critica a positividade ao fracasso de não ter um corpo perfeito.

Dessa forma, a neutralidade consiste em um meio caminho entre as duas exigências.

“Você ainda pode gostar de comer direito, se mexer e se cuidar, mas com a neutralidade, você estará fazendo isso com aceitação e alegria, não de maneira forçada e perfeccionista” disse a naturopata Cassie Mendoza-Jones à revista “Elle” australiana. Essa mentalidade menos estressante tem potencial para diminuir o peso da vontade de ser outra pessoa, de ter outro corpo.

Tema beleza abordado no programa Amor e Sexo

De vez em quando assisto o programa Amor e Sexo e acabei assistindo um Episódio do programa que falava sobre Beleza. Achei interessante e vou por aqui as partes interessantes.

23 de fevereiro – Dudu Bertholini falou:

“O que é lindo que a Isabel falou é sobre se sentir gostosa. É muito mais sobre isso. Hoje a medicina estética avançou muito nas últimas décadas e tem essa ideia da juventude eterna mas isso é muito ruim porque isso reforça a ideia de que só é bonito o que é jovem. E na verdade você pode até ter mais rugas quando você ficar mais velho mas você tem muito mais segurança de quem você é, do seu elã, da sua personalidade e isso é que é ser bonito de verdade. É algo que vem de dentro.”

09 de de março – Dudu Bertholini falou:

“Cada vez mais a gente está quebrando esses padrões, essa ideia eurocêntrica da loira, alta, magra, de que isso é bonito. Hoje existe uma urgência por representatividade de belezas de diferentes cores, de diferentes raças, de diferentes gêneros e você entender que na verdade o padrão é muito cruel porque ele é muito aprendido. Então o incrível é a gente entender que a gente é bonito do jeito que a gente é, sendo a melhor versão de nós mesmos. Beleza é isso.”

09 de de março 

Fernanda Lima pede para Dudu Bertholini fazer um resumo sobre a beleza ao longo da história.

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Ele responde:

“Na Pré-História e na Pré-Grécia não existia o conceito do belo. O belo estava ligado a saúde. Portanto o homem forte e másculo ele era belo porque ele podia caçar e proteger a família. E a mulher de seios fartos e quadris largos representava a fertilidade porque ela podia alimentar e criar os seus filhos.

Beleza sempre foi antropológica, sempre mostrou valores culturais dos povos e diferentes lugares e tempos.

No oriente sempre foi bonito a beleza delicada então a mulher é pequena, se curva por respeito ao homem e tem os menores pés possíveis. No nosso mundo ocidental a primeira vez que alguém foi considerado belo é na Grécia Antiga quando filósofos e sábios criam pela primeira vez um padrão ideal de beleza que estava ligado a simetria. Os gregos acreditavam que ser bonito é ser simétrico.

Depois na idade média a beleza foi negada. Principalmente a feminina porque beleza era sinônimo de empoderamento. Então as mulheres tinham que se esconder por trás de roupas austeras, elas tinham que pintar os cabelos claros que isso instigava a fantasia dos homens. Olha que machismo absurdo.

No renascimento volta a beleza feminina Padrão Venus de Botticelli, de corpo curvilíneo, pele alva, bochecha rosada. Depois a gente tem repressão, liberdade.
No Século 19 as menores cinturas da história de 40 cm.
Ao longo do Século 20 a gente celebra a diversidade de estilos. Cada década tem um estilo que é muito representativo do seu tempo.
Nos anos 20 as mulheres usam cabelo como os dos homens e achatam os seios.
Nos anos 40 elas tem que ser naturais porque não pega bem ser vaidosa durante a segunda guerra.
Elas recuperam as curvas nos anos 50.
Nos anos 60 pela primeira vez beleza não está ligada a saúde porque aparece a Twiggy esquálida de magra provando que beleza pode ter outros tipos de sexualidade e de estilos.
De lá pra cá os padrões variam.
Mulheres curvilíneas nos anos 80. Mulheres magras e esquálidas nos anos 90. E no século 21 a gente celebra a diversidade de belezas. Não vale mais a pena seguir padrões mas sim representar diferentes cores, raças, gêneros e um mundo fluindo a favor da diferença. Essa é a beleza de hoje.”

E no último programa da temporada, é feito um reprise da Fernanda Lima falando sobre a ditadura da beleza. Não sei qual a data que passou a primeira vez.

fernanda_lima_unha“Essa unhas são maravilhosas, dão o maior efeito mas são de plástico. Olha só, tudo de mentira”

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“Os cílios, gostaram? São lindos né? Mas descolam, são cílios postiços, olha só”

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“E esse cabelo? Quem acha lindo? Tudo de mentira! Não acredite na capa de revista. Tem muito truque. Afinal, padrões de beleza mudam a cada estação então encare a moda como um mundo à seu serviço e não ao contrário. Crie, invente, fantasie, vista-se e dispa-se. Faça o seu próprio estilo e seja feliz.”

Fonte: Gshow

Espelho infiel: dismorfia corporal faz as pessoas rejeitarem o próprio corpo

A dismorfia corporal é uma doença, um transtorno psicológico que ultrapassa os limites da vaidade. A pessoa se olha no espelho e se enxerga de uma maneira diferente, cheia de imperfeições. A dismorfia pode ter sido a origem de muitas transformações radicais que já vimos. São pessoas que gastaram tudo o que tinham com cirurgias plásticas para mudarem totalmente a aparência.

Fonte: R7

Sentir-se feio: dismorfia corporal pode causar depressão

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A Dismorfia Corporal é um transtorno que limita a vida das pessoas e pode estar associado a depressão, isolamento, fobia social e dependendo da gravidade e sofrimento pode levar ao suicídio.
A dismorfia corporal é caracterizada pela exacerbação de um defeito mínimo ou até pela criação de um defeito imaginário no corpo do indivíduo, fazendo-o passar horas na frente do espelho focando suas “imperfeições”. Os pensamentos a respeito do seu corpo “feio” podem se tornar obsessivos e levar a rituais para alivio do mal estar causado.

Esse transtorno tem se mostrado muito comum entre a população, pode chegar a 2%, iniciando na adolescência ou no jovem adulto, acomete homens e mulheres igualmente, embora não saibamos qual a causa, a desregulação do sistema nervoso central e disfunções dos gânglios podem estar envolvidos, além disso os valores sociais também tem forte influência na doença.

A dificuldade de se fazer o diagnóstico começa pela linha tênue que divide o se preocupar com a aparência de forma saudável e a forma exagerada que leva ao sofrimento, é fato que pessoas podem começar se preocupando de forma significativa com os “defeitos” do corpo e chegar a desenvolver o transtorno.

A vigorexia ou transtorno dismorfico muscular é uma derivação deste transtorno, faz com que o indivíduo se veja como pequeno e fraco, levando o mesmo a passar 3 ou 4 horas dentro da academia tentando definir os músculos e torna-los cada vez maior.

Assim como a anorexia nervosa, no qual as pessoas se veem gordas demais mesmo estando abaixo do peso que a organização mundial de saúde prega como saudável, que fazem dietas restritivas ao extremo ou as bulímicas que acabam expelindo o que ingeriu seja por vomito provocados ou laxantes e diuréticos.

A terapia é fundamental para aquisição da consciência corporal saudável e restabelecer vínculos e atividades perdidas, assim como a medicação pode ser uma grande aliada em alguns casos.

Adriana de Castro Ruocco Sartori
Psicóloga, mestre em ciência da Psiquiatria pela USP, especialista em abuso, dependência e compulsão, terapeuta transpessoal, hipnóloga pela ACT – Institute de Milton Ericson , Consteladora familiar e empresarial pela escola de Bert Hellinger, formada em Cura Reconectiva.

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

Dei entrevista para a UOL essa semana. Segue abaixo a matéria.

08/02/17

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

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Melissa Diniz
Do UOL

Com o avanço da tecnologia e a popularidade dos celulares com câmera, o hábito de tirar selfies (fotos de si mesmo) e postar em redes sociais virou uma febre. Mas não é todo mundo que lida bem com a própria imagem. Quem sofre de selficídio costuma perder horas tentando chegar à imagem perfeita, o que gera ansiedade e frustração.

A publicitária Solange Cassanelli, 34, de Florianópolis (SC), começou a sentir na pele este sintoma muito cedo. “Quando tinha sete anos, comecei a fazer terapia, pois sempre me achei feia. Eu não gostava de tirar fotos, tenho algumas, com a família, em que apareço chorando. Quando cresci, surgiram as máquinas digitais eu tirava mais de cem, usando bastante maquiagem, para escolher apenas uma. Depois ainda editava para tentar diminuir as imperfeições”, conta.

Solange demorou a entender a causa de seu sofrimento. “Eu tinha 27 anos quando descobri pela internet. Ao ler sobre o transtorno dismórfico corporal, senti que parecia um relato sobre a minha vida. Na hora, já me identifiquei. Levei o diagnóstico para a psicoterapeuta, que confirmou e me encaminhou a um psiquiatra”, diz.

Para que a terapeuta entendesse melhor como ela se via, Solange editou uma foto sua, inserindo as imperfeições que enxergava em si mesma. “Minha psicóloga imaginava como eu me via, mas eu achava que ela não entendia o grau disso.”

Além da psicoterapia, Solange precisou fazer uso de antidepressivos. “Eu não sabia que tinha depressão. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites.”

Durante o tratamento, ela criou o blog Diário de uma Dismorfia para auxiliar outras pessoas que sofrem do transtorno a compreender e superar a condição.

Seu quadro hoje está controlado. “Em 2011, percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma e até hoje considero algo superado na minha vida.”

Defeitos que não existem

Segundo a psiquiatra Maura Kale, que faz parte da rede Doctoralia, plataforma digital que conecta profissionais de saúde e pacientes, o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem. “Normalmente, há uma distorção na maneira como a pessoa se vê. Ela enxerga defeitos onde não existem e não consegue achar a foto boa. Então, tira muitas, apaga e depois tira outras, sem se contentar, pois tem padrões inatingíveis de exigência.”

Ter vício de fazer selfies, como a socialite Kim Kardashian, não caracteriza, necessariamente, o selficídio. “O transtorno está presente se houver prejuízo à vida da pessoa e consequente sofrimento”, diz.

Ponta do iceberg

O selficídio, explica a médica, precisa ser investigado, pois, em geral, revela outros problemas sérios. “Além do TDC, é comum que a pessoa também tenha TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), pois tem uma obsessão com sua imagem. Pode apresentar, ainda, transtorno narcisista, ansiedade, depressão, anorexia e até mesmo ideia de suicídio.”

Além da enorme perda de tempo em função das fotos, o selficida tem baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos e constante busca por aceitação. “O mecanismo de postar fotos de si mesmo é uma espécie de autopromoção. A pessoa procura conseguir as curtidas em uma tentativa de obter o respaldo dos outros. Mas, primeiro, usa aplicativos e programas de edição para deixar a foto perfeita”, explica Maura.

Selficidas também são frágeis emocionalmente, bastante vulneráveis a críticas e frequentemente insatisfeitos. Complexo, o quadro precisa ser tratado com psicoterapia e, em muitos casos, com medicação.

Manifestação precoce

Apesar de atingir muitos adultos –de ambos os sexos– o transtorno dismórfico corporal costuma se manifestar ainda na infância. “A maior incidência, segundo pesquisas, é na faixa que vai dos dez aos 15 anos. Quando investigados, os casos quase sempre revelam a existência de abuso, relacionamentos difíceis com os pais e bullying”, diz Maura.

A especialista considera que os pacientes que sofrem do transtorno costumam se espelhar em modelos de beleza sustentados pela indústria da moda, publicidade e pelas revistas de beleza. “São parâmetros irreais e que, por comparação, geram muito sofrimento.”

Fonte: UOL

Alicia Keys diz que não vai usar mais maquiagem.

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Cantora escreveu carta e se disse ‘cansada de sempre ser julgada’.
‘Mulheres são manipuladas para quererem ser magras, sexy ou perfeitas’, diz.

Alicia Keys divulgou fotos sem maquiagem e escreveu uma carta em que justifica a escolha de aparecer com o rosto “limpo”: “Não quero mais me esconder. Nem minha cara, nem minha mente, nem minha alma”, escreveu a cantora.

“Antes de começar a fazer meu novo CD, escrevi uma lista com todas as coisas que eu não aguentava mais”, escreveu Alicia. “Uma delas é como as mulheres são manipuladas para acharem que sempre têm que ser magras, sensuais, desejáveis ou perfeitas”, completou.
O álbum citado por Alicia, ainda sem nome divulgado, já teve sua primeira música de trabalho lançada no início de maio, “In common”. É o primeiro single de Alicia Keys em quatro anos.
“Eu estava cansada do constante julgamento sobre as mulheres”, disse Alicia sobre a escolha de não usar mais maquiagem. Ela criticou a busca por ideais de “perfeição”: “Quando eu ensino a mim mesma que também posso ter defeitos é quando me torno bonita.”

Fonte: G1

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A preocupação era, para ela, ainda maior, pela condição de celebridade que a leva a ser fotografada e publicada mesmo que não queira – e isso a levava a diariamente se preocupar com sua aparência, baseada principalmente no que os outros pensariam dela. E é justo isso a que Alicia não quer mais se submeter.

“Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem minha mente, nem minha alma, nem meus pensamentos, nem meus sonhos, nem meus esforços, nem meu crescimento emocional. Nada”, ela finalize, concluindo a razão pela qual decidiu abandonar de vez os cosméticos.

Foi depois de posar para um ensaio sem maquiagem alguma que a epifania se deu para Alicia. “Me senti poderosa! Era o meu desejo inicial, de derrubar paredes, ouvir a mim mesma, ser eu mesma. Eu, real e crua”.

Ela diz esperar sim se tratar de uma revolução – a revolução de que ninguém precise mais se cobrir, se esconder, ser quem os outros querem que você seja. A revolução de se descobrir. E mesmo esteticamente o resultado é imbatível: Não há nada mais bonito do que estar natural, à vontade, real e feliz.

fotos: divulgação/Paola Kudacki

Fonte: Hypeness 

A luta de Daiana Garbin para aceitar o próprio corpo

Bonita, bem-sucedida, apaixonada. Motivos não faltavam para Daiana Garbin, ex-repórter da Rede Globo, se sentir realizada. Mas não era o que ela via no espelho. Depois de mais de 30 anos desejando um shape que não é o seu, ela recebeu o diagnóstico de dismorfia corporal, uma das doenças da beleza, que já atingem 30% das brasileiras

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Eu achava que tinha apenas uma preocupação excessiva com o corpo. Considerava até meu sentimento fútil, bobo. Um ano atrás, retomei a terapia e minha psicóloga me deu o diagnóstico de uma doença de que eu nunca tinha ouvido falar: dismorfia corporal, ou síndrome da distorção da imagem. Procurei ajuda especializada porque o sofrimento estava muito grande, mas não pensava que uma doença psiquiátrica estava por trás do que me incomodou a vida inteira. Em choque, decidi que era hora de parar de sofrer calada. Foi assim que surgiu, há um mês, o canal do YouTube Eu Vejo, para dar apoio a mulheres que, como eu, também querem fazer as pazes com suas formas.
A insatisfação – na verdade, a raiva – que tenho do meu corpo vem lá da infância. Me lembro do dia em que chorei pela primeira vez por ser a mais gordinha do grupo: foi na aula de balé, aos 5 anos. Vestida de collant azul, eu era barrigudinha, enquanto via as outras meninas magras, com o corpo longilíneo com o qual eu desejava ter nascido. Aos 12 anos, a professora de educação física do colégio mediu e pesou todos os alunos da turma. Eu, que já tinha 1,67 m, era a mais alta. Adivinhe quem também era a mais pesada… Os 60 quilos cravados na balança eram proporcionais à minha altura, mas na minha cabeça só registrei uma coisa: eu era a gorda da galera. Na adolescência, a angústia aumentou. Quando queria sair, eu colocava abaixo todo o guarda-roupa para acabar vestindo calça jeans e camisa preta, meu ‘uniforme’ até hoje. Muitas vezes, não gostava de nada e desistia. Ficava em casa chorando.
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Nessa época, forcei distúrbios alimentares: entrava em blogs para aprender a ser anoréxica e cheguei a tentar induzir o vômito. Graças a Deus, não fui bem-sucedida em nenhum desses planos. Mas, como queria ser mais magra de qualquer jeito, comecei a tomar escondido remédios para perder peso. Desejava conquistar o corpo de uma modelo, achava chique ter os ossos do ombro e da bacia aparentes. Só o que consegui foi uma depressão.
Dietas malucas viraram parte da minha rotina. Já passei um dia inteiro com apenas uma maçã – desmaiei. Tentei todas as fórmulas para emagrecer. Como nenhuma dessas atitudes extremas funcionava, aos 20 anos me submeti à minha primeira lipoaspiração (depois, ainda faria mais duas). Hoje sei que um dos sintomas da dismorfia corporal é que você acha que o cirurgião plástico vai resolver seu problema. Eu tinha certeza de que, depois da lipo, ia amar meu corpo. Não adiantou nada. E o pior é que o pós-operatório é muito sofrido. Nas horas de dor, eu pensava: ‘O que estou fazendo comigo?’
Ironicamente, escolhi uma profissão que me levou à frente das câmeras. Amo muito meu trabalho e, admito, me sentia protegida porque repórter costuma aparecer só da cintura para cima. Mas sempre me questionei: como posso ter vergonha do meu corpo no espelho se me exponho para milhões de pessoas? Nossa mente é muito maluca e, às vezes, os sentimentos não têm lógica. Acho importante dizer isso porque algumas pessoas podem pensar ‘Nossa, como ela é infeliz’, e não é assim. Amo minha vida e sou agradecida por tudo que tenho. O problema é quando fico cara a cara com o espelho.

Fonte: M de mulher

Eternamente insatisfeito? Talvez seja Transtorno Dismórfico Corporal

Eternamente insatisfeito? Talvez seja Transtorno Dismórfico Corporal
Paciente sempre infeliz com o resultado de tratamentos estéticos realizados pode sofrer da doença

 O TDC é um transtorno da imagem corporal caracterizado por uma preocupação exagerada por um “defeito” real ou imaginário no seu corpo. Quando de fato, existe uma alteração física que justifique a atenção, comumente ela é superdimensionada.

Os portadores do TDC sofrem de ideias persistentes sobre o modo como percebem a própria aparência corporal. A preocupação causa sofrimento significativo na área clínica e prejuízo no funcionamento social, ocupacional e em outros campos importantes da vida do indivíduo.

Com a pressão dos ideais de beleza ditados pela indústria da moda e fomentados pela mídia, a valorização do corpo perfeito tornou-se uma obsessão global. Hoje cada vez mais pessoas buscam a qualquer preço, a transformação do corpo físico por meio de inúmeros sacrifícios de sua natureza corporal em prol do padrão de beleza instituído pela sociedade.

Proporcionalmente ao aumento excessivo da preocupação em relação à aparência física, cresce o número de pessoas que sofre com o TDC, considerada como reflexo de uma epidemia de culto ao corpo da sociedade moderna.

A rotina destes pacientes se resume na busca obsessiva por tratamentos dermato-cosméticos. É certo que sempre acabam não ficando satisfeitos com tratamento algum, pois o problema está em sua própria auto-aceitação, e não exatamente no tratamento oferecido.

A relação terapeuta-paciente fica comprometida, gerando uma série de denúncias infundadas contra o profissional, a quem acabam por culpar por não terem atingido a estética que idealizaram para si.

O fisioterapeuta se encontra em uma posição privilegiada, onde em uma primeira consulta, poderá identificar os principais sinais e sintomas deste transtorno e conduzir amistosamente o paciente a um profissional capacitado, o psicólogo ou psiquiatra, para uma avaliação mais criteriosa.

É válido ressaltar que em nenhum momento o fisioterapeuta deverá usar a terminologia TDC ao se dirigir ao paciente, pois a sua hipótese de diagnóstico deverá ser confirmada por um profissional habilitado, após a exclusão de outros comportamentos compulsivos tais como, a anorexia e a bulimia.

Considerando que primeiramente portadores de TDC procuram um profissional da área estética e somente tardiamente psicólogos ou psiquiatras, Ramos (2004) desenvolveu uma Escala de Avaliação do TDC destinada à profissionais da saúde.

O objetivo desta avaliação é o de contribuir para a identificação precoce deste transtorno evitando ao paciente o dispêndio financeiro em procedimentos caros e desnecessários e ao profissional, cuidado com a integridade de sua imagem profissional perante à sociedade.

Os pacientes portadores de TDC sempre questionarão a eficiência do tratamento e consequentemente, a capacidade do profissional se mostrando permanentemente insatisfeitos com os resultados alcançado por melhores que sejam.

Referências:

Conrado LA. Prevalência do Transtorno Dismórfico Corporal em pacientes dermatológicos e avaliação da crítica sobre os sintomas nessa população. 2008. 169 f.Tese (Doutorado em Dermatologia) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

Jorge RT, Sabino Neto M, Natour J, Veiga DF, Jones A, Ferreira LM. Brazilian version of the body dysmorphic disorder examination. Sao Paulo Med J. 2008 Mar 6;126(2):87-95.

Ramos KP, Yoshida, EMP. Assessment Scale for Body Dysmorphic Disorder (AS-BDD): psychometric properties. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre , v. 25, n. 1, 2012.

Ramos, K.P. Escala de Avaliação do Transtorno Dismórfico Corporal: Propriedades psicométricas. Tese (Doutorado de Psicologia). 2009. 129 f. Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, SP

Fonte: NegócioEstética