O apoio dos pais para filhos com Dismorfia Corporal

Recebi um email com o relato de uma pessoa com Dismorfia Corporal, e um dos pontos relatados era o fato dos pais não entenderem o que o filho está passando. Não foi a primeira vez que alguém me relata essa dificuldade com os pais a respeito da Dismorfia.

Eu tenho pais maravilhosos e não tenho nada a reclamar deles. Nunca me faltou nada, sempre tive plano de saúde, estudei em escola particular e meu pai pagou minha faculdade. Puxaram minha orelha quando errei. Nunca houve brigas e o diálogo sempre predominou na relação familiar. Sempre fomos uma família bem estruturada e harmoniosa. Agora eu pergunto. Qual foi a opinião da minha mãe quando eu estava no auge da dismorfia corporal? Qual a opinião do meu pai quando eu estava com depressão? Minha mãe dizia que o motivo de eu me achar feia e chorar por isso era falta do que fazer. Na época eu não trabalhava ainda, tinha lá meus 19 anos e ela dizia que se eu arranjasse um emprego e ocupasse a cabeça eu ia parar de pensar essas besteiras. Meu pai dizia que eu não fazia as coisas porque eu tinha preguiça, enquanto o que eu tinha era depressão e não tinha forças se quer para conseguir tomar banho.

Eu culpo eles? Não. Porque cada um tem uma maneira de ver os fatos. Minha mãe sempre me achou bonita. Na cabeça dela ela nunca ia entender que eu me via da forma que eu me via. Porque se uma pessoa é bonita, logo ela vai se ver bonita. Só que não.

Meu pai nunca teve depressão. Então ele não conseguia entender a diferença entre preguiça e depressão. Para ele ficar na cama, não ter vontade de fazer as coisas, ficar desleixado é preguiça. E uma filha dele que sempre teve tudo que precisou, qual motivo teria para ter depressão? Então ele não entendia isso.

Para você que tem Dismorfia Corporal e tem pais relutantes em aceitar que você está passando por isso, infelizmente preciso dizer que essa batalha você vai ter que vencer sozinho. Quando eu descobri que tinha dismorfia corporal (porque por muitos anos eu não sabia que a forma que eu me sentia e me via tinha nome) eu fui no google, imprimi sobre a doença (seus sintomas, tratamento etc), deu uma folha. Cheguei na cozinha onde estava meu pai e minha mãe na mesa e falei “Olha, existe um problema psicológico que tem todos os sintomas de como eu me sinto. Eu vou deixar o texto aqui se vocês quiserem ler.”

Se isso é diagnosticado por médicos, não é uma besteira. Porém em muitas situações na nossa vida não poderemos contar com todos que queríamos. Mesmo assim é preciso seguir em frente. Deve haver terapia com preço mais barato na sua cidade. Geralmente em clínicas que tem um psicólogo a consulta sai mais barata. Aqui na minha cidade (Florianópolis) a consulta sai R$ 60,00 em uma clínica. Procure na sua cidade, deve ter algumas opções mais em conta também.

Pra finalizar. Não culpe seus pais por não aceitarem sua Dismorfia Corporal. Eles não entendem isso. Eles tiveram outra criação, possuem outras opiniões e para eles ter um filho que se acha feio sendo bonito é difícil de aceitar.

Mas não desista, tempos melhores virão. 🙂

Perfeito pra quem?

Ontem quando eu fui dormir, comecei a pensar em tantas coisas que antigamente eu queria mudar em mim. Tantas coisas pequenas e até tolas, mas que para mim tinham um grande significado.

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Peguei essa foto da Jennifer Aniston para exemplificar (a foto do pé não é dela). Dois “defeitos” que eu lembrei e que eu queria muito corrigir eram: Uma dobrinha perto da axila quando eu ficava com o braço abaixado, na verdade não era nem uma dobrinha, era tipo uma curvinha, como se fosse uma gordurinha. E o outro “defeito” era o dedo do pé maior que o dedão. Eu cogitava a idéia de fazer uma lipo nessa gordurinha da axila se eu tivesse dinheiro pra isso, o que eu não tinha. E também uma cirurgia para diminuir o dedo maior do pé. Eu ficava pensando como o médico iria fazer essa cirurgia, iria serrar o osso? Existe esse tipo de cirurgia? Eu seria a primeira brasileira a querer fazer esse tipo de cirurgia? Eu ficava me questionando várias coisas.

Fiquei pensando como nós, pessoas com dismorfia corporal, queremos ter a aparência perfeita. Foi então que eu me peguei me perguntando “Mas perfeito pra quem?”. O que é perfeito pra você, não é perfeito para o outro, e vice versa. Daí você me diz “Ah Solange, mas se eu me sentir feliz com a minha aparência não importa o que os outros pensem”. Mentira. Deixe de mentir para si mesmo. É uma ilusão pensar que vai funcionar assim, sabe por quê? Porque quando você sai na rua, o que você pensa é “As pessoas estão me achando feia(o)”, “Aquela pessoa está falando mal da minha aparência com seu amigo”, etc. Isso prova que você se preocupa com o que os outros acham de você.

Mas não dá para ter uma aparência que todos achem você perfeita(o). Porque umas pessoas vão achar que você fica melhor de cabelo loiro, outras de cabelo castanho, outras ruivo, outras grisalho, outras careca. Outras pessoas vão achar que você fica melhor mais alto do que você é, já outras vão achar que você fica melhor mais baixo, outras vão achar que tem que ser na altura que você tem. Outras vão achar que você fica melhor com pele negra, com pele branca ou com pele bronzeada. Outras vão achar que você fica melhor com cabelo liso, outra de cabelo cacheado, outras de cabelo curto, outras de cabelo longo. Outras vão achar que você fica melhor com sardas, outras vão achar que você fica melhor com a pele sem pintas. E eu vou ficar aqui até amanhã listando características. Acontece que você não pode ter TODAS as características ao mesmo tempo. Ou você é de um jeito, ou é de outro. Por isso, por mais “perfeito” que você ache que está tentando ficar, para as pessoas pode estar nem um pouco perto do “perfeito” delas. Cada um tem um tipo de “perfeito”. Além do que, o seu “perfeito” é o “feio” de outra pessoa. E o “feio” de outra pessoa pode ser o seu “perfeito”. Pessoas possuem GOSTOS diferentes, não há um padrão, por mais que a mídia imponha isso.

Se eu tivesse dinheiro para fazer todas as plásticas que eu tive vontade de fazer, em busca do meu “perfeito”, hoje eu estaria uma sósia da Jocelyn Wildenstein (nunca conseguirei escrever o sobrenome dela sem copiar do Google). Já falei dela aqui no blog, se você não leu é só clicar aqui em A merda que Jocelyn Wildenstein fez. Eu teria diminuído meu olho que achava muito grande, faria outra cirurgia pra colocá-lo mais pra dentro já que ele é meio saltado e esbugalhado. Teria feito algum tratamento na pele para tirar todas as minhas sardas (apesar de ter usado pomada a base de ácido e não ter adiantado), operaria meu nariz, tiraria minha papada imaginária do meu rosto, teria feito preenchimento embaixo do meu olho porque acho muito fundo e faria algum outro tratamento para tirar as olheiras (talvez a carboxiterapia funcionasse). No final das contas, eu ficaria muito mais horrível aos olhos dos outros do que eu realmente achava que eu era feia e teria um post no meu blog chamado “A merda que a Solange fez”. Além de que consertar a merda ia ser bem mais difícil do que não ter feito ela.

O que eu to querendo dizer com tudo isso? Não é possível chegar em um Perfeito comum a todos, e o caminho que buscamos pra consertar nossos defeitos em nossa aparência não é a melhor forma de buscar solução. Se as pessoas te falam que não enxergam em você os defeitos que você fala, é preciso que você comece a entender que elas realmente não vêem e pare de teimar que elas não estão sendo sinceras e verdadeiras com você. Gente dismórfia é teimosa e isso só piora o caminho para superar tudo isso. A forma certa de se resolver tudo o que você sente e vê é com terapia (eu gosto e indico a terapia cognitivo comportamental que eu acho uma terapia gostosa de se fazer e da resultados em curto tempo) e se for necessário, tomar remédio (um psiquiatra que vai recomendar) até que a terapia consiga mudar alguns hábitos que você tem. O remédio também vai ajudar a diminuir sua tristeza e contribuir para o seu tratamento na terapia. Só o remédio não adianta. Eu já tomei remédio também, não precisa tomar pra vida toda e você não vai ficar dependente do remédio. Ele só vem para contribuir, não para piorar a situação.

Se dê novas oportunidades para ser feliz e se sentir satisfeita(o) com a sua aparência. Ainda há tempo para isso 🙂

Converse com a voz de dentro da sua cabeça

O título desse post parece meio esquizofrênico, eu sei. Mas a ideia desse post é relatar algo que eu passei para as pessoas que tem dismorfia corporal. Eu acho que isso deve acontecer com as outras pessoas que tem dismorfia corporal, mas não tenho certeza porque nunca perguntei se isso acontecia com elas.

Depois que eu descobri que tinha dismorfia corporal, comecei a reparar nos meus hábitos e comecei a tentar mudar tudo que eu percebia que era consequência da minha dismorfia corporal e que atrapalhava a minha vida. Para tudo há um caminho, mas quanto você está disposto a caminhar? É preciso dedicação e disciplina para superar a dismorfia corporal. Aos poucos as coisas vão mudando e você começa a perceber o progresso do que é preciso modificar na sua vida.

Uma das coisas que acontecia comigo e que eu achava que me atrapalhava muito é que eu sempre estava pensando mal de mim (da minha aparência). Se eu pensava “Eu sou feia”, eu tentava corrigir meu pensamento errado como “não, eu não sou feia, eu sou bonita”. E em sequência eu pensava “não, você é feia sim” e eu aceitava essa última ideia. Só que sabendo que eu estava sofrendo de dismorfia corporal, comecei a perceber que esse pensamento autoafirmativo de que eu era feia não era meu. De quem era então? De um espírito? De um et? Não. Era da minha cabeça, mas não era voluntário meu. Era algo que acontecia automático e o tempo todo.

Com isso, eu precisei ligar uma sineta, que tocava toda vez que eu pensava mal de mim, como por exemplo “Eu sou feia”, “Estão reparando como eu sou feia”, “Aquela pessoa está falando mal de mim para a pessoa que ela está conversando”, “ninguém quer conversar comigo no trabalho/faculdade/festa porque eu sou feia”.

Então começou a funcionar assim: “Eu sou feia”, logo em seguida eu me corrigia “Não, eu não sou feia”, e em seguida eu pensava novamente “eu sou feia sim”. Então a sineta imaginária e simbólica tocava TLIM TLIM TLIM. Opa, tem algo errado acontecendo. Então eu falava pra mim mesma “Você não manda em mim (essa outra voz), quem decide o que eu acho sou eu, não essa outra voz que acha que manda mais”. Parece idiota, mas depois de algum tempo a minha opinião começou a prevalecer.

Não precisa dizer “Eu sou bonita” se você não acha isso. Mas pode dizer “no momento eu não me acho bonita porque eu tenho dismorfia, mas estou ciente disso e estou trabalhando para melhorar essa imagem que tenho de mim, mas mesmo que eu não me ache bonita, não vou considerar que os outros me achem feia”. Eu pensava dessa forma também.

É preciso ter em mente e POR EM PRÁTICA que nós nos achamos feios/feias porque em algum momento de nossa vida condicionamos nossa mente a pensar dessa forma e hoje é difícil desacostumar algo que está acostumado de uma forma. Então diga para você mesmo que mesmo que você se ache feio, você sabe que isso é uma condição que sua mente te impôs mas que devagar você está se esforçando para mudar isso (seja lendo, fazendo terapia, etc, não importa o caminho que você está buscando, mas buscar um caminho).

Outra coisa que eu falava pra mim sempre era “Eu não me acho bonita, mas mesmo eu não me achando, vou aceitar que as outras pessoas que me olham não estão me vendo como eu me vejo. O problema está na forma como EU me vejo, e não na forma como AS OUTRAS PESSOAS me vêem. Muita neurose e mania de perseguição que temos na verdade é tudo criação da nossa cabeça. Como por exemplo: as pessoas me acham feia/feio, as pessoas estão falando como eu sou feia/feio, quando na verdade isso não está acontecendo. Então vamos deixar claro para nós que quando julgamos que uma pessoa está nos achando feia/feio e/ou falando mal da nossa aparência para outra pessoa, há 90% de chance de isso ser só imaginação nossa e a pessoa não está pensando ou falando isso de nós.

Se conseguirmos começar a clarear essas ideias dentro da nossa cabeça, as coisas vão começar a se encaixar no lugar correto e a dismorfia vai começar a diminuir.

Obs: Não descarto a importância de fazer terapia para ajudar a superar a dismorfia corporal (gosto muito da terapia cognitivo comportamental).

Psicólogo bom em Cuiabá – MT?

Olá Leitores,

Hoje recebi um email de uma pessoa pedindo indicação de um psicólogo bom em Cuiabá – MT.

Alguém conhece algum para indicar? Se souberem podem comentar aqui nesse post ou enviar para diariodeumadismorfia@gmail.com

Obrigada, Solange.

É possível superar a dismorfia corporal?

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Eis uma pergunta que assombra quem convive com esse transtorno. Os estudos dizem que não há cura, e isso gera aflição e desesperança, dando a impressão de que iremos sofrer o resto de nossos dias nos achando feios e deformados. Não é bem assim.

Os especialistas que estudam esse transtorno dizem que não há cura, mas que há um controle do transtorno. Se esse controle der paz pro nosso espírito e a gente não sofrer mais com a nossa aparência, que mal tem? Digo por mim, há cerca de um ano eu não sofro mais com o que eu vejo no espelho. Não me acho feia, não me acho linda, me acho normal (apesar de a depressão ainda me rondar as vezes ela não se deve à minha aparência).

Aprendi que tenho minhas particularidades, que nossa beleza está muito nos olhos de quem vê e que beleza não é somente o conjunto de características físicas e sim a combinação de aparência física com a personalidade que você tem (seu carisma, seu jeito tímido ou engraçado, sua forma de falar e andar, suas opiniões, sua forma de ouvir, etc).

Primeiro precisamos admitir (para nós mesmos) que temos um transtorno psicológico que nos faz enxergar de forma errada como somos. Se não conseguimos mudar essa percepção sozinhos, precisamos de ajuda profissional de um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra. Existem várias formas de terapia. A que eu mais simpatizo é a “terapia cognitivo comportamental” que vai te ajudar a mudar pensamentos errados através de um diálogo com perguntas e não com conselhos. Estou explicando de forma grosseira, em outro post explico mais detalhado como funciona. Se quiser mais informações nesse momento recorra ao Google. 🙂

Em segundo lugar (se bem que pra mim tudo isso é uma coisa só) você deve ser comprometido com você mesmo a superar isso. Não adiantar ir na terapia uma vez por semana e achar que aquela uma hora dentro do consultório vai mudar sua vida. Não adianta tomar remédio controlado pra depressão, ansiedade ou TOC e achar que aquele comprimido vai fazer milagre. Não funciona assim. O remédio vai dar uma segurada nas coisas ruins que você anda sentindo, vai amenizar, diminuir. Em 100% o remédio ajuda 60% (por exemplo) e você tem que correr atrás dos outros 40% pra fechar com chave de ouro. Da mesma forma é a terapia. Aquela “uma hora” da terapia é o momento que você e sua (ou ‘seu’) terapeuta vai te ajudar a ver alguns pontos a serem trabalhos, vai te ajudar a achar o rumo da sua vida, do seu tratamento, e o resto das horas fora do consultório é você que tem que correr atrás da sua felicidade.

Voltando para a pergunta do começo do post, “é possível superar a dismorfia?”. Eu digo que sim. Não digo só pro mim, o Robert que conheci através do blog também considera a dismorfia corporal página virada na vida dele. E eu quero que vocês levem isso como incentivo para buscar a superação de vocês também. Chega de chorar porque é feio, chega de não sair de casa porque não quer que as outras pessoas te vejam feio, chega de achar que só plástica resolve a sua vida. Eu e o Robert estávamos conversando sobre isso outro dia. As pessoas com dismorfia tem vontade de mudar, mas não tem força de vontade, não tem a atitude de “vou mudar”. Querem que a mudança aconteça por si só. A mudança não vai acontecer. Porque a mudança é você. Sua vida só vai mudar quando você mudar, quando você fizer acontecer. Já falei sobre isso em outro post que você pode ler aqui.

Pra resumir tudo isso. A minha opinião é que se pode sim superar a dismorfia corporal. Mas para isso é preciso se dedicar à terapia, é preciso estar 24 horas por dia prestando atenção na forma que agimos errado e tentar mudar nosso pensamento, é preciso enfrentar nossos medos de sair de casa e ser visto pelas pessoas (porque quanto mais você sair de casa, menor esse monstro chamado medo/vergonha vai ficar). É preciso fazer (ou pelo menos tentar) as tarefas passadas pela terapeuta. É preciso ler sobre a ditadura da beleza e sobre auto imagem, etc. Em outras palavras, é preciso fazer acontecer.

Pensar positivamente produz melhor aparência e melhor disposição de ânimo

Como vivemos tão preocupados com os espelhos, perdemos a noção de nossas muitas outras virtudes. Cometemos o erro de comparar quem somos com quem parecemos ser. Mas, afinal, uma sensação duradoura de atração pessoal não pode ser baseada somente na aparência. Não provém diretamente da beleza ou mesmo das boas ações, mas de bons pensamentos – pensamentos racionais, realistas e gratificantes.

Neste segmento, vou mostrar-lhe como você pode se sentir melhor em relação ao próprio corpo, pensando nele de maneira positiva. Se você fica frequentemente constrangido ou deprimido por sua aparência, estes sentimentos podem provir de pensamentos equivocados sobre a imagem física. Seus sentimentos são reais, mas não são baseados na verdade absoluta sobre sua aparência. Também não são a única maneira de sentir.

Uma premissa básica da terapia cognitiva é que seus pensamentos influenciam sua maneira de sentir. Os sentimentos não flutuam no ar rarefeito. Estão ancorados nos processos cognitivos (que é apensar outro nome para os pensamentos). Lynn diz que às vezes sente-se pior ao se olhar no espelho. Entretanto, não é o ato de olhar, mas o ato de pensar, que cria seus sentimentos negativos.

Erros cognitivos

Provavelmente, você sabe que duas pessoas podem interpretar um acontecimento similar de forma absolutamente diferente. E as explicações de uma podem ser mais exatas ou mais esclarecedoras que as da outra. As interpretações equivocadas das experiências são denominadas erros cognitivos. São erros, porque são ilógicos, não-comprovados, exagerados ou apenas simplesmente errados. Se um erro cognitivo vira hábito, você pode persistir nele até quando está diante de uma evidência em contrário.

Os erros cognitivos podem ter um grande impacto sobre a imagem física. Lembre-se, por exemplo, de que, no capítulo anterior. Susan acreditava-se indigna de ser amada, a menos que tivesse uma aparência perfeita. Suas conclusões equivocadas não se baseavam em fatos, mas a aterrorizavam e deprimiam. Do mesmo modo, o constrangimento de Lynn tinha sua origem no erro cognitivo de pensar que as pessoas estão extremamente preocupadas com a aparência dela quando na realidade não estão. Cometemos erros cognitivos o tempo todo. Eis uma relação dos tipos comuns de erros que podem conduzir muitas pessoas a problemas de imagem física.

Pensar de maneira radical. Classificar as coisas em categorias radicais, julgando-as muito boas ou muito ruins. Se você não se coloca na categoria muito boa, automaticamente se rotula como um total fracasso.

Exemplo: “Jamais serei tão bonito(a) como meu amigo(a)”

Rejeitar pensamentos positivos. Ignorar ou rejeitar a evidência de que você está realmente bem. Portanto, pode continuar acreditando que não está bem e jamais estará.

Exemplo: “Me falaram que eu estou bonito(a). Mas só estavam sendo gentil”

Pensar em “possibilidades”. Fazer exigências irrazoáveis sobre si mesma e sobre os outros. Estas “possibilidades” só conduzem a sentimentos de culpa, raiva e frustração.

Exemplo: “As pessoas deveriam sempre ter a melhor aparência possível”.

Personalizar. Assumir tudo pessoalmente e se sentir responsável por coisas que na verdade estão além do seu controle. Personalizar faz com que você sempre se compare com os outros.

Exemplo: “Eles estão conversando sobre dietas porque acham que estou muito gorda” ou “Se ela pode ter esse visual maravilhoso, por que eu também não posso?”

Tirar conclusões precipitadas. Usar um pequeno fato como prova absoluta de uma questão maior. Por isso, você não tem de pensar nos outros aspectos da questão.

Exemplo: “Se eu não fosse tão feio(a), certamente teria conseguido o emprego” ou “Ele quer terminar o namoro porque sou feia”.

Pensar emocionalmente. Usar seus sentimentos para explicar o que ocorre no mundo exterior. Você supõe que suas emoções sejam um reflexo exato do que realmente está acontecedo.

Exemplo: “Hoje estou com péssima aparência, por isso todos vão me achar horrível”

Exagerar. Aumentar a importância de algo. Isso faz com que você justifique uma reação emocional desproporcional diante de um acontecimento sem importância.

Exemplo: “Estou totalmente deprimida porque meu cabelo está horrível” ou “Eu quis morrer quando ele me viu de maquiagem”.
Trecho do livro: Meu Corpo… Meu Espelho – Rita Freedman Ph.D

Para ler outras partes do livro clique aqui e aqui.

O Transtorno Dismórfico Corporal em Homens Adultos

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Resumo: Esse estudo visa investigar algumas questões oriundas do TDC em homens adultos, com base em estudos empíricos. A partir desse conhecimento, elaborar uma construção sistemática desse transtorno, conhecer os critérios para o diagnóstico do TDC, bem como a dismorfia muscular que é um subtipo dessa patologia e entender os aspectos etiológicos e suas perspectivas de tratamento. Nesse sentido, é valido considerar que a psicologia apresenta propostas de intervenção com intuito de amenizar as conseqüências e riscos para o sujeito portador de TDC, propor discussões sobre a imagem corporal distorcida e resgatar a auto-estima do paciente.

Considerações Iniciais

É comum que muitas pessoas desejem fazer mudanças em seu corpo. No entanto, existem algumas de aparência normal que se vêem impossibilitadas de formar vínculos e interagir com outras pessoas, pois se sentem indignas por sua aparência “não agradável”. O transtorno dismórfico corporal tem sido denominado “feiúra imaginária”. Esse pensamento distorcido é decorrente de algum tipo de “defeito físico” que é ampliado e transformado em um sentimento exacerbado de “feiúra”.

Embora seja essa a definição oficial desse transtorno, alguns autores promovem uma discussão de caracterizá-lo como um modo de manifestação de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), visto que ambos apresentam características semelhantes. O TDC é um transtorno somatoforme porque sua característica principal é a uma excessiva preocupação psicológica com características somáticas.

A pessoa portadora desse transtorno costuma ter idéias de referência, isto é, acredita que tudo o que acontece na esfera social em que vive está relacionada com ela, nesse caso, como o “defeito imaginado”.

A manifestação desse transtorno em homens adultos tem tido uma representação considerável na sociedade atual. Apresenta-se em subtipos, como é o caso da dismorfia muscular, que se configura como uma distorção da imagem corporal que tende a prejudicar o aspecto físico, social, afetivo e psicológico do indivíduo.

Critérios do DSM-IV para o Diagnóstico de Transtorno Dismórfico Corporal
Conforme o DSM-IV (Manual de Diagnóstico dos Distúrbios Mentais) para que o indivíduo seja considerado portador de TDC é necessário que ele atenda as seguintes características:

A pessoa portadora do transtorno dismórfico corporal acredita que está sendo observados e que o seu “defeito” é algo extremo. Ao passo que esses sujeitos podem se esquivar das situações sociais. Em casos extremos, pode ocorrer o isolamento social. Esses pacientes procuram serviços médicos em várias especialidades, a fim de corrigir os supostos defeitos.

Dismorfia Muscular em Homens Adultos

Ao longo da história, as preocupações mórbidas com a imagem corporal eram problemas somente do interesse feminino. No entanto, diante das transformações contemporâneas esses problemas podem acometer de forma acentuada os indivíduos do sexo masculino e comprometer varias áreas da sua vida.

De acordo com Assunção (2012) A dismorfia muscular é um subtipo do transtorno dismórfico corporal que ocorre principalmente em homens que, apesar da grande hipertrofia muscular, consideram-se pequenos e fracos. Além de estar associada a prejuízos sociais, ocupacionais, recreativos e em outras áreas do funcionamento do indivíduo.

Não obstante, a constituição social favorece a construção do corpo belo, em que as pessoas cultuam a boa forma e uma aparência impecável. Nos dias atuais, os homens se voltaram aos padrões sociais, no que diz respeito a cuidados com a parte física.

Cone & Pope (apud Assunção 2012) realizaram uma revisão sobre aspectos relacionados à imagem corporal em indivíduos do sexo masculino. Em termos gerais, a revisão aponta que alterações de imagem corporal no sexo masculino, ao contrário do que se pensava, são quadros relativamente comuns e diferem do padrão de distorção tipicamente feminino. As mulheres apresentam níveis bem maiores de insatisfação que os homens e descreve sempre corpos mais magros como objetivo. No caso dos homens, há aqueles que seguem o padrão feminino, mas a maioria considera um corpo mais musculoso como representação da imagem corporal masculina ideal.

A preocupação de um indivíduo de que seu corpo seja pequeno e franzino, quando na verdade é grande e musculoso, é a característica principal da dismorfia muscular. Este sintoma está relacionado a padrões de alimentação específicos, geralmente compostos de dieta hiperprotéica além de inúmeros suplementos alimentares a base de aminoácidos ou substâncias para aumentar o rendimento físico. A atividade física pode ser realizada de forma excessiva, inclusive causando prejuízos nos funcionamentos social, ocupacional e recreativo do indivíduo, chegando a ocupar de 4 a 5 horas por dia. As atividades aeróbias são evitadas para que não ocorra perda da massa muscular adquirida durante as pesadas sessões de musculação. Os possíveis ganhos musculares são checados exaustivamente chegando a 13 vezes ao dia. (ASSUNÇÃO, 2012).

O processo de sistematização do transtorno no homem deve ser entendido de forma científica e cultural. Esse fenômeno começa a partir da idéia de que o homem deve ter uma estrutura física avantajada e se assim não for o sujeito se sente fora dos padrões impostos socialmente. Para lidar de forma coerente com essa situação, é necessário ter um suporte social efetivo e uma boa estrutura de personalidade.

Etiologia e Tratamento do Transtorno Dismórfico Corporal

Sabemos muito pouco sobre a etiologia e o tratamento do transtorno dismórfico corporal. Não temos quase nenhuma informação sobre se ele acontece nas famílias e, por isso, não podemos investigar uma contribuição genética especifica. De forma semelhante, não temos nenhuma informação significativa sobre os fatores ou as vulnerabilidades de predisposição biológica ou psicológica. (BARLOW, 2011).

No transtorno dismórfico corporal o foco reside na aparência física, via de regra não tende a acontecer de forma simultânea aos transtornos somatoformes. Em muitos casos podem ocorrer semelhanças entre o TDC e o TOC. Os indivíduos com TDC tendem a apresentar comportamentos compulsivos, pensamentos intrusivos e persistentes sobre sua aparência física ou algum “defeito” visível.

Alguns autores vêem o TDC como tendo origem em conflitos inconscientes. Virtualmente, qualquer parte do corpo pode ser objeto do TDC, mas há predomínio para alvos como pele (pequenas escaras, acne), orelha, nariz, cabeça e face. Com freqüência estão associadas idéias ou delírios de referência, bem como comportamentos ritualísticos e repetitivos, como olhar várias vezes ao espelho para checar o defeito imaginário, picar repetidas vezes a pele e questionar persistentemente os outros em busca de confirmação do defeito. (AMÂNCIO, 2002).

O arcabouço psicanalítico tem numerosas especulações acerca desse transtorno e centra-se na idéia do mecanismo de defesa do deslocamento, isto é, um conflito inconsciente pode provocar angústia ou ansiedade no sujeito, e então, o indivíduo desloca essa inquietação para uma parte do corpo.

A terapia cognitivo-comportamental parece ser útil no tratamento da dismorfia muscular. Suas estratégias incluem a identificação de padrões distorcidos de percepção da imagem corporal, identificação de aspectos positivos da aparência física e confrontação entre padrões corporais atingíveis e inatingíveis. Os comportamentos compulsivos relacionados ao exercício, dieta ou de checar o grau da musculatura devem ser inibidos. Da mesma forma, o indivíduo deve ser encorajado a gradualmente enfrentar sua aversão de expor o corpo. (ASSUNÇAO, 2012).

Algumas estratégias comportamentais podem ser de grade valia na recuperação de pacientes em tal condição, bem como a prevenção de exposição e de respostas utilizada no modelo cognitivo-comportamental. E deve ser combinado com tratamento farmacológico, como antidepressivos.

A partir das discussões apresentadas acima ressalta-se a necessidade de pesquisas futuras sobre o tema, entre elas: estratégias de avaliação e intervenção, incluindo nessa última categoria pesquisas sobre eficácia de medicações e de intervenções psicológicas em suas diferentes abordagens. (SALINA, 2011).

Considerações finais

Em conclusão, pode-se considerar o transtorno dismórfico corporal em homens adultos associado a uma insatisfação em sua aparência física, porém, de caráter patológico, visto que há um pensamento específico de defeito imaginário no próprio corpo. Nesse aspecto, os indivíduos possuem estrutura corporal notável, mas se vêem magros e franzinos, esse comportamento reflete em prejuízos físicos, sociais, ocupacionais e psicológicos na vida do paciente. As intervenções psicológicas são uma tentativa de amenizar os efeitos nocivos do transtorno e despertar o desejo de mudança no sujeito, bem como uma re-interpretação sobre o conceito de beleza cultuado pela sociedade. Além disto, esse estudo mostra que há uma carência efetiva de pesquisas científicas acerca dessa problemática em homens, o que sugere novas reflexões e estudos que visem embasar o conhecimento patológico, assim como fornecer subsídios no manejo clínico desse transtorno.

Fonte: Psicologado

Sobre o autor: Alex Barbosa Sobreira de Miranda – Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil
email: alex_barbo_sa@hotmail.com

Livro “De mal com o espelho” a venda

Pessoal,

Quem queria comprar o livro “De mal com o espelho, o transtorno dismórfico corporal” e nunca encontrava pra comprar, está disponível para a compra no site da Estante Virtual.

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Lembrando que o site é de venda de livros usados, então só tem essas duas unidades disponíveis no momento.

livro-de-mal-com-o-espelho

 

E você pode ler o que eu já falei sobre o livro aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.

Eu recomendo a leitura, o livro é muito bom com linguagem fácil.

Congresso sobre Transtorno Dismórfico Corporal

Transtorno Dismórfico Corporal
Do corpo real à feiura irreal

Data: 19 a 20 de outubro de 2012
Público-alvo:  Profissionais e estudantes da área de saúde

Para ver a imagem maior clique sobre ela.

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Conteúdo do Curso: 

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Mais informações e inscrições clique aqui.

Eu queria ir, pena que to longe 🙁

Transtorno dismórfico corporal

Transtorno dismórfico corporal
Por Dra. Maria Cristina Ramos Britto – http://www.psicologiaesaude.com

No campo das ciências médicas e biológicas, a doença precede o diagnóstico e o tratamento, e é assim também na área da psicologia. Muito se tem a pesquisar ainda, tanto em relação às enfermidades do corpo, como câncer e Aids, quanto aos males da alma. Uma doença física ou mental pode ter mais de uma causa e, em relação ao transtorno dismórfico corporal (TDC), há várias hipóteses, poucas certezas e um longo caminho em termos de cura.
O TDC caracteriza-se por insatisfação em relação a uma ou mais partes específicas do corpo, o que provoca sensações de desconforto e ansiedade, que pode evoluir para uma não aceitação do aspecto físico, mesmo que a percebida imperfeição seja mínima ou inexistente. A pessoa então começa uma via-crúcis a consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos, em busca de solução para o seu problema. Como o desconforto é subjetivo, os resultados das intervenções frustram o indivíduo, que volta a procurar os mesmos profissionais ou tentar outros, numa busca inútil.
O transtorno tem origens multifatoriais, ou seja, não se pode apontar uma causa apenas. Concorrem para o aparecimento do TDC fatores neurobiológicos, provocados por um desequilíbrio químico no cérebro. Há os fatores psicológicos, relativos a características de personalidade, também os sociais e culturais, além dos ambientais e familiares.  A síndrome provoca significativo sofrimento emocional e prejuízo no desempenho em importantes áreas da vida, desde a profissional aos relacionamentos afetivos, familiares e sociais.
Num mundo globalizado, as diferenças se diluem. O mercado é um poder visível nos outdoors e anúncios, no cinema, na gastronomia, na cultura e na política. Como canta Caetano Veloso, é “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, entre estas, a humanidade. A vida de boa parte da população do planeta virou uma corrida maluca em direção ao consumo, ao acúmulo de bens e serviços que se acredita precisar sem mesmo saber por quê. Aí entra o corpo, como um objeto a ser modificado, melhorado, transformado para ser amado, reconhecido. Mas de quem é este corpo, já que quem o habita não o aceita? Esta é uma das questões apresentada pelo TDC.
A pressão exercida pelos pais, em relação à aparência física deles mesmos e dos filhos, contribui para o desenvolvimento deste distúrbio. Pais exageradamente críticos, sempre envolvidos com dietas e exercícios físicos, tratamentos dermatológicos e cirurgias plásticas, passam a mensagem de que o importante é o exterior, que beleza é garantia de sucesso. Mas a criança ou adolescente pode desenvolver insegurança, problemas de autoimagem e autoestima e outros mais graves se sofrer abuso psicológico e/ou físico, se os pais forem ausentes ou indiferentes às necessidades deles e não fornecerem os cuidados básicos para um crescimento saudável.
Isto não significa que filhos de pais que encaram a questão estética de forma totalmente diferente não desenvolvam o TDC. Ainda há os outros fatores desencadeantes, já mencionados. Pais cujos filhos evitam o contato social, trancam-se no quarto e manifestam baixa autoestima, dizendo-se feios e desinteressantes, devem averiguar se o jovem não é vítima de bullying. Se não for o caso, é indicado procurar orientação a respeito de outros distúrbios, como depressão, ansiedade, fobia social. O diagnóstico correto é fundamental para o tratamento, que, quanto mais precoce, melhor o prognóstico.