É possível superar a dismorfia corporal?

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Eis uma pergunta que assombra quem convive com esse transtorno. Os estudos dizem que não há cura, e isso gera aflição e desesperança, dando a impressão de que iremos sofrer o resto de nossos dias nos achando feios e deformados. Não é bem assim.

Os especialistas que estudam esse transtorno dizem que não há cura, mas que há um controle do transtorno. Se esse controle der paz pro nosso espírito e a gente não sofrer mais com a nossa aparência, que mal tem? Digo por mim, há cerca de um ano eu não sofro mais com o que eu vejo no espelho. Não me acho feia, não me acho linda, me acho normal (apesar de a depressão ainda me rondar as vezes ela não se deve à minha aparência).

Aprendi que tenho minhas particularidades, que nossa beleza está muito nos olhos de quem vê e que beleza não é somente o conjunto de características físicas e sim a combinação de aparência física com a personalidade que você tem (seu carisma, seu jeito tímido ou engraçado, sua forma de falar e andar, suas opiniões, sua forma de ouvir, etc).

Primeiro precisamos admitir (para nós mesmos) que temos um transtorno psicológico que nos faz enxergar de forma errada como somos. Se não conseguimos mudar essa percepção sozinhos, precisamos de ajuda profissional de um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra. Existem várias formas de terapia. A que eu mais simpatizo é a “terapia cognitivo comportamental” que vai te ajudar a mudar pensamentos errados através de um diálogo com perguntas e não com conselhos. Estou explicando de forma grosseira, em outro post explico mais detalhado como funciona. Se quiser mais informações nesse momento recorra ao Google. 🙂

Em segundo lugar (se bem que pra mim tudo isso é uma coisa só) você deve ser comprometido com você mesmo a superar isso. Não adiantar ir na terapia uma vez por semana e achar que aquela uma hora dentro do consultório vai mudar sua vida. Não adianta tomar remédio controlado pra depressão, ansiedade ou TOC e achar que aquele comprimido vai fazer milagre. Não funciona assim. O remédio vai dar uma segurada nas coisas ruins que você anda sentindo, vai amenizar, diminuir. Em 100% o remédio ajuda 60% (por exemplo) e você tem que correr atrás dos outros 40% pra fechar com chave de ouro. Da mesma forma é a terapia. Aquela “uma hora” da terapia é o momento que você e sua (ou ‘seu’) terapeuta vai te ajudar a ver alguns pontos a serem trabalhos, vai te ajudar a achar o rumo da sua vida, do seu tratamento, e o resto das horas fora do consultório é você que tem que correr atrás da sua felicidade.

Voltando para a pergunta do começo do post, “é possível superar a dismorfia?”. Eu digo que sim. Não digo só pro mim, o Robert que conheci através do blog também considera a dismorfia corporal página virada na vida dele. E eu quero que vocês levem isso como incentivo para buscar a superação de vocês também. Chega de chorar porque é feio, chega de não sair de casa porque não quer que as outras pessoas te vejam feio, chega de achar que só plástica resolve a sua vida. Eu e o Robert estávamos conversando sobre isso outro dia. As pessoas com dismorfia tem vontade de mudar, mas não tem força de vontade, não tem a atitude de “vou mudar”. Querem que a mudança aconteça por si só. A mudança não vai acontecer. Porque a mudança é você. Sua vida só vai mudar quando você mudar, quando você fizer acontecer. Já falei sobre isso em outro post que você pode ler aqui.

Pra resumir tudo isso. A minha opinião é que se pode sim superar a dismorfia corporal. Mas para isso é preciso se dedicar à terapia, é preciso estar 24 horas por dia prestando atenção na forma que agimos errado e tentar mudar nosso pensamento, é preciso enfrentar nossos medos de sair de casa e ser visto pelas pessoas (porque quanto mais você sair de casa, menor esse monstro chamado medo/vergonha vai ficar). É preciso fazer (ou pelo menos tentar) as tarefas passadas pela terapeuta. É preciso ler sobre a ditadura da beleza e sobre auto imagem, etc. Em outras palavras, é preciso fazer acontecer.

Casos Clínicos

Os dois casos clínicos abaixo foram retirados do livro “De Mal com o Espelho – O transtorno dismórfico corporal” de Leonardo Gama Filho. O texto é do capítulo 6 “A cirurgia plástica e o transtorno dismórfico corporal”.

Casos Clínicos

Caso 1

Srta B, 32 anos, solteira, profissional liberal, nulípara, comportamento muito amigável, extrovertida. Paciente com história de obesidade prévia e perda ponderal de 40 quilos com auxílio de endocrinologista, nutricionista e exercícios físicos. Queixava-se de flacidez de pele nas mamas e abdômen, fato que limitava suas atividades de fazer e divertimento, pois “sentia vergonha” de usar biquíni na praia. O exame físico mostrava ptose mamária grave e dermolipodistrofia abdominal importante. Referia antecedente de consultas psiquiátricas e havia feito uso de antidepressivo no passado para tratamento de “ansiedade”. Não apresentou contra-indicações clínicas e foi submetida à mastopexia e dermolipectomia abdominal. Ficou muito feliz com a cirurgia num primeiro momento, mas exigia atenção da equipe 24 horas por dia.

Na segunda semana de pós-operatório, começou a queixar-se de que os remédios a fizeram engordar e que estava inchada. Nas consultas subsequentes, após ter reafirmação da equipe (e da balança) de que não apresentou ganho ponderal, inovou com queixas de enormes acúmulos de gordura e pele flácida na região lombar e solicitou, enfaticamente, uma cirurgia de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica de torsoplastia. Orientada que não havia indicação cirúrgica para torsoplastia, a paciente imediatamente reclamou que suas pálpebras e a ponta de seu nariz estavam “caídas”. Foi encaminhada para avaliação psiquiatra e reagiu com descaso. Retornou uma últma vez para solicitar cirurgias, disse que havia iniciado o uso de fluoxetina após a consulta com o psiquiatra e que recebeu o diagnóstico de “ansiedade”.

Nesse primeiro caso, apesar de não preencher completamente os critérios diagnósticos para TDC, a paciente apresenta uma preocupação não-saudável com a aparência corporal e, mesmo satisfeita com a resolução do problema que a afligia, logo modificou a localização do defeito, apresentando sofrimento semelhante ao do início do tratamento, tornando-se adicta à Cirurgia Plástica.

Caso 2

Sta. A, 28 anos, solteira, bastante tímida, com queixa de mamas muito grandes, causadoras de intenso incômodo. Ao exame físico, a paciente apresentava hipermastia importante, sem outras patologias mamárias ou clínicas. Não usava nenhuma medicação e não apresentava nenhum antecedente psiquiátrico. Foi submetida à mamoplastia redutora com retirada de cerca de 900g de cada mama, reduzindo consideravelmente o seu volume. Na primeira consulta do pós-operatório, a paciente queixou-se de que suas mamas continuavam tão grande quanto antes da cirurgia. Foram mostradas à paciente fotos realizadas no período pré-operatório, relatado o peso dos tecidos retirados e explicado que havia edema proveniente do recente procedimento cirúrgico, sendo que tal inchaço iria perdurar por algumas semanas.

Na consulta do primeiro mês de pós-operatório, a paciente apresentou crise de choro intenso dizendo que suas mamas estavam gigantes e, por tal fato, exigia que fosse submetida à nova intervenção para regirada de toda a mama. Diante do quadro, a paciente foi encaminhada para uma avaliação psiquiátrica e orientada quanto à necessidade de manter o acompanhamento pós-operatório com a cirurgia plástica. Aparentemente, a paciente pareceu aceitar. No entanto, não retornou às consultas programadas e não foi possível encontrá-la nos telefones de contato.

Esse segundo caso clínico revela um quadro muito sugestivo de TDC-não diagnosticado no período pré-operatório devido ao nexo causal da queixa com o exame físico, motivo de grande sofrimento para a paciente, certamente agravando seus sintomas  No pos-operatório, período em que o quadro tornou-se gritante, foi possível constatar que os critérios diagnósticos estavam presentes antes da cirurgia. A paciente apresentava timidez crescente, impossibilitando sua vida social e afetiva de modo progressivo, fato esse que, na época, seus familiares atribuíram ao temperamento quieto somado ao seu “complexo do tamanho das mamas”. Infelizmente, no caso em tela, a percepção dos sinais de alerta foi tardia.

Para ler outras partes do livro clique aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.

Livro “De mal com o espelho” a venda

Pessoal,

Quem queria comprar o livro “De mal com o espelho, o transtorno dismórfico corporal” e nunca encontrava pra comprar, está disponível para a compra no site da Estante Virtual.

Você pode comprar o livro clicando aqui.

Lembrando que o site é de venda de livros usados, então só tem essas duas unidades disponíveis no momento.

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E você pode ler o que eu já falei sobre o livro aquiaquiCapítulo 4 e Capítulo 4 ítem 3.

Eu recomendo a leitura, o livro é muito bom com linguagem fácil.

Congresso sobre Transtorno Dismórfico Corporal

Transtorno Dismórfico Corporal
Do corpo real à feiura irreal

Data: 19 a 20 de outubro de 2012
Público-alvo:  Profissionais e estudantes da área de saúde

Para ver a imagem maior clique sobre ela.

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Conteúdo do Curso: 

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Mais informações e inscrições clique aqui.

Eu queria ir, pena que to longe 🙁

Que coisa querida vcs

Que coisa querida vcs que me mandaram email se preocupando comigo. Obrigada. Segunda fui em uma psiquiatra e ela me deu a receita pro Citalopram (não gostei muito dela, mas depois conto sobre isso).

Mandei manipular o Citalopram (sai R$ 30,00 – 60 capsulas enquanto o de Farmácia é R$ 90,00 – 30 comprimidos). Quando cheguei na farmácia de manipulação eu estava tão abatida que a moça perguntou “Ta gripada?”. O remédio fica pronto hoje fim do dia mas só consigo pegar amanhã. Depois são cerca de 20 dias pro organismo repor e estabilizar a serotonina. Enquanto isso estou com uma bola de futebol na garganta, uma bigorna no peito e uma dor de cabeça que me acompanha há alguns dias.

Já falei em “O que eu to fazendo aqui?” e em “Viver é chato” como essas épocas de depressão me fazem odiar viver. E por eu ser kardecista (criada como católica mas há alguns anos aprendi muito sobre kardecismo) não quero me matar pq acredito que vou ficar bem mais tempo sofrendo no Umbral (o inferno do espiritismo – clique aqui para ler mais) do que eu sofreria vivendo mais 50 anos e morrendo velhinha por morte natural. Então entre sofrer 600 anos no Umbral e 60 na Terra prefiro ficar me fudendo por aqui mesmo.

A chatisse é que Deus não me perguntou se eu queria ser criada quando me criou, e agora tenho que dançar conforme a música.

Depressão veio me visitar

Eu sabia que isso ia acontecer, mas não imaginei que alguns fatores iam potencializar a chegada dela. Em maio do ano passado larguei o Citalopram e voltei a ter depressão. Depois disso voltei a tomar a medicação e tudo ficou normal. Estou há um pouco mais de um mês sem tomar Citalopram pq acabou e eu só consegui achar psiquiatra pela Unimed para dia 28/06. Passo o dia angustiada, coisas que eu deveria fazer com facilidade vão se arrastando e vou adiando tudo o máximo que eu posso. Algumas coisas que estão fora do meu alcance me deixam ansiosa e não consigo comer, parece que tenho uma bola de futebol no estomago. Quando como, por menos que seja, parece que eu engoli um boi e fico com uma sensação como se houvesse muito mais comida no meu estomago que ele pudesse comportar. Choro, coisa que há tempo não acontecia. Não tenho forças, por mais que eu me esforce pra fazer algo não tenho energia. Estou tendo insônia e acordo muito cansada. Sinto falta dos meus pais que estão longe e que nessas horas eu queria um pouco de carinho deles. Mas não converso com eles sobre o que ta acontecendo para não deixa-los preocupados (estou torcendo para meu pai não ler esse post). A última vez que tive esses problemas com depressão foi em setembro do ano passado e mais uma vez essa merda ta acontecendo. Hoje vou ligar pra secretária da Psiquiatra e tentar passar a consulta pra essa semana. Fé, por mais que a depressão me faça desacreditar em Deus.

5 HTP – remédio

 

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Meu Citalopram acabou. E quando acaba eu começo a ficar na merda. Desde que fui no meu psiquiatra e falei que andava com muito sono e queria saber se eu podia tomar algo, tipo Pharmathon, e ele quis me empurrar um remédio manipulado de R$ 500,00/mês (e fazer caixa dois) eu não quero mais ir nele.

Tentei marcar outro psiquiatra que atendesse pela Unimed mas é meio difícil de achar. Marquei uma psiquiatra pro dia 28/06 mas juro que to achando que vou chegar lá e falar “Oi, tenho dismorfia corporal” e ela vai responder “O que é dismorfia corporal?”. Da vontade de pedir reembolso da consulta. Falo isso pq com outras duas psiquiatras aconteceu isso. E aí os papéis se invertem. O médico que deveria explicar pra vc acaba ouvindo o que vc tem pra explicar pra ele sobre dismorfia corporal.

Por conta disso tudo (meu psiquiatra atual e outros psiquiatras ignorantes) eu não queria ter que depender da receita do psiquiatra, já que o Citalopram é remédio controlado. Eu me pergunto, pq serotonina tem que ser controlada? Eu não preciso de receita médica pra comprar chocolate.

Eu queria achar um remédio que ajudasse a repor serotonina no meu cérebro bichado sem ser um remédio controlado. Fui pro Google.

Resumindo a missa da minha pesquisa, achei um tal de 5HTP. Mas que merda é essa?

O 5HTP (5HTP, 5-Hidroxitriptofano, Pílula da Felicidade, 5-Hydroxytryptophan, 5-HTTP) é um suplemento dietético precursor  metabólico da serotonina (5-HTP Supplements), que por sua vez é um neurotransmissor no cérebro. É produzido a partir das sementes da planta africana Griffonia Simplicifolia. O 5-HTP é utilizado na medicina alternativa para aliviar sintomas de ansiedade, depressão, fibromialgia, insônia, dores de cabeça, TPM e redução do apetite. O extrato de 5-hidroxitriptofano é vendido como um suplemento natural.

O 5-HTP, suplemento natural ainda bastante desconhecido e muito pouco usado para tratar a ansiedade, passou a atrair maior atenção após bons resultados no tratamento natural de ansiedade, quando administrado de forma correta. 5-HTP é a abreviação de 5-hidroxitriptofano, aminoácido precursor da serotonina. Quando ingerido, faz com que alguns triptofanos se transformem em proteínas, sendo alguns em niacina (vitamina B3) e outros vão para o cérebro para se converterem em serotonina (neurotransmissor), substância fundamental para o funcionamento do cérebro, responsável também por regular o humor e os níveis de tensão.

Uma das causas comuns da ansiedade é uma desordem conhecida como SDS ou Síndrome de Deficiência de Serotonina, ocasionada por níveis de serotonina abaixo do normal no cérebro. Isto faz com que o cérebro regule mal o humor, a tensão, o apetite e os processos de sono. Isto somado pode influenciar negativamente e aumentar os níveis de ansiedade. A função do 5-HTP é de suprir a falta de serotonina, fazendo que no final das contas os níveis de ansiedade diminuam consideravelmente.

A dose a ser ministrada para o controle da ansiedade através do 5HTP deve ser sempre feita sobre prescrição médica, sendo mais comum o consumo diário de 100mg de 5HTP. No caso da ansiedade, os efeitos proporcionados pelo 5HTP não são instantâneos, havendo casos em que o cérebro pode levar cerca de um mês para se beneficiar completamente do suplemento.

Inúmeras pesquisas estudaram a eficácia do 5-HTP para o tratamento da depressão. Os efeitos da fluvoxamina foram comparados ao 5-HTP, que provou ser igualmente efetivo no tratamento da depressão. Vários grupos tratados com essas substâncias obtiveram redução gradual dos sintomas depressivos. Uma publicação na revista Neuropsychobiology, mostrou segundo um investigador, que “dos 17 estudos revisados, 13 confirmaram que o 5-HTP possui verdadeiras propriedades antidepressivas. (in Zmilacher K, et al. L-5-hydroxytryptophan alone and in combination with a peripheral decarboxylase inhibitor in the treatment of depression. Neuropsychobiology 1988;20:28-35).

A dose efetiva de 5-HTP parece estar a partir de 50mg diários. No entanto, é importantíssimo que o uso do 5HTP só seja usado mediante prescrição médica. Também não se deve de forma alguma usar o 5HTP combinado com outras substâncias antidepressivas sem recomendação e acompanhamento médico especializado. Efeitos colaterais associados com doses terapêuticas de 5-HTP são raros, mas de qualquer forma, se deve ter muito cuidado ao utilizar o 5HTP.

No entanto, o 5-HTP não pode jamais ser consumido de forma indiscriminada, vez que altos níveis de serotonina podem causar efeitos colaterais em algumas pessoas e, em função disto, é aconselhável sempre utilizar o 5-HTP com prescrição de um profissional da saúde competente.

Bom, esse 5HTP é usado mais pra regime. No google achei várias pessoas que tomam pra emagrecer e pra parar de fumar. Mas pra depressão não achei nada. Pelo que eu li, é preciso tomar 2 cápsulas por dia. O valor +ou- é de R$ 50,00 para 60 cápsulas (só vende manipulado). Eu pago R$ 40,00 para 60 capsulas de citalopram (mas citalopram é 1 por dia).

Vou esperar a consulta com a psiquiatra do dia 28/06. Se ela me atender bacana, continuo com o Citalopram e não compro esse 5HTP. Mas ele parece ser bem interessante, né? Fiquei curiosa se ele poderia substituir o Citalopram. Li sobre o uso placebo dele (pra quem não sabe placebo é quando a pessoa toma remédio com farinha e acha que ta tomando remédio de verdade e ele funciona do mesmo jeito pq a pessoa acredita que é remédio de verdade) no regime. Quem tomou placebo emagreceu 1 kg enquanto quem tomou o de verdade emagreceu 4 kg. Pra ler mais sobre o remédio clique aqui.

Quando eu decidir mais sobre o que vou tomar eu posto aqui.

Depoimento do Robert

Abaixo o depoimento do Robert, um amigo meu que conheci através do blog. Pedi pra ele escrever um depoimento pra vocês. Principalmente por iniciativa dele tomar atitudes pra superar tudo isso.

Bem pessoal, posso dizer que o meu transtorno ocorreu em meados de 2006, mais precisamente em fevereiro, dois meses após eu ter concluído a faculdade. Ter concluído a faculdade sem nunca ter namorado e vendo que, todos os meus primos e amigos já haviam tido namoradas, me fez pensar que isso, era tão somente por causa da minha aparência. Comecei a achar que o fato de não ter sido popular na faculdade, nem nunca ter namorado, era por causa da minha aparência. Tais pensamentos melancólicos e perturbadores desencadearam este transtorno, que surgiu em mim de uma forma intensa, provocando logo em seguida, forte depressão e pensamentos suicidas.. Fiquei vivendo uns 6 meses como um morto-vivo.   Ainda bem que meus pais, maravilhosos e compreensivos, cuidaram de mim. Passei então, a trabalhar com o meu pai.

Concomitante ao trabalho do meu pai, passei a me interessar por alguns livros de psicologia. Então comecei a ler alguns que pudessem me ajudar a ser uma pessoa mais confiante. Queria me tornar mais confiante. Queria encontrar alguma maneira de superar aquela doença que até então eu não sabia o nome. E os livros de psicologia me deram uma grande motivação e vontade de viver e de lutar.  Porém eu sempre continuava bastante atormentado pelo transtorno.. Tinha dificuldades para me expressar, para conversar com desconhecidos, para dar risada(pois achava que a minha aparência ficava muito deformada), pesquisava preços de cirurgias plásticas, etc..  Mas agora eu havia conquistado algo muito valioso: a motivação de um dia conseguir a cura para este transtorno destruidor, independente do que fosse preciso.

Fiz uma verdadeira busca por tratamentos, para uma doença que eu sequer sabia que existia e que eu enxergava apenas como “neurose”. Descobri vários tipos de tratamentos alternativos para doenças psíquicas, como EMDR, Hipnose, Dianética, PNL, etc… Cheguei inclusive a pagar R$ 640,00 por um tratamento  on-line de PNL (é, fui ingênuo, eu sei) onde o suposto “guru” me garantiu de que realizaria a minha cura..   Eu tive direito a 5 sessões. Depois da quarta sessão eu me desanimei e nem quis mais ver o sujeito.

De 2006 a 2010, eu passei praticamente trabalhando junto com meu pai num comércio, fazendo alguns bicos de montagem/manutenção de computadores, lendo livros de auto-ajuda/psicologia e prestando concursos… Enfrentei algumas crises bravas da doença tb, onde tinha vezes que eu queria morrer por causa do “suposto defeito estético”.

Minha vida só começou a mudar mesmo a partir de maio/2010, quando eu fui chamado para trabalhar num órgão público no qual eu havia prestado concurso. Quase morri de alegria. Nem acreditei. Estava sem emprego registrado desde 2006 e batalhando bastante para arrumar um emprego.  Que bênção.

Porém, havia milhares de fantasmas na minha cabeça. Eu estava meio que longe da sociedade, sem frequentar cursos, sem trabalhar, nem nada, apenas em casa, estudando e procurando emprego. Eu tinha medo e certeza de que quando eu fosse trabalhar, as pessoas me zombariam e me desprezariam única e exclusivamente por causa da minha aparência, não importa o quão carismático eu fosse. Me achava um monstro, uma escória e que as pessoas se distanciariam de mim por causa da minha fisionomia. Mas estava disposto a ir pra guerra e não perder a liberdade de viver.

Comecei a trabalhar. Lembro que no começo eu possuía uma grande dificuldade de concentração e tinha que me esforçar bastante pra me concentrar, pois eu sempre imaginava que as pessoas estavam olhando pra minha aparência, pensando como eu era tão feio. E eu não conhecia os recursos necessários para enfrentar e suportar essa doença. Toda vez que eu ia ao banheiro e olhava para o espelho, aquilo disparava a crise, me deixando umas 3 horas tenso e perturbado.

O dia que foi o mais crítico, foi quando eu quase cheguei a surtar no trabalho. Perturbado e bem torturado por causa da minha aparência, eu não conseguia me concentrar e estava muito aflito, sem conseguir nem entender nada e a cabeça bem perturbada…  Ainda bem que por coincidência, esse era justo o dia que eu tinha consulta com o psiquiatra. Consegui sair da empresa sem surtar e fui à consulta.

Lá expliquei tudo, mas tudo o que acontecia comigo, todo o sofrimento, toda a perturbação, todo o tormento. Ficamos 1 hora conversando. Não tive vergonha de revelar nenhum detalhe da doença… Ele me ouviu, falou que eu tinha muita ansiedade e que eu precisava de remédios.. Me recomendou 3 comprimidos de sertralina por dia. Disse ainda que conforme eu fosse tomando os remédios, eu teria mais controle e equilíbrio sobre a doença.

Depois disso, continuei a pesquisar obsessivamente sobre os sintomas dessa doença pra ver se eu encontrava alguma terapia adequada.. Nessas pesquisas, finalmente eu descobri que essa doença tinha um nome e que se chamava Transtorno Dismórfico Corporal. Foi uma verdadeira revelação essa descoberta. Agora, de posse do nome da doença, eu poderia procurar pelo tratamento mais adequado. Infelizmente, creio que milhares de pessoas que possuem esta doença não a conhece pelo nome.

Então, eu descobri uma comunidade do orkut sobre a tal doença e la, encontrei um tópico realmente esclarecedor, de uma pessoa portadora do TDC que já havia feito uma intensa pesquisa acerca da doença, tendo comprado até mesmo livros americanos sobre a mesma, pois lá, o conhecimento sobre tal transtorno é maior. Inclusive lá nos EUA, há clínicas especializadas apenas nesta enfermidade e a disponibilidade de terapeutas é muito maior.   Mas, para a minha imensa felicidade, aqui no Brasil também há doutores qualificados para tratar dessa doença. Após alguns contatos, encontrei uma doutora que tratava de pacientes com ansiedade, ocasionados por diversos tipos de transtornos, inclusive pelo TDC. Comecei a me tratar com ela. Ela foi me guiando pelo caminho correto e me dizendo o que eu podia e o que eu não podia fazer. Começava então um desafio.

As primeiras “ordens” dela, foi pra eu parar de me olhar no espelho procurando meus “defeitos estéticos” e pra eu fazer enfrentamentos. Era assim que se combatia a doença. Parar de se checar no espelho, faz com que vc não alimente o transtorno e fazer enfrentamentos, significa vc se expor, ir conversar com desconhecidos, pedir opiniões, frequentar lugares rodeados de pessoas como academia, shows, etc. Isso faz com que aquele medo de que todos vão te reparar e cochichar sobre sua aparência, vá se desmistificando. Cada enfrentamento que vc faz é um golpe acertado na doença e faz com que o monstro do TDC vá se enfraquecendo aos poucos. É como se o transtorno do TDC fosse do tamanho de um dinossauro no inconsciente da pessoa e a cada golpe levado, o dinossauro vá se enfraquecendo. Porém isso não é nada fácil pra quem tem o transtorno. Fazer enfrentamentos é complicado, mas uma vez que a pessoa decide declarar a sua liberdade e passa a enfrentar essa doença custe o que custar, o impossível se torna possível.

Muitas vezes eu cheguei a parar pessoas na rua pra pedir informações sobre determinado local(que eu já sabia rs) apenas para me expor. Pedia informações para pessoas em pontos de ônibus. Conversava com vendedoras e entrava em lojas sem querer comprar nada, apenas para acelerar o tratamento. Saía a noite pra baladas, abordava garotas, me expunha. Cheguei a fazer curso de teatro, algo que me ajudou também. Concomitante a isso, fiz um baita de um esforço pra parar de me checar no espelho. Tive várias recaídas, isso é verdade. Mas consegui diminuir significativamente as checagens. Ah, não poderia também, deixar de falar dos remédios, que foram essenciais para meu tratamento e que sem eles, nenhuma melhora haveria ocorrido. Faço questão até de enfatizar: para esta doença, os remédios são essenciais.

Tudo isso, fez com que eu conseguisse resgatar o prazer de viver e encontrar a liberdade que havia sido perdida durante uns 4 anos. Passei a viver como uma pessoa normal, trabalhando, saindo com amigos, curtindo a vida. Saí do abismo do TDC e resgatei a alegria de viver…  Algo que todo mundo deveria ter o direito.

Mas descobri que é preciso que estejamos sempre em alerta e saber que infelizmente ainda não há cura definitiva para esta doença (pelo menos não que eu saiba) e que qualquer descuido, recaída, pode causar alguma tormenta. Mas que hoje em dia, já há recursos e ferramentas EFICAZES para que possamos lidar e controlar esta doença quando a mesma quiser nos fazer uma “visita” desagradável.

Descobri também que o TDC é uma doença que faz parte do TOC e que normalmente, quem tem o TDC também tem TOC… E é algo que atualmente me policio bastante tb e luto para que eu o mantenha sob controle.

Ainda continuo fazendo tratamento. Gostaria de agradecer a minha terapeuta, pois sem ela, eu não conseguiria chegar até onde eu cheguei e nem ter conseguido resgatar a alegria de viver. Obrigado Dra. C.G. Gostaria também de agradecer à minha família e à Deus, que também foram fundamentais nessa minha jornada.

Espero que este depoimento sirva de alguma forma, para alguém. Abraços.

To nas bancas – Revista Sou mai eu

 

To nas bancas. Revista Sou Mais Eu! da Editora Abril, edição n. 288 do dia 24 de maio de 2012. O moço da banca disse que chegou terça-feira e nas bancas que eu passei algumas já não tinham mais. Custa R$ 2,00 e dentro da revista tem uma página dupla que eu falo sobre dismorfia corporal e a Dra. Maria Cristina Ramos Britto explica o que é.

Para ver outras participações minhas na mídia clique aqui.

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Obrigada!