Biblioteca do blog atualizada

Os links dos PDF que estão no blog (no menu em “Biblioteca) estavam com os links quebrados por conta de um problema na migração do meu blog para outra hospedagem onde uma agência de mídia digital a qual eu solicitei o serviço pra fazer o backup dos meus arquivos não salvou corretamente. Com isso perdi todas as imagens e PDF que estavam no blog. Aos poucos estou colocando tudo de volta e agora a Biblioteca do blog já está com todos os PDF recolocados.

Tenho mais PDF do assunto para incluir, pretendo fazer em breve.

Busca pela selfie perfeita pode gerar selficídio

Essa foi a manchete do jornal local que eu dei entrevista hoje “Busca pela selfie perfeita pode gerar selficídio”. Eu não assisti a matéria toda pra ver o que foi falado, mas o que gera dismorfia corporal é o bullying em primeiro lugar. Em segundo lugar a imposição do mundo por uma ditadura da beleza, em terceiro a insegurança (muitas vezes acarretada pelos dois primeiros fatores). O “selficídio” dentro da dismorfia corporal é só uma característica dentre tantas outras. Nem todo mundo que tem selficídio tem  dismorfia corporal.

O selficídio pode ser uma doença da modernidade (como li em algum site de notícias por aí) mas a dismorfia não é! A anorexia foi identificada como um problema clínico em 1868, então antes disso já devia existir mas a medicina só foi evoluindo com o tempo até que ela fosse realmente reconhecida. A mesma coisa acontece com a dismorfia corporal. Em 1903, Pierre Janet, um psicólogo e médico francês descreveu sobre a obsessão da vergonha do corpo, enfatizando o extremo desconforto dos indivíduos que sentiam-se feios e ridículos. A dismorfia corporal não surgiu por conta das capas de revistas, das SELFIES que estão falando no momento, das propagandas de beleza. Isso também faz com que a dismorfia se desenvolva mas isso não é o princípio ativo de tudo isso.

Estou um pouco frustrada com a proporção errada que estão dando em cima desse tema. Parece algo idiota “ah quem bate muita foto tem essa tolice ai chamada dismorfia corporal”. Não é isso! Não podemos banalizar a dismorfia corporal. As pessoas com dismorfia corporal sofrem muito por estarem passando por isso. A maioria delas não tem o apoio da família. Até mesmo muitos profissionais (psicólogos, psiquiatras etc) não sabem sobre o assunto. É um distúrbio que traz sofrimento psicológico e social tanto quanto a anorexia. Só que a dismorfia não traz tantos danos a saúde porque as pessoas não deixam de se alimentar igual a um anoréxico e não possuem dinheiro para fazer tantas intervenções cirúrgicas como gastariam. É muito mais fácil parar de comer para uma pessoa que sofre de anorexia do que gastar R$ 5.000,00 (ou mais) em uma cirurgia plástica (para os dismórficos).

Não quero a dismorfia banalizada. Isso é um transtorno sério, recebo muitos relatos (estão ai no menu do blog em “depoimentos”) e outros que recebo por email de pessoas que pensam em tirar a própria vida por conta do sofrimento que a dismorfia causa. É preciso saber tratar desse assunto corretamente e com respeito.

Dismorfia Corporal e o Selficídio

Selficídio, que palavra nova e esquisita né? Se me perguntassem o que é isso eu ia dizer que é sobre pessoas que se fotografam enquanto cometem suicídio.

Maaaaas, pelo que saiu na reportagem da UOL sobre o assunto é “o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem”.

A minha opinião sobre a dismorfia corporal e as selfies é que os dismórficos batem foto sim. Não todos, há os que não batem foto por nada nesse mundo. Mas o que batem e postam acabam batendo muitas fotos, mais de 100 e tentam achar sempre a melhor pose e a melhor iluminação para uma foto ideal. Se der pra usar maquiagem (homens com dismorfia também usam maquiagem, não é raro) para camuflar e melhor ainda mais o resultado da foto assim será feito.

Eu não acho que o “Selficídio” é de agora. Isso já começou na época do Fotolog (quem lembra?) em 2004 e depois passou por Orkut, Facebook e agora Instagram. Eu mesma tenho fotos quando eu ainda tinha dismorfia corporal, com muita maquiagem, muita luz e muito Photoshop na cara pra poder ser postado. E tenho conversas de MSN (saudades msn) em brincadeira proibindo minhas amigas de postar minhas fotos no orkut sem minha autorização (porque eu tinha que ver se gostava da foto e editar antes de serem publicadas).

O dismórfico busca a auto afirmação através das curtidas, dos elogios, mesmo tendo aquela dúvida se as pessoas estão sendo verdadeiras, porque ele não se vê da forma que as pessoas falam. Na entrevista da UOL me perguntaram “você é contra as selfies?” Não sou. Acho legal a pessoa bater foto e publicar se isso faz bem pra ela. O que eu sou contra é a ditadura da beleza impondo sempre a pessoa perfeita que não existe. Olhe a sua volta, quais pessoas você conhece, do seu convívio que possuem o padrão de beleza imposto pela mídia?

Vou mostrar algumas fotos que eu publicava na minha época de Fotolog e Orkut.

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Olha a quantidade de efeito do Photoshop nessa foto de cima, parece uma boneca de cera.

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Fotos sempre com muita luz e muito efeito pra que não aparecesse minha olheira e meu olho esbugalhado.

E meu papo com minha amiga em 2008 (eu na época com 25 anos) proibindo ela de por minhas fotos no Orkut.

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Perguntas e Respostas sobre mim e a Dismorfia Corporal

Vou por aqui todas as respostas que respondi para a entrevista da UOL. Segue:

1. Gostaria de saber qual sua profissão, estado civil e cidade onde mora. Hoje você tem 28 anos?
Hoje eu tenho 34 anos. Moro em Florianópolis SC, sou publicitária, solteira.

2. Você menciona que desde criança se sentia feia. Como era sua relação com as fotos? Ainda não havia a selfie, mas ver sua imagem nas fotos de papel ou digitais te causava algum desconforto? Tem alguma história para contar sobre isso?
Eu não gostava de bater fotos quando criança e até chorava porque não queria (tenho foto com a familia chorando porque não queria bater foto). Depois quando cresci e veio as máquinas digitais eu batia bastante selfie, usava bastante maquiagem, batia mais de 100 pra escolher uma e depois editava no photoshop pra tentar diminuir as imperfeições.

3. Atualmente você faz terapia?
Não. Eu fiz terapia quando pequena (quando eu tinha uns 7 anos), minha primeira sessão de terapia foi desenhando minha família, fiz por cerca de 2 anos. Depois fui crescendo sem conseguir resolver o problema de me achar feia, fiz terapia novamente com 21 anos e ficava na mesma, a gente não progredia com o tratamento porque a psicóloga não sabia que era dismorfia corporal (não conhecia esse tipo de transtorno ainda pouco conhecido). Em 2007 cheguei a ir em outra psicóloga mas achei que não ia adiantar tentar novamente, então não segui o tratamento. Então em 2009 (com 27 anos) eu estava com depressão e não sabia. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites. Então fui pro Google tentar descobrir o que eu tinha porque vi que aquilo não era normal. Fui lendo sobre distúrbios do sono porque a princípio estava pensando que eu não conseguia dormir. Depois passei pra distúrbios psicológicos, li sobre alguns tipos de esquizofrenia e fui passando de distúrbio por distúrbio até que cai na Dismorfia Corporal. Quando li, parecia um relato sobre a minha vida. Na hora já me identifiquei e tive quase certeza que era aquilo que eu tinha. Voltei na mesma terapeuta que eu tinha ido em 2007 porque era a única que eu consegui pensar no momento e comentei com ela sobre a dismorfia corporal. Ela falou que eu tinha mesmo e então começamos o tratamento e ela me encaminhou para o psiquiatra porque eu estava visivelmente com depressão (eu nem conseguia falar, só chorava). Fiz o tratamento por 6 meses, uma sessão por semana no começo e depois passamos para uma sessão a cada quinze dias. Li muito sobre dismorfia corporal, auto imagem e ditadura da beleza. No final do ano decidi me mudar de cidade e interrompi a terapia mas continuei o tratamento com o psiquiatra tomando os remédios. Em 2011 percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal e até hoje considero algo superado na minha vida. Os especialistas dizem que não existe cura para a dismorfia corporal mas que existe um controle, então posso dizer que está controlada sem sintomas. Eu não sou a única com esse relato de superação, há outro leitor (homem) do blog que relatava sua vida difícil por causa da dismorfia corporal e que com esforço conseguiu mudar e hoje não se considera mais com dismorfia. Infelizmente ele não da entrevista porque diz que se trata de uma época triste de sua vida que prefere esquecer.

4. Em que medida aquela foto alterada, mostrando como você se via para a sua terapeuta, auxiliou no tratamento? Você se incomoda se publicarmos como você se via e como é? Ou prefere mandar outra foto?
Eu fiz a foto porque eu achava que só falando como eu me via não mostrava a proporção dos defeitos que existiam para mim. Minha psicóloga imaginava como eu me via, entendia sobre o assunto e me compreendia mas eu achava que ela não entendia o grau disso. Fiz então para ilustrar como eu era para mim. Pode publicar a foto, essa foto já foi publicada em revista e passou no programa da Fátima Bernardes.

5. O transtorno afetou seus relacionamentos afetivos? Você namora ou é casada?
Até meus 27 anos afetou sim porque sempre fui insegura por conta que me achava feia e que ninguém ia se interessar por mim. E que se alguém se interessasse seria por pena. Depois que superei a dismorfia já tive outros relacionamentos e minha aparência não interfere em mais nada. Hoje sou solteira, tive recentemente um namoro de 3 anos que terminou por outros motivos que não tem a ver com a minha aparência e hoje procuro alguém que goste de mim pelo que eu sou por dentro, mas não me considero feia.

6. Quando o quadro foi controlado e o que precisou acontecer para que fosse considerado controlado?
O quadro foi considerado controlado a partir do momento que eu não tinha mais nenhum sintoma da dismorfia corporal. Como por exemplo o isolamento social, sofrer por conta da aparência, ver defeitos que não existe, tentar esconder algum defeito, deixar de ir em algum lugar porque as pessoas vão reparar em você, ficar conferindo sua aparência o tempo todo etc. Eu nunca mais deixei de fazer nada por conta da minha aparencia.

7. Você ainda toma medicação? A medicação que tomou foi para depressão?
Não tomo mais. A medicação que tomei foi para depressão porque a depressão que eu tinha era por conta da dismorfia corporal, da frustração que eu tinha com a minha vida. Tomei Citalopram 20 mg.

8. Você sofria de ansiedade quando se via no espelho ou em fotos? O que sentia?
Sim. Todos que tem dismorfia corporal tem ansiedade. Eu ficava ansiosa e frustrada porque via muitos defeitos e achava que eu ia ser assim pro resto da vida. Eu não tinha dinheiro pra fazer as cirurgias que eu queria pra corrigir meus defeitos e torcia que um dia as coisas mudassem e eu conseguisse fazer todas as intervenções cirúrgicas e dermatológicas pra ficar bonita..

9. Pela sua relação com o público, através do blog, você considera que a tecnologia e as selfies têm piorado a relação das pessoas com o próprio corpo?
Não. Eu acho que quem bate selfie é porque gosta de si mesmo e é saudável a gente se cuidar e se amar. O que eu sou contra é a ditadura da beleza e a imposição de padrões do que é bonito e o que é feio.

10. Em sua opinião, qual a influência do padrão de beleza das modelos e atrizes -e a forma como ele é vendido como sendo o exemplo a ser seguindo- sobre a autoimagem das meninas?
Existe um padrão de beleza imposto pelas agências de modelo do que é a medida ideal. Além das revistas e propagandas de produtos de beleza que estipulam o que é um corpo bonito e isso virou um rótulo. As pessoas acabam buscando esse ideal inexistente, somente uma pequena parte da população possui as medidas de uma modelo e nem por isso as outras pessoas não são bonitas. E com isso as pessoas (homens também sofrem de dismorfia) acabam se frustrando por não estarem dentro desse padrão de beleza. Temos que entender que não somos só uma altura, ou só um nariz, só um olho, só um cabelo, só uma barriga etc. Somos um conjunto de características exteriores junto com nossas características interiores (nosso caráter, nossa personalidade, nossos gostos pessoais etc). Isso é o que compõe o que somos e é isso que tem valor.

Quero também dizer que a maioria dos emails que recebo de pedido de ajuda são de homens e não de mulheres. Será que a dismorfia atinge mais homens que mulheres? Não sei dizer porque para isso ser confirmado precisaria de uma pesquisa bem elaborada. O que eu posso dizer sobre isso é que muitas mulheres devem sofrer com a dismorfia corporal e não sabem porque hoje a imposição do corpo perfeito com a ditadura da beleza muitas mulheres devem achar que estão sofrendo por não estarem dentro dos padrões de beleza mas que isso não é um distúrbio psicológico.

Também é preciso diferenciar a dismorfia corporal de uma pessoa que faz muita plástica simplesmente por estética. Uma pessoa com dismorfia vai querer fazer muitas cirurgias plásticas mas nem todo mundo que faz muita cirurgia plástica tem dismorfia corporal. O que diferencia uma pessoa da outra é que a pessoa com dismorfia corporal faz as plásticas porque sofre com aquele problema enquanto a outra não sofre, apenas está insatisfeita e procura uma melhoria. Um exemplo de uma pessoa sem dismorfia que já fez várias plásticas é a Angela Bismarchi.

 

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

Dei entrevista para a UOL essa semana. Segue abaixo a matéria.

08/02/17

Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio

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Melissa Diniz
Do UOL

Com o avanço da tecnologia e a popularidade dos celulares com câmera, o hábito de tirar selfies (fotos de si mesmo) e postar em redes sociais virou uma febre. Mas não é todo mundo que lida bem com a própria imagem. Quem sofre de selficídio costuma perder horas tentando chegar à imagem perfeita, o que gera ansiedade e frustração.

A publicitária Solange Cassanelli, 34, de Florianópolis (SC), começou a sentir na pele este sintoma muito cedo. “Quando tinha sete anos, comecei a fazer terapia, pois sempre me achei feia. Eu não gostava de tirar fotos, tenho algumas, com a família, em que apareço chorando. Quando cresci, surgiram as máquinas digitais eu tirava mais de cem, usando bastante maquiagem, para escolher apenas uma. Depois ainda editava para tentar diminuir as imperfeições”, conta.

Solange demorou a entender a causa de seu sofrimento. “Eu tinha 27 anos quando descobri pela internet. Ao ler sobre o transtorno dismórfico corporal, senti que parecia um relato sobre a minha vida. Na hora, já me identifiquei. Levei o diagnóstico para a psicoterapeuta, que confirmou e me encaminhou a um psiquiatra”, diz.

Para que a terapeuta entendesse melhor como ela se via, Solange editou uma foto sua, inserindo as imperfeições que enxergava em si mesma. “Minha psicóloga imaginava como eu me via, mas eu achava que ela não entendia o grau disso.”

Além da psicoterapia, Solange precisou fazer uso de antidepressivos. “Eu não sabia que tinha depressão. Achava que todas as pessoas tinham problemas na vida e era normal sofrer. Não conseguia dormir e chorava todas as noites.”

Durante o tratamento, ela criou o blog Diário de uma Dismorfia para auxiliar outras pessoas que sofrem do transtorno a compreender e superar a condição.

Seu quadro hoje está controlado. “Em 2011, percebi que eu não tinha mais nenhum sintoma e até hoje considero algo superado na minha vida.”

Defeitos que não existem

Segundo a psiquiatra Maura Kale, que faz parte da rede Doctoralia, plataforma digital que conecta profissionais de saúde e pacientes, o termo é um neologismo para relatar um sintoma do TDC (transtorno dismórfico corporal), doença mental caracterizada por uma insatisfação com a própria imagem. “Normalmente, há uma distorção na maneira como a pessoa se vê. Ela enxerga defeitos onde não existem e não consegue achar a foto boa. Então, tira muitas, apaga e depois tira outras, sem se contentar, pois tem padrões inatingíveis de exigência.”

Ter vício de fazer selfies, como a socialite Kim Kardashian, não caracteriza, necessariamente, o selficídio. “O transtorno está presente se houver prejuízo à vida da pessoa e consequente sofrimento”, diz.

Ponta do iceberg

O selficídio, explica a médica, precisa ser investigado, pois, em geral, revela outros problemas sérios. “Além do TDC, é comum que a pessoa também tenha TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), pois tem uma obsessão com sua imagem. Pode apresentar, ainda, transtorno narcisista, ansiedade, depressão, anorexia e até mesmo ideia de suicídio.”

Além da enorme perda de tempo em função das fotos, o selficida tem baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos e constante busca por aceitação. “O mecanismo de postar fotos de si mesmo é uma espécie de autopromoção. A pessoa procura conseguir as curtidas em uma tentativa de obter o respaldo dos outros. Mas, primeiro, usa aplicativos e programas de edição para deixar a foto perfeita”, explica Maura.

Selficidas também são frágeis emocionalmente, bastante vulneráveis a críticas e frequentemente insatisfeitos. Complexo, o quadro precisa ser tratado com psicoterapia e, em muitos casos, com medicação.

Manifestação precoce

Apesar de atingir muitos adultos –de ambos os sexos– o transtorno dismórfico corporal costuma se manifestar ainda na infância. “A maior incidência, segundo pesquisas, é na faixa que vai dos dez aos 15 anos. Quando investigados, os casos quase sempre revelam a existência de abuso, relacionamentos difíceis com os pais e bullying”, diz Maura.

A especialista considera que os pacientes que sofrem do transtorno costumam se espelhar em modelos de beleza sustentados pela indústria da moda, publicidade e pelas revistas de beleza. “São parâmetros irreais e que, por comparação, geram muito sofrimento.”

Fonte: UOL

Alicia Keys diz que não vai usar mais maquiagem.

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Cantora escreveu carta e se disse ‘cansada de sempre ser julgada’.
‘Mulheres são manipuladas para quererem ser magras, sexy ou perfeitas’, diz.

Alicia Keys divulgou fotos sem maquiagem e escreveu uma carta em que justifica a escolha de aparecer com o rosto “limpo”: “Não quero mais me esconder. Nem minha cara, nem minha mente, nem minha alma”, escreveu a cantora.

“Antes de começar a fazer meu novo CD, escrevi uma lista com todas as coisas que eu não aguentava mais”, escreveu Alicia. “Uma delas é como as mulheres são manipuladas para acharem que sempre têm que ser magras, sensuais, desejáveis ou perfeitas”, completou.
O álbum citado por Alicia, ainda sem nome divulgado, já teve sua primeira música de trabalho lançada no início de maio, “In common”. É o primeiro single de Alicia Keys em quatro anos.
“Eu estava cansada do constante julgamento sobre as mulheres”, disse Alicia sobre a escolha de não usar mais maquiagem. Ela criticou a busca por ideais de “perfeição”: “Quando eu ensino a mim mesma que também posso ter defeitos é quando me torno bonita.”

Fonte: G1

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A preocupação era, para ela, ainda maior, pela condição de celebridade que a leva a ser fotografada e publicada mesmo que não queira – e isso a levava a diariamente se preocupar com sua aparência, baseada principalmente no que os outros pensariam dela. E é justo isso a que Alicia não quer mais se submeter.

“Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem minha mente, nem minha alma, nem meus pensamentos, nem meus sonhos, nem meus esforços, nem meu crescimento emocional. Nada”, ela finalize, concluindo a razão pela qual decidiu abandonar de vez os cosméticos.

Foi depois de posar para um ensaio sem maquiagem alguma que a epifania se deu para Alicia. “Me senti poderosa! Era o meu desejo inicial, de derrubar paredes, ouvir a mim mesma, ser eu mesma. Eu, real e crua”.

Ela diz esperar sim se tratar de uma revolução – a revolução de que ninguém precise mais se cobrir, se esconder, ser quem os outros querem que você seja. A revolução de se descobrir. E mesmo esteticamente o resultado é imbatível: Não há nada mais bonito do que estar natural, à vontade, real e feliz.

fotos: divulgação/Paola Kudacki

Fonte: Hypeness 

A luta de Daiana Garbin para aceitar o próprio corpo

Bonita, bem-sucedida, apaixonada. Motivos não faltavam para Daiana Garbin, ex-repórter da Rede Globo, se sentir realizada. Mas não era o que ela via no espelho. Depois de mais de 30 anos desejando um shape que não é o seu, ela recebeu o diagnóstico de dismorfia corporal, uma das doenças da beleza, que já atingem 30% das brasileiras

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Eu achava que tinha apenas uma preocupação excessiva com o corpo. Considerava até meu sentimento fútil, bobo. Um ano atrás, retomei a terapia e minha psicóloga me deu o diagnóstico de uma doença de que eu nunca tinha ouvido falar: dismorfia corporal, ou síndrome da distorção da imagem. Procurei ajuda especializada porque o sofrimento estava muito grande, mas não pensava que uma doença psiquiátrica estava por trás do que me incomodou a vida inteira. Em choque, decidi que era hora de parar de sofrer calada. Foi assim que surgiu, há um mês, o canal do YouTube Eu Vejo, para dar apoio a mulheres que, como eu, também querem fazer as pazes com suas formas.
A insatisfação – na verdade, a raiva – que tenho do meu corpo vem lá da infância. Me lembro do dia em que chorei pela primeira vez por ser a mais gordinha do grupo: foi na aula de balé, aos 5 anos. Vestida de collant azul, eu era barrigudinha, enquanto via as outras meninas magras, com o corpo longilíneo com o qual eu desejava ter nascido. Aos 12 anos, a professora de educação física do colégio mediu e pesou todos os alunos da turma. Eu, que já tinha 1,67 m, era a mais alta. Adivinhe quem também era a mais pesada… Os 60 quilos cravados na balança eram proporcionais à minha altura, mas na minha cabeça só registrei uma coisa: eu era a gorda da galera. Na adolescência, a angústia aumentou. Quando queria sair, eu colocava abaixo todo o guarda-roupa para acabar vestindo calça jeans e camisa preta, meu ‘uniforme’ até hoje. Muitas vezes, não gostava de nada e desistia. Ficava em casa chorando.
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Nessa época, forcei distúrbios alimentares: entrava em blogs para aprender a ser anoréxica e cheguei a tentar induzir o vômito. Graças a Deus, não fui bem-sucedida em nenhum desses planos. Mas, como queria ser mais magra de qualquer jeito, comecei a tomar escondido remédios para perder peso. Desejava conquistar o corpo de uma modelo, achava chique ter os ossos do ombro e da bacia aparentes. Só o que consegui foi uma depressão.
Dietas malucas viraram parte da minha rotina. Já passei um dia inteiro com apenas uma maçã – desmaiei. Tentei todas as fórmulas para emagrecer. Como nenhuma dessas atitudes extremas funcionava, aos 20 anos me submeti à minha primeira lipoaspiração (depois, ainda faria mais duas). Hoje sei que um dos sintomas da dismorfia corporal é que você acha que o cirurgião plástico vai resolver seu problema. Eu tinha certeza de que, depois da lipo, ia amar meu corpo. Não adiantou nada. E o pior é que o pós-operatório é muito sofrido. Nas horas de dor, eu pensava: ‘O que estou fazendo comigo?’
Ironicamente, escolhi uma profissão que me levou à frente das câmeras. Amo muito meu trabalho e, admito, me sentia protegida porque repórter costuma aparecer só da cintura para cima. Mas sempre me questionei: como posso ter vergonha do meu corpo no espelho se me exponho para milhões de pessoas? Nossa mente é muito maluca e, às vezes, os sentimentos não têm lógica. Acho importante dizer isso porque algumas pessoas podem pensar ‘Nossa, como ela é infeliz’, e não é assim. Amo minha vida e sou agradecida por tudo que tenho. O problema é quando fico cara a cara com o espelho.

Fonte: M de mulher

Rayza Nicacio tem orelha torta?

Eu tava vendo tv e a Youtuber Rayza Nicacio estava dando dicas sobre cabelo e penteados. Foi quando eu reparei na orelha dela que é um pouco diferente, caidinha na parte de cima. Quem quiser pode dizer que a orelha dela é torta, já que tudo na aparência das pessoas tem que seguir um padrão imposto pela ditadura da beleza, não é?

Agora pergunte pra Rayza se ela se importa. Eu acho que ela não se importa, não ta nem aí pra hora do Brasil, senão ela tentaria esconder a orelha a qualquer custo e não é isso que pareceu na tv ou nos vídeos do Youtube do canal dela (procure pelo nome dela no youtube que você encontra), ou já teria feito uma plástica.

Não conheço a Rayza mas parece uma pessoa muito feliz e de bem com a vida e com a própria aparência e auto imagem. Então, que vocês usem a Rayza como fonte inspiradora pra vocês, como um mantra de vida e liguem o foda-se para os outros (clique no “foda-se” ali para ler o outro post).

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Foto que peguei da Rayza Nicacio em um vídeo dela pra ilustrar o post.

Jennifer Aniston sofre a ditadura da beleza

Jennifer Aniston que está com 47 anos e está com o corpo melhor que eu andou sofrendo há pouco tempo a cobrança da ditadura da beleza. Um site publicou na capa que finalmente Jennifer estaria gráfica. sqn. Jennifer apenas estava com uma barriguinha que se adquire com o tempo, de pessoas normais, de pessoas que comem e envelhecem como qualquer outra. Veja as fotos:

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Jennifer Aniston escreveu um artigo em que critica o “absurdo e inquietante” escrutínio ao qual a mídia submete as mulheres.
“Eu não estou grávida. O que estou é farta”, escreveu em um blog para o Huffington Post. “Estou farta do escrutínio feito quase por esporte e dessa exigência com o corpo dos outros feito com a desculpa do jornalismo, da Primeira Emenda e das notícias de celebridade.”

No blog, a atriz acrescentou: “Todos os dias, meu marido e eu somos assediados por dezenas de fotógrafos em frente a nossa casa que fazem qualquer coisa para conseguir qualquer tipo de foto.”
“Quero focar no contexto, no que essa cultura insana dos tabloides representa para todos nós. A objetificação e o escrutínio pelo qual fazemos as mulheres passarem é absurdo e inquietante. A forma como sou retratada pela mídia é simplesmente um reflexo de como nós vemos e retratamos as mulheres em geral, todas medidas por um padrão de beleza torto. Somos nós quem temos que decidir, por nós mesmas, o que é bonito quando o assunto é nosso corpo. A decisão é nossa, e só nossa. Vamos tomar essa decisão por nós mesmas e pela jovens mulheres neste mundo que nós veem como exemplo.”

“Fico chateada por quererem fazer eu me sentir ‘menor’ porque meu corpo está mudando e/ou porque comi um hambúrguer no almoço e fui fotografada por um ângulo estranho, e por isso ser considerada ou ‘grávida’ ou ‘gorda’.”

Já fiz algumas postagens aqui no grupo sobre esse mesmo tema, três postagens que considero muito importantes são:

Foda-se
Foda-se os outros, bora ser feliz
Gordinhas na praia